Sócrates e Deus fora da nossa cama (coluna no Meia Hora)

Uma das conquistas da civilização dos últimos anos foi tirar Deus e o Estado debaixo dos lençóis. Há poucos anos era normal que governos e padres nos impusessem a sua moral, explicando-nos de uma forma muito convincente, como só as penas terrenas conseguem, que há formas de fazer o sexo que são absolutamente proibidas. Ainda hoje, no mundo civilizado e Ocidental existem zonas mais conservadoras, normalmente em estados de maioria evangelista dos Estados Unidos, em que o sexo anal e o sexo oral, entre dois adultos consentâneos, são terminantemente desaconselhados.
Ninguém pretende impor ao Papa e aos cardeais uma vida de sexo dissoluta, nem impedir que preguem a castidade aos outros – problema deles e daqueles que convencem. Apenas se exige que os governos não façam da doutrina religiosa moral de Estado. Entendamo-nos: quem eu levo para a cama é assunto meu, fora do âmbito do governo Sócrates, da União Europeia, da Santa Sé ou da ASAE.
Nesta matéria, entre adultos consentâneos, não há “normalidades” nem práticas únicas. Ninguém deve ser discriminado pela sua escolha sexual. O Estado não pode impor a “normalidade” das religiões à consciência das pessoas. A sentença do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, que condena o Estado Francês a pagar uma indemnização a uma mulher lésbica que foi impedida de adoptar uma criança, é histórica. Vem quebrar a hipocrisia de “permitir” a homossexualidade, mas continuar a considerar que essas pessoas não são “normais”.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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21 respostas a Sócrates e Deus fora da nossa cama (coluna no Meia Hora)

  1. Cfe diz:

    É mesmo! O estado não deve se meter na vida dos outros…Muito menos escalonar e/ou categorizar a natureza, negando-a.

    Mas nessa sentença acabaram por impor um relacionamento fenóticamente desviante (isso vc não vai desmentir, não é?) consetido entre dois adultos a um terceiro.

    E o terceiro é uma criaça que não consentiu.

    E vc ainda comemora. Contra alguem, não é?

  2. al diz:

    Não é bem isso que diz… Leia a sentença – e, já agora, os votos de vencido. É que uma coisa é a discriminação pelo comportamento sexual aquando da apresentação de uma pretensão – que, aliás. não creio que tenha existido; outra é saber o que é o melhor para a criança, que seria o fundo da questão e onde a homossoxualidade, como dezenas de outros comportamentos lícitos, pode muito bem ser uma desvantagem. É que todo o cuidado tem de estar voltado para a criança, não para um inexistente direito a adoptar. Não existe tal direito.

  3. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Meus caros,
    O declaração de que não é favorável a uma criança ser adoptado por um casal homossexual, pressupõe que essa opção sexual é “anormal” e que não é capaz de educar devidamente uma criança. O resto é demagogia. O cúmulo disso é a estranha legislação portuguesa que prefere manter as crianças em perigo em orfanatos do que as entregar a casais em uniao de facto ou homossexuais.

  4. Tiago menor diz:

    Nâo discriminação não envolve forçosamente a aceitação da absurda “reivindicação” dos gays…
    Casamento é entre pessoas de sexo diferente – foi assim, desde os primórdios da Humanidade, e continuará a sê-lo in aeternum… pese todas as teorias e conjecturas abstrusas originárias de mentes distorcidas…
    A questão da adopção de crianças por casais (?!) homossexuais é mais um disparate congeminado por esta gente estranha… Toda a gente sabe que uma criança só se desenvolve normalmente se tiver a referência a um homem e a uma mulher. Não é preciso consultar psicólogos nem tratados de educação. É da natureza. E quando se viola a natureza paga-se caro esse erro…
    O pior é quem vai sofrer são as crianças – e não os mentecaptos que apadrinham estas mudanças…

  5. al diz:

    Que falácia de sábado à tarde! O dilema é falso: os seus termos não seriam o orfanato ou a entrega a homossexuais, mas às centenas ou milhares de casais à espera há anos de poderem adoptar. Outro porcedimento que cerceasse, desde logo, o direito a essa coisa simples que é um Pai e uma Mãe (sem aspas) , seria um atentado – e bem ignóbil – ao superior interesse da criança.
    E é isso que está aqui em causa. Ou não é?

