Mudem de linguagem, sff

Não concordo com a política do governo. Não aprecio o estilo truculento e às vezes arrogante do primeiro-ministro, mas nunca me passaria pela cabeça chamar-lhe fascista. Acho injusto para Sócrates e, sobretudo, desculpabilizante para o fascismo. A vulgarização da palavra “fascista” no confronto político é absolvidor do fascismo: torna-o um simples caso de mau-feitio. Ora, o fascismo e o nazismo são doutrinas criminosas responsáveis por massacrar pessoas cujo os únicos pecados eram pensarem diferente ou terem nascido na “raça errada”.

Apesar disso, compreendo a necessidade do insulto numa salutar vida política. Por isso, quero propor uma solução de compromisso. João Paulo Guerra tem uma crónica genial (mais uma!) no Diário Económico em que revela que um tribunal do Porto deliberou que chamar “palhaço” a uma pessoa não é um insulto, criando assim jurisprudência salutar sobre a matéria. Meus caros, usem e abusem, as palavras são para pronunciar, façam o favor de chamarem, à discrição, “palhaços” ao governo e à oposição. Segundo a lei, não ofende, até faz bem e, provavelmente, não é mentira.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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