Qu’est-ce que c’est que cette question?

Já todos sabemos e muitos comentaram a saída tempestuosa de Nicolas Sarkozy do cenário da entrevista que concedia à norte-americana CBS. Já sabemos que se insurgiu de forma verbalmente violenta, vociferando um «imbecil!» para o assessor de imprensa que o acompanhava. E conhecemos os porquês da fúria do príncipe gaulês: o recente divórcio de Cécile.
No exercício do direito à livre opinião e manifestação respectiva, Miguel Sousa Tavares deu-nos a sua perspectiva, no «Primeiro Caderno» do Expresso deste fim-de-semana. Sobre o abandono a que Sarkozy votou a jornalista da CBS, escreve MST: Tiro-lhe o chapéu: não cedeu ao terrorismo jornalístico da devassa, disfarçado de “direito do público à informação”.
Ora, que grande chapelada! Pois então não foi Sarkozy qye publicitou aos quatro ventos os rumos do seu mariage avec la belle Cécile? Não foi Sarkozy que deu tempo de antena ao seu também tempestuoso casamento, à história de amor que uniu o promissor político de ascendências húngaras e a preclara burguesa de sangue cigano? Não terá sido por mandato de Sarkozy que Madame Sarkozy se deslocou à Líbia, como negociadora e representante da França (ou de Sarkozy, tão-somente?)? E não foi do Gabinete de Nicolas Sarkozy que saiu o comunicado relativo ao seu divórcio, no exacto dia em que os serviços públicos franceses cerravam portas por toda a Gália, numa greve contestatária das políticas «sarkozynianas» de proporções até então inéditas?
Pois só consigo perceber algum rasgo na atitude de Sarkozy se considerarmos, como MST relembra, que aquando da gravação da entrevista para o «60 Minutes», o divórcio não havia sido anunciado. Estaria o Presidente francês irritado pela devassa da sua vida privada, ou pelo fracasso a que a pergunta votava uma medida de charme, reclame e romance dirigido no dia certo – o da greve nacional – aos franceses?
Claro está que quem exerce cargos políticos e sobretudo cargos públicos, se sujeita a uma exposição crescente, consequência do jogo do mercado: há procura pelos leitores, há oferta pelos media. E há interesse publicitário dos expostos. Mas a linha de fronteira entre o publicável e o íntimo, cabe a cada um dos expostos definir. E a razoabilidade do discurso, a selecção do que é notícia porque verídico ou do que não o seja, porque falso ou simples rumor – o boato, essa coisa tão em voga –, o preconceito – aquele que mais por aí vinga – ou a credibilidade, cabem a cada meio de comunicação social.
Ou, como disse Sarkozy, a caminho da porta de saída, «Au revoir, bon courage!»

Sobre Marta Rebelo

QUINTA | Marta Rebelo
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14 respostas a Qu’est-ce que c’est que cette question?

  1. Lidador diz:

    “Pois então não foi Sarkozy qye publicitou aos quatro ventos os rumos do seu mariage avec la belle Cécile?”

    E então?
    Pois então não tem o Sarkozy, como qualquer outra pessoa no mundo, o direito e o gosto de querer tornar públicas as virtudes e privados os defeitos?

    Pois então não tem Sarkozy, o direito de recusar tornar público aquilo que não lhe dá prazer tornar público?

    Ora essa!

  2. F Gomes diz:

    Com o devido respeito, Marta, qual é o interesse deste post? O homenzinho deixou a entrevistadora da CBS pendurada, e depois?

  3. bloom diz:

    Não me parece que seja assim tão simples. Deixando de lado uma certa incompreensão natural dos políticos franceses sobre os métodos dos jornalistas dos países anglo-saxónicos, é verdade que é dificil mostrar alguma simpatia para com Sarkozy quando se conhece a utilização que o casal fez dos media. No entanto, objectivamente, a situação parece ser mais grave que a do Santana-Mourinho e compreendo melhor a reacção de Sarkozy que a do nosso ex-PM. às vezes os nossos políticos têm dificuldades em lidar com métodos jornalísticos que, por serem agressivos, não deixam de ser menos legítimos. Salvaguardando as devidas diferenças – que são muitas – entre a CBS e os tablóides, é verdade que é preciso ter alguma estaleca para lidar com isto : http://www.mirror.co.uk/news/topstories/2007/10/29/oh-up-yours-senor-89520-20024112/

  4. pacham diz:

    A partir do momento em q usou o seu ‘estatuto’ de ‘esposo'(bah!argh!) tinha que se aguentar à bronca.mas,se ele nunca tivesse chamado a mulher para a publicidade teria,a mon avis, o direito de mandar à merda a CBS e ,a porcaria de recadeiros que infestam os jornais.

