Púlpitos & urnas

Pedro Marques Lopes declara que a Igreja católica espanhola, “como qualquer organização” tem todo o direito de fazer campanha pelo PP, contra o governo. Este assomo de generosidade democrática e de largura de vistas comoveu-me. E fez-me recuar uns meses, até aos dias do referendo ao aborto, quando os Gato Fedorento escaqueiraram a espécie de argumentação do prof. Marcelo. No rescaldo desse cómico episódio, o agora mui distinto atlante-mor Paulo Pinto Mascarenhas pediu uma charge simétrica, com Francisco Louçã como alvo, à laia de “uma demonstração do pluralismo democrático”. Isto porque a popular trupe de humoristas não podia “tomar partido por nenhum dos lados”; se bem me lembro da argumentação desenvolvida pelos fãs da peregrina ideia num blogue do “não”, os Gato estavam a aproveitar-se ilegitimamente da confiança dos espectadores para lhes impingir posições políticas à má-fila. Ideia que hoje nem aflora o pensamento de PML…

Pode ser que agora o Paulo sugira ao episcopado espanhol que em domingos alternados os púlpitos sejam animados com calorosos apelos ao voto em Zapatero. Assim, ficava garantido o tal “pluralismo”.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

17 respostas a Púlpitos & urnas

  1. Pingback: blogue atlântico » Blog Archive » Você é capaz

  2. Carlos Fernandes diz:

    Fazer demagogia é facíl, vejamos: o Zapatero e o PSOE defendem coisas e medidas contrárias ao Cetecismo Católico, donde, onde é que está a admiração que a Igreja não aconselhe aos seus fiéis o voto nesse tipo de partidos?

    Por outro lado admitir que profissionais da comunicação, sejam jornalistas, humoristas, guionistas ou publicitários, possam infringir os seus Estatutos e a Lei que rege, e que determina a sua imparcialidade e neutralidade, para, enquanto profissionais-não enquanto cidadãos, pois aí podem-no fazer obviamente, – tomarem partido enquanto profissionais e através de trabalhos seus, em questões políticas e destas natureza é atingir colegas honestos e isentos em primeiro lugar e descredibilizar a prazo essas profissões no seu todo, pois as pessoas não são estúpidas e ninguem gosta de ser enganado. Se querem fazer política inscrevam-se num partido e vão a votos; senão de hoje para amanhã se as outras profissoes começarem a fazer “politica” do mesmo modo como será Dr. Rainha? Um dentista, ou um padeiro, do PCP ou do CDS -PP vê um doente que saiba que é doutro partido político de que não gosta… eh pá toma lá uma brocada a mais, ou toma lá pão mal cozido por dentro, etc, etc.., não será assim?

  3. PPM diz:

    Grande baralhada LR. Até na citação da minha questão com o RAP. Eu nunca escrevi que os Gato podiam ou não podiam fazer seja o que for, como aliás se lê no poste que lincas. Mas a maior baralhada que fazes é mesmo com o PML. Se o lesses com atenção talvez percebesses a ironia.

  4. Luis Rainha diz:

    PPM: quando escreveu, de cabeça um pouco quente, claro, que a pedida caricatura de Louçã “demonstraria a todos que os Gato Fedorento não transportam militâncias para o programa de televisão na RTP. Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque” — isto não é descrever uma incompatibilidade?—, inspirou uma legião de iluminados que argumentaram repetidamente pela ilegitimidade daquela tomada de posição dos GF. Quanto à ironia do PML, entendia-a bem, mas decidi levá-la à letra por razões lúdicas; já vi que valeu a pena…
    Abraço.

    Carlos Fernandes: você corporiza o tipo que caricaturei uma linhas acima. Inventar “Estatutos e a Lei que regem” a actividade de humoristas talvez revele saudades da URSS. Não mostra grande contacto com a realidade.

