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bom jornalismo, i.e.

8 Fevereiro 2008 | por Fernanda Câncio

a rede informática de comunicação que dá pelo nome de internet alberga múltiplas formas de expressão. o facto de ter um acesso irrestrito, tanto do ponto de vista da criação como da fruição, facilita em muitos dos seus utilizadores a sensação de total irresponsabilidade e absoluta impunidade. a generalidade ignorará que as leis sobre difamação que se aplicam, por exemplo, aos jornais e demais media tradicionais são igualmente válidas na internet e nomeadamente na blogosfera. mas mesmo muitos dos que não o ignoram agem como quem crê ou que os alvos da difamação não vão tomar conhecimento ou que apesar de deles fazerem o retrato (reiteradamente, aliás até à obsessão) mais pavoroso eles são na verdade pessoas tão superiores e de sentimentos tão elevados que não lhes ocorrerá defenderem-se através dos meios postos à sua disposição pelo sistema judicial. a isto pode-se, com grande rigor, chamar estupidez. e, para além disso, grande imprudência. até porque, no caso, se está a chamar nomes feios não só a dois jornalistas como ao próprio jornal. evidentemente que agir criminalmente contra uma injúria deste tipo seria encarado por uma grande parte dos utilizadores da internet e sobretudo pelos apologistas de uma peculiar concepção da liberdade de expressão como um acto de perseguição horrível e até, quiçá, de censura. ou seja, funcionaria como uma espécie de ‘confirmação’ da justeza da difamação. e é também isso que descansa os difamadores. o que faz a sua atitude mais perversa e censurável.

tudo isto que está escrito acima é bom jornalismo. ou seja, é correcto, verificável, e adequado à matéria. acontece que é também a minha opinião. lamento que seja tão difícil a tanta gente perceber o que é o jornalismo. mas há sempre a hipótese de lerem uns livrinhos sobre o assunto. ou bons jornalistas. se precisarem de uma lista, eu ajudo.

Comentários

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Data: 8 Fevereiro 2008, 2:49

[...] 8, 2008 Meto-te em tribunal oh Carmex!! Posted by panaxginseng under Genéricos   Reparo agora que tambeem me sinto difamado… sim, todos aqueles posts em que abertamente discordavas de [...]

Comentário de ernesta
Data: 8 Fevereiro 2008, 2:54

carmex e joão gonçalves….ui, olha que dupla de admiradores… bom fim de semana, pázinha.

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 8 Fevereiro 2008, 3:19

rápidos, hem, ernesta? e sobretudo nada previsíveis. esta cena de chamar ‘opinião’ a insulto deve ser cena da tal ‘novilíngua’.

mas talvez ainda mais interessante é que de todos os artigos do dn gente de 2 de fevereiro, só os sobre os novos dois ministros chamaram a atenção da bloguista da farmácia central e a deixaram tããão indignada. por exemplo este — http://dn.sapo.pt/2008/02/02/dngente/um_homem_presidente_a_credibilizar_a.html — não parece ter-lhe causado qualquer urticária. ou este — http://dn.sapo.pt/2008/02/02/dngente/jordao_pintor.html. ou este — http://dn.sapo.pt/2008/02/02/dngente/o_poeta_ganha_premios_literarios_par.html. só mesmo os novos ministros chatearam. e porque, imagine-se, não se diz mal deles. tinha de se dizer mal, certo? se não se diz mal, não é jornalismo. mesmo que todos os entrevistados digam bem, a malta tem de encontrar coisas chatas para escrever. caramba, se são ministros.

enfim. claro que não há jornalistas perfeitos, pelo que agradeço então que me esclareçam sobre o que havia ‘de mal’ para dizer. pode ser aqui, na caixa de comentários, por obséquio.

Comentário de Luís Lavoura
Data: 8 Fevereiro 2008, 11:06

Tenho péssima opinião de seja quem fôr que coloca em tribunal processos por difamação.

