Em que altura é que se fodeu este blogue?

Era para começar a escrever só para a semana (e só para a semana é que começo a sério), mas ao ler o texto da Maria João sobre o “membro viril” não resisti. (Não é à toa que andámos na mesma escola.)

Escreveu a Maria João sobre o “caralho”. Pessoalmente, prefiro foder. Ou antes, “foder”. Prefiro o verbo “foder” ao substantivo “caralho”. Literariamente, nem se fala. Dois dos meus escritores favoritos, Mario Vargas Llosa e Rubem Fonseca, são verdadeiros artistas a “foder”. Fazem maravilhas. A Vargas Llosa roubei o título desta postagem; à falta de melhor exemplo (há muitos, mas é o único que tenho à mão) repare-se neste texto de Rubem (com que, por coincidência, comecei a escrever regularmente no Blogue de Esquerda há quatro anos):

«Prender um macumbeiro, um receptador, é uma estupidez. O sujeito preso custa um dinheirão à sociedade, cumpre algum tempo na cadeia e sai pior do que entrou. (…) Se o sujeito for um risco grande para a sociedade, um criminoso psicopata, coisa assim, aí o cara tem que ser tratado apenas.»
«E a família da vítima?»
«Foda-se a família da vítima. Você fala como se estivéssemos no século dezoito, antes de Feuerbach. A pena como vingança. Você devia ter estudado melhor esta merda na faculdade.»

O “merda” também é bom, mas a força toda vem do “foda-se”. Muito melhor que o “caralho”. Existem então dois grupos de pessoas (eu divido sempre as pessoas em grupos, seitas, categorias e tal, e os bons são sempre aqueles a que eu pertenço): as que preferem o “caralho” e as que preferem o “foder”. Eu pertenço sem dúvida a estas últimas.

A fonética do “foda-se” é muito melhor que a do “caralho”, principalmente aquele “fô” inicial. Não há nada mais irritante do que a abreviatura (muito comum na escrita dos jovens de hoje) da-se (ou dasse). Não sei se julgam que parecem “bem educados” por omitirem a sílaba tónica, mas quem tira o “fô” ao “foda-se” tira-lhe tudo. É um “foda-se” que broxou. Nem sequer é um coito interrompido: a foda nem começou. A alternativa fónix, tão do agrado de Luís Nazaré, é um bocadinho melhor, mas não há nada que chegue a um fooooooda-se, com o “ô” bem prolongado. Ou então um “que se foda”. Este último é o mais indicado para a pronúncia brasileira: quissifoda! Lindo, não é? Na foda, como na língua portuguesa, os brasileiros têm sempre razão. Bom Carnaval para todos. Fodam muito e em segurança.

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