A estranha “ditadura”

Estranha ditadura que promove eleições e que aceita os resultados quando é derrotada nas urnas.

Estranha ditadura que vive numa sociedade com partidos de oposição e em que quase toda a comunicação social privada é hostil.

Estanha ditadura em que a pobreza diminui e em que os estudos internacionais mostram que a maioria esmagadora dos eleitores está contente com a qualidade da democracia.

Estranha ditadura que tem como presidente um católico falador de nome Chávez e como líder da oposição estudantil um estudante de direito chamado Estaline.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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43 respostas a A estranha “ditadura”

  1. GPN diz:

    Estranha ditadura que promove eleições e que aceita os resultados quando é derrotada nas urnas:

    “…Aylwin won the December 1989 presidential election with 55.17% of the votes [12], against less than 30% for the right-wing candidate, Hernan Buchi, who had been Pinochet’s Minister of Finances since 1985 (there was also a third-party candidate, Francisco Javier Errázuriz, who garnered the remaining 15%[12]. Pinochet thus left the presidency on March 11, 1990 and transferred power to the new democratically elected president.”, Wikipedia

  2. Parabéns pelo sentido de humor Nuno Ramos de Almeida.
    Se bem me lembro a questão é sobre Chávez e não tanto sobre se a Venezuela é uma ditadura.
    A Venezuela ainda tem mecanismos que impedriam ( até ver ) um cuadilho militar e iluminado como Chávez de construir (??) o Socialismo do Século XXi. Já não bastaram os do século XX ?
    Quanto à diminuição da pobreza : é um argumento típico de quem esquece que quando essa diminuição é feita à custa de reduzir ou suprimir as liberdades ela não termina bem. Não bastam os exemplos já conhecidos ?
    É que para mim aprendi que a liberdade é algo de tão tangível como o pão e ter pão sem liberdade não me interessa.
    Cumprimentos

  3. nick name gramsci diz:

    Politika XXI.
    Pois é. É querer acreditar mesmo. Fé marxista. Lenine não é para aqui chamado. Espera-se o próximo golpe. De Estado. Senhores respeitáveis. A Venezuela que descanse em paz. Já agora a Rússia também.

  4. luis eme diz:

    Estranha ditadura que tem piscinas de petróleo…

  5. Luís Lavoura diz:

    O que é estranho é que na ditadura portuguesa ninguém, nem mesmo um chefe da oposição estudantil, se pode chamar Estaline.

    Ou melhor: pode, desde que seja de origem estrangeira. Se os pais do indivíduo forem portugueses, estão proibidos pela ditadura portuguesa de lhe darem tal nome.

    Mas, se os pais forem estrangeiros, e se o seu país de origem fôr mais tolerante que Portugal, não há problema. Basta arranjarem na embaixada do seu país um documento dizendo que nada obsta, segundo a lei desse país, a que um indivíduo se chame Estaline.

  6. Fina ironia com sentido de oportunidade. É por essas e por outras que vos visitos todos os dias.
    cronicasdorochedo.blogspot.com

  7. António Figueira diz:

    Os passos dessa estrada (se não, não seria uma rima).

  8. werther diz:

    Ó NRA, sem desprimor, deixo aqui o que escreveu o FNV no Mar Salgado: “NESTAS CONDIÇÕES”:
    A resposta do povo, numa réstea de democracia formal, vai lançar a Venezuela numa guerra civil ou numa ditadura do proletariado ( sim, essa mesmo, basta ler os clássicos) . Chávez deu o tom: “Vocês obtiveram uma vitória de Pirro e, nestas condições, eu não a celebraria.”Compreende-se: dispõe de dezenas de horas mensais na TV estatal, calou a outra, esticou a corda até onde foi possível. “Nestas condições”, na linguagem da esquerda revolucionária – que respeita tanto a vontade do povo como o cão respeita a pulga – siginifica que em breve existirão outras condições.

  9. Assustador, simplesmente assustador: a aceitação de uma derrota que é uma demonstração, a quem tinha dúvidas, de quão democrático é o senhor Chavez.
    Curioso que sobre o que se estava a referendar, nem uma palavra.
    Será má fé ou apenas esquizofrenia?
    Bem diz o outro: “tenho mais medo da estupidez natural do que da inteligência artificial”. Claro que no caso, não é de estupidez que se trata; mesmo nada.

  10. Amok_she diz:

    «É que para mim aprendi que a liberdade é algo de tão tangível como o pão e ter pão sem liberdade não me interessa.»

    Afirmações destas só podem vir de quem sempre teve (e sabe q terá, esperemos q com fundamento) o pão garantido! A liberdade é um valor que se apr(e)ende, assim se tenha pão para poder aprender… esse e outros valores, essenciais sim para uma vida que se quer vida, mas…ele há tanto ser humano, por esse mundo fora, que já só pedia sobrevivência…

    Enfim…

  11. tric diz:

    em nem acredito no que leio!!???
    ainda acredita nas histórias da carochinha?se não acredita, meu Deus !! e a direita portuguesa ainda com tanta reservas mentais…

  12. Pingback: A vitória da derrota « Farmácia Central

  13. ezequiel diz:

    Caro Nuno

    Leva tempo a aprumar os delicados mecanismos de uma ditadura democrática. Tem calma. Tudo leva o seu tempo. Chavez percebeu, talvez pela primeira vez, que o seu poder não é ilimitado. O que é bom. Muito bom. Fará o quê a seguir:

    1) começa a desconfiar da volonté general? e institui um praetorian state? enquanto redistribui riqueza, é certo, só para assegurar o flow.

