Breve Curso de Linguística Gerativa

Gostaria de principiar a minha colaboração no 5 dias chamando a atenção para algumas entusiasmantes correntes da linguística. Começo pela linguística gerativa, pelas ricas possibilidades que nos proporciona. Uma dessas possibilidades é a capacidade de testar a correcção sintáctica de uma frase ou texto, através da substituição de alguns elementos dessa frase ou texto por outros da mesma categoria gramatical.

Para vos revelar todas as potencialidades desta excitante técnica, vou aplicá-la a um texto real, de um cronista cujo nome agora não recordo:
AS MUDANÇAS DA “CULTURA” “ECONOMIA”

… significam quase sempre mais mudanças na clientela do que mudanças na política. Num sector tribalizado até ao limite, o que muda é a tribo próxima do Ministro, e quem perde é a tribo longínqua. Em função da distância aos subsídios, claro.

O novo ministro chega lá com ideias, gostos, opções diferentes do anterior: gosta mais de teatro de revista bancos, mais de ópera construção civil, mais de cinema agricultura, mais do grupo A ou do grupo B, mais do fado juro ou de Emanuel Nunes Belmiro de Azevedo, vai ao CCB BCP ou à CGD, à Gulbenkian Bolsa de Valores ou a Serralves ao Palácio da Bolsa, dá-se com os bolseiros da escrita gestores do BES ou com os actores da “Rivolução” grandes empreiteiros, está mais com os críticos do Actual do Expresso defensores da Ota, do ex-DNA do Diário de Notícias de Alcochete ou com os do Ipsilon do Público da Portela+1, e por aí adiante conforme as tribos. Como nunca há dinheiro que chegue para todos os gostos e tribos, há sempre uma insatisfação activa na “cultura” “economia”. É só uma questão de tempo até haver outro abaixo-assinado outra polémica na Internet num órgão de comunicação social.

Como se pode ver, este texto não perde qualquer sentido e validade, pelo que se pode considerar que está bem construído do ponto de vista sintáctico e é perfeitamente válido como manifestação de uma expressão escrita.

Em breve conto dar mais achegas sobre o fascinante mundo da linguística descritiva.

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9 respostas a Breve Curso de Linguística Gerativa

  1. Tirando o estimável JPP comungar, com Vital Moreira, da ideia que ministro é com “M” grande. Alguém explica ao pessoal que ministro quer dizer, qualquer coisa como, o menor dos servos. E se mestre e maestro não levam maiúscula, pq raio ministro? Já para não falar de o hábito que os nossos jornais têm de escrever governo ou país com maiúscula. O respeitinho é muito bonito!

  2. Luis Rainha diz:

    Se tirares o “P” a “Abrupto”, a coisa continua igualmente a fazer sentido…

  3. Luis Rainha diz:

    E bem-vindo, ó ex-e-actual-sócio.

  4. Saloio diz:

    Ou muito me engano, ou o novo ministro da cultura ainda vai ser muito falado.

    Conheço o senhor desde os idos de 1975 e tenho sobre ele a seguinte opinião: a) qualidades – competente tecnicamente na sua área (direito comercial), decidido, esclarecido e empenhado; b) defeitos – convencido, egocêntrico, vedeta, toleirão e galã de telenovela.

    De tudo isto somado resulta um gajo porreiro, mas que não consegue resistir a um microfone.

    Oriundo da esquerda trauliteira (foi ele quem rasgou os contratos dos professores da FDL em 1974, nos tempos do MRPP), logo transitou para a esquerda caviar quando começou a facturar bem – ainda todos andávamos de Fiat 600 e de 4 L, já ele andava de Renault 16 (como Mário Soares).

    No entanto, dava aulas animadas e interessantes e, apesar de esquerdista, não se cansava de se referir a Havard. Todos os alunos gostavam dele, e as alunas mais…

    Pouco dado a burros, era rigoroso mas de forma urbana, e até simpático com os alunos da noite (os trabalhadores-estudantes). Dava a cara nas RGAs, sentando-se no anfiteatro no meio da malta, e discutia as suas propostas de igual com os simples alunos.

    Convencido como era, propunha sempre coisas pessoalmente, sem apoios de outros subscritores. Muitas vezes o vi perder votações e aguentar-se democraticamente, aceitando a decisão da maioria.

