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pedro enoja

2 Novembro 2007 | por Fernanda Câncio

quando em setembro de 2006, perante o anúncio da chegada de pedro arroja a blogosfera, via blasfémias, postei no glória fácil uma entrevista que lhe tinha feito em 1994 na grande reportagem, levantou-se uma tempestade blogosférica. no meio da qual houve muita gente a defender arroja, nomeadamente certificando que as suas afirmações sobre a escravatura dos negros nos eua e sobre os negros em geral não seriam racistas — eu e quem assim as achava é que não teriamos percebido bem, aliás seriamos mesmo incapazes de perceber, aprisionados que estamos na nossa visão ‘politicamente correcta’ (pois então, não podia faltar essa), a elevação de um espírito ‘livre’ como o de pedro arroja. sabemos todos o que aconteceu: pedro arroja escreveu no blasfémias durante uns meses, entre alguns daqueles que tanto tinham defendido o seu ‘espírito livre’, e saiu quando começou a dizer umas coisas um pouco racistas sobre os judeus (presumo que afinal há gente com desvios ‘politicamente correctos’ no blasfémias). e zás, ei-lo de freio nos dentes. ou seja — a fazer com os judeus o que tinha feito com os negros. engraçado que não se oiça na blogosfera portuguesa, como vasco m. barreto muito bem sublinha, um coro de gente ‘livre’ a defender o seu direito de ir arrojadamente ‘contra o politicamente correcto’ como se ouviu, ainda há 5 minutos, a propósito do dr. watson. e porque, porque? elementar.

Comentários

Comentário de Joana ES
Data: 2 Novembro 2007, 15:50

Cara, caríssima Fernanda

o tempo não dá para tudo. Hoje, só hoje, tive tempo de espreitar o 5 Dias. Estou cilindrada: já tive o prazer de me cruzar com a Maria João Marques (aka Carmex) - mas que animação que a mulher dá a uma caixa de comentários, de estalo!- , agora tenho a oportunidade de conhecer a fundo o senhor pedro (tinha tido um glimpse pelo post do arrastão e fiquei com a pulga na orelha).
Eu, que antes de me dedicar a ter filhos tinha tempo para ler as Grandes Reportagens todas que e minha mesada dava para comprar, que morro de saudades da falecida revista (coitadinha, quando se passou já estava em mau estado, mas ainda assim),eu, enfim, só hoje descobri o que tenho andado a perder por não passar por aqui.

Ainda não deu (tempo!) para ler as duas páginas do DN sobre o aborto, mas lá irei. Pelo resumo que a Fernanda fez dá que pensar, embora também considere normal, ao fim de apenas 3 meses (já não considero normal que quem contava que o céu fosse invadido por hordas de anjinhos portugueses afinal venha sentir-se agora enaganado por quem fez campanha pelo Sim, mas aqui entram as tais batatas).

Bem haja

Comentário de The Studio
Data: 2 Novembro 2007, 16:35

Se há assunto que me diverte é precisamente este do anti-semitismo. E porquê, com acento circunflexo no “e”? Porque o anti-semitismo é simultaneamente politicamente correcto e politicamente incorrecto. Uma mesma frase depreciativa sobre os Judeus é “racismo inaceitável” caso seja proferida por alguém de Direita, ou uma “opinião responsável” caso seja emitida por alguém de Esquerda.

Por altura do conflito no Líbano muito se escreveu na blogosfera sobre Israel e os Judeus. Um blog, o Letras com Garfos se bem me recordo, apresentou uma compilação de textos sobre o assunto. Metade deles, escritos por skinheads ou hammerskins ou lá como se chamam. A outra metade escrita por intelectuais, enfim, mais ou menos intelectuais, da Esquerda Portuguesa. No fim, o autor do blog desafiava-nos a identificar quais os textos escritos pelos Skinheads e quais os escritos pela Esquerda. Missão impossível, os textos eram idênticos, desde o conteúdo ao vocabulário, nada os distinguia.

Também por essa altura foi convocada uma manifestação em frente à embaixada de Israel, organizada pela Rede Anti-Racista, SOS Racismo, PCP, BE, etç. Não resisiti a ir lá espreitar e lá andavam eles aos berros “Morte a Israel, morte aos Judeus, morte aos Americanos”, “Contra o racismo, contra a xenofobia”. Anti-semitismo?? Não… anti-semitas foram os Neo-Nazis que nos seus blogs divulgaram e apoiaram esta manifestação.

Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 2 Novembro 2007, 17:04

The Studio,
Você é um aldrabão. Eu estive nessa manifestação e nunca ninguém gritou “morte a Israel, morte aos judeus, morte aos norte-americanos”.

Comentário de The Studio
Data: 2 Novembro 2007, 17:32

Ah pois não que não gritaram… foi lindo. Eu adoro ver estas manifestações de tolerância da Esquerda portuguesa. Tudo bons rapazes. Foi nesta manifestação que andaram por lá a queimar bandeiras ou foi noutra… isso de facto já não me recordo. Só é pena vocês darem-se tão mal com os Neo-Nazis. Com tanta vontade que eles estavam de ir lá participar e ficaram-se pelos apoios na blogosfera…

Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 2 Novembro 2007, 17:43

The Studio,
Tudo o que você diz é tão verdadeiro como o nome que ostenta. Nunca em nenhuma manifestação da “Esquerda portuguesa” se gritou essas palavras de ordem. Você não passa de um aldrabão anónimo. Qualquer pessoa que tenha ido a uma manifestação dessas, sabe que isso não é verdade.

Comentário de Sérgio
Data: 2 Novembro 2007, 17:48

Estes arrojados dão seriamente que pensar…

Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 2 Novembro 2007, 17:54

The Studio,
Para comprovar que você é um aldrabão. Cá vão os posts que na altura escreveu (não vale a pena correr a mudar). Em nenhum, lado estão essas palavras de ordem que você diz que os manifestantes entoaram.
Cá vão eles:
Manifestação Anti-Semita (actualização)
Nas páginas (virtuais) do Diário Digital pode ler-se como decorreu esta famigerada manifestação aos olhos da imprensa.

“Lisboa: 600 pessoas protestam junto à Embaixada de Israel ”

Enfim, não seriam 600, talvez umas 100 ou 200, mas faziam barulho por 600, o que terá induzido a comunicação social em erro.

“Domingos Lopes, porta-voz do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), que organizou a iniciativa.”

Afinal parece que indivíduo do altifalante que ficou afónico a meio do discurso é porta-voz de um até agora desconhecido CPPC, mais algum tentáculo do PCP, presume-se.

“são visíveis cartazes onde se lê «pela derrota do exército sionista-inmperialista. Palestina livre, laica e não racista» ”

Se este tal senhor Domingos Lopes e quejandos desejarem ir para a Palestina pregar a laicidade, eu próprio me ofereço para lhes pagar a viagem (só de ida) e a sua (muito curta) estadia. Quanto ao “não racismo”, é evidente que para estas organizações odiar Judeus não é racismo.

“Entre os manifestantes, estão representantes de partidos como Fernando Rosas, do Bloco de Esquerda, ou José Falcão, dirigente da associação SOS-Racismo.”

A presença do Fernando Rosas sem as Cheerleaders atrás passou-me completamente despercebida. Quanto ao José falcão, dirigente da SO-Racismo, evidentemente que não poderia faltar.

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=13&id_news=237634

publicado por thestudio às 06:15
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Quarta-feira, 26 de Julho de 2006
Assim foi a manifestação Anti-Semita de hoje…
A manifestação de hoje em frente à embaixada de Israel em Lisboa foi, tal como se previa, mais uma manifestação anti-semita e americanófoba que uma manifestação pela paz.

Antes de mais, há a convir que a manifestação deixou um tanto a desejar: O Bloco de Esquerda primou pela ausência e deixou o espectáculo circense a cargo do PCP, o qual, como se sabe, nestas lides da palhaçada fica muito aquém do BE. Assim, a coreografia do espectáculo limitou-se à exibição de bandeiras vermelhas com uma foice e um martelo estampados e à repetição de algumas inteligentes palavras de ordem, tais como “Israel assassinos”. Apesar de não estarem envolvidos no conflito, os EUA não deixaram de ser visados revelando toda a xenofobia anti-americana que caracteriza estes manifestantes. O ponto alto do espectáculo foi quando a dada altura, um dos manifestantes, munido de um microfone, declamou uma pequena historieta cuja eventual semelhança com a realidade é pura coincidência. Neste conto, o conflito foi iniciado por Israel, só existem vítimas civis do lado Árabe e aí por diante. Mais à frente, e seguindo os bons passos do líder, o “speaker” acabou por ficar afónico a meio do discurso e só muito a custo, com uma voz rouca e sumida, conseguiu terminar. É este o resumo de mais uma manifestação do PCP e dos sindicatos por ele controlados contra os EUA e Israel.

Há ainda a destacar a presença da Frente Anti-Racista (um apêndice do PCP) nesta manifestação racista (anti-semita) e xenófoba (anti-americana).

publicado por thestudio às 22:56
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Manifestação Anti-Israel: Um exemplo de diversidade
De entre as associações que promovem a manifestação Anti-Semita de hoje, encontram-se inopinadamente, veja-se bem, a Associação Portuguesa de Deficientes e a Opus Gay.

Se bem que no primeiro caso, tal é perfeitamente compreensível em virtude dos manifestantes se tratarem seguramente de deficientes, já no segundo caso, trata-se sem dúvida de uma ocorrência bizarra. Estando em curso um conflito civilizacional que opõe quem reconhece direitos aos gays a quem os pretende enforcar, é no mínimo estranho que os gays portugueses se coloquem do lado daqueles que gostariam de lhes aconchegar o pescoço com uma corda.