A liberdade de expressãod eve ser absoluta, incluindo a liberdade de dizer asneiras sobre outrem.

O remédio para a má expressão é mais expressão, não é suprimir ou castigar a má expressão.

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 8 Fevereiro 2008, 11:43

a liberdade de ‘dizer asneiras’, tipo, por exemplo, que o luís lavoura é ladrão, que roubou dinheiro da faculdade ou lá o que é onde trabalha? ou que abusa dos filhos? ou que bate na mulher? esse tipo de ‘asneiras’ também lhe soa a ‘liberdade de expressão’, a sério?

Comentário de jaime roriz
Data: 8 Fevereiro 2008, 13:43

Sobre a liberdade de expressão. Na verdade a liberdade de expressão é um bem que me é muito caro. O outro lado dessa moeda é a longa noite fascista - ou a própria idade média - onde não se podia dizer quase nada sobre coisa nenhuma. Mas a liberdade é responsabilidade dizia o meu professor de Dto Constitucional - o ilustre Jonatas Machado - e deverá ser essa responsabilidade que deverá fazer a autoregulação. Razão tem a Fernanda Câncio quando diz que na internet não há impunidade. Mesmo que o autor estivesse em burkina faso ou nas ilhas caimans ao ser encontrado em Portugal e ter cometido um crime previsto e punido pelo código penal português seria sem dúvida sujeito a procedimento criminal. Felizmente o ordenamento jurídico português impossibilita a existência de paraísos criminais. Se A for ao egipto (onde a excisão feminina não é crime)praticar a excisão feminina na filha quando voltar é sujeito a procedimento criminal. Portugal é um estado de direito. Pouco eficaz mas um estado de direito. Tendo dito isto e pegando no exemplo do Luis Lavrador dizer que ele roubou dinheiro da faculdade ou lá o que é onde trabalha, ou que abusa dos filhos, ou que bate na mulher coitado tem efeitos não só no que respeita à responsabilidade civil (indemnização) mas também no que respeita à responsabilidade penal (injúria e/ou difamação). Não deixo depois deste arrozoado sobre responsabilidades de achar - já não muito de acordo com a Fernanda de Câncio - que a internet deve ser - por princípio - um espaço de liberdade. Foi para isso que a fizemos ( e eu até fui uma das pessoas que fez a internet (passo a apologia) ) por mim acho que devemos deixar que toda a gente diga o que lhes apetecer da mesma forma que as pessoas sentadas no Nicola no rossio podem dizer que o Luis Lavrador abusa dos filhos. Se alguém o dissesse seria sujeito à responsabilidade penal inerente. Não me parece que possa haver alguma norma que impeça as pessoas de dizer abortices, mentiras ou seja o que for no café Nicola ou na internet. O que acho é que os responsáveis devem ser punidos. Exemplarmente.

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Data: 8 Fevereiro 2008, 14:41

[...] sou uma pessoa importante, agora que a Fernanda Câncio me ameaça com o sistema judicial, por causa deste meu post. E, cara Fernanda, pode acrescentar as frases seguintes ao processo. [...]

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Data: 8 Fevereiro 2008, 14:46

[...] 8, 2008 A grande ameaça Posted by Carmex under Genéricos   Pois é, Panax, lá vou eu ter que dar mais trabalho ao Angiolax. O que vale é que este caso vai ser famoso e ele ainda vai ganhar um reputação de defensor de [...]