    2) intensifica a redistribuição de riqueza, assegura um plateau adequado de apoio popular e depois, e só depois, relança a caçada pelo poder absoluto (que deseja, como o prop plebiscito o revela…Imagina: malta vamos lá participar num referendo para decidir se Socrates será o nosso eterno líder?? É obra, não é.)

    3) All of the above?

    4) all of the above + culpa os americanos de tudo e mais alguma coisa?

    🙂 🙂

  14. CARLOS CLARA diz:

    Liberdade sem pão, liberdade com a condição de ser analfabeto, liberdade onde a saúde não é um bem, liberdade onde a justiça sorri para alguns e volta a cara todos – eu quero essa liberdade para quê?
    Mas o que é a liberdade? Um direito onde a lei do mais forte prevalece a todos os direitos? Inventemos outras palavras … algumas perderam o sentido.
    Ele há tanta maneira de enfeitar uma prateleira …

  15. Luis diz:

    3 DE DEZEMBRO DE 2007 – 20h42
    Referendo: conservadores comemoram vitória com cautela

    Dentro e fora da Venezuela, diversas forças conservadoras festejaram os resultados do referendo deste domingo (2). “A Comissão Européia e os Estados Unidos mostraram satisfação”, informa a CBN. “Igreja Católica comemora derrota de Chávez”, destaca a agência Ansa. Em um comunicado, a sempre retrógrada Repórteres Sem Fronteiras (RSF) tratou logo de congratular a oposição.

    Por André Cintra

    Por ligeira maioria de votos, os venezuelanos rejeitaram, nas urnas, os 69 artigos da reforma da Constituição proposta pelo presidente Hugo Chávez. Os artigos mais ousados fortaleciam o poder popular, proibiam o monopólio e o latifúndio, reduziam a jornada de trabalho e asseguravam a Previdência a todos os venezuelanos, inclusive aos trabalhadores informais. Se aprovada, a proposta seria um golpe no coração nas elites venezuelanas – que reagiram de forma raivosa.

    A união dos conservadores pelo “não” talvez só tenha sido inferior à de abril de 2002, quando um golpe liderado por setores militares – com apoio das elites do país, da Igreja Católica, da Casa Branca e da CIA – derrubou Chávez do poder. Na precipitada comemoração, houve cenas constrangedoras, como bispos abraçando militares efusivamente no Palácio de Miraflores. A investida, como se sabe, foi um fiasco: provocou uma grande reação popular e caiu de podre após dois dias.

    Tensão continua

    Certamente um filme do fracassado golpe de 2002 passou agora por essas cabeças retrógradas, que nem pensam em associar o resultado do referendo ao fim da era Chávez. O próprio presidente, embora tenha admitido a derrota, recomendou à oposição que “administre bem” o resultado de domingo.

    As forças oposicionistas não constituem um grupo homogêneo, de interesses iguais. Mas a estratégia de Chávez – votar 69 artigos em apenas dois em dois blocos, sem enaltecer os objetivos sociais mais avançados – ajudou as tropas do “não”. Antes do referendo, elas souberam “esconder” os trunfos da avançada proposta chavista, dando destaque a pontos menos relevantes e à proposta de reeleição indefinida. É o caso da ingerência religiosa. Conforme lembra a Ansa, a “Igreja Católica teve um papel ativo durante a campanha do referendo e pediu formalmente às pessoas que recusassem a proposta, juntando-se à oposição”.

    Para piorar, na reta final do referendo, Chávez monopolizou as atenções na mídia mais pelo entrave com o rei espanhol e com eventuais ameaças de retaliação. Sem contar uma abstenção que superou 44% do eleitorado (7,2 milhões). O “sim” teve no domingo cerca de 3 milhões de votos a menos que Chávez nas eleições presidenciais do ano passado, enquanto a oposição cresceu 300 mil.

    Temor do futuro

    O Miami Herald Tribune, um dos mais reacionários jornais americanos, ecoou a reação da Casa Branca: “A administração Bush considerou como uma vitória para a democracia a estranha derrota eleitoral do presidente venezuelano, Hugo Chávez, seu mais enérgico inimigo na América Latina”. Já o Los Angeles Times falou em “derrota eleitoral horrível para o homem forte, sua primeira em nove anos no cargo”.

    Após a vitória do “não”, o bispo Roberto Luckert acusou Chávez de “confrontação” e “beligerância”. Mas ele mesmo partiu para a provocação ao bradar que o presidente não aceitará a derrota. Mirando os próximos embates eleitorais, Luckert esqueceu de vez que a Venezuela é um Estado laico e fez um apelo à oposição: “Deixe de besteira pensando quem vai ser o candidato. O que tem a maioria é o que tem que ir (à disputa), e todo mundo deve levar esse candidato ao governo ou à prefeitura.”

