O estado da mentira

Durante o debate de hoje no parlamento, o Bloco de Esquerda denunciou que num agrupamento escolar de Leiria um dos critérios propostos para avaliação dos professores era a forma como encaravam a política educativa. Pelos vistos, o respeitinho é muito bonito e aqueles que não dobram a cerviz ao governo da nação devem ser penalizados. No fim do debate, a ministra da Educação apressou-se a esclarecer os dislates do Bloco. Segundo Maria de Lurdes Rodrigues, esses critérios tinham sido chumbados pelo conselho pedagógico deste agrupamento de escolas. Mais uma vez, provava-se a aleivosia da oposição contra a impoluta sanha reformadora do governo Sócrates. Azarucho, o desmentido da ministra era falso.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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16 respostas a O estado da mentira

  1. João José Fernandes Simões diz:

    “trapalhadas”…

  2. dsm diz:

    Vejamos:

    – a direcção de um agrupamento escolar de Leiria propõe que “a forma como encaram a política educativa” seja “um dos critérios propostos para avaliação dos professores”;
    – se “a direcção de um agrupamento escolar” propõe um dado critério, que deverá ser apreciado e eventualmente “chumbado pelo conselho pedagógico”, estamos no domínio da autonomia da escola, certo?
    – portanto, quando o Nuno Ramos de Almeida conclui que, “pelos vistos, o respeitinho é muito bonito e aqueles que não dobram a cerviz ao governo da nação devem ser penalizados”, está a criticar uma “direcção de um agrupamento escolar”, não está? (E, se está, como pela lógica não deveria deixar de estar, deveria congratular-se com a posição evidentemente reprovadora da ministra da Educação em relação à inclusão desse critério, certo?)
    – ao que se pode presumir, a ministra procurou informar-se e, com base na informação que obteve, fez uma declaração objectivamente falsa. Isso é uma mentira? O conceito de mentira não tem de acomodar um elemento de intencionalidade?
    – E, no entanto, o Nuno Ramos de Almeida titula o seu post “O estado da mentira”; não “a direcção de agrupamento escolar dos critérios abjectos” ou o “estado das informações erróneas”. Nada disso: “o estado” (embora com minúscula, não pode ser outra coisa) é o ministério, e “a mentira” é a declaração da ministra. Afinal onde está a mentira?

    (A ministra deveria corrigir publicamente a sua afirmação? Acho que sim. Que isso seria tratado pelo Nuno Ramos de Almeida e por muitos outros como uma retractação pública de uma mentira? Apostava que sim.)

    Se tivesse de titular este comentário, seria “o estado da esquerda tablóide reaccionária”.

  3. Sócretino diz:

    E não se pode processar/responsabilizar a gaija(já perdi o respeito a esta gente)?POrque ela MENTIU para desarmar a afirmação.Ora,um ‘governate’ que assim se comporta não te razão para estar no Governo da Nação.(Na minha perspectiva toda essa gente que mente,se arma em esperta ia para a prisão pela baixeza).
    Para quem era especialista em aparatchyks,na burocracia,na perseguição,no ‘orrivel’ centralismo democratico,não está mal,não!Deveria haver um revolta para correr com este lumpen encartado e ao serviço dos terroristas psicopatas que colecionam dinheiro à custa da miséria dos que trabalham

  4. O tirano pode esconder a mão com que atirou a pedra: há-de sempre aparecer um esbirro para dar a cara.

  5. Nuno Ramos de Almeida diz:

    DSM,
    Tem toda a razão: eu sou da esquerda reaccionária por achar anormal que um presidente de um conselho executivo, militante do partido do governo, coloque como critério de avaliação de professores a sua fidelidade à política educativa do governo.
    Sou também totalmente da esquerda tablóide por achar que a ministra quando desmente um facto deve confirmar as informações.
    Já o meu DSM é, certamente, alguém da esquerda moderna.
    Bem haja!

  6. João diz:

    O problema é contudo mais grave do que aqui foi retratado.

    Primeiro a ignorância:

  7. João diz:

    O problema é mais grave do que aqui foi retratado.
    Primeiro a ignorância:
    o primeiro ministro perante a pergunta de Francisco Loução começa por perguntar a que “colégio” se referia o deputado do bloco, ignorando que os colégios não fazem parte de agrupamentos.
    Depois, logo a seguir, passa a responsabilidade para o conselho directivo, ignorando que as escolas já não têm conselhos directivos há alguns anos.

    Depois vem o mais grave.
    Nesta escola a proposta de avaliação de que consta o critério da “verbalização”é uma escola séria. o critério, sendo inaceitável, está escrito, ou pode vir a ser escrito (se o Conselho Pedagógico o aprovar – é obrigatório o parecer do pedagógico????será obrigatório no futuro o parecer do pedagógico? e quando as autarquias mandarem, verbalizações de críticas ao poder local darão penalizações nas carreiras?)

