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  • Arquivo de Fevereiro, 2008

    5 dias visto do espaço

    18 Fevereiro 2008 | por Nuno Ramos de Almeida

    “somos todos amigos dos pretos, das mulheres, dos judeus, dos maricas, não gostamos de futebol nem do governo, por isso se calhar a coisa resulta!”

    O resto é mais divertido.

    Lá vamos nós de novo… não há necessidade.

    18 Fevereiro 2008 | por Maria João Pires

    Já tinha “postado” este texto no meu antro de origem no dia seguinte à  publicação do “Stôres”, de Helena Matos, no Público de terça-feira passada, hoje trago-o para aqui porque a autora acabou de o colocar disponível no Blasfémias. O tema é o ensino em Portugal e a autora aborda-o de forma muito crítica (o que não é novo). Há imenso por onde pegar quando se fala de educação sem haver necessidade de se distorcer a realidade. Quando afirma “Ontem mesmo li, num destes manuais, um texto sobre o sistema circulatório que se limitava a adaptar uma prosa da revista Superinteressante. Era fraquinho o texto, mas mesmo assim entendia-se. Propósito inatingível em matérias como a História, onde um qualquer impulso jacobino proíbe que se ensine o passado diacronicamente. Interdito que está saber o nome dos reis, as criancinhas portuguesas debitam, em escassos meses, uma espécie de cavalgada heróica sobre as classes sociais e as alterações dos meios de produção que vai do terramoto de 1755 ao 25 de Abril de 1974.” (Público, p.43) só posso concluir que não fez os trabalhos de casa, é que se há coisa que se privilegia no ensino da História neste momento é a perspectiva diacrónica e, passe a repetição,  se há coisa que os putos agora fazem bem, logo desde o 4º ano de escolaridade, é o papaguear do nome (e cognome, já agora) dos reis de Portugal. Qualquer pai ou mãe de uma criança deste país a partir dos 9 anos pode facilmente constatar este facto. Para quê, então, usar argumentos que não correspondem à verdade se há tantos outros que são válidos? Porque é um mais eficaz soundbyte usar-se a expressão “impulso jacobino”?Tem mais força como “papão”?

    Como alguém escreveu num comentário no outro lado “É a velha máxima de não deixar os factos atrapalharem uma boa história!”…

    Santa ignorância

    18 Fevereiro 2008 | por João Pinto e Castro

    No Diário Económico da passada 6ª feira, uma colunista taxava de “politicamente correcta” a oposição do Presidente da República à organização em Portugal de um Campeonato do Mundo de Futebol.

    Isto vinha a propósito de quê?

    18 Fevereiro 2008 | por João Pinto e Castro

    O relativismo é como o colesterol: há o bom, e há o mau.

    Balcanices

    18 Fevereiro 2008 | por José Pedro Barreto

    Deram-lhes um pretexto, agora tenham medo. Tenham muito medo.
    Claro que por cá, na Europa cool, nada há a recear em relação ao Alto Adige/Südtirol, à Transilvânia, ao Schleswig/Holstein, aos sórbios do Brandeburgo, à Alsácia, à Bretanha, ao Ulster, à Catalunha, até ao País Basco, a sei lá que mais sítios - muito menos a Olivença ou Rio de Onor. Nem à Costa da Caparica, que um dia destes tem mais farofa que sardinhas. Talvez Barrancos resolva um dia chatear, não sei. A ver vamos.
    Enfim, chatear os sérvios-da-gleba tem sido um passatempo europeu recorrente, pelo menos desde 1914. Eu sei que eles se põem a jeito. Mas a verdade é que estão sempre a embirrar com eles.
    Que se lixe. Agora que os Balcãs estão de novo na ribalta, fica aqui o que E. M. Cioran dizia dos seus povos:

    Esse gosto pela devastação, pelo tumulto interior, de um universo parecido com um bordel em chamas, essa perspectiva sardónica sobre cataclismos acontecidos ou iminentes, essa aspereza, esse farniente de insones ou de assassinos, tão rica e tão pesada herança será nada, será nada esse legado de que benificiam os que de lá vêm? E que, feridos por uma “alma”, por essa mesma circunstância provam conservar um resíduo ainda de selvajaria? Insolentes e desolados, gostariam de se espojar na glória, cujo apetite é inseparável da vontade de se afirmarem e afundarem, da tendência para um crepúsculo rápido. Se as suas falas são virulentas, as suas entoações inumanas e por vezes ignóbeis, é porque mil razões os impelem a gritar com mais força que esses civilizados que esgotaram os seus gritos. Únicos “primitivos” da Europa, dar-lhe-ão talvez um impulso novo; será isso que, por seu turno, ela não deixará de considerar como a última das humilhações.

    Intermezzo de descompressão

    18 Fevereiro 2008 | por Maria João Pires

    Tendo a EDP a fornecer-me electricidade aos soluços, que não me dão tempo para alinhavar duas frases seguidas, decidi trazer-vos este clip… se me apanhasse lá no meio era capaz de pensar “freaking!”


    Camera cachée : tous immobiles dans la gare !
    Uploaded by eltondean

    O Síndrome Jedi

    18 Fevereiro 2008 | por Paulo Pinto

    O Ocidente lá deu mais um arzinho de boa consciência da Humanidade. Os bravos paladinos da paz e da justiça na Galáxia, perdão, na comunidade internacional, dotados de superiores qualidades morais, poderes sobrehumanos e espadas flamejantes. E a Força, não nos esqueçamos da Força, que é, neste contexto, o Direito Internacional e, tcharan, o direito à autodeterminação dos povos.  Os antecedentes não constituem grande abono, mas enfim. Que o digam os curdos, os tibetanos, os palestinianos. O Kosovo acaba de declarar unilateralmente a independência e os garbosos Jedi, com o chefe supremo Yoda-Bush à frente, dão a sua bênção. Não me admiro com a posição americana. É sabido que os americanos nunca foram dotados de perspicácia para a diplomacia. E os Balcãs ficam muito longe da Florida. Já a da Europa causa-me engulhos, por ser de uma irresponsabilidade a toda a prova. Custa-me muito ver como os europeus plantam minas no seu próprio quintal e depois, qundo elas rebentam, vão a correr, para apagar o fogo, a chamar o amigo americano, que vai-não-volta lá usa napalm para resolver o assunto. Ler o resto »

    Azarucho, Maradona, a minha intenção é entregar-te ao ecoblogue para experiências médicas

    18 Fevereiro 2008 | por Nuno Ramos de Almeida

    Aqui

    Draft Lessig

    17 Fevereiro 2008 | por zenuno


    Lessig For Congress from Matt Agnello on Vimeo.

    Lessig for Congress, a movie from Matt Agnello.

    o colinho do senhor thaçi

    17 Fevereiro 2008 | por pedro vieira, o irmaolucia

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    Os dias do “Já” (2)

    17 Fevereiro 2008 | por Luis Rainha

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    Este foi o derradeiro cartoon editorial do “Já”. Recordo-o aqui não só pelo valor sentimental; parece-me também uma óptima metáfora para a busca de uma esquerda “reinventada”, capaz de cumprir sonhos e gerar sentidos, pronta para “transformar a vida”. Infelizmente, o processo ainda não resultou em coisa aproveitável. De híbrido em híbrido, de desilusão em desilusão, lá vai a malta cantando e rindo…

    Uma mesa redonda de esquerda em formato copyleft

    17 Fevereiro 2008 | por Nuno Ramos de Almeida

    A crise da esquerda é uma crise de poder na justa medida em que é uma crise de projecto. As várias esquerdas têm sido impotentes para mudar o poder e de usar o poder para mudar. A alternância dos governos do PS e PSD difarça a ausência de políticas alternativas. É preciso reiventar políticas de esquerda que tenham a ambição de transformar a vida.