É também de refirir a presença da Colectivo Múmia Abud Jamal, organização que deve o seu nome a um terrorista e homicida condenado à morte nos EUA e que junta o seu nome a outras associações igualmente pouco recomendáveis, como sejam o Bloco de Esquerda ou a Associação Amizade Portugal – Cuba.

Segue-se a lista completa das organizações promotoras da manifestação Anti-Semita :

APD – Associação Portuguesa dos Deficientes * Associação Amizade Portugal – Cuba * ATTAC Portugal * Bloco de Esquerda * CCPC – Conselho Português Para a Paz * CESP – Sindicato do Comércio e Serviços * CGTP-IN * Colectivo Múmia Abud Jamal * FEQUIMETAL – Fed. Metalúrgica, Metalo-Mec., Minas, Química, Farm., Petróleo e Gás. * Intervenção Democrática * Juventude Comunista Portuguesa * Movimento Democrático das Mulheres * Núcleo de Almada do CPPC – Almada pela Paz * Núcleo do Seixal do CPPC * Opus Gay * Partido Comunista Português * SNTCT – Sind. Nac. Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações * Sociedade “Os Penicheiros” * STAL – Sindicato dos Trabalhadores da Administração * Local URAP – União de Resistentes Anti-fascistas Portugueses * USL – União de Sindicatos de Lisboa

Comentário de Chuckie Egg
Data: 2 Novembro 2007, 17:54

Nuno,

quero antes de mais dizer que dedica tempo a mais a responder a esta gente mas neste caso em concreto quero apenas dizer antes que venha à discussão que alguns dias após a manif de que falam em cima ( PCP, BE ) houve uma outra convocada por um daqueles grupos nazis mas que não admitem (identitários; nacionalistas; terra e qualquer coisa). Hoje em dia existem, embora penso que só na internet, não sei quantos grupos deste género, tudo de extrema direita, com não sei quantas denominações diferentes mas longe de coisas como nacional-socialista, é sempre outro nome qualquer tal como fizeram noutros países europeus. É uma estratégia…

De qualquer das formas o que queria realçar era que houve outra manif…se vir umas fotos à frente da embaixada só com carecas de botas da tropa e umas pitas com cabelo à skin já sabe….

E de realçar ainda mais q esses carecas eram poucos, de alguns deles desconfio que sofram de distúrbios mentais fortes, grande parte deles não conseguia gritar nada que tivesse mais de 3 sílabas e que as poucas raparigas presentes tinham mais “pinta” de espectáculo sado-maso do que propriamente estética skin ou o que quer que se chame a essa parvoíce…

Comentário de David Lourenço Mestre
Data: 2 Novembro 2007, 18:02

Nuno, nunca fui a nenhuma manifestaçao mas posso encaminha-lo para alguns blogs de “esquerda” que fazem as delicias de qualquer anti-semita.

Sim, nuno, uma arvore nao faz a floresta, mas a floresta está cada vez mais parecida com a arvore

Comentário de Lidador
Data: 2 Novembro 2007, 18:08

O NRA é bom no jogo de cintura, mas o “anti-sionismo” (ser “contra” Israel), é apenas uma forma politicamente correcta de dizer o indizível.

O anti-semitismo “racial”, está hoje limitado aos meios de extrema-direita e islâmicos, mas o mais perigoso é o de de raiz económica com pontuadas na teoria da conspiração.

E esse tem raízes na esquerda, do sec XIX, que se indignava com o “feudalismo financeiro” atribuído a proeminentes homens de negócios de origem judaica.

De resto isto já tem linhagem. Karl Marx, em “A questão judaica”, identificava o capitalista como o “verdadeiro judeu” , dizendo também que “a sociedade burguesa engendra constantemente o judeu em suas próprias entranhas”, e que “O dinheiro é o Deus zeloso de Israel”.

O socialista Proudhon e o anarquista Bakunin, escreviam textos de grande hostilidade contra os “parasitas judeus”
São estas as raizes do anti-semitismo da esquerda, hoje eufemisticamemte disfarçado de “anti-sionismo”.

Quando hoje uma certa esquerda tonta baba os slogans de há 100 anos sobre a “alta finança judaica” e apela aos boicote contra os “sionistas”, não têm a mínima ideia de que se limita a repetir ideias e conceitos datados

Ah, o CPPC, como toda a gente sabe, é uma organização criptocomunista, manobrada pelo PCP, e que nos tempos aureos da guerra fria servia para conduzir à corda os idiotas úteis em manifes contra os mísseis apontados à URSS, mas não contra os SS-20 apontados de lá às suas cabeças.

Amir Taheri, um iraniano fugido dos aiatolas escrevia há meses que a “ideologia (da esquerda europeia) se constrói hoje em torno de 3 temas; o ódio aos EUA, o ódio aos judeus (disfarçado de “anti-sionismo”) e a esperança de colapso do sistema económico mundial”

Não há jogo de cintura que disfarce o “somos todos Hezbolah” e as genuflexões de Miguel Portas perante Nasralah.

Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 2 Novembro 2007, 18:13

Caro David Lourenço Mestre,
O que está em causa é uma mentira. É aldrabice que nas manifestações de esquerda se grite: morte a Israel, aos judeus e aos norte-americanos…
Agora, vem você dizer…que os sites de “esquerda” são anti-semitas. Desconfio que você, faz a velha confusão: se eu não gosto de Bush sou anti-americano, se eu não apoio a política do governo de Israel para a Palestina sou anti-semita. Da minha parte não verá nenhum argumento baseado na raça ou na nacionalidade, só contesto, como muitos norte-americanos e israelitas, a política desses governos.

Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 2 Novembro 2007, 18:21

Caro Lidador,
Tem imenso sentido de humor. Só você para dar verniz a uma mentira a ver se passa por verdade…..Só se esqueceu de lembrar que Marx era judeu. Você faz-me lembrar aquele pastor norte-americano que tem um livro para provar que Marx era satanista e “filho do diabo”, tudo com base num poema da juventude, citações espúrias e porque usava cabelo comprido (sic).
Volto a lembrar-lhe, nunca em manifs de esquerda se gritou morte aos judeus, aos norte-americanos, etc…o resto, da sua conversa, é a habitual demagogia.

Comentário de David Lourenço Mestre
Data: 2 Novembro 2007, 18:28

Nuno, está enganado. Falo do revisionismo e da “conspiraçao judaica”que hoje a bem da verdade nao é patrimonio exclusivo da extrema-direita… e nunca foi

Comentário de josé gomes andré
Data: 2 Novembro 2007, 18:56

Muito obrigado por recordar essa espantosa entrevista. Foi bom lembrar a reflexão de Arroja sobre a escravatura na América: “Existe a ideia de que o escravo trabalhava e dava tudo ao senhor. Não. O senhor branco ficava no máximo com dez por cento. [...] E os estados do sul, onde eles estavam concentrados, prosperaram muito mais do que os do Norte. Fantástico”.

Um homem que diz isto merece uma credibilidade nula, não por ser racista (que é), mas por apresentar como factos dados absolutamente incongruentes com a realidade. Os Estados do Sul não prosperaram mais do que o Norte. E a história dos “10%” é totalmente falsa.

O problema com Pedro Arroja é esse mesmo: o senhor parte de premissas falsas e inconsistentes e tira conclusões patéticas. Como académico, vale zero.

Bem Pelo Contrário

Comentário de rvn
Data: 2 Novembro 2007, 19:06

A intolerância veste roupa de combate em qualquer ocasião, mesmo em casamentos e funerais. Faz-se transportar em argumentos bélicos e seguros, nada daquelas carretas amaricadas que não têm reforço nos pára-choques, para aguentar os embates. A intolerância veste fatinhos de alta cultura e usa citações de bolso, de todas as cores, para qualquer emergência ou aperto de raciocínio. Nunca pinga em público. Inunda, sempre. Tem uma memória selectiva por questões de espaço no disco hiper-rígido das suas convicções, a intolerância. E um discurso que faz troar a sua vasta sapiência aos ouvidos dos tolos tolerantes, que hão-de aprender a lição, um dia. Basta repetir muitas vezes a mesma coisa. Há-de haver sempre quem dê ouvidos à intolerância.

Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 2 Novembro 2007, 19:14

Ok, Caro David Lourenço Mestre. Esta-me a falar das versões modernas daquela invenção da Okhrana: o protocolo dos sábios do Sião? Não creio que na esquerda actual haja disso, sempre foi uma aberração mais ligada ao cristianismo e a sectores de extrema-direita…
O mais próximo que aconteceu foi durante a loucura estalinista com a pseudo “conspiração das batas brancas”… mas mesmo ai, foram acusados de serem contra-revolucionários e não de serem judeus. Como se recorda, foi a União Soviética o primeiro país a reconhecer Israel.

Comentário de David Lourenço Mestre
Data: 2 Novembro 2007, 20:01

“Não creio que na esquerda actual haja disso”

O Nuno anda desatento ou conhece mal a blogosfera portuguesa.

Comentário de joão
Data: 2 Novembro 2007, 20:04

não conhecia a personagem.
Ainda bem que há pessoas assim, para que se acabe com aquela velha questão de perguntar se ainda faz sentido falar de direita e de esquerda.
Felizmente que são poucas

Comentário de Lidador
Data: 2 Novembro 2007, 20:05

Caro NRA, recorda-se daquele galego que foi expulso de um partido semelhante ao BE, lá na Galiza, por ser pouco “anti-sionista”.
E o “somos todos Hezbolah”?