    Nenhum jornal ou especialista, porém, pode especular com precisão o futuro do governo Chávez, que vai até 2012. Lembrando 2002, a onda conservadora é muito mais contida, mesmo tendo atraído setores da classe média e, sobretudo, do movimento estudantil. Um dos novos líderes oposicionista, não por acaso, é Ricardo Sánchez, presidente da Federação de Centros Estudantis da Universidade Central de Venezuela.

    Sánchez não repete euforia de cinco anos atrás. Seu discurso sobre “reconciliação” contém termos como “atitude ponderada, em términos de inclusão, de reconhecer erros e de capacidade de perdão”. A oposição a Chávez parece ganhar mais força onde o discurso soa menos pretensioso – na aparência.
    http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=29273

  16. Tem toda a razão, Nuno Ramos de Almeida.
    E as palavras acabam desenraizadas do sentido, quando sujeitas a processos de banalização como este, engendrado por uma certa direita.

  17. M. Abrantes diz:

    Já vimos este filme. É tudo menos estranho.

  18. André Verneuil diz:

    Estranha ditadura que promove eleições e que aceita os resultados quando é derrotada nas urnas. Essa de aceitar os resultados é para rir. Sigam os próximos capítulos.

  19. velho do restelo diz:

    ‘Entre o forte e o fraco, entre o rico e o pobre, entre o senhor e o servo, é a liberdade que oprime e a lei que liberta’ de Henri Lagardaire monge dominicano e deputado na Constituinte de 1848!!!!
    Agora,no 3ºmilénio há pessoas(?) que pensam como os esclsvsgistas e,ainda por cima não têm vergonha nenhuma de vir para aqui vomitar o fel social que nada mais é do que uma adoração ao mais vil da natureza humana.Não se enxergam?Não vêem que são umas bestas desqualificada;na minha rua haviam aqueles meninos que estavam sempre com o mais malandro,o mais reles,o mais ordinário era apreciado e tinha status,mesmo que a mole acéfala também levasse com a arbitrariedade.Espero,que Hugo Chavez traga de facto algo com que a humanidade possa ver que o capitalismo assassino não é solução.Não tenho dúvidas,também que vai ser preciso fazer guerra aqueles que lucram com ela.E,eu que não tive grande simpatia por Staline,começo agora averque ele sempre teve razão,excepto para com os seus camaradas-todos os outros foram bem mandados para a real pqp!Em 15 anos conseguiu aquilo que ninguém fez:fazer da URSS um pais adiantado.E,mais,para a palhaçada que regurgita os seus maus humores de nazis envergonhados(Hitler era um grande liberal,com os Krupps,etc,a fina flor do capital),vão para o Ab(r)uto,cagar postas de pescada,q ele nem vos deixa escarrapachar o vosso muco.
    Se fossem intelectualmente honestos,usavam factos e não retórica da mais xunga,tipo L Filipe Menezes dono da camara mais endividada do país a seguir à esbulhada por irmãos do mesmo Partido,o dos Ladrões doutorados e,andar com manobras de bastidores.Penso que os politicos deviam ser responsabilizados,porque nesta hora do campeonato a direita estaria toda de choça!!!Isso é que era uma Democracia!!!

  20. mimi diz:

    Entre o forte e o fraco, entre o rico e o pobre, entre o senhor e o servo, é a liberdade que oprime e a lei que liberta

  21. Magistral vitória sim, mas de Hugo Chávez! Arrasadora, mesmo (no domínio dos argumentos)!

    Como poderão agora os americanos voltar a dizer que a Venezuela é uma Ditadura?

    Se os seus opositores tiveram uma vitória, ainda que de Pirro, Chávez teve uma retumbante vitória MORAL, que vale mais do que todas as vitórias eleitorais juntas (porque, afinal de contas, a Política ainda não é o futebol…).

    Boa sorte, Venezuela! Pois parece que os inimigos do progresso social na América Latina vão ter de “esticar mais a corda” no ataque ao Povo venezuelano…

  22. r.m. diz:

    A alguns dos comentadores supra, deixo a seguinte matéria de reflexão:
    Os cidadãos de vários países interessados no chamado Tratado Constitucional Europeu disseram-lhe não em referendo. Perante isso, já não foi levado a referendo noutros países membros, mudaram-lhe o nome e vão aprová-lo às escondidas do povo, inclusive nos Estados cujos dirigentes haviam prometido o referendá-lo.
    Digam-me, pois, esses srs. comentadores que já disseram ou pensam vir a dizer relativamente a este caso?
    Pois é, torna-se sempre mais fácil julgar os outros, ainda que apenas as suas intenções presumidas, do que a nós próprios.

  23. A.Silva diz:

    É estranho que a comunicação social da América e da Europa se tenha debruçado tão interessada sobre um referendo num pais latino americano.Qual era a causa de um tão grande movimento de debate e de dezenas de artigos em jornais e discussões nos canais de televisão das democracias “modernas”?Afinal tratava-se de um acto normal em qualquer país democrático.Pois é tiveram medo,de que pela primeira vez os mais pobres tivessem acesso ao controle dos seus recursos naturais e da sua economia.Mas desenganem-se porque mais cedo que tarde em liberdade e democracia naquela parte do Mundo se fará história.

