Sangue novo para dentes velhos

Duas confederações patronais concluíram que as empresas suas associadas teriam vidas mais felizes e balanços menos avermelhados se pudessem “renovar” de quando em vez os seus parques de funcionários. Para a CIP, de quando em vez  “as empresas estão apenas carecidas de trabalhadores diferentes e não de menos trabalhadores”. Destarte, surge um novo “fundamento legitimador” para se despedir os velhadas que ousem dificultar a gloriosa marcha empresarial para o Pugresso. E fica ao dispor dos brilhantes patrões tugas uma poderosa ferramenta de re-engenharias, mudanças de paradigma, empowerments ou seja lá qual for a buzzword do semestre.

Formação profissional? Para quê, se basta deitar fora um funcionário e trocá-lo por um de modelo mais recente? Criação de laços de confiança e de pertença entre trabalhadores e empresas? Coisa do passado. Decência básica? Como, se ainda há dias a CAP defendia o direito a despedir até por razões ideológicas?

Os serviços de informação do “5 Dias” conseguiram infiltrar-se numa empresa onde, no maior sigilo, esta nova concepção de relações laborais está a ser ensaiada. À primeira vista, o modelo parece perfeito: a estrutura corporativa desfaz-se periodicamente dos elementos ultrapassados e avança, ágil, reluzente e vigorosa, para o Futuro. O processo pode parecer algo desumano ao olho não-empresarial; mas tal é apenas sintoma de sentimentalismo a carecer de renovação urgente.

Ora fiquem com o protótipo da Nova Empresa Portuguesa, de acordo com os planos da CIP e da CCP:

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5 respostas a Sangue novo para dentes velhos

  1. ernesta diz:

    como explicam estes senhores o sucesso japonês, com gerações inteiras a trabalhar no mesmo sítio e onde a antiguidade é estatuto?
    isto parece aquele velho dito de que quando o bailarino é mau o chão é que tem a culpa.

  2. ruibarbo diz:

    Eu proponho re-engenharia aos patrões portugueses. Tragam estrangeiros para corrermos com esta corja!

  3. Nuno diz:

    São muito bem sucedidos empresarialmente? Não! Ora vamos lá encontrar razões para este insucesso. A culpa ou é dos impostos (q estão abaixo da média da OCDE, atente-se) ou é dos trabalhadores!
    Eu sou da opinião de ruibarbo, substitua-se os patrões por outros que ganhem menos e produzam mais (de preferência alemães ou holandeses) e garanto que os resultados serão melhores e a produtividade tb! (claro que há trabalhadores que merecem ser despedidos e há patrões que não se revêem nesta diarreia mental destes senhores, ou seja é perigoso generalizar).
    Com estas conversas das confederações patronais as convulsões sociais q refere o Gen Garcia Leandro não serão surpresa!

  4. al diz:

    O investimento estrangeiro decresce cada vez mais e os investidores portugueses investem cada vez mais lá fora.
    No limite, toda esta questão será desnecessária.

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