Filipe Moura: Abaixo o governo central! Abaixo a democracia! Viva a “liberdade”! Viva a blasfémia!

Notável frase, num comentário do Insurgente: “O sistema político americano (…) é um <em>sistema não democrático</em> que visa limitar o poder do governo federal” (destaque meu). Quando se discutir a “regionalização” em Portugal, lembremo-nos dela.
A sério: não tenho dúvidas de que os EUA são uma democracia. Cheia de imperfeições e com dificuldades estruturais muito maiores do que outras democracias, mas uma democracia. Os políticos americanos ou ignoravam essas imperfeições do sistema político americano (tipicamente os republicanos), ou reconheciam-nas e prometiam tentar melhorá-las (tipicamente os democratas). Mas é a primeira vez que eu vejo alguém (um conhecido adversário dos governos centrais) a defender as imperfeições da democracia norte-americana e a virtudes do seu carácter “não democrático”! Parabéns ao autor do comentário, João Miranda, pela honestidade. E que isto demonstre a natureza dos projectos políticos libertários, que já representam uma corrente importante nos EUA e começam a dar os primeiros passos em Portugal.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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8 respostas a Filipe Moura: Abaixo o governo central! Abaixo a democracia! Viva a “liberdade”! Viva a blasfémia!

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  2. miriam diz:

    É realmente uma grande democracia.Desde sempre que ganharam o partido do dinheiro(singular,sic!).A India é a maior democracia do mundo.E,depois?São sempre 0s mesmos-é isso uma democracia ou uma ditadura bem desenhada?WAté uma democracia com chapelada,lembro q o bush ‘ganhou’ a 1ª eleição à pála da trafulhice.Penso q as eleições lá deveriam ser monitorizadas como no Afganistão,já agora o Egipto, a Arábia Saudita(?),etc.Ele há um senso comum que me enjoa-é sempre a mesma cassete…

  3. miriam,
    aquilo que suponho chama «chapelada» (um candidato ter menos votos na eleição popular e ser eleito, já aconteceu por quatro (4!!) vezes na história dos EUA. E pode com toda a facilidade voltar a acontecer.
    É que é preciso ter em conta o seguinte, resumidamente:
    – o presidente não é eleito directamente pelos eleitores;
    – os EUA são um sistema federal, onde, por definição se conjugam,em diferentes soluções dois factores: a representatividade dos eleitores e a representatividade dos Estados;
    – se se quisessem ter construído apenas uma democracia, não eram «estados unidos», mas sim «Estado». Um só.

  4. CARLOS CLARA diz:

    A DEMOCRACIA AMERICANA ESTÁ CADA VEZ MAIS ASSENTE NO DINHEIRO COMO HÁ MUITO ESTÃO QUASE TODAS AS OUTRAS. QUEM DIRIGE É O CAPITAL. CURIOSO, SEMPRE QUE FAÇO COMPARAÇÕES ENTRE DEMOCRACIAS O MEU PADRÃO É O NÓRDICO. COMPLEXO EUROPEU? OU SEREI EU ANTI-AMERICANO. BEM, SE O FOR… – HÁ TANTAS RAZÕES PARA O SER.

  5. carmo da rosa diz:

    “O MEU PADRÃO É O NÓRDICO”

    A Finlândia?

  6. CARLOS CLARA diz:

    Só conhece a Finlândia? Olhe que tudo começou na Suécia… carmo da rosa, mas não tudo o que imagino, estar a pensar. Que fixações…..

  7. Por acaso acho que não se deve exagerar quanto ao carácter “não-democrático” do sistema americano, i.e., acima de tudo devem-se compreender todas as suas nuances, o os pontos positivos, que também tem (devem-se aprender com os pontos positivos estejam eles onde estiverem). Por exemplo, não nos podemos esquecer que os americanos tem eleições directas para tudo e mais alguma coisa: o chefe da polícia, o presidente do conselho escolar, o presidente do conselho de saúde, e isto a nivel local e estadual. Além de que referendam um sem-número de leis, a nivel estadual, claro, mas são as leis estaduais que afectam mais directamente as pessoas. Isto demonstra um nivel elevado e arreigado de democracia. A perversão americana passa-se, sim, a nivel federal, onde dois partido-monstros devoram a liberdade de dissidir, tal como ao nivel do sistema mediático, onde a alienação espectacular atinge o climax a nivel mundial. Mas há muito a debater sobre a América, e não convém, a meu ver, reduzi-la a estereotípos, como por vezes é, infelizmente, mal da Esquerda a que também pertenço.

  8. CARLOS CLARA diz:

    A.C.

    Tudo isso também acontece na América, incluindo eleições para tudo. Porém, tenho sempre dúvidas no que toca a um país que intoxica perversamente a mente das grandes massas desabituando-a mesmo de pensar. Assim, não é raro que ganhe quem faz a melhor festa, ou fez meia dúzia de filmes para as mesmas ditas grandes massas. Infelizmente, todo o lixo americano já está instalado no nosso país sem que chegue o que vale a pena. Se juntar-mos a esse lixo, a intoxicação dos canais de televisão, da publicidade enganosa e sem qualquer ética, das revistas de mau gosto cheias de famosos sabe-se lá porquê, mais a admiração pelos espertos, dentro de algum tempo também poderemos fazer eleições para tudo sabendo de antemão quem as ganha.

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