Mudem de linguagem, sff

Não concordo com a política do governo. Não aprecio o estilo truculento e às vezes arrogante do primeiro-ministro, mas nunca me passaria pela cabeça chamar-lhe fascista. Acho injusto para Sócrates e, sobretudo, desculpabilizante para o fascismo. A vulgarização da palavra “fascista” no confronto político é absolvidor do fascismo: torna-o um simples caso de mau-feitio. Ora, o fascismo e o nazismo são doutrinas criminosas responsáveis por massacrar pessoas cujo os únicos pecados eram pensarem diferente ou terem nascido na “raça errada”.

Apesar disso, compreendo a necessidade do insulto numa salutar vida política. Por isso, quero propor uma solução de compromisso. João Paulo Guerra tem uma crónica genial (mais uma!) no Diário Económico em que revela que um tribunal do Porto deliberou que chamar “palhaço” a uma pessoa não é um insulto, criando assim jurisprudência salutar sobre a matéria. Meus caros, usem e abusem, as palavras são para pronunciar, façam o favor de chamarem, à discrição, “palhaços” ao governo e à oposição. Segundo a lei, não ofende, até faz bem e, provavelmente, não é mentira.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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7 respostas a Mudem de linguagem, sff

  1. João José Fernandes Simões diz:

    Concordo…
    E sugiro que, em linguagem política, passe a ser usada a expressão de “teimoso que nem um burro”.
    Sendo que a expressão, em si mesma, em muitas circunstâncias se pode, e deve, e se pretende, traduzir como um elogio.
    Eu, aliás, também sou “teimoso que nem um burro” e, por isso, acho que tenho imensas qualidades.
    Podem é ser qualidades (in)convenientes.
    Se bem que, em muitas circunstâncias da vida, para além de teimoso, também fui burro, sobretudo.

  2. al diz:

    Deve-se ser preciso, de facto: tudo isto é socialismo. Chame-se socialismo à política e socialista ao Sr. “Eng.” Sócrates.

  3. João diz:

    Noto no teu post alguma desilusão com a oposição que temos. Será?

  4. CARLOS CLARA diz:

    Não, fascista o Sócrates, acho abominável. O que não gosto nele é não ter a coragem para ir à fuça dos palhaços dos fascistas. Tantos são eles os palhaços dos fascistas. Têm medo do socialismo como o diabo da cruz, esses palhaços. A sugar sem pagar impostos é o prato preferido desses palhaços. Se assim não for, fecham a chafarica – não dá lucro, dizem os palhaços. Mas os palhaços que fizeram a revolução eram tontos, em vez de exterminar com esses palhaços bateram-lhes com cravos. Ou eles morreram? Não, os palhaços dos fascistas deixam lastro cultural por muito tempo. Têm dúvidas que estão vivos esses palhaços? Morreram esses? Não dei por isso.. carago. Ou chamam-lhes outra coisa?

  5. João V diz:

    Eu voto em sacana mentiroso ou canalha mentiroso o adjectivo mentiroso é muito importante e quando se trata de assunto sociais besta também não fica nada mal.

    Por favor não ofendam os palhaços.

  6. Carlos da Silva Simão diz:

    Meus Senhores

    Vejo que há hoje na sociedade portuguesa uma prática usual de em vez de se discutir argumentos e ideias opta-se pelo insulto. Evidentemente que é muito mais fácil “chamar nomes” a alguém do que discutir/contestar com argumentos as suas ideias.

    Evidentemente que esta prática tem as suas consequência na forma como hoje os portugueses se relaccionam, nomeadamente entre os jovens. Será que o clima de insubordinação/indisciplina que hoje predomina na Escola Portuguesa não terá a ver com tudo isto?

    Carlos Simão

  7. A.Silva diz:

    Á falta de argumentos de debate passasse ao insulto.Não me parece que politicamente o insulto de algum resultado,por vezes o que me vem á ideia as claques de futebol.Quanto a Sócrates não votei nele e não concordo com muitas das suas medidas mas não me passa pela cabeça chamar-lhe fascista.Quem começou a utilizer estes mimos de linguagem foram alguns militantes do PCP nomeadamente o director do Avante,mas agora surpreendentemento tem a companhia de muitos politicos e comentadores da direita.A banalização das palavras fascismo e facistas não colherá muito em quem acompanhou a vida politica durante o estado novo,contudo baralha os mais novos o que pode ser muito prejudicial para eles próprios e para a nossa sociedade

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