  24. Luis diz:

    Hugo Chávez: a Revolução
    demonstrou sua ética
    POR JUAN ANTONIO BORREGO — enviado especial
    CARACAS, 3 de dezembro.— A votação do referendo constitucional ontem na Nicarágua demonstrou a ética da Revolução bolivariana, afirmou o presidente Hugo Chávez em coletiva, após conhecerse a estreita vitória do Não.
    Por agora não pudemos, expressou Chávez, quem destacou que a institucionalidade do país ficou demonstrada. Isso assinala o caminho à oposição para que deixem os saltos ao vazio e os caminhos da desestabilização e a violência, assinalou.
    Estamos preparados para uma batalha longa, disse o presidente após conhecer-se os resultados, tornados públicos pela presidenta do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena.
    As reformas a 69 artigos e 15 disposições transitórias foram apresentadas em dois blocos. A presidenta do Conselho Nacional Eleitoral informou que 50,7% dos participantes votou pelo Não e 49,29% a favor do primeiro grupo de leis, enquanto o segundo grupo obteve 51,05% do Não frente a um 48,94% do Sim.
    O fato de que 49% tenha votado pelo projeto socialista é um grande avanço político e continuamos na batalha construindo o socialismo, no âmbito que nos permite a Constituição, destacou o presidente. Esta proposta continua viva e continuaremos trabalhando para conseguir a máxima inclusão social e igualdade.
    Chávez remarcou o índice de abstenção, 44,11 e advertiu que se tivessem trabalhado com os três milhões de pessoas que no passado ano lhe deram o voto na eleição presidencial, e que esta vez não votaram, o resultado tivesse sido outro.
    Cumprimos com nossa Constituição e com nossa consciência. De jeito nenhum tivéssemos aceitado uma vitória pírrica, sublinhou.
    Vamos ampliar e aprofundar a perspectiva e conteúdo do processo de construção da Venezuela socialista, para incrementar no possível a rapidez estratéfica das mudanças de uma Revolução em processo de madureza, afirmou Chávez.
    http://www.granma.cu/portugues/2007/diciembre07/lun3/49Chavez-p.html

  25. “Se bem me lembro a questão é sobre Chávez e não tanto sobre se a Venezuela é uma ditadura.”

    Tem certeza que é essa a questão? é que das discussões sobre a Venezuela, nunca se chega a perceber se o que se está a discutir é se “a Venezuela é uma ditadura?” ou se é se “Chavez gostaria de ser um ditador?”

  26. A respeito do primeiro comentário do GPN – a partir do momento em que houve eleições no Chile, este deixou de ser uma ditadura.

  27. Luis diz:

    terça-feira, 4 de dezembro de 2007
    Democracia confirmada

    1. A proposta de reforma constitucional de Chávez perdeu de 50,7% a 49,3% dos votos válidos, segundo os últimos números a que tive acesso. Os dois blocos receberam pouco mais de 4 milhões de votos, a oposição quase 4,5 milhões,
    Na última eleição presidencial, a oposição teve quase o mesmo, 4,3 milhões, enquanto Chávez bamburrava com 7 milhões. Votaram, portanto, desta vez, cerca de 3 milhões a menos, fazendo a abstenção saltar de 25% para 44%. A abstenção verificou-se principalmente entre os mais pobres, onde Chávez alcança sempre seus melhores percentuais.

    Ninguém pode afirmar com certeza como votariam esses 3 milhões, antes que um boa e honesta pesquisa o investigue, mas a hipótese de que o Sim foi derrotado sobretudo pela abstenção parece razoável. Com a condição, claro, de que se acrescente o reconhecimento do próprio Chávez de que o governo bolivariano e seu esquema político falharam na mobilização.

    2. O resultado da eleição desmoraliza definitivamente a propaganda imperialista, ecoada pelos midiocratas e midiotas nacionais, de que a Venezuela “caminha para a ditadura” ou “já é uma ditadura”.

    É a primeira ditadura do mundo em que o governo, depois de vencer oito eleições consecutivas em nove anos — incluindo duas eleições presidenciais, uma constituinte e um plebiscito revocatório — aprova emendas constitucionais livremente debatidas no Congresso, submete-as a um referendo atacado dia e noite pela imprensa transnacional made in USA, perde por pouco mais de 1 ponto percentual, e a única conseqüência é que o presidente faz um pronunciamento, sem convocação de rede nacional, para cumprimentar a oposição pela vitória e prometer que continuará lutando por suas idéias.

    3. O voto na Venezuela não é obrigatório. Como nos EUA também não é, os colonizados não reclamam dessa característica da democracia venezuelana. Mas é argumentável que o sistema brasileiro é melhor. Se o serviço militar é obrigatório, se pagar tributos também é, que há de errado em exigir do cidadão que compareça às urnas nem que seja para anular o voto ou votar em branco?

    4. A TV brasileira fez uma cobertura pífia do referendo venezuelano. Mesmo os canais exclusivos de notícia (Globo News, Bandnews) pareciam estranhamente desinteressados, provavelmente porque as pesquisas, inclusive as de boca-de-urna, supunham a vitória de Chávez.