  6. Model 500 diz:

    O NRA é um vanguardista. Ou melhor, é um progressista. Atrevo-me a dizer que no futuro, não muito distante, a adopção de crianças por casais homossesuais será uma coisa normal. E ainda me atrevo mais, dizendo que daí não virá nenhum mal ao mundo. Mas não vale a pena forçar a coisa. Deixemos a coisa ( ou será a causa?) fazer o seu caminho de consolidação. Ainda há muito medo.

  7. Model 500 diz:

    O medo prende-se com o receio de crianças adoptadas por casais homossexuais também o venham a ser, justamente por causa disso. A taxa de natalidade diminui, e é a espécie que fica em causa. Ou então, para não ser tão catastrófico, é o receio de, um dia no futuro, os heterossexuais ficarem em minoria.

  8. Model 500 diz:

    É claro que haverá alguém que diga que não é nada disso. É o simples facto de uma criança que cresça numa família de homossexuais ter mais propensão para desequilíbrios vários. Estudos “científicos” não haverão de faltar que atestem a veracidade desses desequilíbrios. Mas, a meu ver, esses desequilíbrios, a existirem, terão apenas como causa o facto de essa realidade ainda não ser vista como uma coisa “normal”.

  9. Model 500 diz:

    É claro que no futuro ainda distante os casais homo vão ter um problema grave, que é o de constituir uma família mais alargada. É que, nesse futuro distante, não vai haver crianças para adoptar. Só as crianças verdadeiramente desejadas nascerão!

  10. rvn diz:

    nuno,
    Sócrates disse hoje à tarde em Èvora. «Eu nada sei». Não não sei se isto te ajuda no teu assunto, mas pronto, sei lá, lembrei-me de te dizer. Ele falava do Mariano Pinto, é certo, mas achas que se referia ao mesmo que tu?

  11. filipa diz:

    Qual é que é o grande escandalo de haver duas mães?
    É melhor deixar uma criança numa instituição?
    Já conviveram com crianças em centros de emergência, que foram abusadas pelos pais biológicos? Mal alimentadas, com queimaduras de cigarros, histórias de abusos fisicos e sexuais? É questão de lhes perguntarem se preferiam, ou não, ter duas mães ou dois pais que as desejassem e que tivessem condições para delas cuidar.

    “Criança que não consentiu?” Eu não consenti nascer, nem o senhor que eu saiba. Nem consenti ser filha dos meus pais, a mim ninguem me perguntou nada. Ou no caso da criança a ser adoptada em questão: ela consentiu ser abandonada/dada para adopção?

  12. filipa diz:

    E as famosas enormes listas de espera existem porque as familias procuram bébes, com menos de 1 ano, com determinadas caracteristicas fisicas, etc. Acha que há filas de espera para adoptar pré adolescentes com problemas de comportamento? Ou crianças não saudaveis?

  13. Ana Matos Pires diz:

    Posição oficial da APA e da AACAP realativamente à “parentalidade”.

    (Acho que o que se discute é o mal que faz à cabeça dos meninos terem pais – biológicos ou adoptivos – homossexuais – não é?)

    American Psychiatric Association (APA)

    Adoption and Co-parenting of Children by Same-sex Couples
    POSITION STATEMENT
    Approved by the Board of Trustees, November 2002
    Approved by the Assembly, November 2002

    “Policy documents are approved by the APA Assembly and Board of Trustees…
    These are position statements that define APA official policy on specific subjects…” – APA
    Operations Manual.

    “Numerous studies over the last three decades consistently demonstrate that children raised by gay or lesbian parents exhibit the same level of emotional, cognitive, social, and sexual functioning as children raised by heterosexual parents. This research indicates that optimal development for children is based not on the sexual orientation of the parents, but on stable attachments to committed and nurturing adults. The research also shows that children who have two parents, regardless of the parents’ sexual orientations, do better than children with only one parent.

    While some states have approved legislation sanctioning second parent adoption, other court judgments and legislation have prohibited lesbian women and gay men from adopting or co-parenting. Therefore, in most of the United States, only one partner in a committed gay or lesbian couple may have a legal parental relationship to a child they are raising together. Adoption by a second parent, however, would not only formalize a child’s existing relationships with both parents in a same-sex couple, it would also provide vital security for the child. Children could avail themselves of both parents’ health insurance benefits, access to medical care, death benefits, inheritance rights, and child support from both parents in the event of separation. Adoption protects both parents’ rights to custody and/or visitation if the couple separates or if one parent dies.