    Era positivo que pessoas oriundas das várias esquerdas tivessem a capacidade de pensar em conjunto. Conseguissem construir um terreno de encontro de todos que permitisse a criação de uma agenda comum para a mudança que batalhasse para alterar a hegemonia no terreno das propostas.

    No fundo, seria construir uma sala e um programa de conversas que não privilegiasse nenhum partido de esquerda, mas que fornecesse livremente ideias e reflexões. Um lugar que não pudesse ser instrumentalizado por nenhum partido que excluisse a ambição de ser mais do que uma local de conversa, mas que servisse como criador de ideias para uso comum de toda a esquerda que queira um política de transformação económica, social, política e cultural.

    Adenda: Vi agora que o João Rodrigues já tinha colocado alguma coisa sobre este assunto. Se calhar blogs e pessoas podem ser um bom ponto de partida para criar condições para este tipo de discussão.

    A esquerda assim-assim (Crónica no Meia-Hora)

    17 Fevereiro 2008 | por Nuno Ramos de Almeida

    A esquerda do Partido Socialista é literalmente uma utopia. Como é sabido, “utopia” quer dizer “lugar nenhum”. Por uma estranha coincidência e fidelidade ao conceito, os homens e mulheres da esquerda do PS tendem a nunca serem encontrados. Muitas vezes, não passam de um estado de espírito passageiro ou um simples soluço dissonante no silêncio da governação, modificados por uma suave brisa ou pancadinha nas costas do primeiro-ministro. Não há nada como o pragmatismo dos lugares para acalmar a fugidia ética das convicções. Como dizia o poeta: ‘tudo isto é triste, tudo isto é fado’. Não fosse o país tão cómico, era trágico. Portugal precisa de uma ala esquerda dos socialistas que perante a governação à direita de José Sócrates assuma uma política de clareza e de ruptura. Os alemães têm Oskar Lafontaine para fazer este papel e a nós resta-nos Manuel Alegre. Para além de ser óbvio que os alemães escolheram primeiro, dificilmente vamos a qualquer lado com esta esquerda assim-assim. As declarações de Manuel Alegre de que não se revê na política do governo do Partido Socialista, mas que daí não tira nenhuma consequência, são o corolário desta impotência tão lusitana. No fundo, a esquerda do PS é como os portugueses no seu melhor, perante qualquer conflito, só conseguem gritar: “agarra-me senão eu bato-lhe!”.

    Fazer a festa, lançar os foguetes

    17 Fevereiro 2008 | por Luis Rainha

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    A propósito da agressão com que um aluno de 14 anos brindou o presidente do Conselho Executivo da sua escola, lê-se no Atlântico um irado desabafo do bravo André Azevedo Alves. Este preclaro paladino da ordem acha muito mal que a «esquerda portuguesa aponte sempre que o que faz falta é mais “social”». E lá vão «segurança e ordem pública» para o maneta, coisa natural num país sempre de joelhos ante «a ânsia de conformidade com os ditames do politicamente correcto».

    Para provar esta acusação, AAA apresenta-nos dois links. Pensar-se-ia que pelo menos um deles apontaria caminho para um comunicado do Bloco a recriminar o professor por ter o crânio tão duro que magoou a mão da pobre criança. Mas não. As duas ligações vão parar ao mesmo sítio: um post de outro blog do AAA, o Insurgente. Neste texto, um tal Luís A. Silva congemina, por entre uns quantos erros de ortografia, uma fábula presciente em que adivinha reacções ao caso, oriundas de sindicalistas, juízes, autoridades, etc. O clímax da fantasia: «Sobre responsabilidade, nada.» Isto à mistura com uma insinuação crápula acerca da «língua de origem dos avós» das pequenas e impunes almas criminosas.