Bem, eu creio que você mesmo não se ilude e sabe, nessa viela iluminada da consciência, que hoje é a esquerda europeia que marcha na frente do ódio aos judeus.

Que o Marx era judeu?
Claro que era, mas debatia-se naquela “má-fé” tão característica, que Sartre definiu, num dos seus raros momentos de lucidez.
Era aquilo que não acreditava ser.
Por isso é que definiu o “judeu”, da maneira que o fez…para se livrar da carga.

Passa-se o mesmo com o “anti-sionismo”.
É-se antisemita ( no sentido de ódio aos judeus), mas acredita-se que não se é…acredita-se que se é “contra as políticas de Israel”.

Tá bem abelha…e porque não contra as políticas do Burkina Faso?

Porque é que o radar está apontado para ali e não para o Sudão, por exemplo.

Loucura estalinista, diz muito bem.
Mas não tente chamar “estalinismo” ao comunismo , como uma cobra se livra da pele.

Essa já não pega…

Comentário de Paulo Porto
Data: 2 Novembro 2007, 20:15

Caro Nuno

Sobre a sua última entrada. Julgo que a ideia era precisamente a resuperação do anti-judaísmo nunca extirpado da sociedade russa. Houve anti-semitismo na seleção dos acusados que por essa altura receberam também a designação de ‘cosmopolitas’ numa clara referência à tradicional acusação de falta de ligação dos judeus aos seus países de residência trocada pela ligação a interesses mundiais do povo judeu.

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 2 Novembro 2007, 20:16

o que é espantoso é que a partir deste mesmo post se reproduzem, em tantos destes comentários, exactamente a atitude que se critica no post. obrigada, senhores, por serem tão incrivelmente pavlovianos, or should i say miméticos. e, já agora, qual é exactamente a teoria de estúdios, lidadores e davides? que a esquerda é anti racista se o racismo for contra os negros e racista se o racismo for contra os judeus? ah, fantástico: isso deve querer dizer que eu, o pedro arroja e o nuno ramos de almeida estamos no mesmo partido. eu e o nuno porque achamos o racismo nojento seja quem for o alvo e o arroja porque é racista, independentemente do alvo. coisa mai linda.

Comentário de David Lourenço Mestre
Data: 2 Novembro 2007, 20:57

Fernanda, nao se exalte, apenas disse que há quem se considere - no sentido cenico e parlamentar da expressao - de esquerda e dê voz ao revisionismo e a “conspiraçoes judaicas”.

Mas de qualquer modo o discurso anti-sionista ou anti-americano, falho nos bons modos, à mingua de pudor e sem mascara, é apenas mais uma forma torpe de racismo. Quando o racismo não entra pela porta da frente, vem sob a mao do irracionalismo. E este nao entra pelas portas, derruba paredes.

A avareza do judeu, a ignorancia do americano, etc, passam a ser predicado da fortaleza biolgica ou cultural. É o velho racismo que desumaniza o outro e que equipa moralmente quem o faz a puni-lo, educa-lo ou a façanha pior

Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 2 Novembro 2007, 21:20

Caro David Lourenço Mestre,
O seu argumento é uma variante do conhecido : “se não poia Salazar, não é bom chefe de família, nem bom português”.
O facto de alguém não concordar com a invasão do Iraque e ser favorável ao direito dos palestinianos terem uma pátria não o torna anti-americano, nem anti-semita.
O facto de o meu caro David fazer esta confusão tem ainda um efeito correlativo: vulgariza o racismo. O racismo não é uma divergência política, seja ela qual seja. O racismo é uma ideologia intolerável que pretende subalternizar, dominar e discriminar pessoas pela a cor da sua pele ou pela sua étnia.

Comentário de David Lourenço Mestre
Data: 2 Novembro 2007, 21:41

Nuno, a minha posiçao sobre a guerra no iraque é ambigua, e sou a favor de um estado palestiniano - quem nao é? O meu argumento sobre o racismo nao tem nada de politico, é o velho racismo que ajudou a pôr de pé o nacional-socialismo

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Data: 2 Novembro 2007, 21:46

[...] a Fernanda - e eu [...]

Comentário de Lidador
Data: 2 Novembro 2007, 22:14

“que a esquerda é anti racista se o racismo for contra os negros e racista se o racismo for contra os judeus? ah, fantástico”

É, é fantástico.
E nem sequer é novo.
Na verdade é um fenómeno milenar que busca raízes nos escaninhos da irracionalidade.
Num tempo em que a Ciência baniu a crença no Mafarrico, há “esclarecidos” que o reinventam à escala da modernidade, com os mesmos propósitos de sempre: exorcizar frustrações, racionalizar o mal, transferir a culpa para um ser poderoso susceptível de congregar o ódio.
A solução passa sempre pelo ritual sacrificial do bode expiatório, indivíduo estranho a nós, repositório de todos os males, que congrega sobre si a fúria da vingança e lhe fecha o ciclo. Unindo-se contra o bode expiatório, (o judeu, o herege, a bruxa, enfim, o outro) a comunidade apazigua o desejo de vingança, liberta-se dos próprios erros e fracassos, esbate as rivalidades internas e reforça a sua identidade.
É aí que se encontra o “anti-sionismo” e o “somos todos Hezbolah”.
Não porque se goste do Hezbolah, claro que não, mas porque o ódio aos judeus ( em língua de pau, às “políticas de Israel”) é mais forte e por ele até podemos berrar desalmadamente que “somos Hezbolah”.

O ódio a Israel por parte de alguma esquerda, tem também muito a ver com o desprezo que essa mesma esquerda nutre pela “democracia “burguesa” e pela ligação que fazem ao capitalismo e aos americanos, outros demónios disponíveis.

“Passarão os séculos, mas nas ruínas das nossas cidades e monumentos, renovar-se-á o ódio contra aqueles que são os verdadeiros responsáveis por isto: o judaísmo internacional!”

http://www.hitler.org/writings/last_testament/

Estas palavras são as últimas de Hitler.
Só se enganou nas datas. Onde escreveu séculos, deveria ter escrito anos.

Comentário de Ana Matos Pires
Data: 2 Novembro 2007, 22:51

Não duvidem, f. e Vasco, trata-se mesmo de um case study. A questão é que, como tantas vezes acontece, o ser case study não o torna único nem particularmente sui generis, como de resto se prova pela leitura desta caixa de comentários. Bolas!, Safa!, Apre!…

Comentário de rvn
Data: 2 Novembro 2007, 23:17

A intolerância veste fatinhos de alta cultura e usa citações de bolso, de todas as cores, para qualquer emergência ou aperto de raciocínio.

Comentário de Carlos Fernandes
Data: 3 Novembro 2007, 0:15

Pedro Enoja? Independemente da apreciação que se faça do conteúdo do post ( no meu caso também concordo que são lamentáveis e infelizes) e/ou das declarações escritas do Dr. Pedro Arroja, fazer um trocadilho destes e titular um artigo com o nome de uma pessoa assim… também me enoja!
Ou será que também gostava que fizessem trocadilhos assim com o seu nome e em título?
Lamentável! E, no fundo e na prática, e contráriamente àquilo que propala(m) em teoria, profundamente intolerante com as ideias dos outros, por mais absurdas que sejam.

Comentário de emepê
Data: 3 Novembro 2007, 0:39

“A avareza do judeu, a ignorancia do americano, etc, passam a ser predicado da fortaleza biolgica ou cultural. É o velho racismo que desumaniza o outro e que equipa moralmente”

mestre, abro a boca de espanto! E então o que dizer dos que se referem constantemente aos “cabeças entrapadas”, que oram “de rabo para o ar” e outros mimos que não vale a pena aqui trazer? É que não me lembro de em outros lugares isso lhe ter causado alguma urticária.

E depois, sabe bem que misturar críticas a Israel com revisionismo é confundir o rabo com os fundilhos.

Comentário de TGF
Data: 3 Novembro 2007, 1:13

Vejo que o Lidador encontrou uma forma de exorcizar as suas frustrações: reinventou o mafarrico e chamou-lhe ‘esquerda’.

Carlos Fernandes, se acha que o trocadilho foi “Lamentável!”, não acha que o post de Pedro Arroja deve ser um pouco mais do que “lamentável” e “infeliz”?
Tenho de relembrar que o Dr disse que os judeus foram bem recebidos na península e que fizeram por merecer as perseguições da inquisição? E que acrescentou “foi o que eles fizeram em todos os países que os receberam durante a sua história de milénios”?
Acha que isto merecia mais ‘tolerância’? Não percebi. Devemos considerar a hipótese e debater um bocado?

Comentário de emepê
Data: 3 Novembro 2007, 1:19

E mestre, torno a abri-la de espanto com os novos desenvolvimentos sobre o QI dos negros e dos pobres. Eu sei que isso não pode deixar de ser uma qq private joke, haja deus. Mas continua a não ser racismo, enquanto que a mesma private joke sobre a avareza dos judeus ou ignorância dos americanos já o é? E que dizer então de meras críticas à política de Israel?

Há aqui qq coisinha que não gimbra.

Comentário de The Studio
Data: 3 Novembro 2007, 1:45

Caro Nuno,

Se me garante que na Esquerda Portuguesa não há anti-semitismo, nunca queimaram bandeiras americanas nem gritaram “morte aos Estados Unidos” ou “morte a Israel”, então vou acreditar em si que pelos vistos tem procuração para falar em nome da Esquerda.

