On Kosovo, again

Espera-se uma expressão ansiosa de apoio a isto da parte de todos os arautos do princípio da auto-determinação dos povos que tão pressurosamente acolheram a declaração unilateral de independência do Kosovo.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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8 respostas a On Kosovo, again

  1. ezequiel diz:

    Caro António

    Concordo com o Sr. Saeb Erekat. Se bem me lembro, a declaração já foi feita. E, claro, concordo em absoluto com a existência de um estado para o povo Palestiniano. Quanto às condições que permitem a viabilização deste projecto: ambos tem que ceder, a expansão dos colonatos e a ocupação terão que acabar e os Palestinianos, especialmente em Gaza, terão que meter a casa em ordem. O problema central, na minha opinião, é o da simultaneidade (várias cedências ou esforços de parte a parte que ocorrem em simultâneo…como sabes, além da dimensão Israelo-Palestiniana…há uma outra dimensão, a de Israel-Hezbollah propriamente dita, a de Israel-Hezbollah-Irão-Siría e há também a dimensão Israel-EUA-UE…e mais algumas certamente! :)) de várias dimensões, todas elas pertinentes. Logo, não se trata de um problema central mas de vários problemas centrais (todos eles com capacidade de afectar decisivamente todo o processo negocial). Poderão acusar-me de relativizar a coisa. Parece-me evidente que todas estas dimensões são relevantes (e muito bem estudadas e documentadas). Desejo-lhes o melhor a Israelitas e Palestinianos, espero que consigam um acordo que acabe de uma vez por todas com esta tragédia.

    Eu sei que tu és um universalista e que, provavelmente, os devaneios nacionalistas não te agradam muito. Mas, a meu ver, é importante reconhecer que uma coisa é a organização de uma polis (o que requer, no mundo de hoje, um estado) através da criação de um estado e outra, bastante diferente, é a celebração chauvinista do nacionalismo cultural que recorre ao estado para promover coisas insidiosas. É necessário assegurar um mínimo sustentável de cordialidade entre as elites governativas e os seus dois povos, algo que promova a reabertura de práticas de convivência…que façam com que os povos se conheçam melhor e percebem que tudo isto não passa de um perfeito absurdo (trágico). O conflito entre Judeus e Árabes não está inscrito na natureza das coisas. Muito pelo contrário. Viveram durante centenas de anos em paz. São povos irmãos (refiro-me a afinidades culturais profundas, apesar das diferenças evidentes) Para se chegar a um estado para dois povos, algo que não é uma impossibilidade a longo prazo, primeiro tem que se criar uma cultura de convivência profícua. Quais são os meios ao dispor das classes políticas de ambos os países para conquistar esta convivência: consegues imaginar estes esforços sem pressupor a existência de dois estados viáveis e, acima de tudo, democráticos?? Não me parece. Dito isto, não creio que o Hamas vai abdicar dos seus dogmas e dos seus misseis, que os Israelitas deixem de cometer erros e injustiças de bradar aos céus…espero que não mas, no que diz respeito a esta parte do mundo, já nada me surpreende. Todavia, esta é a minha grande e inequivoca parcialidade: a cultura política israelita é genuinamente democrática. Fico-me por aqui, que isto já vai longo.

    boas noites, abraço,
    ezequiel

  2. samm diz:

    Ora nem mais! Também me parece!

  3. Se Moncho diz:

    Por suposto que os Palestianos devem ter um estado próprio, ou pelo menos deveriam poder decidir a que estado pertencem.

    Por outro lado o direito de autodeterminação é como o divórcio. Poder exercé-lo não significa obrigatoriedade. Um casal feliz pode permanecer casado toda a vida, mas é bom saber que em caso de conflito existe possibilidade de separação. Também distintos povos podem formar parte dum mesmo estado, mas se a convivência se deteriora, o melhor e poder separar-se civilizadamente.

  4. ezequiel diz:

    António

    vou guardar uma cópia para ti.
    http://socres.org/vol74/issue744.htm

  5. António Figueira diz:

    Obrigado a todos pelos comentários e desculpa-me, Ezequiel, por ainda não ter intervindo – fica para o fim-de-semana, mal tenha tempo. Abraços, AF

  6. P.Porto diz:

    A Palestina só não declarou ainda a independência unilateral porque não quis. Desde há vários anos que tem o mundo todo pronto para reconhecer o novo país, incluindo Israel. Também desde há vários anos que a parte efetivamente ocupada apenas por palestinos se auto-governa – Gaza e cerca de metada da Cijordânia – sem a presença de qualquer autoridade israelita.

    O que se passa é que tanto os palestinianos responsáveis como os irresponsáveis medem o que têm a ganhar e a perder com a declaração. E que ninguém tenha dúvida que eles próprios percebem que têm mais a perder do que a ganhar.

    Se declararem a independência têm de tomar conta da sua própria casa, têm de se mostrar viáveis como Estado. Deixarão de haver desculpas para o farwest em que os palestinos transformaram o território que há já vários anos administram, em especial o grande manicómio chamado Gaza.

    Numa Palestina independente haveria muita gente que teria de mudar de vida. Não mais seria possível andar a dar tiros de kalashnicov porque hoje é a véspera de amanhã. Quem fabrica rockets e depois os dispara sobre Israel também deixava de ser visto como coitadinho, como agora é. O poder teria de ser exercído com civismo e tendencialmente sem corrupção, tudo o que hoje não acontece entre eles.

    Com uma Palestina independente o mundo exigiria que o novo Estado respeitasse a integridade territorial dos vizinhos, desde logo de Israel. Isto contraria o propósito de aniquilação de Israel da Síria, do Irão e de muitos palestinianos Quem pretende destruir Israel só tem a ganhar com a manutenção da situação tal como ela está do que com a instituição de um Estado que tivesse de se comportar como tal.

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