Sangue novo para dentes velhos

Duas confederações patronais concluíram que as empresas suas associadas teriam vidas mais felizes e balanços menos avermelhados se pudessem “renovar” de quando em vez os seus parques de funcionários. Para a CIP, de quando em vez  “as empresas estão apenas carecidas de trabalhadores diferentes e não de menos trabalhadores”. Destarte, surge um novo “fundamento legitimador” para se despedir os velhadas que ousem dificultar a gloriosa marcha empresarial para o Pugresso. E fica ao dispor dos brilhantes patrões tugas uma poderosa ferramenta de re-engenharias, mudanças de paradigma, empowerments ou seja lá qual for a buzzword do semestre.

Formação profissional? Para quê, se basta deitar fora um funcionário e trocá-lo por um de modelo mais recente? Criação de laços de confiança e de pertença entre trabalhadores e empresas? Coisa do passado. Decência básica? Como, se ainda há dias a CAP defendia o direito a despedir até por razões ideológicas?

Os serviços de informação do “5 Dias” conseguiram infiltrar-se numa empresa onde, no maior sigilo, esta nova concepção de relações laborais está a ser ensaiada. À primeira vista, o modelo parece perfeito: a estrutura corporativa desfaz-se periodicamente dos elementos ultrapassados e avança, ágil, reluzente e vigorosa, para o Futuro. O processo pode parecer algo desumano ao olho não-empresarial; mas tal é apenas sintoma de sentimentalismo a carecer de renovação urgente.

Ora fiquem com o protótipo da Nova Empresa Portuguesa, de acordo com os planos da CIP e da CCP:

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