E o apoio dos Neo-Nazis à referida manifestação… bem não é que os Neo-Nazis sejam verdadeiramente anti-semitas. Na realidade eles também apenas estão preocupados com os Direitos do povo Palestiniano.

Menina Câncio,

Não se passa nada de especial… é o do costume. Parece que o Nuno se deparou com o Anti-Semitismo da Esquerda e reagiu com a inefável candura de uma virgem em noite de núpcias. As três coisas que fez foi negar, negar e negar, o que aliás é a única coisa que muito boa gente sabe fazer quando confrontada com factos que negam os seus dogmas.
O Daniel Oliveira e o Rui Tavares ainda hoje juram a pés juntos que os dados apresentados pelo Vasco neste mesmo blog não existem. Aliás, o Daniel, pelo sim pelo não, apagou o meu comentário no seu blog em resposta ao alegado anti-semitismo do Arroja. Não se vão espalhar por aí falsos boatos sobre a Esquerda.

Talvez em rigor a Esquerda Politicamente Correcta não seja Anti-Semita. Parece que o termo adequado é Neo Anti-Semita. Leia-se:

“New antisemitism is the concept of a new 21st-century form of antisemitism emanating simultaneously from the left, the right, and fundamentalist Islam , and tending to manifest itself as opposition to Zionism and the State of Israel.” Vale a pena ler tudo. Talvez que o Nuno se reconheça no descrito.

http://en.wikipedia.org/wiki/New_antisemitism

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 3 Novembro 2007, 1:52

apre, ana, faço meus os teus impropérios. e acrescento arre. a ver se se espantam as aventesmas e desandam daqui.

Comentário de gaius caesar germanicus
Data: 3 Novembro 2007, 2:15

E eu, que sou romano, começo a sofrer de ardores da consciência. Teremos sido nós ou judeus a crucificar o Nazareno?
Afinal há por aqui muito racista recalcado. Há uma expressão que me agrada imenso - “melting pot” - lembra-me a caldeirada que é algo que muito aprecio.

Ave Caesar

Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 3 Novembro 2007, 3:33

The Studio,
O que lhe disse, e você negou, é que nas manifestações da esquerda e aquela que se referiu, e as outras todas que se fizeram em Portugal, não se grita ou gritou: morte a Israel, aos judeus e aos norte-americanos. Juntei-lhe os seus posts da época para lhe mostrar que você para além de mentiroso tem falta de memória. O resto é conversa da treta, mais o link que você juntou.
Para finalizar, veja lá se percebe: o facto de os neo-nazis serem contra a política de Israel, não faz de todos os que são contra essa política nazis. Como o facto de os nazis serem anti-comunistas não faz de todos os anti-comunistas nazis. Percebeu?

Comentário de João
Data: 3 Novembro 2007, 11:50

os meus afazeres laborais e académicos não me permitem comentar tanto como antigamente. mas tinha que qui dar os parabéns ao nuno pela paciência.
há fulanos que nao aprendem nuno… o teu esforço serve apenas para que outros percebam até onde vai a demagogia destes comentadores… porque aprender…eles não aprendem…
negam-se a si próprios a cada momento.
mas o fundamental é perceber, como é claro no post, que o papa português do “liberalismo” é afinal profundamente racista… isso é que é fundamental sublinhar. não discorda do governo israelita, é contra todo um povo. eu, discordando muitas vezes do governo israelita, nada tenho que me mova contra o seu povo.

o resto é conversa…

Comentário de Nuno Gouveia
Data: 3 Novembro 2007, 12:37

Posso estar a ser injusto com o NRA. Mas é uma lugar comum ver na esquerda portuguesa a referência à conspiração neoconservadora judaica americana. E obviamente existe na esquerda portuguesa um radicalismo anti-americano e anti-judaico. Se você não o assume, é uma coisa diferente. Mas não pode responder pela esquerda toda. Quando diz que nas manifestações de esquerda não se grita morte a Israel, morte aos americanos, está também a assumir que participou em todas e que nunca ouviu isso. Mas, por desconhecer, não pode dizer que isso não acontece. E, sempre que vejo na televisão manifestações da extrema esquerda, e da esquerda que tanto fala, a queima de bandeiras americanas e israelitas é normal. E gritam morte aos EUA ou outras coisas menos próprias, porque já ouvi isso várias vezes. Em Portugal, de facto, não me lembro de ouvir isso na televisão. Mas, deve ser porque as manifestações da esquerda portuguesa devem ser diferentes das do resto do mundo.
Cumprimentos

Comentário de Nuno Gouveia
Data: 3 Novembro 2007, 12:38

Peço desculpa,
Coloquei o link errado. Não gosto de parecer anónimo.
Cumprimentos

Comentário de Nuno Gouveia
Data: 3 Novembro 2007, 12:39

Por fim, quero apenas dizer que concordo em absoluto com a rejeição das teses racistas e xenófobas de Pedro Arroja.

Comentário de Lidador
Data: 3 Novembro 2007, 12:52

“Como o facto de os nazis serem anti-comunistas não faz de todos os anti-comunistas nazis”

Há “factos” que o não são.

A não ser que Hitler não fosse nazi, parece que tampouco era “anti-comunista”
Citemos

1-”não sou apenas o vencedor do marxismo…sou o seu realizador. Aprendi muito com o marxismo e não tenciono escondê-lo. O que me interessou no marxismo foram os seus métodos….todo o nacional-socialismo está lá contido”
(Hermann Rauschning, “Conversas com Hitler”)

2-”Os meus desacordos com os comunistas são menos ideológicos que tácticos” e “agora que a idade do individualismo terminou, a nossa tarefa é encontrar o caminho que conduza ao socialismo”.

3- “O problema dos políticos de Weimar foi nunca terem lido Marx”.

4-“…estamos a combater o capitalismo. Estamos a tornar as pessoas completamente livres”

Pois é, caro NRA, parece que afinal o nacional-socialista nº 1, não era tão “anti-comunista” comoa si lhe convém acreditar.

Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 3 Novembro 2007, 15:21

Lidador,
Não teho paciência para si. A teoria que o Hitler era comunista choca com a realidade. Ele gostava tanto deles que fez a campanha eleitoral contra o perigo comunista, depois de eleito mandou todos os comunistas para o campo de concentração e entregou a economia aos grandes grupos económicos. De facto, a única coisa que os seus posts provam é que fuma erva da boa.

Comentário de David Lourenço Mestre
Data: 3 Novembro 2007, 15:45

mepe

A critica aos norte-americanos, aos cristãos, aos portugueses, aos portistas, aos muçulmanos, aos derrotados, etc, decorre da natureza humana.

O critério, o limite, a fronteira, deixo nas suas mãos

“E depois, sabe bem que misturar críticas a Israel com revisionismo é confundir o rabo com os fundilhos.”

Nao tinha em mente a mera analise politica ou a critica intelectualmente honesta.

Comentário de emepê
Data: 3 Novembro 2007, 15:47

São tão engraçadas as ‘fontes’ que utiliza para provar isto ou aquilo! E nem se trata de marxismo ou outra afinidade que se quer encontrar, mas da credibilidade do Rauschning, que nas ‘Conversas com Hitler’ se pôs a discorrer largamente também sobre as ligações íntimas do Führer com o pensamento de Wagner, nomeadamente em relação a algumas óperas que o pp regime proibiu. E isto é que chateou muita gente, como é que um desertor das fileiras nazis, que mal trocou meia dúzia de palavras com o chefe fora das reuniões do partido, sabia tanto acerca de intimidades que ele terá vertido apenas para as suas orelhinhas prestimosas e para mais nenhumas.

É o caso de Wagner e do marxismo. Mas principalmente a polémica de Wagner, porque a outra nunca foi seriamente considerada por ninguém, fez correr oceanos de tinta até se concluir que não terá passado de uma paixão de Hitler pela música wagneriana para a qual Wagner não foi perdido nem achado.

Já ouviu falar no Ian Kershaw, o historiador britânico biógrafo do Hitler?
“Eu não citei uma única vez que fosse ‘Hitler Speaks’ do Rauschning, obra agora considerada com tão pouca autenticidade que o melhor é desprezá-la”.

Comentário de Sérgio
Data: 3 Novembro 2007, 15:53

Ena, que lençol de querelas por resolver que para aqui vai… E eu a pensar que a Fernanda Câncio tinha escrito sobre a cabeça torta, preconceituosa e, mais do que racialista, racista do Professor…

Comentário de The Studio
Data: 3 Novembro 2007, 16:27

Caro Nuno Ramos de Almeida

A sua argumentação, chamemos-lhe assim, é um tanto indigente para alguém dos seus pergaminhos intelectuais.

1. Os três textos que escrevi sobre a manifestação em frente à embaixada de Israel e que o Nuno teve o cuidado de transcrever, não se faz qualquer referência às palavras de ordem dos manifestantes. Como é que o Nuno pode daí inferir o que foi dito ou não foi dito?

2. O link que juntei prova aquilo que eu e outros comentadores lhe temos vindo a dizer: O Anti-Semitismo foi perfilhado pela Esquerda moderna. Claro que o Nuno prefere fazer como a avestruz, enterra a cabeça na areia e diz que não vê nada.

3. O facto do Nuno partilhar com os Neo Nazis as opiniões sobre a questão Judaíca não faz do Nuno um Neo Nazi. Tão certo e adianta tanto ao que está causa como um mais um ser igual a dois. Mas as opiniões dos Neo Nazis sobre e questão Judaíca faz deles Anti-Semitas… opiniões essas que são partilhadas pela Esquerda em todo o mundo.

