Resultados do trabalho fora de tempo

A avaliação das publicações é estranha. Saí da Focus há duas edições. Só agora foram divulgados os números de vendas da altura em que lá estava. Quase 20 mil exemplares por semana! Nada mau para uma redacção de pouco mais de 15 jornalistas. Quando lá cheguei as vendas estavam muito mais baixas. Penso que conseguimos provar, todos os que lá trabalhávamos, que só melhorando a qualidade da publicação é possível ter mais leitores. Definitivamente, estou cada vez mais convencido que o caminho não pode ser a “tabloidização”. A estrada mais difícil, da qualidade e do jornalismo, é a única que vale a pena percorrer. Um dos grandes problemas da nossa comunicação social é que os jornalistas têm cada vez menos margem de manobra para defenderem aquilo que fazem. Há uma perda progressiva da autonomia relativa dos jornalistas e as condições de trabalho nas redacções degradaram-se muito nos últimos anos. Por muito estranho que pareça, a liberdade de imprensa mede-se também pela capacidade dos jornalistas poderem dizer “não”. Neste mercado de trabalho é cada vez mais difícil ter essa capacidade. Empregos precários e maus salários não favorecem a independência, perante os vários poderes, dos jornalistas.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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2 respostas a Resultados do trabalho fora de tempo

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  2. CARLOS CLARA diz:

    Em quase tudo se passa assim, desencanto e baixos salários. É a arma que se deixou ser por cultura de má qualidade e por desleixo, a arma do poder do capital. Não permite outros poderes. Implacável. Encomenda tudo por medida. E mesmo que lhe assente às mil maravilhas, paga mal e lembra sempre “já tenho quem faça mais barato”.

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