Os dias do “Já” (1)

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Bem; já que um dos principais implicados não se acusou aquando disto, toca-me a mim fazer um pequeno périplo down memory lane e ressuscitar um dos anúncios de lançamento do infelizmente extinto . Permito-me chamar a vossa atenção para o desempenho brilhante do actor no papel de sem-abrigo.

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12 respostas a Os dias do “Já” (1)

  1. João diz:

    Esta foi a minha revista preferida…

    acho que ainda tenho por aí a maior parte dos números…

    acabou e a publicultura ainda fez mais qualquer coisa e depois…

  2. nuno magalhães diz:

    Fui eu que despertei estes artigos em redor da Já e da Vida Mundial. E discordo do rótulo Malta de Esquerda Vs. Cruel Mercado. Porque não se trata exactamente só de uma questão de mercado. Basta ver que uma grande percentagem da população portuguesa não está representada nos critérios editoriais. Em Portugal, não existe um único órgão de comunicação social editorialmente à esquerda (mesmo o centro-esquerda está ocupado pela honrosa excepção da Visão). Colunistas de esquerda foram desalojados dos seus postos (Nalguns casos, disseram que eram caros, noutros trocaram pura e simplesmente com gente vinda da direita). Baptista-Bastos (a andorinha do DN, que também pia no Jornal de Negócios) e João Paulo Guerra (no DE) serão os jornalistas de esquerda do espectro opinante português. Nos colunistas de de fora do jornalismo, estou a ver Daniel Oliveira e o Rui Tavares. No centro esquerda, fica-se quase o Medeiros Ferreira (corrido do DN e que arranjou colocação no CM). Obviamente que se o mercado funcionasse – e admitindo que quer a esquerda quer a direita lêem jornais em igual percentagem- haveria mercado para jornais de esquerda ou centro-esquerda sobreviverem. O que aí há defende o combate ao défice como o alfa e o ómega e solução única da salvação nacional, que deve pouco às opiniões de esquerda – do PCP ao PS de personalidades como Ferro Rodrigues ou Manuel Alegre. No falso mercado que aí temos, revistas paroquiais sobrevivem mesmo sem vendas, e sem os favores dos leitores, apenas porque há interesse dos investidores em manter vivas ideias conservadoras. Já num órgão que vendesse (logo tendo os favores do mercado) mas tivesse uma maior percentagem de editorialistas de esquerda, a publicidade desapareceria, matando-o. Resultado: temos uma comunicação social mansarrona, jornalistas domesticados, cheios de preconceitos, que fazem jornais todos iguais uns aos outros, de mero entretenimento, incapazes de um rasgo ou de abandonar uma agenda monolítica e única. Pelo menos um terço da população portuguesa não tem onde se reconhecer em termos de informação.

  3. Maria João Pires diz:

    Luuuuiiiiis, o video “is no longer available” porquê? 🙁 não se faz, aguçar o apetite e depois népias

  4. Luis Rainha diz:

    Perdão; já funciona de novo.

  5. Sócretino diz:

    Plenamente de acordo com o comentador Nuno Magalhães.Na radio temos o Carlos Carvalhas (na TSF) que me tem surpreendido com as análises e a maneira desenvolta e arejada como tem apresentado as suas teses.Temos ainda o Octávio Teixeira e o José Manuel Pureza (ambos na Antena 1) e a Joana Amaral Dias(TSF), de resto a imprensa jornalistica é nicles em termos de pessoal de esquerda.Quem disse ‘que o mercado é a liberdade’? Para explorar,alienar e defender o continuo roubo da sociedade,pelos Bilderbergs deste mundo.
    O meu bem haja ao http://resistir.info ao http://odiario.info à znet ao
    Voltaire Net, ao MR,IndyMedia,etc,…

  6. Sócretino diz:

    Ah! e o Le Monde Diplomatique

  7. nuno magalhães diz:

    Não foi Vicente Jorge Silva, de centro-esquerda e que, é verdade, tem uma coluna no Sol, quem tentou criar um novo jornal sem conseguir arranjar financiamento? O homem que fez da revista do Expresso um caso de sucesso e que fez do Público aquilo que ainda vai conseguindo ser? [apesar das óbvias falhas de visão: o criador da geração rasca, foi um dos que retirou peso à luta contra a fixação de propinas. Quatorze anos depois, tal como tinham previsto os partidos de esquerda (PCP, PSR, UDP, PCTP e até certas franjas socialistas) o país está no primeiro terço das propinas mais altas da Europa a 15, esem que isso se tenha reflectido na melhoria das condições de ensino.] Mas, dizia eu, Nuno Ramos de Almeida – e outros, que aí estão desempregados ou armados em frilancers – bem se podiam abalançar a tentar dinamizar um projecto novo – semanal ou diário, que fizesse a diferença pela deontologia e variedade de opiniões.