    Ao contrário da maioria dos alunos, que vestiam invariavelmente a farda n.º 1, de Abril (blue-jeans, camisa de flanela aos quadrados e botas de lona), o Dr. Pinto Ribeiro trajava fatos de alfaiate, camisolas amarelas e sapatos engraxados. Era o primeiro nas manifs operárias pela Avenida da Liberdade abaixo, sempre com os sapatos a brilhar, mas os alunos tinham por ele uma simpatia silenciosa e muito respeito. As miúdas mais, claro…

    A última vez que estive com ele, foi no enterro do Sr. Dr. João Amaral. Lá estava ele, melena despenteada ao vento, óculos de “caixa-de-óculos” da primeira fila na primária, camisa de popeline suiça e Mercedes-Benz ultimo modelo reluzente.

    Só não gostei de ouvir o Joe Berardo dizer, em tom de gozo e prepotência, que tinha sido o advogado quem lhe ligara quando foi nomeado ministro – mas desconheço as circunstancias do telefonema.

    Penso que ele é um verdadeiro trunfo da esquerda-caviar (dos que caminham para o socialismo, mas com o ar condicionado ligado), quer pela rectidão de carácter, quer pela convicção do que sente, quer pelo seu passado coerente – e por isso acho que o Sr. Dr. Pinto Ribeiro vai ser falado, e vai ficar na retina dos populares certamente por boas razões…espero eu.

    Digo eu…
    Penso que o novo ministro não se vai calar, e vai recusar transmitir recados quando o mandarem. Vai ser rigoroso e não vai embalar em cantigas dos incompetentes. Os profissionais do subsídio que se acautelem.

    Na minha humilde

  5. comungo do essencial da opinião do saloio. quanto à história do berardo, parece-me do mais óbvio: eu sou nomeada, pelo governo e por um determinado figurão, para o conselho de administração de uma fundação que gere a colecção do figurão. o governo convida-me para ministro. educadamente, ligo ao figurão a dar-lhe conhecimento do facto e da minha decisão de aceitar. o figurão é entrevistado e resolve contar isso e a maneira como o conta ou a forma como tal é relatado/interpretado dá a entender que eu pedi licença ao figurão para ir para ministro. uma rematada idiotice, sobretudo tendo em conta que estamos a falar da pessoa descrita pelo saloio.

    nuno, também abomino maiúsculas. não sei se já alguém tinha reparado.

  6. provinciano diz:

    O senhor será saloio, mas não é parvo.

  7. Carlos Fonseca diz:

    Que diferença faz este PR do JMDB, da AG, da MJR, da MJM, do SS, entre os muitos MRPP’s que hoje se distribuem pelos partidos do poder ou por cargos nos jornais emblemáticos do regime? Qualitativamente todos são farinha do mesmo saco; quantitativamente são muitos que se safam à grande e à nossa custa… Ah! e todos passaram há muito a engraxar sapatos, os próprios e os outros de gente influente, preferentemente endinheirada.

  8. Carlos Fonseca diz:

    O ‘5 dias.net’ é um ‘blogue’ deveras interessante: os titulares do ‘blogue’ e seus acólitos, mesmo discordantes, formam um círculo de espelhos e reflexos deliberadamente difusos, mas de utilidade recíproca. Há sempre alguém em quem desancar, qual saco de boxeur essencial ao exercício do contraditório – as questões, todas de enorme relevância para a sociedade portuguesa, até podem integrar o gravíssimo problema de se escrever Ministro ou ministro. Temas tão pungentes implicam acções e reflexões ciclópicas. Da opção correcta depende o bem-estar de 2M de portugueses que vivem miseravelmente. Mas, apesar de tudo, temos que relativizar: que interesse tem a vida desses concidadãos, comparado com as polémicas meta-intelectuais, envolvendo os grandes pensadores hodiernos.
    É importante, pois, que os ex-MRPP’s, bem colocados na política e na vida social, pntem por mim referidos, que tantos esforços fizeram e fazem pelo país que somos, sejam protegidos e distinguidos com honrarias e cargos ‘A Bem da Nação’ – o ‘bem dos próprios’ é mera coincidência.
    Cientes dos valores que temos de respeitar, gritemos:
    Sócrates, Sócrates, Sócrates ! Portugal, Portugal, Portugal!
    POR MIM, CONTINUAREI A PARTICIPAR ATÉ QUE A CENSURA ME DOA.

  9. Grandes Férias …
    Quando é que recomeçam as aulas?

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