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 8 Fevereiro 2008, 14:51

jaime, onde leste que eu não defendo a internet como um espaço de liberdade? mas que grande confusão para aí vai. as pessoas dizem o que entendem dizer. e há coisas que sendo ditas e constituindo difamação podem ser ou não levadas a tribunal, dependendo da vontade e da pachorra do visado, já que há leis feitas para defender as pessoas das imputações falsas e ofensivas que lhes são feitas. tão simples quanto isso.

quanto à diferença entre a ‘opinião’ e o insulto, também há muito a dizer. há insultos que reputo de perfeitamente aceitáveis, mesmo se sempre desagradáveis, dentro dos limites da liberdade de expressão. há uma diferença fundamental entre ser, por exemplo, apelidado de estúpido ou ignorante (coisa que todos os dias, em vários graus e múltiplas formulações, toda a gente faz na net e até nos jornais, em colunas de opinião) ou pôr em causa de forma directa, gratuita e completamente inconsubstanciada, a honorabilidade profissional de alguém, dizendo que essa pessoa faz artigos jornalísticos ‘por encomenda’ de uma entidade qualquer, neste caso o gabinete do pm.

parece que é preciso estar sempre a explicar as coisas básicas, over and over.

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 8 Fevereiro 2008, 15:00

bom, já começou o espectáculo da vitimizaçãozinha. ai, coitadinha da liberdade de expressão, que está em perigo quando já não se pode chamar corruptos aos outros sem ouvir falar de processos em tribunal. aiai, afinal aquele post era só uma opiniãozinha pequenina, sem intenção nenhuma de ofender o bom nome profissional, e por ‘encomenda’ não se queria dizer nada nada, era só uma brincadeira, ahahah. ai, ‘os bloggers injustiçados’ (façam uma associação, boa?)

Pingback de Agora que estamos em maré judicialista « Farmácia Central
Data: 8 Fevereiro 2008, 15:21

[...] em maré judicialista Posted by Carmex under Genéricos   Será que também posso pôr a Fernanda Câncio em tribunal por ter dito, com muita ligeireza, que eu escrevia sob pseudónimo? Ou pelas vezes em [...]

Comentário de Lidador
Data: 8 Fevereiro 2008, 15:40

Já se está a fugir da questão principal que é a untuosidade peganhenta do artigo “jornalístico” da f, sobre esse novo astro que desponta no horizonte cultural português e que brilha já, pelos menos aos olhos arregalados da “jornalista”, como uma supernova.

Temos portanto um génio fantástico no ministério e a f a arear-lhe o brilho.
E ai de quem lhe dirija chufas ou lhe atire cebolas.
Temos Padeira de Aljubarrota, de mão na anca e pé no chinelo.

Comentário de Ana Matos Pires
Data: 8 Fevereiro 2008, 15:54

Até dá dó, Fernanda, em biquinhos dos pés e aos pulinhos.

Comentário de ernesta
Data: 8 Fevereiro 2008, 16:25

f, vamo-nos encontrar no inferno, de certeza… já viste que por causa de ti estão a pecar em plena quaresma?
(ou isto não é pecado?)

Comentário de jaime roriz
Data: 8 Fevereiro 2008, 16:35

fernanda maria, provavelmente estamos a dizer a mesma coisa. Vou deixar o blueribbon falar por mim: http://www.eff.org/blueribbon.html
Cheers

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 8 Fevereiro 2008, 16:39

lidador, ‘untuoso’ e ‘peganhento’, logo ao mesmo tempo? uau.

o que acho mais engraçado nisto tudo é que parece que ninguém reparou que reproduzo as opiniões de 4 pessoas 4 sobre josé antónio pinto ribeiro, e nenhuma das 4 — antónio barreto, luísa schmidt, francisco teixeira da mota e nuno artur silva — é propriamente um alinhado/situacionista. dizem bem do novo ministro, pois dizem. dizem que estão agradavelmente surpreendidos com a nomeação, pois dizem (os depoimentos de cada um, publicados na mesma página do texto linquado, que a eles faz referência até no título, que é uma frase de nuno artur silva, não estão disponíveis na versão net). que chato. mas a ‘culpa’ deve ser minha. devo ter, sei lá, retirado tudo o que eles diziam de mau e desagradável e só guardei o bom. santa paciência.

