Somague, Obama e ponto G (Crónica no Meia Hora)

O dia foi marcado por três acontecimentos revolucionários: descobriu-se que PPD/PSD é afinal PPD/Somague, o primeiro-ministro Sócrates descobriu a frase Yes We Can de Obama e os italianos descobriram o ponto G. Foram descobertas a mais para um só dia. É bom de ver que os únicos que acharam alguma coisa de jeito foram os italianos. O resto é a fruta habitual no inferno local. Há muito tempo que todos nós desconfiamos que os partidos da área da governação tinham ligações perigosas com as grandes empresas. A Somague ter pago o novo símbolo do PSD só vem apimentar a questão. O actual secretário-geral do PSD, Ribau Esteves, garante querer descobrir toda a verdade. Se os tribunais lhe fazem a vontade, arriscam-se muitos a ir parar a um espaço livre para fumadores. Graças a Deus para os fumadores que as prisões e os hospícios são dos poucos sítios onde é possível fumar.

A verdade da democracia está ligada à transparência do financiamento dos partidos. Mas é uma hipocrisia permitir campanhas de centenas de milhões de euros e depois imaginar que esse dinheiro vem das árvores. É preciso uma lei que limite os gastos dos partidos nas campanhas eleitorais, que financie os partidos exclusivamente pelos militantes e pelo Estado e que garanta a igualdade de meios entre todos os partidos em campanha eleitoral.  

Obama encanta todos os políticos portugueses. O problema é que os políticos portugueses copiam a forma e deitam fora o conteúdo. Quando Sócrates garante que ‘Sim, nós podemos criar 150 mil postos de trabalho’, qualquer eleitor português, sabendo que o desemprego não para de crescer, devia-lhe responder: ‘se podes, porque é que não fazes?”

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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5 respostas a Somague, Obama e ponto G (Crónica no Meia Hora)

  1. Publicidade enganosa, Nuno, bof.

  2. Luís Lavoura diz:

    “uma lei que limite os gastos dos partidos nas campanhas eleitorais”

    Por que é que um partido não há-de gastar o que lhe apetecer, se tiver dinheiro para isso e se esse dinheiro não tiver sido obtido através de nenhum delito?

    Então os partidos, tal como toda a gente em geral, não hão-de ser livres de gastar o que bem lhes apetecer? Se o dinheiro tiver sido obtido de forma legal e honesta?

    “que garanta a igualdade de meios entre todos os partidos”

    O Nuno está com a mania da igualdade. Se um partido tiver dez vezes mais militantes que outro, e dez vezes mais dinheiro, não há-de ter o direito de o utilizar? Faz sentido obrigar o PSD e o POUS a gastarem exatamente o mesmo dinheiro?

    Nuno, Você precisa de uma cura de desintoxicação de comunismo, rapidamente.

  3. CARLOS CLARA diz:

    O Ribau quer saber toda a verdade? Para mim ele já se explicou: “Foi um desleixe”. Eu deduzi que teria existido um desleixe na precaução do facto. Está explicado.

  4. Luis Rainha diz:

    Luís,
    Numa democracia, a escolha deveria ser entre pontos de vista e políticas, não entre capacidades de saturação de espaços publicitários. Não me parece nada bem que o poder do dinheiro tenha rédea livre para persuadir os votantes.

  5. A melhor frase sobre as eleições americanas, infelizmente lida num espaço de direita, era qualquer coisa como (cito de cor) “Isso só vai ter graça quando o Obama bombardear o primeiro país”. Neste simples soundbyte se desgraça toda a esquerda que está presa ao argumento do mal menor.

    Sobre o financiamento das campanhas parece-me que a expressão centenas de milhões de euros é um pouco atirada pro ar, exagerada. Ainda assim, pensar que o financiamento vem dos bolsos dos militantes e do Estado é como pensar que o Benfica se governa com as quotas dos sócios. O urbanismo também terá uma palavra a dizer, digamos que tem golden share nessa assembleia.

    O ponto G, tal como o Luis Lavoura, é o verdadeiro achado. A mania da igualdade é de facto uma doença, pena que não seja uma epidemia.

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