    O jeito foi recorrer à CNN em espanhol, que não é mais pró-ianque que as emissoras brasileiras. Parte da cobertura da CNN foi fornecida pelo Globovisión venezuelana, de modo que a noite toda, até às duas da manhã de segunda-feira, ouvimos declarações de líderes oposicionistas, e somente deles. Às duas, porém, quem ainda estava acordado pôde ouvir um belo discurso de 1 hora do presidente Chávez, tranqüilo e bem-humorado, dizendo que oferece seu projeto de reformas “à história”, mas não à história de daqui a 100 anos, mas sim ao futuro próximo.

    5. No começo da noite, a CNN informou que os dois blocos haviam concordado em que o primeiro boletim do Poder Eleitoral só seria divulgado quando se alcançassem 90% dos votos apurados.

    Quando se chegou a 83%, a Globovisión transmitiu pela CNN iradas declarações de líderes oposicionistas, “exigindo” os boletins, alguns acusando diretamente o Poder Eleitoral de conluio com o Governo para esconder a vitória do Não. Um representante da OEA — um organismo ainda menos confiável que a ONU —, faccioso como o diabo, praticamente endossou a “denúncia”, falando ao vivo com os estúdios da CNN.

    6. Quando a presidente do Poder Eleitoral finalmente apareceu, foi um contraste chocante. Tranqüila, sorridente, nem se referiu às acusações. Anunciou os resultados, disse que eram irreversíveis (ainda considerando o que faltava apurar), falou de paz, concórdia e democracia, sugeriu que os partidários do Não celebrassem com alegria, e que os perdedores se recolhessem às suas casas. Foi aplaudida por todos. Não há dúvida. É uma ditadura.

    7. As pesquisas davam a vitória ao Sim, que perdeu. Imagine se fosse ao contrário. Manchetes do mundo inteiro gritariam que a “ditadura” chavista havia fraudado a vontade do povo.

    8. Algumas das reformas propostas por Chávez incluíam a estatização, pelo Congresso, de algumas empresas nacionais e estrangeiras. Ditadura… Mas quando Fernando Henrique, ao contrário, transformou o Sistema Telebrás, as siderúrgicas, a Embratel e a Vale, de estatais em empresas privadas, ou quando incentivou a venda de bancos nacionais a estrangeiros, sem referendo nem nada, apenas com sua maioria congressual, tivemos o quê? Democracia…

    9. Chávez – este é o ponto mais atacado – propôs a reeleição do presidente sem limite de mandatos.
    É assim na democracia francesa, onde o sistema funciona como presidencialismo ou parlamentarismo, conforme o presidente e o primeiro-ministro sejam do mesmo partido ou não.

    É assim no parlamentarismo inglês, no português (que é um tanto afrancesado),no italiano etc. Dizem: mas há diferenças! Sim, uma delas que chefe do Executivo inglês é eleito pelo Parlamento, ao passo que o do Brasil e o da Venezuela são eleitos pelo povo. Outro que Brasil e Venezuela não tem nada tão anacrônico quanto um rei, vitalício, hereditário, dispendioso e inútil.

    10. E por que haveria de ser igual? É como diz o advogado e colunista eletrônico Castagna Maia: por que não convocar um plebiscito nos EUA para saber se os ianques devem ou não sair do Iraque ou fechar o campo de concentração de Guantánamo?

    Ou isso transformaria a plutocracia estadunidense numa ditadura?

    Walter Rodrigues
    http://www.walter-rodrigues.jor.br/

  28. Andre Militão diz:

    Realmente a certas pessoas dava jeito que a Venezuela fosse uma ditadura… mas neoliberal!

  29. Eu realmente não sirvo para isto; quero dizer, não estou bem informado sobre as coisas, é por isso.

    Mas alguém mais bem informado que me esclareça: então é o mesmo em França, Inglaterra, Portugal(!?!?!?) e Itália.

    É capaz de ser é.

    E o facto de em França, Inglaterra, Portugal e Itália não haver meios de comunicação onde os respectivos Presidentes/Primeiros Ministros têm programas próprios, isto é, a oposição ter de facto meios de actuar de forma mais ou menos equitativa, não tem nada a ver com o assunto?

    Caramba, devo estar mesmo enganadinho de todo.

  30. Por acaso Itália até é bom exemplo.

  31. Pingback: E se for necessário, mais 4 ou 5, até ganhar… « ** Ideal Social **

  32. e já agora… quem para escrever sobre este estranho jornalismo nacional que tem na gaveta títulos antecipados – e tão convencido deles que saem na madrugada – sobre os resultados (inversos) decididos lá pela ‘estranha ditadura…

  33. Luis diz:

    Tinha entretanto colocado este artigo do Walter Rodrigues
    http://www.walter-rodrigues.jor.br/ no Arrastão a que se seguiu esta reveladora conversa:

    # Daniel Oliveira 5 Dez 2007 às 18:20

    Luís, depois do meu pedido feito agora mesmo o Luís resolveu publicar mais um comentário de milhares de caracteres que mais não é do que um copy/paste de um texto, e havendo link no fim ele. Não publiquei esse seu comentário. É uma questão de respeito pelos leitores. Depois de dezenas de vezes em que lhe pedi isto mesmo sem qualquer prejuízo para a exposição das suas (ou daqueles que lê) posições, seria normal que atendesse a este pedido que não o prejudica. Os links servem para isso mesmo. Assim, as caixas de comentários tornam-se ilegíveis e os outros comentadores são submergidos pelas suas dezenas de textos gigantescos, como já aconteceu inúmeras vezes. Mais uma vez, é uma questão de respeito pelos outros. Terei todo o prazer em publicar o link do texto, caso assim queira. Esta regras estava, aliás, nas que defini no antigo Arrastão. Obrigado.

