Count thy blessings, hermano!

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Ante a perspectiva de por fim ver Castro pelas costas, Bush já saliva: veio pedir eleições livres e justas em Cuba —  «not these kind of staged elections that the Castro brothers try to foist off as true democracy» — e garantir que «os EUA vão ajudar o povo de Cuba a concretizar as bênçãos da liberdade».
Nem me passa pela ideia pensar que as eleições cubanas — em que nunca são sufragados projectos político antagónicos aos do poder — são coisa sequer discutível. Mas que seja um presidente que chegou ao poder da forma que todos recordamos a fazer tal reparo, isso já me faz sorrir um pouco.
Mais irónica ainda é a história das «bênçãos» que em breve choverão sobre Havana, oriundas de Washington ou de Miami. É que os cubanos já tiveram algum vislumbre dessas piedosas oferendas: através das acções da Fundación Nacional Cubana Americana, subsidiada durante anos com dólares do National Endowment for Democracy, e de malta como Luis Posada Carriles.
Este ex-agente da CIA foi um dos autores do atentado bombista ao voo 455 da Cubana de Aviación, em 1976. Neste acto de terrorismo, morreram 73 pessoas. Isto sem esquecer as bombas que, em 1997, rebentaram em vários hotéis de Havana; mais obras de associados da FNCA. Os EUA comprovadamente sabiam disto, mas os generosos subsídios “for Democracy” continuaram.
Pelo que se vê, nem todo o terrorismo é mau. E alguns terroristas, como Orlando Bosch, até podem ser boas pessoas, merecedoras de acolhimento caloroso — e de generosa indulgência — por parte do clã Bush.

Entre a possibilidade de mais uma dinastia socialista e amigos assim, os cubanos estão bem tramados.

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