Filipe Moura: A diferença de ocorrer no Terreiro do Paço

A diferença entre um acidente de viação ocorrer no Terreiro do Paço ou em outro ponto do país é que o Terreiro do Paço é talvez a praça mais movimentada de Portugal. Por lá passam todos os dias milhares, talvez dezenas de milhares de pessoas. Não é o único local em Portugal muito movimentado (nem sequer em Lisboa), pelo que não é de todo comparável com as estradas nacionais ou ruas pouco movimentadas, que são os casos que Helena Matos refere neste seu texto.

Julgo que qualquer pessoa percebe que o que importa é que houve um grave acidente no Terreiro do Paço, junto às obras que duram há anos. Que há suspeitas de que tais obras possam constituir um risco para a segurança de quem atravessa a praça todos os dias. Que um acidente isolado no Terreiro do Paço pode pôr todas estas pessoas a pensar que tal poderia ter sucedido com elas, mas tal nunca sucederia num acidente isolado numa praça qualquer de Coruche. Sem querer desrespeitar os mortos neste e em todos os outros trágicos acidentes que Helena Matos refere, o que faz a notícia e desperta o interesse neste caso não é o acidente em si (acidentes há muitos, como Helena Matos o demonstra). O que faz a notícia é mesmo o acidente ter ocorrido numa praça movimentada em obras, neste caso o Terreiro do Paço.

Este texto do Blasfémias é demagógico, populista e demonstra um certo provincianismo. Já agora: Helena Matos escreve duas vezes por semana num jornal de referência. Se acha mesmo que este caso demonstra que “os jornais de referência têm um entendimento snob da vida”, por que não terá abordado este assunto lá, directamente, nas suas crónicas?

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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