  5. tric diz:

    Salazar esteve no lugar certo da história ao apoiar os cristãos espanhois na guerra civil contra as ratazanas jacobinas-bolcheviques e companhia !

    http://br.youtube.com/watch?v=0aYuHUohld8&feature=related

  6. CARLOS CLARA diz:

    Se a direita, não falando de fascismo, tivesse compreendido as razões do comunismo, não se estaria hoje numa democracia cheia de nódoas.

  7. ruibarbo diz:

    Boa Luís, não vás em futebóis -que é como quem diz: em ironias demasiado subtis.
    O PML critica o Estado. O Estado, esse malvado, produz clientelas, e a Igreja, qual capuchinho vermelho (neste caso, da opa) não pode fazer mais do que render-se ao lobo mau.
    Não é que a promiscuidade entre o pp e os beatos seja um nojo. não é que a igreja aproveite para fazer política quando lhe convém, mas quando não foge dela como do diabo (vide rato-zíngaro na Sapienza).

    Por isso Luís, continua que vais bem. Ironias demasiado subtis são normalmente profissões de fé. PML o irónico? Du hoc dicis

  8. nuno magalhães diz:

    Rainha, Mas você dá espaço a opinião vinda da Atlântico pq?

  9. Luis Rainha diz:

    Nuno: entertainment value. E o PPM é um tipo às direitas.

  10. nuno magalhães diz:

    pode ser, mas quando o assunto é igreja e opus dei (nem sempre a mesma coisa) dali nunca vem muito espírito crítico

  11. nuno magalhães, só posso concluir que nunca leu o pedro marques lopes. é no mínimo de evitar fazer generalizações sobre um blogue incluindo toda a gente que lá escreve sem se dar ao trabalho de o ler.

    como, luís, não é razoável usar um texto do pedro para atacar uma posição do ppm. o facto de escreverem no mesmo blogue e revista não faz deles twin souls. eu devo saber, porque concordo com o pedro em quase tudo e com o ppm em praticamente nada.

  12. Luis Rainha diz:

    Fernanda, pois, pois, mas não foi isso o que eu fiz. Usei sim um texto actual do Pedro para me meter, a brincar, com o Paulo, pedindo-lhe uma tomada de posição consentânea com a pretérita. “Ataque” é outra coisa bem diversa.
    Aliás, é sintomático da clarividência dos dois atlantes em questão que o primeiro se tenha enxofrado com a brincadeira e o segundo não.

  13. ‘Ideia que hoje nem aflora o pensamento de PML’ — parece-me que isto não é ‘pedir ao paulo uma tomada de posição consentânea com a pretérita’, é não ter em conta a ironia do texto do pedro. mas enfim, devo estar nos meus dias de falta de clarividência.

  14. nuno magalhães diz:

    Fernanda Câncio, Concluirá o que lhe apetecer. Por mim, por muito acerto que PML até possa ter – é verdade, às vezes tem, so what? -, não vejo vantagens nenhumas em frequentar a Atlântico, foi peditório para onde já dei. Não preciso de doutrina. Têm uma projecção blogosférica e publicidade que as vendas manifestamente estão longe de justificar. Por muito mais, faleceram a Já ou a Vida Mundial.

  15. Luis Rainha diz:

    Sim, mas eu explico: “Ideia que hoje nem aflora o pensamento de PML” é uma verdade simples, com ou sem ironia; mas nunca seria “atacar uma posição do ppm”.
    A parte do “pedir ao paulo uma tomada de posição consentânea com a pretérita” veio no fim , quando escrevi “Pode ser que agora o Paulo sugira ao episcopado espanhol (..)”.

  16. A bem dizer, Luís, acho mesmo que nem hoje nem nunca tal ideia aflorou – que palavra mai linda – o pensamento do Pedro.

  17. fl diz:

    He pá. O Luis Rainha ainda vai ser expulso cá do tasco. Vai, vai…

Os comentários estão fechados.