Jornalismo substancial

Nas edições de segunda-feira e terça-feira, o Público assinala as eleições presidenciais do Chipre dizendo que ganhou “o candidato nominalmente comunista”. Este “nominal” é um mistério. Percebe-se que, sob a bitola esclarecida da grande timoneira Teresa de Sousa, os jornalistas de internacional do Público são vivamente desaconselhados a admitir que um dirigente de um partido comunista possa ganhar eleições num país da União Europeia. Mas, não estando em causa a bondade da intenção, “nominal” significa, aqui, que o partido é de nome comunista, embora na realidade não seja. Ora, os factos são ligeiramente diferentes: o vencedor é, Dimitris Christofias, secretário geral do AKEL – Partido Progressista dos Trabalhadores, força política que se considera maxista-leninista. O AKEL não é “nominalmente” comunista é apenas ideologicamente. Que bom termos os óculos da Teresa de Sousa para ver o mundo, o que seria de nós sem a verdade a que temos direito.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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