“Yes, we can!” *

Na conjugação destas três simples palavras encontramos a alma Americana. O “yes, we can!” presume a existência de um limite que será transposto pela via da vontade. Foi na transgressão revolucionária dos limites impostos pela hegemonia imperial Britânica que a América encontrou a sua identidade, o sentido do seu ser e do seu devir. A crença no poder transformativo da vontade humana é um dos mais importantes aspectos da cultura política Americana, um aspecto que transcende os particularismos ideológicos e as fissuras que deles advêm. Todas as correntes da cultura política Americana interiorizaram esta pertença ao futuro como facto primordial. A pertença ao futuro não assenta na negação cega e dogmática do passado mas na aceitação da evidencia que o passado é, mais do que um mero legado de gerações passadas, um futuro que foi arduamente conquistado e formado pela vontade humana. Interpretar a história de outra forma é um horrendo acto de renúncia, de abandono, de sujeição. Nos EUA, a vivência do passado é impregnada pela convicção de que a história não é apenas um conjunto de diktaks e de práticas a que estamos sujeitos. Não, é mais do que isto. É uma celebração da criatividade. O que se celebra não é a história em si mas a criação da história pela vontade. A memória da capacidade criadora é hoje invocada por todos os candidatos à Presidência dos EUA. O candidato que melhor a representa é, a meu ver, Obama.(por razões complexas que não interessa considerar aqui, por agora) É interessante notar que muitos conservadores americanos respeitam o senador democrata do Illinois. Porquê? Porque Obama fez-se ultrapassando limites pela força da vontade. Obama, no psique colectivo Americano, é um Founding Father. Quando esta evocação histórica é aliada a um programa credível de mudança (que ainda não foi detalhado por razões que se prendem com os cálculos da sua estratégia eleitoral), tudo é possível.

* texto inicialmente publicado no www.ilhas.blogspot.com

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