    # 6 Luis 5 Dez 2007 às 18:47

    Já vi desculpas bem mais inteligentes, mais a mais que só mesmo você é que se queixa.

    # 7 Daniel Oliveira 5 Dez 2007 às 19:10

    Luís,
    1. Não é verdade
    2. Mesmo que fosse, o blogue é meu
    3. Podia agora mesmo ter publicado o link (as pessoas sabem para que serve). Mas prefere o choradinho.
    5. A regra aplica-se aos restantes posts. Textos grandes copiados põe de uma dimensão praticável e trata do resto com link.

    Obrigado

    # 8 Luis 5 Dez 2007 às 21:15

    Contra factos destes – “o blogue é meu” – não há argumentos, pois de facto o blogue é mesmo seu. Parabéns à prima!

    # 9 Daniel Oliveira 5 Dez 2007 às 21:18

    Obrigado. Expliquei as regas. A razão porque faz copy/paste e não link é evidente. Não acredita que alguém leia. É mesmo encher as caixas.

    # 10 Luis 5 Dez 2007 às 22:18

    O blogue é seu, mas a honestidade intelectual deve ser da prima.

  34. Ana Borges diz:

    Utilizando uma expressão do ditador e diria mesmo mais: é uma ditadura de merda!

  35. A fazer fé no que tenho lido nalguns blogues venezuelanos a abstenção que parece ter derrotado Chavez terá vindo, sobretudo, da nova «boliburguesia» criada pelo regime; por isso, se é verdade que a melhor maneira de calar Chavez resultou do exercício, apesar de tudo, da democracia, convém registar que parece não existir, ainda na Venezuela uma terceira via, alheia quer à boliburguesia quer à chamada oligarquia, e que seja sustentada por um projecto político capaz de desenhar novos horizontes de esperança. É que não basta contrapôr multidões mais iluminadas às multidões populistas de Chavez, pois se assim for o mal disfarçado desportivismo da noite das eleições dará lugar a novas arruaças de contornos totalitários que as ameaças de ontem permitem antecipar.

    Acrescento ao debate comentário que me envia um amigo que conhece bem a Venezuela actual e que contribui para perceber como se constrói o populismo:

    «En efecto, el invento de la boliburguesía no podría existir sin unas bases populares que apoyan a Chávez, inconscientes que están creando otro gurpo social ajeno a ellos y sumamente arrogante (tal y como es la oligarquía clásica venezolana). Estas clases populares, emborrachadas de populismo, no ven o no quieren ver que las limosnas que les da Chávez son solo esto; limosnas, mientras una clase nueva se aprovecha de los favores del gobierno.

    Mientras tanto, la clase media se desmorona, se hunde, desaparece. Es un fenómeno digno de describir, es una cosa impresionante. Las miradas de mis amigos que votaron una vez a Chávez, que se dan cuenta que han creado un monstruo, y que poco se puede hacer ahora… Espero que con el tiempo surja una buena novela venezolana que pueda detallar este proceso tal y como lo hace Musil. Ya lo dijo Bolaño, y es mi frase de cabezera; la literatura se instala en el terreno de la colisión y el desastre…»

  36. Luis diz:

    Dialéctica de uma derrota
    por Atilio Borón [*]
    Como explicar a derrota do Sim e até que ponto foi só uma derrota?

    Chavez enfrentou uma fenomenal coligação política e social que aglutinava todas as forças da velha ordem, carcomida até às entranhas mas com os seus agentes históricos a travarem uma batalha desesperada para salvá-la. A grande burguesia autóctone, os latifundiários, o capital financeiro, os dirigentes sindicais corruptos, a velha partidocracia, a hierarquia da Igreja Católica, a embaixada norte-americana, obcecada em derrubá-lo, e, a coroar todo este fluxo de descarga, uma confabulação mediática nacional e internacional poucas vezes vista na história, a qual reunia nos seus ataques a Chavez os grandes expoentes da “imprensa livre” da Europa, Estados Unidos e América Latina. O líder bolivariano atraiu contra si todos os espantalhos sociais com os quais deve lidar qualquer governo digno na América Latina e combateu-os quase em solidão e de mãos limpas. O que unificou os conservadores não foi a cláusula da “reeleição permanente” e sim algo muito mais grave: a reforma concedia categoria constitucional ao projecto socialista em gestação, algo totalmente inaceitável. Apesar de tão descomunal disparidade, o resultado eleitoral foi praticamente um empate.