4. O Nuno poderia ter tido o bom senso de falar por si, que não é Anti Semita e que nunca gritou morte a Israel ou aos Estados Unidos. Mas pronto, ao que parece tem uma procuração para falar em nome de toda a Esquerda… e agora deu por si a defender o indefensável. Resta-lhe mesmo seguir o exemplo da avestruz.

Comentário de ezequiel
Data: 3 Novembro 2007, 16:28

O historiador Irving, que sozinho ressuscitou a Annalles, descobriu recentemente que hitler e estaline apaixonaram-se perdidamente quando se encontraram na floresta negra para discutir a melhor forma de fazer o pudim molotov. Hitler , nas suas célebres Reminiscências Florais, confessa que o bigode viril de estaline provocava-lhe “arrepios na espinha e que a vila morena era um sitio fascinante” Hitler escreveu: “Sempre que o vejo a correr atrás das galinhas com aquelas enormes botas…e aquele bigode, ah o bigode, sinto que o mundo é (literalmente) nosso (ahhh, grande suspiro)…Este não é um nojento eslavo ofegante! É um georgiano portentoso”

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 3 Novembro 2007, 16:30

sérgio, o mais engraçado é que na verdade eu escrevi sobre a cabeça torta de uma parte das pessoas que escrevem na bloga (e não só). e aqui temos a demonstração, ao vivo e a cores: meia dúzia de lunáticos a ‘provar’ que a esquerda é que é racista e anti-semita, e que entre a esquerda e hitler venha o diabo e escolha. isto vindo dos mesmos que clamaram contra a prisão preventiva do pobre mário machado, o mártir do ‘politicamente correcto’. enfim, the same old story, e as mesmas velhas cabeças. haja quem tenha paciência (nuno ramos de almeida, és o meu herói) quando a mim me falta.

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 3 Novembro 2007, 16:37

e no meio disto tudo ainda há um ‘carlos fernandes’ a clamar contra o ‘lamentável trocadinho’ do título contra o ‘dr pedro arroja’. carlos fernandes, parece que não percebeu, portanto eu faço-lhe um desenho assim a grosso: o discurso do economista em causa mete-me nojo, nojo a sério (e não a brincar, portanto) como me mete nojo quem com ele alinha ou quem tenta arranjar desculpas para isto com stalins e quejandos. stalin mete-me nojo, hitler mete-me nojo, pedro arroja mete-me nojo, pol pot mete-me nojo e podia ficar aqui a tarde inteira naming names mas está um dia do caraças, portanto acrescento só que quem acha que aquilo que pedro arroja diz é apenas ‘lamentável e infeliz’ e acha que o grave grave mesmo é o trocadinho desrespeitoso do título e ainda mete um ‘dr’ à frente do nome do dito cujo, para o caso de a gente não ter percebido a mensagem (por acaso, se quer que lhe diga, acho que até é ‘professor doutor’, o homem é doutorado), mete-me também bastante asco.

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 3 Novembro 2007, 16:39

e sim, para o caso de ainda não se ter percebido, sou bastante intolerante com racistas.

Comentário de David Lourenço Mestre
Data: 3 Novembro 2007, 16:56

Fernanda,

O anti-semitismo nao é patrimonio de nenhum hemisferio politico, religiao, naçao, epoca, povo ou regime

Tenha calma, ninguem está insinuar que a cancio é anti-semita

Comentário de David Lourenço Mestre
Data: 3 Novembro 2007, 17:11

“patrimonio exclusivo”

Comentário de emepê
Data: 3 Novembro 2007, 17:50

Caro NRA
Poderia ser o caso do Hitler ter dito umas blagues num jantar bem comido e bem bebido para se vangloriar da apropriação da ‘alma doutrinária’ do inimigo e do partido que disso tirava. Apesar da ingenuidade do contra-senso político, acontece e nem seria de estranhar em certas personalidades. De estranhar é tê-lo dito a um único fulano, nem sequer ‘muito lá de casa’.
Para carta de princípios, seria um tanto clandestina se fosse verdadeira.

Comentário de emepê
Data: 3 Novembro 2007, 17:58

“A critica aos norte-americanos, aos cristãos, aos portugueses, aos portistas, aos muçulmanos, aos derrotados, etc, decorre da natureza humana.

O critério, o limite, a fronteira, deixo nas suas mãos”

Não sei bem o que deixa nas minhas mãos mas o limite ‘do critério, do limite, da fronteira’, deixo eu nas suas.
Porque é que criticar a eventual sovinice dos judeus e a eventual parolice dos americanos, ‘tout court’ e sem outras implicações, é racismo, e a inferioridade dos negros, dos muçulmanos e das camadas populacionais com fracos resultados escolares não o é.

Comentário de emepê
Data: 3 Novembro 2007, 18:22

Faltou-me uma palavrinha indispensável.

… e *afirmar a inferioridade dos negros, dos…

Comentário de David Lourenço Mestre
Data: 3 Novembro 2007, 18:29

Sabe muito bem que tem outras implicaçoes quando se esvazia o grupo – qualquer grupo – de todas qualidades concretas da especie e substitui-se por uma caricatura.

Comentário de Pêndulo
Data: 3 Novembro 2007, 19:11

Esta discussão sobre se na esquerda há ou não anti-semitismo é divertidíssima. Mistura-se o facto de historicamente os judeus terem sido os pioneiros na actividade bancária tal como o câmbio, com a antipatia da esquerda pelo capitalismo. Tenta-se baptizar anti-capitalismo de racismo. Vai-se falando de anti-americanismo, anti não sei que mais, gulags, etc. e não se expressa claramente se se concorda coma ideia do texto; Arroja é um racista nojento. Eu concordo. Isto não tem nada que ver coma as ideias económicas de Arroja, nem com Esquerda ou Direita. É apenas uma questão de respeito pelos Direitos Humanos. Arroja não o tem. Arroja é nojento. Arroja é um soberbo a quem não basta elevar-se pelo seu valor,precisa de se exibir como um pavão. Arroja precisa da polémica para ser falado. Arroja precisa de ser falado para criar clientes para a sua empresa http://www.pedroarroja.com/. Arroja será capaz de tudo para ganhar dinheiro.
Arroja enoja. Só isso.

Comentário de ezequiel
Data: 3 Novembro 2007, 19:50

ps: as minhas desculpas pela intromissão.

À atenção de Marta Rebelo,

A tua candidata vai de vento em popa.

http://www.foreignaffairs.org/20071101faessay86601/hillary-rodham-clinton/security-and-opportunity-for-the-twenty-first-century.html?mode=print

Comentário de emepê
Data: 3 Novembro 2007, 20:24

mestre, mas isso é válido para todos os grupos, não é? E muito mais grave quando as implicações são da ordem de alegada imutabilidade, da genética, com consequências sociais e políticas devastadoras.

Continua, portanto, a não responder à minha questão e daí a minha surpresa.

Comentário de carmo da rosa
Data: 3 Novembro 2007, 20:35

Tenho aqui mesmo à mão de semear uma análise de Ian Buruma (publicada em 2003 no New York Times e no NRC da Holanda) que dá resposta, senão a todas, pelo menos a muitas das questões que aqui são levantadas. Para um ‘post’ é longa, mas garanto que vale a pena. Foi por mim traduzida numa linguagem coloquial e acessível a todos – como o Ezequiel gosta.
Aqui vai disto:

A PARALISIA MORAL DA ESQUERDA
Vejamos por exemplo Gore Vidal, o mais famoso ensaísta americano, que em meios de esquerda, sobretudo na Europa, passa pelo crítico mais progressista da política dos Estados Unidos. À pergunta, de que forma os Iraquianos se poderiam libertar de Saddam Hussein sem intervenção americana, respondeu ele há pouco: “Isso é o problema deles, não é o seu problema nem tão pouco o meu. O Mundo está cheio de maus regimes, e um deles é o regime de Bush”. E acerca da Coreia do Norte: “Pfff, as pessoas na Coreia vão continuar a morrer de fome. Pelo menos é o que diz a nossa imprensa”. E segue-se um ataque aos média americanos.

É evidente que há críticas a fazer à imprensa americana, e também àquilo que Vidal designa de “Junta Bush-Cheney”. Mas as afirmações de Gore Vidal revelam uma curiosa falta de proporções, como se Bush e Saddam se pudessem medir pela mesma bitola, ou então, que as atrocidades na Coreia do Norte, sejam baseadas na propaganda americana. E mesmo que não seja assim, não é o nosso problema, para quê ralarmo-nos? Isto é de certa maneira sintomático de muitas opiniões que passam por ser de esquerda ou progressistas. Criticar o Ocidente, nomeadamente os EUA, é fácil, mas quando se trata de ditadores não-ocidentais, neste caso muita boa gente embatuca. Porquê? Eu penso que isto se deve a um virulento e preponderante anti-americanismo, que conduz certas pessoas a uma forma de paralisia moral quando se trata de regimes sanguinários fora da esfera ocidental.

O anti-americanismo – e com isto não me refiro à crítica da política dos EUA, mas sim a um profundo sentimento de repugnância – tem uma longa história, em que na realidade a Direita teve uma maior contribuição do que a Esquerda. Aos olhos de defensores da cultura de antes da Guerra do tipo Evelyn Waugh, os Estados Unidos eram um país ordinário, só interessado em dinheiro, sem raízes, inculto e de mau gosto – resumindo, um perigo para a superior Cultura Europeia.

