A estação dos presentes

Um dos primeiros chegou na sexta, cortesia da minha excelente colega D., e foi o “Ir pró maneta”. Li-o ontem e tenho a assinalar, apesar da edição mais que cuidada, o que me parecem ser dois erros: a meio da p. 49, a palavra “arquétipa”, que eu julgo que não existe (o substantivo é arquétipo e o adjectivo arquetípico ou arquetípica) e na 83, 8.ª linha, “omimosamente” em lugar, suponho, de ominosamente. Fora isso, a única coisa que prejudica a leitura é a abundante utilização das palavras “nacionalismo” e “nacionalista” ao longo do livro, um anacronismo que a pequena digressão de VPV sobre o assunto na dita p. 49 ajuda a perceber (mas não a justificar): temo que, à conta de valorizar tanto a história política stricto sensu, o autor não reflicta como deveria sobre conceitos que usa algo acriticamente. De resto, VPV parece em definitivo ser prisioneiro da sua idade: por mais à direita que sejam algumas das suas crónicas jornalísticas, esta pequena peça historiográfica – pela maior parte dos instrumentos que usa e das análises que faz – poderia perfeitamente ser subscrita por um autor que se reivindicasse do marxismo; mas quem sou eu para criticar o mestre?

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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