  5. Este é um dos tais assuntos em que não tenho opinião formada: a começar pelo que é jornalístico, de interesse (/do) público, e noticiável, passando pelos Media como 4º ou 3º (ou 2º) superpoder não eleito, e acabando nos políticos sempre a tentar condicionar os donos dos Media sobre o que é dito, o como é dito, e sobretudo o que não deve ser dito….
    Conclusion: pano para mangas… de um grande casaco!
    Como tal, tenho o bico caladinho sobre o Sr. Sarkozy.

  6. Imagine-se que esta cena no 60 minutos tinha acontecido com um político americano, talvez até com o ódio de estimação de muitos, Bush. Não é difícil prever que por esta altura já toda a gente em uníssono dizia mal dos políticos americanos em geral, dos americanos e da América.

    Mas nós, cá pela Europa, sabemos que não podemos aplicar os mesmos critérios de exigência. Vai daí, até como forma de proteger a nossa autoestima, pressupomos que os políticos europeus têm de ter desconto, nós damos-lhes desconto.

    E não é só por comparação com os americanos. Por exemplo: o presidente do Paquistão deu o dito por não dito a respeito de eleições; por cá censuramos, dizemos que é coisa de Terceiro Mundo. Mas todos os políticos europeus deram o dito por não dito a respeito do referndo do tratado a UE, neste caso dizemos que sim, pode ser, eles não fazem por mal, dizem até que é para nosso bem, nós desculpamos, damos ‘desconto’.

    Em Cuba a internet é só para os camaradas importantes do Partido; quase toda a gente (mas note-se que falta o quase) acha que está mal, que é coisa de ditaduras. No entanto, na Itália de Romano Prodi estão em curso importantes medidas de censura na internet e de comportamento político-mafioso por parte do Governo; não se fala nisto em nenhum lado, nem é tema, mas está a acontecer na Europa; uma vez mais, damos ‘desconto’.

    Sarkozy já apareceu bebido numa conferência de imprensa. Agora fez esta cena lamentável porque lhe falaram na mulher e no divórcio quando antes, em plena campanha eleitoral, fez tudo para lhe falarem na mulher e no casamento. O homem é fraco, tem que se lhe dar desconto. Só não vale a pena pensar que isto é próprio dele, a canditata socialista derrotada ainda era mais fraca. E é esta a locomotiva política da Europa, a França. Há ainda muito ‘desconto’ para dar, se quisermos pensar mais ou menos bem desta gente. Vale-nos um sistema político e uma estrutura económica que se mantêm sólidas, apesar dos rombos no costado.

  7. filinto diz:

    A primeira ideia que tive ao ver o vídeo foi a de ter havido ali algo que fugiu ao combinado. Independentemente do órgão de comunicação social, o presidente francês pode, através do assessor, dizer que não responde a determinado tipo de questões, nomeadamente da vida privada. Daí o imbecil (acreditaste nesta gente!) e depois a saída. Depois de ver a apresentação do programa – dos erros factuais, da menorização do personagem, do empolamento da questão pessoal, etc. não me admiro que o senhor tido aquela reacção.

  8. carmo da rosa diz:

    “Com o devido respeito, Marta, qual é o interesse deste post? O homenzinho deixou a entrevistadora da CBS pendurada, e depois?”

    Faço minhas as palavras de F. Gomes. Qual o interesse?
    O Sarkozy, aliás precisamente como o Santana Lopes, tem todo o direito de recusar responder quando não lhe agrada. Uma atitude humana. Uma atitude repreensível – eu diria mesmo filha da p, que me dá dores de estômago – é responder por evasivas…

    O interesse, vou especular quanto baste: não será dor de cotovelo feminino porque Sarkozy escolheu para sua ministra uma marroquina bem jeitosa, mas para sua secretária-de-estado uma preta aleijadinha de boa (como dizem no Porto), que bate de longe a Condoleza, que por sinal também não é nada má ?