  8. A.Silva diz:

    Este problema entre os professores e o Ministério tem sido um achado para os politicos se chegarem a frente para ficarem bem na TV.Vejo o presidente do maior partido da oposição,na sede da fenprof lado a lado com o dirigente sindical a defender a luta do sindicato dos professores.O presidente do PP já veio tambem defender os professores injustiçados.Ontem o Bloco de Esquerda levantou a questão dos critérios do presidente do conselho executivo de uma escola relativamente a uma ficha de avaliação,é evidente que quem escolheu aqueles critérios é um idiota chapado,mas teve a honra de ser citado na AR.Depois temos os SMS e as manifestações “espontaneas” do professores revoltados,vestidos de preto com velas acesas,um pouco por todo o País,que são tão espontaneas que tem uma página na Internet a indicar as datas e os locais das concentrações bem como a indicação de que dia 8 os autocarros são de borla.Assim vai o país politico.

  9. Caro Nuno Ramos de Almeida,
    Não se trara de ser da esuqerda moderna ou não ou da esquerda reaccionária ou não.
    Trata-se de ser velho na demagogia de utilizar o que se passa numa escola ( entre não sei quantas milhares ) para intutular io post de ” O estado da mentira “.
    A Minsitra não mentiu nem deixo de o fazer. Em minutos ou horas e depois de uma afimação de Loução transmitiu uma informação dada pelos serviços do minsitério.
    O mais significativo do debate sobre este tema foi dado por Sócrates quando em resposta a Louçã disse ( e cito de memória 9 : ” Se a escola em causa procedeu como o deputado Louçã diz eu só tenho de dizer que fez mal.”
    Ponto. Tudo o resto é folclore.
    Cumprimentos

  10. Model 500 diz:

    Custa a crer que seja verdade. Quer dizer que os presidente dos conselhos executivos podem introduzir critérios avulsos na grelha de avaliação dos professores? Quer dizer que um presidente de um conselho directivo militante do PCP pode valorar positivamente , se assim o entender, a forma critica como os professores encaram a política educativa.
    Não acredito.

  11. As coisas não são tão lineares. Leia-se a nova proposta de gestão de escolas; cedo perceber-se-à que será impossível que outra cor política assuma papel preponderante. Tudo o resto sim, é folclore.
    Mas defenda-se este estado de coisas, critique-se quem ainda levanta a voz; mais cedo ou mais tarde, chegará à porta dos restantes que agora aplaudem acaloradamente.

  12. tardes de bolonha diz:

    Mas qual é o espanto?isto é mais um sintoma,entre muitos outros,da tendencia persecutória que se está a verificar na Administraçao Publica,desde a entrada em funçoes deste Governo.È a musculada ASAE,é a bufaria em torno da lei do tabaco,é a identificaçao de professores que deram entrevistas a um canal de televisao(privado,note-se bem!),quando se manifestavam;foi o caso Charrua e muitas outras situações que têm vindo a lume.Para não falar da possibilidade do SIS poder fazer escutas,sem autorizaçao judicial.

  13. João José Fernandes Simões diz:

    Sorrisos educados
    A atitude de contrição da ministra da educação vem tarde e cheira a pouco genuína, achando que as indicações do primeiro-ministro para uma abertura ao diálogo já não dão para reparar os estragos.
    É o resultado de querer fazer reformas contra e não com…, sendo dramático porque as reformas fazem todo o sentido, mas tem existido autismo e arrogância em excesso.

    Ou, porventura, tem mesmo que ser assim, porque também tenho muitas dúvidas que se consigam fazer reformas sem que se tenha que partir a loiça, mas os cacos já são muitos e a ministra talvez se aguente… Mas a fazer uma triste figura.

  14. Junu diz:

    Continua a haver por aqui, por parte de alguns comentadores, uma discussão diletante entre o ser-se de “esquerda reaccionária” e o “ser-se de “esquerda moderna” ( ai, o que eu gosto deste termo), em vez de se preocuparem, com honestidade intelectual, no que se está a passar neste país.

    “Cut the bullshit.”

  15. Algarviu diz:

    É assim: qualquer ministro/a pode veicular todos os disparates que os serviços do seu ministério lhe sugerirem. Como não é ele/ela que os produziu em primeira mão mas apenas o consumidor final, está automaticamente ilibado e (porque não?) até se pode considerar vítima de uma qualquer cabala.

  16. Junu diz:

    Algarviu:

    Porque neste caso a “senhora” é ministra, ministra da nação e tem como pelouro umas das pastas mais importantes numa sociedade qualquer, e como tal e dada a situação explosiva que criou, à força de tanta arrogância e inflexibilidade, não pode nem deve ser leviana e ligeira nas suas afirmações! Tem necessariamente de estar informada. Para isso existem os assessores e toda uma catrefada de gente à sua disposição. A “senhora” tem responsabilidades e não são poucas.

    E já agora uma provocaçãozinha:acha mesmo que a dita tem ar de vítima? Neste momento, parece um pouco acossada, o que não deixa de ser divertido, não estivessem em causa assuntos tão sérios.

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