    Para muitos venezuelanos a eleição não era importante, o que explica os 44 por cento de abstenção. A grande maioria dos que não compareceram para votar te-lo-iam feito pelo Sim, o que revela a debilidade do trabalho de construção hegemónica e de conscientização ideológica dos bolivarianos no seio das classes populares. A redistribuição de bens e serviço é imprescindível, mas não necessariamente cria consciência política emancipadora. Por outro lado, alguns governadores e alcaides chavistas não se empenharam a fundo em favor de uma reforma constitucional que democratizaria, em prejuízo das suas atribuições, a organização política do Estado ao criar novas instituições do poder popular. Além disso, há que levar em conta que após nove anos de gestão qualquer governo sofre um desgaste ou deixa de suscitar o entusiasmo colectivo de antanho. A isto há que acrescentar, além disso, alguns erros cometidos na campanha eleitoral intermitente de um presidente que, pelo seu papel protagónico no cenário mundial, não dispõe de muito tempo para outra coisa.

    De qualquer modo, apesar da derrota, Chavez saiu-se muito bem. Suas credenciais democráticas fortaleceram-se notavelmente. A oposição chegou às eleições dizendo que jamais aceitaria um triunfo do Sim. Caso se verificassem, repudia-lo-iam por ser produto da fraude e poriam em andamento o “Plano B” da Operación Tenaza [1] . Os que se diziam democratas confessavam que só se comportariam como tais no caso de ganhar; senão, a sua resposta seria a sedição. Chavez, em contrapartida, deu-lhes um lição de republicanismo democrático a aceitar com fidalguia o veredicto das urnas. Imaginemos o que teria acontecido se por essa ínfima diferença houvessem triunfado o Sim. Os porta-vozes da “democracia” teriam incendiado a Venezuela. Apesar da sua derrota, a estatura moral de Chavez e a sua fidelidade aos valores da democracia converte em pigmeus os seus oportunistas adversários, que só respeitam o resultado das urnas quando estes os favorecem. E, de passagem, deixa numa posição insustentável os senadores brasileiros que, sob o pretexto da débil vocação democrática de Chavez, querem frustrar a entrada da Venezuela no Mercosul.
    04/Dezembro/2007
    [1] Operación Tenaza: A tradução para castelhano do relatório do sr. Michael Middleton Steere, da US Embassy, ao sr. Michael Hayden, Director Agencia Central de Inteligencia encontra-se em http://www.tribuna-popular.org.

    [*] Economista e sociólogo. Secretario general do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (CLACSO) até Agosto de 2006. Professor Titular de Teoria Política e Social da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires.

    O original encontra-se em http://www.defensahumanidad.cult.cu/columnista.php?item=8

    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

  37. NRA:
    “Estranha ditadura que promove eleições e que aceita os resultados quando é derrotada nas urnas.”

    Falar cedo demais é uma mania.

    Na Venezuela, como na Europa, referenda-se até que passe. Se a coisa continuar a “correr mal”, dá-se um jeito ao texto e aprova-se dentro de portas.

    .

  38. CARLOS CLARA diz:

    Ás vezes espanto-me com tamanha obcecação quanto a Chavez. Será tudo isto para desviar atenções sobre Bush. Eu continuo preocupado com esse Bush. Mentiu ao mundo, destruiu uma das mais belas cidades do mundo além de um dos berços civilizacionais de relevo ( não estou a falar de arranha céus ). matou indiscriminadamente não se sabe ao certo quantos milhares de seres humanos e deixou no mundo uma crise sabe-se lá por quanto tempo. Sim, aí estou deveras indignado e preocupado. Não deveria ser este Bush, proclamador de tamanha democracia a força e ferros, ser julgado, sim, julgado em tribunal internacional? Já agora, não quererá esse mesmo Bush instaurar a sua maravilhosa democracia no Zimbabwe, pelos mesmos meios?

  39. CARLOS CLARA :
    “Já agora, não quererá esse mesmo Bush instaurar a sua maravilhosa democracia no Zimbabwe, pelos mesmos meios?”

    Isso fica por conta da Europa. A mesma que continua a negar que esteja a ocorrer, em Darfur, um genocídio.

    “não estou a falar de arranha céus”

    Pois claro que não. Se fossem arranha-céus seria irrelevante, quer tivessem ou não gente no interior.

    Aliás, aquela coisa dos atentados no Iraque é e irrelevante: não destrói coisa histórica, apenas transforma homens, mulheres ou crianças em carne picada. Ah, e já me esquecia: culpa de Bush e do Pato Donald.

    .

  40. CARLOS CLARA diz:

    Range-o-Dente

    Fique lá com o seu Bush que eu no meio de tudo o que não presta, prefiro o mal menor… e depois que raio de volta deu você ao texto. Quais são as suas alminhas preferidas, apesar de tudo? E que carne picada é essa? Não gosto de hamburguers, isso é comida tipica do outro lado do Atlântico.

  41. Ufa. Graças a deus (peço que me desculpem), estava a ver que o humorismo português tinha sido abandonado a meia dúzia de peralvilhos sem jeito para o ofício. Ainda bem que, como se adivinha, permanecem verdadeiros artistas na cultura da gargalhada.
    Vejamos bem, tudo isto é um estilo, tudo isto é um charme, tudo sito é um inebriante e infinito gargalhar.
    Aplausos, então, e dos merecidos.

