Ávidos leitores

Podemos acusar este governo de tudo, menos de lerem lentamente. O executivo recebeu o Relatório do LNEC há poucas horas e hoje à tarde tomou uma decisão política. São 355 páginas de uma assentada. É obra!

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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5 respostas a Ávidos leitores

  1. João José Fernandes Simões diz:

    «José Reis, docente universitário e ex-secretário de Estado de António Guterres, ficou «chocado por ver o primeiro-ministro a ler um relatório do LNEC como quem vê um placard de jogo de futebol», noticia a Lusa.

    «4-3 ganha o Benfica», observou José Reis ao reportar-se à justificação de que a localização do novo aeroporto de Portugal em Alcochete, relativamente à Ota, se sobrepunha em «quatro dos sete factores críticos da decisão».

    Na opinião deste professor de economia, que se tem dedicado ao estudo das dinâmicas de desenvolvimento regional, o Governo «deveria pelo menos ponderar todas as variáveis que estão em cima da mesa, porque as questões que se colocavam não são preto ou branco».

    «Justificava-se uma ponderação das variáveis. Aparentemente o Governo fez uma leitura simples. Deveria ponderar os critérios e não o fez. O Governo e a política cederam lugar a uma tecnocracia. Há uma enorme demissão do Governo sobre o que era a sua obrigação, sobre o que devia fazer», afirmou.»

  2. João José Fernandes Simões diz:

    O Bicho Carpinteirodiz que «Antes que o galo volte a cantar Cavaco Silva viu José Sócrates anunciar duas medidas que têm o selo de Belém: a ratificação do Tratado de Lisboa por via parlamentar e a escolha de Alcochete para a localização do novo aeroporto.Duas posições do PR que obrigaram o Governo a mudar de posição.A isso se chama «cooperação estratégica».Para quê engrossar a voz nos discursos?»

    E eu questiono-me se não estamos a mudar de regime constitucional, passando de um sistema político semi-presidencialista para presidencialista.
    É que, de facto, se Cavaco não está a “presidir” ao Governo, pelo menos, parece.

  3. CARLOS CLARA diz:

    Quem são uns e quem são os outros. Quem são os interesses representados por uns e neste caso por outro. Cavaco Silva é muito conservador nas suas convicções, e gosta dos valores sólidos do dinheiro antigo. Quem está à porta de Alcochete, mais abaixo e na orla marítima. Um dia Joe Berardo frisou esses interesses e a razão porque aí deveria ser feito o aeroporto (em péssima linguagem, vai dizendo verdades).
    Posto isto, para quê ler relatórios…

  4. A.Silva diz:

    Não acredito que Sócrates não tivesse acompanhado a matéria do estudo ao longo do tempo,estava era um bocado atrapalhado porque a situação não era fácil.Mas apesar de tudo tomou uma decisão que tem sido empurrada há uma data de anos.Quanto a Cavaco nós já o conhecemos,é evidente que tenta influenciar o governo de acordo com a sua forma de analisar as várias questões,mas não acredito que imponha as decisões

  5. Sócrates e Cavaco, para o bem ou para o mal, ficarão ligados a esta decisão “preliminar”. Que só Bruxelas, a seu tempo, dirá se não foi antes uma preliminar “decisão”…

    Agora que é chocante decidir assim, sem dúvida que é. Seria prudente ponderar um pouco mais a DECISÃO política, sobretudo quando o Relatório do L. N. E. C. – que não passa de um organismo técnico e que, como tal, não tem qualquer mandato para tomar decisões – afirma definitiva e categoricamente duas coisas que ainda estavam em dúvida no discurso politico-jornalístico: Portela “c’est finie” e a Ota É UMA OPÇÃO TECNICAMENTE ACEITÁVEL (engoliram esta, senhores doutores engenheiros de opinião fácil?)!

    Mais importante ainda, a Ota era a MELHOR DE TODAS AS HIPÓTESES ANTERIORMENTE ESTUDADAS!!

    E depois há a tal questão RELEVANTE dos custos: afinal, a diferença entre a Ota e Alcochete não atinge sequer os 10%!

    Posto tudo isto (e fazendo fé na capacidadde técnica do L. N. E. C., da qual duvidam, aliás, os Autores do Estudo da C. I. P.!), cabe pois perguntar ao Governo DUAS coisas que ainda ninguém quis clarificar: 1ª) Pode Portugal dispensar o Campo de Tiro de Alcochete (ou seja, e porquê só agora “se pôs esta questão”? Ou, de outra forma, NÃO VENHAM UM DIA PEDIR-NOS “UNS TROCOS” PARA CONSTRUIR OUTRO!!!); 2ª) Então e a localização de um Aeroporto Internacional, com todas as implicações que tem em termos de Economia, Ambiente e Ordenamento do Território, pode decidir-se apenas porque os aviões levantam e sobem um nadinha melhor e se poupa dez por cento dos custos (como se não se esperassem derrapagens muito superiores…)?

    Quer isto dizer, TUDO O RESTO é irrelevante??

    Esperem pela próxima onda: Bruxelas e os ambientalistas. Mário Lino pode ter sido sacrificado no altar das “conveniências” de bastidor. Mas quem mais tem a perder se a jogada não resultar em golo são mesmo quem centrou e quem diz que rematou…

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