    Afinal, a tal «esquerda portuguesa» já nem precisa de dizer disparates. Estes vates apatetados encarregam-se de a acusar daquilo que eles imaginam que ela poderia vir a dizer! Não há fontes nem vislumbres de realidade a apoiar a tese? No problemo, lança-se mão dos delírios de correligionários.

    Ah; já agora, a resposta de AAA a este triste caso é fulminante: «que tal baixar a idade de responsabilidade criminal?» Já o humanista Portas se tinha lembrado de recomendar cadeia (esse templo luso da reeducação) para os bandidos de 14 anos. Eu, se fosse ao AAA, apanhava-os logo na pré-primária, antes que aprendam a ler e se transformem em irresponsáveis esquerdistas.

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    E os mentirosos somos nós? ããã? E a ridícula sou eu? ããã?* (ler com sotaque brasileiro)

    16 Fevereiro 2008 | por Ana Matos Pires

    A capacidade de nos rirmos de nós próprios é uma defesa madura, desejável e adaptativa, portanto, que uso tanto quanto posso e sei. Por isso mesmo, quando alguém se ri de mim a bandeiras despregadas sem que eu o tenha feito nem perceba porquê, o mais provável é o “mal” estar em mim e, então, há que assumir uma atitude pró-activa na busca da inteligibilidade. No presente caso, como não sei “vacalês”, vá de pedir ajuda na descodificação da descodificação disto. Vai daí resultou o seguinte: Ler o resto »

    mind the cunt

    15 Fevereiro 2008 | por pedro vieira, o irmaolucia

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    20 anos sem Dick

    15 Fevereiro 2008 | por Filipe Moura

    Só quero aqui recordar que passam hoje 20 anos sobre a morte de Richard P. Feynman, o homem que disse que “a física é como o sexo: pode dar resultados práticos, mas não é por isso que a fazemos.”

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    Os dias do “Já” (1)

    15 Fevereiro 2008 | por Luis Rainha

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    Bem; já que um dos principais implicados não se acusou aquando disto, toca-me a mim fazer um pequeno périplo down memory lane e ressuscitar um dos anúncios de lançamento do infelizmente extinto . Permito-me chamar a vossa atenção para o desempenho brilhante do actor no papel de sem-abrigo.

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    Elegias

    15 Fevereiro 2008 | por João Galamba

    Para o Lutz

    (…)

    The Sea of Faith
    Was once, too, at the full, and round earth’s shore
    Lay like the folds of a bright girdle furled.
    But now I only hear
    Its melancholy, long, withdrawing roar,
    Retreating, to the breath
    Of the night-wind, down the vast edges drear
    And naked shingles of the world.

    Ah, love, let us be true
    To one another! for the world, which seems
    To lie before us like a land of dreams,
    So various, so beautiful, so new,
    Hath really neither joy, nor love, nor light,
    Nor certitude, nor peace, nor help for pain;
    And we are here as on a darkling plain
    Swept with confused alarms of struggle and flight,
    Where ignorant armies clash by night.

     Dover Beach, Matthew Arnold

    Slippery slope, ou as gloriosas avenidas da bola de neve

    15 Fevereiro 2008 | por João Galamba

    “Saberão tais apóstolos que a escolha, que supõem abstractamente feita em perfeita liberdade, representa um corte total de vida, o ostracismo da família, o isolamento da comunidade de origem, a morte social e talvez algo mais?”

    O Pedro Picoito tem razão em relação ao Islão e à aplicação da Sharia em democracias liberais. Mas o seu raciocínio só não se aplica aos Católicos porque o a maioria destes já não são bem Católicos; pelo menos não como o Papa o desejaria.

    O que me deixou mesmo a salivar (eu salivo) neste post é a possibilidade de estender parte do seu argumento a  outros domínios. Pedro, para quando um escrito sobre legalidade formal e homossexualidade? É que o argumento do seu post tem outras aplicações. Ai se o Henrique Raposo sabe disto…