  9. filinto diz:

    Depois de ler o texto de MST, venho apenas notar uma coisa. Na crónica, MST queixa-se daquele jornalismo e contrapõe o jornalismo que investigue a carreira militar do Bush. Ora, foi “aquele” jornalismo, da CBS, do “60 minutos”, que tentou expor o Bush e investigou a carreira militar do Bush. Dan Rather, rings a Bell?

  10. carmo da rosa diz:

    CONCORDAMOS NUMAS COISAS, DISCURDAMOS NOUTRAS. NADA DE MAIS NATURAL.

    Frase lapidar. Grande Ezequiel. Mais 10 pontos para a minha consideração.

    Pois eu, nesta história do QI em relação aos judeus, concordo com o Lidador e com o Ezequiel – os argumentos são complementares. Penso eu de que…

    O Lidador diz:
    “Os judeus soferam ao longo dos séculos as agruras de perseguições e limitações que os obrigaram a apurar qualidades de sobrevivência e a escolher profissões ligadas ao intelecto.”

    Acrescento apenas, porque não eram FILHOS-DE-ALGO.

    O Ezequiel diz:
    “O facto de existirem muitos Judeus que excelem no mundo académico não é um mistério: tem q ver com uma cultura que cultiva a interrogação critica até à exaustão, mesmo na interpretação religiosa da Torah e do Talmude (como Levinas demonstra, entre outros) e com os condicionalismos que resultam de séculos de perseguição: o que é que se transporta facilmente de um lado para o outro quando se é perseguido?: o conhecimento ou, mais precisamente, a ideia de que o conhecimento, a interrogação crítica, a interpretação, são as capacidades mais nobres e valiosas do humano.”

    Aqui não acrescento coisa nenhuma porque simplesmente desconhecia este facto! Faço apenas uma pergunta: ‘a interrogação critica até à exaustão, mesmo na interpretação religiosa’ é iniciada com o grande Baruch de Spinoza (de origem portuguesa), com o seu Tractatus Theologico-Politicus, ou ele é um produto dessa mesma ‘interrogação (….) ?

    Arranjei uns números sobre prémios Nobel. Sempre dá um cariz sério e científico à coisa, mas antes, gostaria de lhes contar como é que me deu na telha para arranjar os tais números. Mais uma trabalheira do camandro…

    Há uns meses atrás veio a minha casa uma bacana da Somália (minha vizinha) e, passado algum tempo, discutia-mos sobre a Ayaan Hirsi Ali (compatriota dela). Daí até chegar aos americanos vai um passinho. Ela, aliás como tantos outros, no auge da discussão, e inspirada por esta mania tanto na moda de que tudo o que é americano é, a priori, mau, vendo nos ianques uma espécie de hunos modernos: por onde eles passarem jamais a erva crescerá… dizia que 95% dos americanos eram burros. E eu, já irritado com tanta burrice, ainda por cima em minha casa, aproveitei a razão da visita dela (problemas com o computador e internet), para, à laia de resposta, lhe perguntar quem é que inventou os computadores e a internet? Internet que ela, apesar de ser bastante espertinha, todavia não sabia muito bem como é que a coisa funcionava… Isto eu não lhe disse, claro. Quero-me dar bem com as vizinhas…

    Ela, espertalhona, dava respostas assaz criativas: ‘Essas coisas são sempre inventadas por estrangeiros que vivem e estudam nos EUA’. Bastante original, mas isto demonstra uma sintomática má-fé em relação ao Grande Satanás. Por outro lado, ela dava o benefício da dúvida a 5% …..de génios? Mas os restantes 95% nem pó, são todos burros. Ok.

    A primeira coisa que salta à vista é: porquê precisamente 5%?
    5% de génios é muita coisa, caneco! Nenhum país neste mundo se pode gabar de tal proeza, nem os americanos! Talvez os judeus (já volto ao assunto). Os sábios, os grandes músicos, os heróis, os grandes artistas, os grandes desportistas, os prémios Nobel são e sempre serão, e em qualquer parte do mundo, uma acarinhada minoria. Quem descobriu o caminho marítimo para a Índia fomos ‘nós’, isto (só) patrioticamente falando claro. No tempo em que o poeta cantava as armas e os barões assinalados, provavelmente menos de 5% da população portuguesa sabia ler, e de certeza que menos de 1% sabia algo sobre métrica heróica. Além disso tivemos que esperar 350 anos, porque vale sempre a pena quando a alma não é pequena, para que nascesse o nosso segundo grande vate.

