Quinta linha

Agora fui eu, que fui apanhado na misteriosa cadeia humana que manda vítimas inocentes abrirem livros à sua escolha na página 161 e ler a respectiva quinta linha. Desta vez, o mandante foi o Pedro Sales do Zero de Conduta e eu vou obedecer prontamente, para não desafiar os deuses, que, sei lá, ainda eram capazes de mandar acabar com o bacalhau à braz que “O Andaluz” serve às quintas-feiras (ou será às quartas?) e obrigar-me a fazer dieta (a vision of disaster, if I may say).

Peguei então n’”Os Maias” (edição lá de casa), abri na página 161 e encontrei isto na quinta linha e arredores: “O marquês carambolara, ganhando a partida, e triunfava também: -Você trouxe-me a sorte, Carlos!” (NB: a quinta linha propriamente dita está devidamente assinalada a bold, o resto é só para contextualizar).

A chatice agora é que eu tenho de indicar cinco bloggers para continuar a cadeia e eu, a bem dizer, só conheço quatro, que fazem comigo o “Cinco Dias” (eu sei que é um bocadinho anti-social, mas ele há vida para além dos blogues, e eu faço uma data de outras coisas na vida, que não vos conto para não ficarem mal impressionados). Assim sendo, escolho os seguintes desconhecidos:

– A Diana Ralha, do “(T)ralha“, que eu não conheço apesar de trabalharmos juntos (olá Diana) para o mesmo patrão;
– O Pedro Ferreira, do “Puxa Palavra“, que eu não conheço apesar de conhecê-lo há vinte e tal anos, e de gostar imenso dele, e da mulher dele, e dos filhos dele, e de ser o meu Embaixador em Paris;
– A Cláudia Silva, do “Blue Molleskin“, que eu também não conheço apesar de ela ser uma excelente anfitriã e de eu passar em casa dela e do Pedro uns fins de semana óptimos que me reconciliam com a pátria;
– O Ivan Nunes, do “ex-Ivan Nunes“, que eu não conheço apesar de me ter cruzado com ele no Maxime há meia-dúzia de dias;
– O André Silva, do “Ponta Seca“, que eu não conheço de Campo de Ourique, nem do Pedro Nunes, nem de todos os carnavais em que andamos metidos juntos desde há alguns trinta anos, e que tem um blogue que não é bem um blogue, mas que é bom de conhecer.

A todos as minhas desculpas.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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24 respostas a Quinta linha

  1. Pedro Ferreira diz:

    Olá António, o teu texto veio trazer um pouco de bom humor após uma noite passada a telefonar a seguros e a acompanhar policias em constatações apòs um marmanjo (ou marmanja vá-se lá saber) qualquer me ter arrancado o travão e a embraiagem da moto.

    Só preciso de saber se há outras regras: tem que ser um livro em Português, tem que ser literatura?

    um abraço

  2. António Figueira diz:

    Pedro,
    Eu acho que o livro aqui é mais ou menos como o Natal para o outro:
    “…é em Dezembro, mas em Maio pode ser
    Natal é em Setembro, é quando um homem quiser”
    Abraço – e cuidados c’os galicismos (“a acompanhar polícias em constatações”?!)

  3. ivan diz:

    Só respondo se especificares qual é o restaurante «O Andaluz» e onde é que fica.

  4. antónio, o vasco barreto já te tinha desafiado há séculos, pá.

  5. António Figueira diz:

    Ivan,
    “O Andaluz” fica no largo do mesmo nome e só há um (“cozinha minhota de tipo caseiro”, no non sense, ao almoço há bicha para sentar).
    f.,
    Eu sou um ordinarão mas é sem querer – é que tive quinze dias sem net em casa (voltou hoje!) e não vi blogues nenhuns nestes dias, e do Vasco não vi nem o convite nem um link simpático que ele deixou para um post meu (aliás, só soube do Pedro Sales porque calhou o Nuno dizer-me, ao telefone). Tens por acaso o mail dele (Vasco) para eu lhe explicar o sucedido?

  6. Vasco diz:

    António,

    O email é o envelopezinho no cabeçalho do meu estaminé, mas não precisas de me “explicar o sucedido”, homem! Aliás, depois de ter confundido a página 161 com a página 169, estou a fazer figas para que arranque depressa por aí outra corrente menos propícia a lapsos freudianos…

  7. António Figueira diz:

    Essa foi digna de um Presidente da Assembleia da República! Abraço, AF

  8. ... diz:

    Na verdade, acho que o Andaluz fica ainda na Rua de Santa Marta, mesmo quase por baixo do viaduto da Duque de Loulé, e antes do largo com o referido nome (e a cozinha é minhota).

  9. “quinze dias sem net em casa (voltou hoje!)”

    Só coisas boas ocorrem a 7 de Novembro. Nem um textozinho – envergonhado que seja – a comemorar a data de hoje? Nuno?

  10. joão diz:

    o ambiente deste blogue é bom. Camaradagem, discussão de ideias, dicas de restaurantes. Vou mudar-me para aqui:))
    Parabéns anfitriões.

  11. Pedro Ferreira diz:

    Caro António

    Já cumpri o meu dever aquí. Obrigado pela, sempre pertinente, busca de galicismos na minha prosa.

    um abraço

    Pedro

  12. António Figueira diz:

    Pedro,
    O link não funciona.

  13. Pedro Ferreira diz:

    Aqui vai outra vez , espero que desta funcione.

  14. cfa diz:

    André Silva, Campo de Ourique… Arletes?

  15. António Figueira diz:

    “André Silva, Campo de Ourique… Arletes?” Claro!
    Cfa, Che…?

  16. cfa diz:

    Cfa, sim. Che já não, claro. Olá! Vamos evitar dizer há quantos anos nos conhecemos, ok?

  17. António Figueira diz:

    Olá! (ok, eu digo só que nos conhecemos algures no século passado…)

  18. cfa diz:

    Praticamente. K é feito do prof. Limpinho?

  19. já tou como o joão: esta caixa de comentários está muito boa onda. e ainda por cima apareceu um amiga minha, a cfa, que pelos vistos conhece o antónio (e ele a ela) desde bebé. enfim, somos quase uma família.

  20. cfa diz:

    Olá, fernanda. Vou começar a vir aqui de robe e chinelos 🙂

  21. António Figueira diz:

    O Limpinho!!! Não, não sei (e aquilo do Che foi só porque eu te associava, no século passado, a um determinado blusão verde, mas nem por sombras me passou pela ideia que tivesses ficado na sua sombra, perdoa-me o trocadilho).

  22. cfa diz:

    Julguei que me associavas à Adelaide Ferreira, mas assim é melhor porque ela agora é muito mais nova do que eu.

  23. António Figueira diz:

    Adelaide Ferreira… de Almeida?

  24. blue diz:

    caríssimo António,
    já há algum tempo que ‘a natureza do mal’ me fizera este repto, ao que eu respondi, sincera e aliviada, que o livro que tinha em mãos não tinha página 161…
    mas a ti, não consigo dizer que não e aqui ficam a quinta linha e arredores:

    “What is a woman, faded, preserved, pretty, powdered, vague, odd, dropping on one without credencials, but with a carriage and very good lace? What is such a person but a person who may have had adventures, and have made them, in one way or another pay?”

    ‘The Tone of Time’, um conto de Henry James incluído no livro “Modern Short Stories, the uses of imagination” editado por Arthur Mizener em 1962

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