Censuras a metro

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Não sei bem onde começou a coisa. Não foi nas noticias que li sobre a expulsão da Vénus de Cranach do Metro de Londres. Mas agora já parece certo, pelo menos a fazer fé na prosa inflamada do Blasfemo CAA. O cartaz foi proibido não por uma hiper-sensibilidade à sensibilidade alheia, nem em obediência às regras de afixação de publicidade nas paredes do Tube. Ná. «O Metro londrino pretendia “não chocar os utentes”, protegendo os seus clientes muçulmanos da visão ‘pecaminosa’ da nudez feminina» (negrito meu). E pronto. Se saiu assim no CM, deve ser verdade.

Nem vou discutir intenções para mim opacas. Parece-me apenas que muita gente se poderia chocar com o nu da lasciva senhora — do Bin Laden à minha avó. Mas está já aí o novo interdito: um cartaz da peça Fat Christ foi também proibido de circular em tão pudicos túneis. Por cá, o lindo reclame do menino a usar uma máquina de lavar roupa à laia de sanita também saiu do ar, talvez afugentado pela fúria dos escuteiros.

Valerá a pena proteger as almas sensíveis, ou é melhor deixar o mercado pespegar o que quiser à frente de quem não é tido nem achado na recepção de mensagens “provocadoras”? Mas isto é a minha costeleta moralista a teorizar. Há uns anos, não consegui resistir à tentação

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