    The American Psychiatric Association has historically supported equity, parity, and non-discrimination regarding legal issues affecting mental health. In 2000, APA supported the legal recognition of same sex unions and their associated legal rights, benefits, and responsibilities. APA has also supported efforts to educate the public about homosexuality and the mental health needs of lesbian women, gay men, and their families. Removing legal barriers that adversely affect the emotional and physical health of children raised by lesbian and gay parents is consistent with the goals of the APA.

    The American Psychiatric Association supports initiatives which allow same-sex couples to adopt and co-parent children and supports all the associated legal rights, benefits, and responsibilities which arise from such initiatives.”
    ___________

    American Academy of Child and Adolescent Psychiatry (AACAP)

    The American Academy of Child and Adolescent Psychiatry approved the following statement in support of gay, lesbian and bisexual in June 1999:

    “The basis on which all decisions relating to custody and parental rights should rest on the best interest of the child. Lesbian, gay, and bisexual individuals historically have faced more rigorous scrutiny than heterosexuals regarding their rights to be or become parents.
    There is no evidence to suggest or support that parents with a gay, lesbian, or bisexual orientation are per se different from or deficient in parenting skills, child-centered concerns and parent-child attachments, when compared to parents with a heterosexual orientation. It has long been established that a homosexual orientation is not related to psychopathology, and there is no basis on which to assume that a parental homosexual orientation will increase likelihood of or induce a homosexual orientation in the child.

    Outcome studies of children raised by parents with a homosexual or bisexual orientation, when compared to heterosexual parents, show no greater degree of instability in the parental relationship or developmental dysfunction in children.

    The AACAP opposes any discrimination based on sexual orientation against individuals in regard to their rights as custodial or adoptive parents as adopted by Council.”

  14. Cara Ana Pires,

    Contribuição muito oportuna! Já cansava ver este pessoal que nunca viu um livro de psicologia à frente a debitar disparates com a certeza de quem devotou uma vida ao estudo do tema.

    A questão real neste tema é como sempre os problemas mal resolvidos que certos adultos têm… enfim se usar as crianças como escudo humano para proteger os seus preconceitos não fosse baixo o suficiente ainda têm que vender esta pose de paladinos do bem social – não haja dúvida que o sector conservador português anda munido de altos valores morais.

  15. Carlos Fernandes diz:

    Engraçado, falta é dizer que esta posição da A.Americana Psquiatria é conjuntural, fruto das “ventos” progressistas do tempo presente, se calhar daqui a 15 ou 20 anos os ventos mudarão de sentido, e muito; esquecem-se que ainda recentemente – até 1973, creio – a mesma Associação considerava a homosessualidade uma doença…
    Resta também saber se os psquiatras autores deste “estudo” não serão eles próprios, em maioria, constituídos por gays e fufas…

  16. al diz:

    Não é escândalo nenhum ter duas mães. Mas as crianças, sabe como é, preferem um pai e uma mãe, não querem um cromo repetido, por assim dizer.

  17. Depois de tal linguagem que os poderia acusar de serem preconceituosos? E depois de tais argumentos técnicos quem os poderia acusar de não serem os mais elevados representantes da àrea no globo? Alguém não ficou convencido??

  18. Ana Matos Pires diz:

    Ai é, al?… http://br.youtube.com/watch?v=_qf0puHJ-KM

    Que comentário brilhante, Carlos Fernandes, tem toda a razão, diz qu’eles andem por aí em tôdó lado… tadito de si.

  19. al diz:

    A apresentadora pareceu desiludida por não haver ninguém com 3 pais. Depois, todos juntos – isto é a Holanda, não é? – planeariam as eutanásias ou os suicídios. Sociedade arrepiante, a holandesa – a vitória – espera-se que não definitiva da cultura da morte.

  20. Cfe diz:

    Digam aí porque a maior parte dos pedófilos são homosexuais e foram abusados em criança…

  21. Jorge diz:

    Não concordo que uma criança seja adoptado por um casal homossexual. A tendência seria encaminhar a criança para a mesma orientação sexual. Tolero a homossexualidade desde que não incomode ninguém mas não considero que seja um relacionamento normal. Normal é mesmo heteressexual. O resto são tretas…

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