    (A punchline é das melhores que já vi. Ui e a repetição anafórica do ‘estranha ditadura’, esse trovejar humorístico. )

  42. independente diz:

    DITADURA DA BURGUESIA E DO IMPÉRIO DO CAPITAL DISFARÇADA DE “DEMOCRACIA”.
    Na realidade a Democracia ainda é uma grande utopia. A verdadeira Democracia ainda não existe. A Democracia não são apenas eleições mas também a possibilidade real da totalidade da grande maioria absoluta da população influir, participar e decidir. Não existe modelo autêntico ou forma perfeita ou modelo exemplar de Democracia, pois cada povo busca construir a democracia de acordo com as suas próprias realidades sociais, politicas e econômicas visando sempre assegurar sua soberania e independência nacional. É preciso pensar bem no que seja realmente de fato uma verdadeira Democracia. Assim sendo a vontade de um povo tambem pode ser constituida e construida para desenvolver a Democracia quando acontece de dezenas de milhões de pessoas chegarem a conclusão de que não se pode continuar mais a viver assim e desta forma escolhem o caminho da Revolução Social e de Libertação Nacional. Os Estados Unidos da América que se julgam os campeões de “Democracia” por exemplo não passam de uma grande Ditadura da Burguesia e do Capital Monopolista; ditadura essa que não permite nenhuma ameaça ao seu domínio que não pode ser contrariada e nem ter oposição; pois o capital e os interesses da burguesia em primeiro lugar e tem que ser defendida a qualquer custo. A dita “Democracia” nos Estados Unidos da América não passa de uma grande fraude um engodo, uma farsa, um faz-de-conta apenas para dizer e enganar. Toda ruidosa propaganda de “Democracia” nos Estados Unidos da América não é senão uma capa fina por traz do qual fica cada vez mais difícil de não esconder a Grande Ditadura Burguesa do Capital Monopolista; e toda “liberdade de expressão e manifestação” que é propagada pelos estadunidenses vai até o momento que não afete e nem contrarie os interesses da Burguesia e do Capital. Os Imperialistas dos EUA que usam por estratégia as duas palavras consideradas chave “Liberdade e Democracia” que dizem ser defensores desses dois ideais, e que quando usadas politicamente apenas passam de “fachada” para encobrir todos os seus atos de agressões e ambições Imperialistas de dominação do mundo. Existem nos Estados Unidos da América apenas dois partidos grandes que se revezam e se perpetuam no poder a anos e representam os interesses do grande capital, e deveria haver nos EUA outros partidos de novo tipo com ideias novas diferentes e rejuvenescidas. Pois o Partido Democrata e o Republicano que são dois partidos do Grande Capital Monopolista e um pelo outro é a mesma coisa e não acrescentam em nada, os dois simulam que fazem oposição um ao outro, são farinha do mesmo saco, é como trocar seis por meia dúzia, os dois contribuem sobremaneira para diminuir a influência de outros partidos, e até ajudam a manter o povo prisioneiros na Ideologia da Burguesia. Os eleitores são enganados de forma eficaz ao pensarem que votando em um ou outro desses dois partidos haverá mudanças mas nada acontece, e basta que se observe no que ocorre na politica de prepotencia dos Estados Unidos da América quando ficam criando pretextos para dominar o mundo através da força bruta hostil, belicista, agressiva e terrorista. Os dois partidos que tem grande espaço nos meios de Comunicação Social e nas Agências de Publicidade e é exatamente essas que se encontram sob o domínio da classe dominante, que embora menor é toda poderosa .
    É bem verdade que nos EUA existem outros partidos mas que não tem a mínima chance de concorrer com esses dois, isso porque a Legislação dos EUA dificulta no máximo a participação de outros partidos nas eleições inventando inúmeros subterfúgios e obstáculos jurídicos entre eles por exemplo, a necessidade de recolherem muito milhares de assinaturas num prazo curto realizada em presença de testemunhas e registradas notoriamente a obtenção de Licenças para os coletores de Assinaturas,etc. E mesmo se os outros partidos conseguirem vencer todas as barreiras, as comissões eleitorais privam-nos frequentemente da possibilidade de participarem nas eleições sob o pretexto de as “assinaturas serem ilegíveis” ou outro qualquer pretexto inventado. O povo de cada país tem direito de lutar pela sua soberania e Libertação Social e Nacional. Alguns países que tentam tornar-se livres, soberanos e independentes e que buscam seguir um caminho na construção do desenvolvimento democrático conforme a sua realidade politica e social. O governo que não fizer o que os estadunidenses querem , esse governo é rotulado de Ditadura pelo Império. Os estadunidenses tentam de todas as formas se passarem por Paladinos da “Liberdade e Democracia” para dizerem que são defensores desses dois ideais, e até usam isso para invadir países que não queiram ficar de “joelhos” e sob seu controle e dominio, dizendo-se que vão levar esses ideais. Os Imperialistas dos EUA que invadem países para se apossarem e saquearem as riquezas naturais, objetivando aumentar seu poderio, fortalecer sua economia e aumentar sua influência. Os Imperialistas dos EUA que usam de maneira estratégica as duas palavras consideradas chave “Liberdade e Democracia” mas se algum povo realmente desejar ser livre, independente e soberano; e optar em construir o seu desenvolvimento para adaptar a sua realidade politica e social e com isso venha contrariar os interesses do Império dos Estados Unidos da América; a tão propalada “liberdade e Democracia” que os Imperialistas tanto afirmam defender, deixa logo de existir, e vem perseguições, golpes, massacres,torturas, repressões e guerra.

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