Martin Heidegger também tinha várias críticas em relação ao ‘Americanismo’, como sendo sem alma, interesseiro, um poder falso, com uma influência funesta sobre o espírito europeu. Para a extrema direita, a combinação de capitalismo, democracia e falta de homogeneidade étnica era totalmente incompatível com aquilo a que ela achava de mais sublime: pureza de raça, disciplina militar e respeito pela autoridade.

O que está agora na moda em relação aos EUA, era no passado visto em relação à Inglaterra. No século dezoito e dezanove, tanto os reaccionários, como os românticos radicais da Europa continental, denunciavam a sociedade inglesa onde só o reles lucro contava. Londres era tida como uma cidade sem alma, uma cidade de banqueiros e jogadores na bolsa, que na sua sede de fortuna exploravam os pobres. O Imperialismo Britânico, diferentemente da Mission Civilisatrice francesa ou do expandir da Kultur alemã, era visto como uma empresa comercial, que apenas aspira a alargar o seu poderio económico e financeiro. Mas o pior de tudo, aos olhos de alguns, era a relativa mestiçagem da população Britânica. Veja-se o que opina o racista britânico Houston Stewart Chamberlain na presença de Guilherme II, seu protector: qualquer ‘Basuto-nikker’ com uma bolsa repleta, pode adquirir o estatuto de cidadão Britânico. Talvez a coisa não fosse bem assim, mas é sintomático.

O ódio visceral da Esquerda, em relação ao capitalismo Anglo-Saxónico, remonta pelo menos até Karl Marx, mas a passagem de Anglofobia e Anti-americanismo da direita, para a sua variante de esquerda, só se faz sentir depois da segunda Grande Guerra. Sem dúvida isto se deve, grande parte, à agit-prop soviética, e sobretudo à tradição anti-fascista que os russos bem souberam explorar. O capitalismo Anglo-Americano era, na propaganda soviética, directamente conectado com fascismo e apresentado como o grande inimigo dos povos explorados da Terra. Quem fosse de esquerda, era indubitavelmente a favor dos movimentos de libertação do Terceiro Mundo. Nem todos os partidários de Mao, Castro ou Ho Chi Minh eram pro-soviéticos, mas todos eles eram anti-americanos.

Quando muitos países se libertaram do jugo colonial, passaram rapidamente da alegria pela liberdade obtida, para a chacina em larga escala. Instalaram ditaduras, umas com o apoio de Moscovo, outras de Washington. Na China, em África e no Sudeste-Asiático milhões de pessoas foram assassinadas, mortas à fome e saneadas pelos seus ‘libertadores’. Os ditadores do campo americano – Suharto, Pinochet – foram denunciados pela Esquerda, mas em relação aos protegidos dos soviéticos arranjavam-se sempre justificações.

Mas no fim dos anos oitenta já não havia no Ocidente muita gente de esquerda a defender a União-Soviética, ou com muita simpatia por revoluções violentas no Terceiro Mundo. Ainda estava muita fresca na memória a Revolução Cultural na China, os Killing Fields do Pol Pot e os refugiados vietnamitas fugindo de barco. Isto era uma fonte de mal-estar silencioso. Na sequência de 1989 (queda do muro de Berlim) as promessas de Socialismo começaram a murchar. Mas uma coisa ficou: o anti-americanismo.

Hoje em dia o anti-americanismo até talvez se tenha tornado ainda mais virulento do que durante o período da guerra-fria. É um fenómeno conhecido: quando os anjos não conseguem fazer o que prometem, os diabos tornam-se ainda mais diabólicos. Neste caso o desmoronamento do Socialismo não fez que aumentar a dor de cotovelo em relação aos triunfos dos americanos. Mas ao mesmo tempo, dá-se outro fenómeno interessante. A Esquerda e a Direita começaram, curiosamente, a mudar de campo.

A expansão do capitalismo à escala mundial, sem dúvida com consequências negativas, fez com que os representantes da esquerda se tornassem defensores de cultura e política nacionalista. No tempo em que o marxismo ainda era uma ideologia poderosa, a Esquerda esforçava-se por encontrar soluções universais para os sofrimentos do Mundo. Actualmente, é, “globalização”, uma outra palavra para designar o que Heidegger chamava de “americanismo”, um atentado à cultura e identidade indígena. E desta forma, a velha Esquerda vai-se transformando gradualmente num bloco conservador.

Esta defesa da autenticidade cultural ganha forma de anti-imperialismo, e nos dias que correm, isto é evidentemente a mesma coisa que anti-americanismo. Israel desempenha aqui um papel preponderante, porque Israel é visto como um instrumento do imperialismo americano no Médio-Oriente, e como o inimigo colonial do nacionalismo palestino.

Israel e os Estados Unidos estimulam com uma tal intensidade o complexo de culpa colonial da Europa, que praticamente nada há que se lhe possa contrapor.
A política de Israel, assim como a dos EUA, é frequentemente errada, e algumas vezes até deplorável, mas mesmo que a política de ambos fosse sempre correcta, Israel seria sempre odiado como um intruso ocidental em território Árabe. Em relação a isto o anti-sionismo de hoje soa da mesma maneira como os velhos arabistas resmungões da escola do Ministério dos Negócios Estrangeiros Britânico: que de Socialismo nem sequer queriam ouvir falar. O actual fenómeno que consiste em comparar Judeus com Nazis, frequente hoje em dia, é ouro sobre azul para o complexo de culpa da Europa acerca de mais uma nódoa terrível na nossa consciência colectiva.

A paralisia moral da Esquerda, em relação a ditadores não-ocidentais, poderia ter também uma origem mais sinistra. O filósofo israelita Avishai Margalit chama-lhe ‘racismo moral’. Quando os indianos matam muçulmanos, africanos outros africanos ou árabes matam árabes, os sapientíssimos comentadores ocidentais fazem de conta que não é nada com eles, ou encontram justificações históricas, ou então dão as culpas dos massacres às dores de parto do colonialismo.

Mas quando brancos, sejam eles americanos, europeus, sul-africanos ou israelitas, fazem algo de mal a pessoas de cor, então aí temos o caldo entornado. Quem comparar as notícias dos acontecimentos na Palestina com as informações bem mais trágicas sobre a Libéria ou a África Central, dá-se rapidamente conta de uma desproporção que supõem outros critérios morais vigentes para povos não-ocidentais. Podemos aceitar isto como correcto, porque nós apenas podemos acarretar com a responsabilidade da nossa espécie. Mas isto implica uma visão assaz racista do mundo.

Também neste caso a Esquerda e a Direita parecem ter trocado de campo. Desde longa data que a Direita Conservadora nunca teve uma vocação internacionalista, e muito menos revolucionária. Fazer negócio, estabilidade, os interesses nacionais e ‘Real Politik’ (são uns cabrões, mas são os nossos cabrões) sempre foi a norma. Democracia era, segundo conservadores realistas, uma coisa boa para nós, mas não para povos estranhos com nomes exóticos. A Esquerda, ao contrário, queria transformar o mundo, seja onde for. O internacionalismo de esquerda não reconhecia fronteiras culturais nem nacionais. Para eles libertação era um projecto universal. E agora que a “Junta Bush-Cheney” clama a revolução democrática, independentemente de cultura, cor ou religião, afirma o Gore Vidal que nada temos a ver com o assunto, outros há que gritam de ‘racismo’.

Tudo isto é evidentemente uma questão retórica. É bem possível que Paul Wolfowitz, o Secretário de Estado da Defesa americana, sinceramente acredite em revoluções democráticas, mas não é muito certo que os colegas mais conservadores do Governo Bush pretendam atingir fins em vista tão radicais. De qualquer forma é interessante observar quem os neo-conservadores de Washington conseguiram converter totalmente às suas ideias, ou pelo menos no que diz respeito à guerra contra Saddam Hussein. Um dos mais barulhentos jornalistas-cheerleaders a favor da Guerra de Bush foi Christopher Hitchens.
Tendo em conta que ele, aliás como vários neo-conservadores americanos, têm um passado Trotskista, é, até certo ponto, consequente o facto de ele apoiar projectos revolucionários. Por outro lado, enviar o exército americano é uma estranha forma de promover uma revolução democrática.

Muito importante foi o apoio que Bush recebeu de Vaclav Havel, Adam Michnik e sobretudo de José Ramos Horta o prémio Nobel da Paz. Isto são homens, ao contrário dos comentadores em Londres ou Nova Iorque, que sabem o que é viver debaixo do jugo da ditadura. Eles pagaram um preço bem alto por ter tido opiniões divergentes, num momento em que isso era uma questão de vida ou de morte. Vaclav Havel e Adam Mischnik viveram no seio do Imperialismo Soviético, mas o senhor Ramos Horta é um caso interessante, porque ele resistiu ao regime Indonésio do General Suharto que tinha o apoio dos EUA. E Timor-Leste era um tema favorito de Chomsky e outros esquerdistas americanos.

Num artigo publicado pouco tempo antes do início da Guerra do Iraque, Ramos Horta lembrava o sofrimento do seu povo. Escrevia: ‘Não há praticamente no meu país uma família que não tivesse perdido um familiar. Muitas famílias foram dizimadas durante a longa ocupação e resistência à Indonésia. O Ocidente contribuiu para esta tragédia. Alguns são directamente responsáveis porque apoiaram a Indonésia com material militar’. Até aqui nenhum dos nossos críticos de esquerda deve estar em desacordo com Ramos Horta, mas a conclusão que ele tira faz a ruptura. Ramos Horta conclui que o Ocidente ‘redime’ a culpa que tinha, ao libertar, de armas na mão, Timor-Leste dos seus opressores. Então porque razão é que os Iraquianos não podem ser também libertados?