  8. Maria João Pires diz:

    Nuno, qualquer projecto editorial tem que ter viabilidade económica, só carolice não vale (o Luis “taga”, e muito bem, este post como “cruel mercado”). E o facto é que os projectos editoriais lançados nos últimos anos, assumidamente de esquerda – os já aqui referidos a que se pode juntar a efémera “Ideias à Esquerda” – não vingaram por falta de leitores.

  9. nuno magalhães diz:

    Maria João, Peço-lhe que me releia à luz de novos dados. Se a Constituição ainda defende a liberdade de Imprensa (sem interferência estatais ou económicas), também defende o direito do confronto de diversas correntes de opinião. Isto faz para mim todo o sentido. Não defendo em Portugal uma comunicação social enfeudada a posicionamentos ideológicos. O país é demasiado pequeno e tem poucos leitores. Mas, sinais dos tempos, a comunicação social acumulou-se na mão de uns poucos (Um movimento de jornalistas que aí anda até criticou em abaixo assinado que o Governo legisle contra a concentração), e a diversidade de opiniões reduziu-se de forma infame para quem gostaria de ler mais opiniões e opiniões de outras bandas. Pacheco Pereira (que experiência profissional terá para perorar em tanto sítio e ser ouvido com atenção?) aparece na Quadratura do Círculo, no Público, na Sábado e deve faltar-me algo. A limpeza das opiniões de esquerda é uma realidade nos jornais e nas televisões (rádio ouço nada): Basta contar cabeças, como quem conta espingardas. Veja-se a posição ideológica dos directores em vários jornais que é maioritariamente de direita, passando-se o mesmo com os editores que escolhem e que fazem as agendas.
    Nada impede que surja um jornal que cubra outros temas, e de forma mais rigorosa. Nem tem mesmo de ser de esquerda, mas apenas de ter opiniões plurais. E novas, já agora. De vários sectores.
    Eu gostava que esse jornal ouvisse também sindicalistas e o público quando fala de economia e de medidas que afectam as pessoas. Que ignorasse, os soundbytes e a espuma e tratasse do que está no fundo. Que não publicasse takes governamentais como se fossem uma notícia. Que procurasse o contraditório, o heterodoxo. Para quê ouvir o Vital Moreira sobre a remodelação governamental, como fez o Público? Não faz sentido que só quase três anos depois de o Governo começar a mexer nas urgência comecem a surgir as reportagens sobre as urgências. Isso é mau jornalismo, edição indigente, falta de sentido da notícia dos directores. Eu já tinha direito a ser informado em 2006. E se os leitores compram jornais que fazem trabalhos iguais e parciais, porque diabo não comprarão um que abra o leque ideológico e de pessoas ouvidas? Dantes havia mais equilíbrio ideológico e os jornais vendiam mais, possivelmente também por isso e não apenas por causa da net e dos blogues- conheço muita gente que deixou de comprar jornais por estar farta de ver sempre as mesmas opiniões e as mesmas ideias, das mesmas pessoas ou seus epígonos.
    [em aparte: Claro que a falta de leitores não é um problema que impeça a circulação e citação extensa de um órgão de uma revista. Se ela servir bem, não lhe faltará nem publicidade, nem financiamentos. E isso existe – publicações sem mercado mas que o mercado protege e acarinha – embora digam ser contra o proteccionismo. Se servir mal os interesses económicos, mesmo que seja uma boa publicação, com capacidade de implantação, pluralista e a vender bem (o que não paga sequer o preço de capa, como se sabe), garantindo até publicidade – um sucesso de mercado, em resum-, não arranja financiamento. Não se trata só de carolice. O mercado e os financiadores cercam o que não os serve.

  10. Maria João Pires diz:

    O meu comentário era só uma réplica a esta sua frase “Mas, dizia eu, Nuno Ramos de Almeida – e outros, que aí estão desempregados ou armados em frilancers – bem se podiam abalançar a tentar dinamizar um projecto novo – semanal ou diário, que fizesse a diferença pela deontologia e variedade de opiniões.”.

  11. nuno magalhães diz:

    João, Percebi isso. Sei que não vai lá só com carolice (mas se falo num projecto novo que fizesse a diferença pela deontologia e variedade de opiniões não estou exactamente a refererir-me a uma coisa de esquerda, basta ser plura para já ser diferente e bom), mas também acho que é preciso começar a andar. Há há muitos jornalistas com vontade de um projecto novo, que pense de outra maneira. Acredito que Ramos de Almeida possa estar nesse campo.

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