Irmão Lúcia:o libertino fez o último manguito na vida, a idolátrica

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Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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4 respostas a Irmão Lúcia:o libertino fez o último manguito na vida, a idolátrica

  1. Saloio diz:

    Luís Pacheco é o último dos surrealistas do antigamente. Foi o único que não se vendeu aos interesses burgueses, não se sujeitou ao beija-mão nem à avença fácil.

    Ele não pactuou com o politicamente correcto com ninguém, antes ou depois da democracia. Soube sempre gritar “o rei vai nu”, rido-se da esquerda fashion, e cuspindo nas cartilhas vermelhuscas do pós-25 de Abril da mesma maneira que o fizera antes em Caxias.

    Preferiu manter-se à margem das vernisages e dos croquetes e, apesar de viver no limiar da pobreza, fê-lo voluntariamente pois gostava de olhar de longe para a inteligentia nacional, lá da janela do seu quarto na pensão de Setúbal, zurzindo em todos sem excepção.

    Agora irão aparecer muitos a dizer que foram seus amigos e o ajudaram imenso – é tudo mentira, pois ele repudiava a ajuda interessada e as pessoas não tinham paciência para ele e o seu vinho tinto barato.

    Esses mesmos, vão poder dormir mais sossegados, pois ele agora está morto e não poderá denunciar os gostos burgueses e as posições de conveniência a que os nossos cultos se sujeitam a troco dumas moedas.

    Digo eu…

  2. Lapidador diz:

    Recordo de uma entrevista que o Luís Pacheco uma vez deu ao Letria na TV e quando lhe pergunta se tem cartões de crédito o Luís Pacheco puxa de uma carteirinha e tira os seus cartões de crédito:
    – Passe Social
    – Cartão da Segurança Social
    – Cartão de Militante do Partido Comunista
    – … pouco mais
    Ai eu percebi porque é que a sua honestidade o tinha assim tanto cilindrado ao ponto de ter 83 doenças e viver tão desamparado.

  3. Olaio diz:

    “Estou na minha cidade e vou despido, aqui a luta é violenta e desleal, é tudo conquistado à força de muque e arrogância, mentiras que não somos nós nem são parecidas com nenhum de nós. Vou andando e assobiando a minha música de revolta.”
    Excert de “os namorados”

  4. Luis diz:

    Na morte de Luiz Pacheco
    Nota da Comissão nacional do PCP para as Questões da Cultura

    Editor e escritor, Luiz Pacheco assegurou um lugar na história da literatura portuguesa. Enquanto editor, deve-se-lhe a publicação de obras de vários autores importantes, de Mário Cesariny a outros surrealistas e a Herberto Helder. Enquanto escritor a sua obra, em grande parte ainda dispersa – foi autor, entre outros títulos, de “Comunidade”, “O libertino passeia por Braga, a idolátrica, o seu esplendor”, “O Teodolito”, “Exercícios de estilo” e “Memorando, mirabolando” – dá testemunho de uma prosa depurada e segura, ágil e capaz de recriar a palavra oral e popular, e o calão.

    Luiz Pacheco é um autor em que vida e obra se confundem e se ampliam mutuamente, em que a ficção, a crítica literária e a crítica da mundanidade literária se respondem e ecoam um fundo insistente e desassombradamente autobiográfico. Autor satírico, a sua obra combina a ironia e a subversão das convenções do moralismo conservador e hipócrita, com a capacidade de revelar o rosto agredido do ser humano, entre a opressão e o sofrimento da miséria e a alegria insurrecta.

    Espírito livre e independente, personalidade lúcida e irreverente, Luiz Pacheco soube reconhecer no PCP o partido dos trabalhadores, o partido consequente, longa e tenazmente fiel aos seus princípios e objectivos, o seu Partido. Assim, em finais de década de oitenta, tornou-se por sua iniciativa militante do PCP – qualidade que manteve até morrer.

    A Comissão Nacional do PCP para a Área da Cultura lamenta profundamente a morte de Luiz Pacheco e a perda que ela significa para a Cultura Portuguesa e manifesta aos seus familiares sentidas condolências.

    http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=31069&Itemid=1

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