Ramos Horta respeita os motivos que as pessoas possam ter para se manifestarem contra a Guerra, mas ao mesmo tempo pergunta, porque razão é que em todas essas manifestações ele nunca ‘viu um cartaz ou ouviu um discurso, onde se fizesse um apelo para acabar com as violações dos direitos humanos no Iraque, ou substituir o ditador e conceder a liberdade aos Iraquianos e aos Curdos’. Ele sabe que ‘diferenças de opinião e um debate público sobre uma questão de guerra e de paz são essenciais. Nós temos actualmente direito de demonstração e de livre expressão – o que durante 25 anos de terror nunca foi possível – porque Timor-Leste é hoje uma democracia independente. Felizmente para todos nós, que nesta época de globalização, os cidadãos em quase todas as questões importantes têm direito à palavra. Mas se o movimento contra a guerra conseguir que os Estados Unidos e os seus aliados desistam da guerra contra o Iraque, então eles contribuíram para a paz dos mortos’.

Não é obrigatório estar de acordo com esta afirmação. Mas ela tem uma autoridade moral, que em regra geral carece no conteúdo da polémica daqueles que fundamentalmente são contra uma intervenção dos Estados Unidos. Ramos Horta, apresenta uma visão da questão que exige uma resposta. À excepção daqueles que pensam que as pessoas que vivem nos confins do mundo deviam resolver pessoalmente os seus problemas, que pensam que não é nosso dever libertá-los de tiranos, e que cada tentativa nesse sentido é por definição inspirada por motivos racistas, coloniais ou financeiros.

Talvez seja este o ponto de vista mais pragmático, ver mesmo o mais realista. Mas quem defender esta visão, deveria ter pelo menos a honestidade de se assumir como conservador, à la Henry Kissinger, e não falar mais em nome da esquerda progressista.

Ian Buruma

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 3 Novembro 2007, 21:03

muito interessante, carmo da rosa (e não, não estou a ser irónica). mas esse longuíssimo comentário que tanto trabalho lhe deu a traduzir, esforço que agradeço em nome de todos, vem exactamente a propósito de que parte do meu post?

acho que é altura, ao fim de 50 e tal comentários, de concluir que os comentadores que se alinham com ‘a direita’ (ao virem aqui sistematicamente atacar ‘a esquerda’) demonstram uma absoluta incapacidade quer de criticar quer de defender pedro arroja: simplesmente evitam falar dele, o que é espantoso perante o conteúdo do post, tendo continuado aqui a sua risível guerra fria, alimentada de ‘leituras’ requentadas. senhores, então? watson pode ser racista à vontade e estão dispostos a defender o ser direito a ser racista com os vossos comentários (que a vida há só uma), mas o arroja não? então?

Comentário de ezequiel
Data: 3 Novembro 2007, 21:14

Caro Carmo da Rosa,

Obrigadinho pela menção honrosa. Vivendo e aprendendo, lá diz o ditado. A sua dedicação à causa é inquestionável: perdeu umas horitas a traduzir este texto do Ian, just to prove a point!!

Os senhores e senhoras que me perdoem, mas esta discussão parece-me infantil, absurda até. Parece uma versão cibernética de um talk show dedicado ao tema “Berlindes e moralidade: será o meu melhor do que o teu!” Antes de apelar à intuição moral, devemos explicar os comos e os porquês das coisas. A avaliação moral, quando é considerada como um fim em si, engendra uma perigosa miopia. Isto parece uma discussão de padres.

Eu, por exemplo, sou completamente a favor de uma política intervencionista e militarista. Os EUA e o mundo ocidental tem o nobre dever de libertar pela força (não há aqui qualquer contradição moral, asseguro-lhe!) da violência as centenas de milhões de pessoas que vivem sob o jugo de regimes tirânicos. Parece-me uma política sensata e, acima de tudo, pragmática. O mundo é pequeno e fácil de moldar. Eu já disse à minha filha que ela deveria entrar para as SAS.(a miúda é Brit e tem um mau génio corisquinhe!) Estou disposto a perder a minha filha para libertar os oprimidos por este mundo fora, mesmo que os oprimidos não reconheçam a validade moral do meu projecto civilizacional. Serão libertados à força. Brilhante, não acha?! (a miúda é uma Brit e tem um mau génio corisquinhe!) :)

Comentário de David Lourenço Mestre
Data: 3 Novembro 2007, 21:31

Cancio,

mais importante do que a critica a pedro arroja é a critica ao anti-semitismo, e “os comentadores que se alinham com ‘a direita’” atacam implicitamente o antisemitismo, venha ele donde vier.

MP,

sim, é válido para todos os grupos. Mas compreenda que nao estou a tentar imobilizar toda a critica valida e intelectualmente honesta

Comentário de carmo da rosa
Data: 3 Novembro 2007, 21:54

“muito interessante, carmo da rosa (e não, não estou a ser irónica).”

Fico contente que tenha gostado. Quanto ao esforço, eu, por amor à camisola faço (quase) tudo. Deu-me trabalho, é verdade, mas não foi assim por aí além, o homem escreve bem, é claro e é pão-pão-queijo-queijo. Olhe, como você e o Lidador.

“vem exactamente a propósito de que parte do meu post?”

É verdade que não é uma resposta directa ao seu ‘post’, e peço desde já desculpa, mas sabe como é, pus-me a ler os comentários – que não são poucos! – e quando dei por ela estava apenas a responder aos comentários.
Mas o mais chato, mas isso fica entre nós: não faço a mínima ideia quem seja o Pedro Arroja!!!

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 3 Novembro 2007, 21:56

david, suponho então que o arroja é de esquerda.’ implicitamente’. que giro.

Comentário de David Lourenço Mestre
Data: 3 Novembro 2007, 22:12

Eu parece me que falei lá atras em hemisferios. Se quer ler aqui um ataque implicito à “esquerda” be my guest, mas acho nao pode ignorar que nao falo apenas em um dos hemisferios

Comentário de Carlos Fernandes
Data: 3 Novembro 2007, 22:18

Cara Dra. F. Câncio, o que eu quis dizer ( e não lhe posso dizer que lhe faço um desenho a grosso porque não tenho grande veia artística, embora lhe possa fazer uma foto a cores) é que acho mal que se façam ataques ad hominem, uma coisa são as pessoas, outra coisa as ideias; donde, ataque-se a mensagem e não o mensageiro.

Comentário de emepê
Data: 3 Novembro 2007, 22:20

mestre, mas está a entrar por caminhos que não tem qq hipótese de controlar e portanto tem que considerar ‘intelectualmente honesta’ toda a opinião expressa. O que a mim me parece muito duvidoso em alguns casos…

Comentário de carmo da rosa
Data: 3 Novembro 2007, 22:58

Caríssimo Ezequiel,

Já estava com saudades suas (neste caso sem uma ponta de ironia), é verdade que não gosto muito da sua maneira de escrever, porque me dificulta a leitura, mas é a sua e contra isso batatas, mas em contrapartida gosto muito do seu humor muito British…

“A sua dedicação à causa é inquestionável: perdeu umas horitas a traduzir este texto do Ian, just to prove a point!!”

Perdi umas horitas com o Ian porque acho que ele prova aqui ‘not a point, but SEVERAL points.. Mas de qualquer forma agrada-me ler no seu terceiro parágrafo ‘(…) Os EUA e o mundo ocidental tem o nobre dever de libertar pela força (…)’.
Você, neste seu comentário, ultrapassa o Ian que não é das direitas, e muito menos intervencionista, mas também a mim pela direita! Até para um neocon há limites…

Comentário de maradona
Data: 3 Novembro 2007, 23:57

Eu sou a favor da tradução do Carmo Rosa!

Comentário de Sérgio
Data: 4 Novembro 2007, 0:13

Pois é, Fernanda. Mas a coisa parece que piorou… Já li aí algumas analogias e conclusões que me fizeram rir até às lágrimas.
Se o processo continuar, boa sorte.
Sérgio.

Comentário de The Studio
Data: 4 Novembro 2007, 1:03

Pêndulo e Ezequiel,
Não está aqui a decorrer nenhuma discussão sobre a existência de Anti Semitismo na Esquerda. O NRA há muito a sentenciou. Confrontado com a página da Wiki sobre o tema que apresenta centenas de referências, ignorou os factos e postulou que não existe Anti Semitismo na Esquerda. Decretou ainda que não nunca se tenham queimado bandeiras americanas ou gritado “morte aos EUA/Israel”, em nenhuma manifestação, mesmo naquelas em que não esteve presente. E pronto, ganhou a discussão.

Quanto aos “comentadores alinhados com a Direita”, assim chamados apenas porque não partilham as visões dogmáticas dos autores do blog, pela minha parte a teoria do Arroja não merece grandes comentários. Aliás, parece-me um tanto forçado ver nela Anti-Semitismo, mas seja como for, está no seu direito de expor as teorias que bem lhe aprouver.

Comentário de ezer
Data: 4 Novembro 2007, 1:32

Estive em muitas manifs de esquerda(claro!) e ,nunca ouvi bocas anti-semitas.Não faz sentido por variadas razões que me escuso a ‘explanar’.Estes gajos andam mesmo a dar nela à força toda e deve ser boa,para ficarema tripar.