    Mas então, porque carga de água havemos de exigir aos americanos, se não querem correr o risco que lhes chamemos burros, uma percentagem de Thomas Edisons superior a 5% ? Porquê?

    OS NÚMEROS (até 2006)

    Como todos sabemos Portugal teve dois laureados: O doutor Egas Moniz em ’49 e o escritor José Saramago em ’98; a minha querida Holanda teve 18; a pequena Irlanda teve 6; o novíssimo estado de Israel, entre várias guerras e mais chatices com os vizinhos, ainda conseguiu arranjar tempo para 8 prémios Nobel; mas os americanos obtiveram a módica quantia de 161 laureados, o que visto através do prisma dos 5% de génios, diga-se de passagem, é fracote, mas tendo em conta 95% de burros, não é nada mau – mas é claro, isto é como a história da garrafa meia-cheia versus meia-vazia.

    Mas uma performance indiscutivelmente digna de Ubermench, de raça superior (se eu acreditasse nessas coisas!), são os 170 laureados judaicos. Tenho muita pena da minha vizinha, mas em relação à Somália não consegui encontrar na net qualquer referência a Prémios Nobel ou a descobertas científicas dignas de registo. Mas também quem passa o tempo a queimar bandeiras americanas, a rezar em direcção da Meca, a lapidar mulheres boas, a enforcar jovens homossexuais, a berrar Allah u Akbar por dá cá aquela palha, não se pode exigir muito. Apesar de que não me admirava nada que a Ayaan Hirsi Ali (se não for antes assassinada por dever religioso com o consentimento tácito da esquerda) fosse laureada um dia destes…

    Com estas cifras não quero de maneira nenhuma dizer que haja uma relação directa entre Prémio Nobel, inteligência e genes (de um povo). Mas daí a dizer que os mais laureados sejam os mais burros…

    P.S. Peço mais uma vez desculpa à Fernanda Câncio pelo Off-topic, mas prometo na próxima dizer algo sobre a entrevista ao Pedro Arroja.

  11. carmo da rosa diz:

    Peço imensa desculpa,

    Este comentário é dirigido a outro artigo.

  12. Francisco Pereira diz:

    Percebo o incómodo de falar de coisas que interessam bem mais aos portugueses como por exemplo o desemprego crescente em Portugal no contexto da globalização, por exemplo aproveitar a sua “especialidade” em finanças locais e publicar aqui alguma coisa que interesse ao futuro do desenvolvimento local. O que pensa Marta Rebelo no futuro das autarquias locais no contexto do desenvolvimento regional e de todos os portugueses. Ou pelo contrário pensa que elas não servem para nada pois o poder central dos gabinetes por onde tem andado nos últimos 3 anos, constituidos por figuras de “grande craveira e gabarito” trabalhando de sol a sol, coitados, às 9 horas em ponto estão a trabalhar e a hora de saída é sempre depois do jantar, trabalhando em dias feriados e fins de semana, sem fazer pontes (como se os portugueses não soubessem!)são os únicos de que a nação verdadeiramente necessita para se desenvolver?
    Que modelo de desenvolvimento regional(estou a cingir-me à sua área)defende para Portugal? Tem alguma opinião sobre isto? Nao me responda pela voz do seu partido: a regionalização. Gostava de um post seu com substância e se ele for a regionalizaão, então defenda-a com argumentos seus. Estou ancioso para os conhecer para aí sim haver lugar ao tão desejado e propalado contraditório que os socialistas gostam tanto!

  13. CARLOS CLARA diz:

    Já perguntaram aos judeus dos prémios Nobel, se gostam dos outros judeus? Da minha parte conheço um belíssimo violinista que os lamenta…os outros.

  14. CARLOS CLARA diz:

    Isto por aqui está morno..
    A tal senhora jornalista americana deve estar a ferver de excitação. Então que dizem do Sarkozy, da Bruna e da ida à Disneylândia? É mesmo tonto aquele Sarkosy. Quem deve estar morto de inveja é o Santana Lopes. Sempre os achei um tanto semelhantes. O outro à francesa, claro.

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