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 8 Fevereiro 2008, 16:55

ernesta, que ideia, agora pecado. há gente que nunca peca, porque tudo o que faz, por pior que seja, é sempre por BOAS razões, tipo defender o BEM e atacar os MAUS. tsss, tsss. já nós, ou melhor, nozinhas, nunca nunca deixamos de pecar. sêmus açim.

Comentário de António
Data: 8 Fevereiro 2008, 17:41

Luis Lavoura, você não sabe o que significa difamação? Nunca imaginei que não soubesse distinguir entre difamação e simples “asneiras”

Comentário de Luís Lavoura
Data: 8 Fevereiro 2008, 18:06

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 8 Fevereiro 2008, 16:39

Tá a ver, Fernanda, Você tem aqui um blogue no qual pode publicar as suas opiniões e demonstrar que as maldades que disseram sobre si são só falsidades. Assim é que é, assim é que deve ser. Você não precisa de processos judiciais para nada. Se disseram maldades sobre si, o que Você tem a fazer é retorquir, tentar demonstrar que essas maldades não apssam de aleivosias sem fundamento.

É o que eu digo: o remédio para a má expressão é mais expressão. Não é reprimir quem disse asneiras, é demonstrar que não passavam de asneiras.

E Você, Fernanda, felizmente tem ao seu dispôr todos os meios para o fazer.

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 8 Fevereiro 2008, 18:12

luís, vc não existe, certo?

Pingback de Estou sem paciência para mais disparates « Farmácia Central
Data: 9 Fevereiro 2008, 1:44

[...] Posted by Carmex under Antiparasitários, Genéricos   Bom, parece que o problema com a Fernanda Câncio é apenas a minha conclusão - pelos vistos não é suposto eu apresentar a minha visão dos [...]

Comentário de MPJ
Data: 9 Fevereiro 2008, 2:05

Cara Fernanda,

acabei de verificar que o meu comentário não foi publicado. Aceito que é um direito que vos assiste na condição de proprietários do blog.

Aceito, mas não concordo. Acho que demonstra que a vossa liberdade de expressão funciona apenas quando vos agrada. Lamento que assim o seja.

Não estou à espera que publique este comentário, nem me interessa que os visitantes o leiam.

Com os melhores cumprimentos

MPJ

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 9 Fevereiro 2008, 2:23

não sei quem é nem a que comentário se refere — a não ser que seja a um em que se refere à minha vida privada. se é esse, foi apagado.as regras da liberdade de expressão neste blogue têm a ver com decência e respeito por valores fundamentais, como o da privacidade. não são as suas regras nem os seus valores, claramente, mas também não é o seu blogue. percebo que não percebe isso. percebe-se aliás muita coisa, mas, sabe, tudo perceber não é, ao contrário do que se diz, tudo perdoar. perdoe pois que não retribua cumprimentos. é que entre os meus inumeráveis defeitos não está a hipocrisia nem a pseudo-educação.

Pingback de cinco dias » quantas viagens a fátima, e de rojo, valerá este comentário?
Data: 9 Fevereiro 2008, 2:42

[...] marques, aka carmex, no seu blogue e no comentário número 20 a este seu post que já referira abaixo, umas horitas antes deste quase tão igualmente extraordinário mea culpa. nas palavras imortais [...]

Comentário de MPJ
Data: 9 Fevereiro 2008, 14:45

Como diz com algum regularidade, Fernanda, você não existe….

Comentário de amok_she
Data: 10 Fevereiro 2008, 0:17

É repugnante, tanta estupidez junta, mas…continuo a achar q o desprezo é a melhor resposta…na impossibilidade dumas boas chapadonas!

Pingback de O bom jornalismo « Farmácia Central
Data: 10 Fevereiro 2008, 17:18

[...] que podemos questionar o que foi escrito. É isto que os jornalistas não toleram, em especial aqui. Será que os jornalistas são assim tão donos da verdade? Claro que não são o que nos leva à [...]

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