Comentário de ezequiel
Data: 4 Novembro 2007, 3:09

Caro Carmo da Rosa,

Eu de neocon tenho muito pouco, ou melhor, absolutamente nada. Estava a tentar ser irónico. Qt ao resto, confesso o evidente: não sou nem pretendo ser um escritor. Estou aqui num bla bla convosco, algo que adoro. O meu humour é mais nova iorquino-açorico-corisquinhe do q british, de certezinha absoluta. Não o administro. its just me, thats all…mas pronto, + de 10 anos a viver na gb…é natural q tenha absorvido alguma coisa do britcomic, de que gosto muito.

Qt ao resto, parece-me, sinceramente, absurdo acusar a esquerda de ser anti-semita ou racista ou bla bla….Tem muitos defeitos, mas este não é, decididamente, um deles…como liberal, não sinto qq necessidade de os acusar falsamente…Penso que é importante não confundir as coisas. (concordo com o Nuno) O que seria de nós sem os nossos esquerdistas?

Seja como for, caro C da Rosa, a tradução está fantástica. My sincere congrats!

Beijins e abraços para todos, :) Bom resto de fim de semana…

Comentário de David Lourenço Mestre
Data: 4 Novembro 2007, 4:00

este site will shed some light on the issue:

http://www.paulbogdanor.com/antisemitism.html

Comentário de rui fonseca
Data: 4 Novembro 2007, 12:12

CONCLUSÃO:

O ENOJA alcança o objectivo: ser badalado.

Comentário de paicham
Data: 4 Novembro 2007, 12:49

D.Fernanda Câncio,qdo era pequenino haviam meninos que estavam com os maus embora nunca lucrassem com isso e,muitas vezes eram alvos de chacota desses energúmenos,mas,os coitados continuavam a admirá-los.Aqui os comentaristas são da mesma estirpe baixinhos,muito baixinhos coitadinhos.São tão néscios,coitados,que nem nada sabem de Marxismo,nem de Judeísmo sómente que têem que defender o seu amo lá em cima, o qual jamais lhes será permitido comer as migalhas da mesa.Simplesmente,’andam por aí’…quais verbos de encher.De volta e meia grunham acerca do bolchevista judeu,agora nos tempos que correm e,pq foi reservado o papel de policia dos campos de petroleo,depois de terem sido desmantelados os kibbutz eis,que vêem postar postas de pescada.Nada sabem da solidariedade,da amizade,dum mundo melhor,da felicidade que é ver as pessoas terem uma vida digna e poder desenvolver as suas capacidades na sociedade.
Para eles ,os seres humanos são apenas números para aumentar a dinheirofilia psicótica de seus amos.Para eles,o facto de estarmos aqui temporáriamente nada lhes diz.São donos,mai nada.Que deformação da personalidade de seres humanos.São os mesmos que passam pela rua por um sem-abrigo e lhes lançam um olhar de desprezo,como quem diz:’se te fosses só viria bem ao mundo’.Para eles é só consumidores,clientes,fregueses enfim gente autómata.Marx,Lenine,Trostky,Rosa Luxemburgo,Staline(eles não sabem ou não querem saber q tb era descendente de gente semita)eram de origem judaica.Para o Marxismo não há castas e todos podemos ser camaradas porque são os interesses de classe que unem os seres humanos e,é aqui que lhes doi mais-a classe tal com teorizou o judeu Marx!!!

Comentário de rvn
Data: 4 Novembro 2007, 14:03

Eu tenho um cão. Dizem que pertence a uma raça perigosa e eu acredito, embora seja um doce para mim. Manda a lei que lhe ponha um açaime quando nos juntamos à sociedade. Eu ponho, embora ele seja um doce para mim.
Leio aqui que Hitler praticamente escreveu o ‘Até amanhã camaradas’. Que a esquerda não se endireita e que a direita segue em contramão quando o assunto é anti-semitismo. Que os EUA têm o nobre dever de salvar povos? Pela força?
Duas observações. Nuno Ramos de Almeida, os meus cumprimentos, caríssimo. Por muito menos deram o Nobel a De Klerk. E não, a partir de hoje não torno a por açaime ao meu cão quando nos juntamos à sociedade. Ou há moralidade ou comem todos, diz o povo.

Comentário de Lidador
Data: 4 Novembro 2007, 16:22

“Todo o anti-comunista é um cão” ( Sartre)

O rvnzinho informa-nos (como se a gente lhe tivesse pedido) que tem em casa um anti-comunista doce a quem lê as tristes letras do camarada Cunhal.
Fará como entender.
Mas é chato gabar-se um tipo em público dos seus defeitos.
É como coçar a micose, em plena pista de dança, ou mastigar com a boca aberta.
É chato…diz o povo!

Comentário de David Lourenço Mestre
Data: 4 Novembro 2007, 16:26

Ezequiel,

Parece me que quando alguém se identifica com a esquerda, depois de chamar aos judeus assassinos, que lamenta que o trabalho nas cameras de gás ficou incompleto, é suficiente para acender uma luzinha

Leia isto:

Numa dramática entrevista, até aí sem precedentes, o Dr. Franciszek Piper, director dos arquivos do Museu Estatal de Auschwitz (em Oswiecim na Polónia, país satélite da URSS) admite perante o entrevistador que o “Crematório1”, a alegada “câmara de gaz homicida” mostrada à exaustão a milhares de turistas em cada ano, foi de facto “fabricada” depois da guerra pela União Soviética – aparentemente debaixo de ordens directas de José Estaline (um judeu). O que Piper diz - de facto sobre a câmara – é que o explosivo “Relatório Leuchter” estava correcto: nenhuns gaseamentos homicidas tiveram lugar nos edificios designados como “Câmaras de Gaz de Auschwitz”. Admitindo isso, por nada mais nada menos que o responsável pelo Museu Estatal de Auschwitz, um dos mais sagrados factos da história é assim destruido.
Esta “câmara de gaz” é o maior “facto histórico” no qual assenta a maior parte da politica externa e doméstica de todas as nações ocidentais desde a 2ª Guerra. É na politica nascida desta “constatação” que se apoia a ajuda externa dos Estados Unidos de mais de 100 biliões de dólares ao Estado (Judeu) de Israel desde a sua fundação em 1948 – no montante de 16.500 dólares por cada homem, mulher ou criança estabelecidos no “Estado Judeu”, para além de outros biliões mais em “reparações de guerra” concedidas pela Alemanha – já para não mencionar a construção das redes eléctricas, de telefone e sistemas ferroviários – todos eles “ofertas do povo germânico” (O primeiro chanceler alemão no pós guerra, nomeado pelos aliados, foi um judeu: Konrad Adenauer). Foi a base para mais de 10 biliões de dólares de investimentos (leia-se: ofertas) feitas a Israel para construir habitações para os imigrantes nos territórios ocupados… enquanto muitos americanos dormiam nas ruas e os negócios ruiam aos milhares (note-se que até 2004 nem um único “empréstimo” ao Estado Judeu feito pelo erário público proveniente dos contribuintes americanos foi jamais pago). A Alemanha pagou “reparações”, os Estados Unidos deram contribuições fabulosas – tudo com justificação na existência das “Câmaras de gaz de Auschwitz” e em todas as demais estórias que gravitam essa fraude fundadora.
Se as “Câmaras de gaz genocidas” foram uma criação dos Soviéticos no pós-guerra, onde ninguém foi gaseado atendendo à sua raça, credo,côr de pele, religião ou país de origem, então estas “reparações” teriam sido desnecessárias; foram baseadas numa fraude.
David Cole, o autor da video gravação depois de 12 anos de estudos, como muitos milhões de americanos, tinha sido instruido desde a sua juventude, no “facto irrefutável” dos “homicídios em massa” que tiveram lugar em Auschwitz. O número desses executados – também considerados irrefutáveis – era de 4,1 milhões de pessoas.
o qual foi seguido de uma reavaliação oficial do número de mortos em Auschwitz – fixado desde então em menos de 1,1 milhão de vítimas, a maior parte causadas pela epidemia de tifo que assolou o campo em 1945.
Qualquer pessoa que publicite outros dados ou ponha em causa o número oficial de 4,1 milhões de “gaseados em Auschwitz” é automaticamente rotulado de anti-semita, neo-nazi, skinhead, no mínimo. Contudo, por via dos dados apurados pelos revisionistas os números verdadeiros, como se disse, são inferiores a 1,1 milhão. Nenhuma menção é feita aos 3 milhões desaparecidos (a maior parte refugiados nos territórios libertados pelos Russos durante os últimos tempos da queda do Reich - vidé mapa dos campos de concentração nazis). O filme de Cole prova que os individuos que dirigiram o Museu Estatal de Auschwitz tiveram práticas de fabrico de “provas” dos gaseamentos genocidas. Tenha-se em conta que a estória do “crematório nº1” no seu estado original já foi contada a milhões de turistas, conquanto os responsáveis oficiais soubessem que “ a instalação original” é uma Mentira.

Isto tambem:

I cannot fully express what it feels like to have to walk across campus daily, past maps of the Middle East that do not include Israel, past posters of cans of soup with labels on them of drops of blood and dead babies, labeled ‘canned Palestinian children meat, slaughtered according to Jewish rites under American license,’ past poster after poster calling out Zionism=racism, and Jews=Nazis,” she wrote — and the details only became more shattering from then on.

Isto é mais leve mas ajuda a compreender o anti-semitismo moderno:

The Middle East conflict has given respectability to old prejudices, especially in British academic circles. Two hundred British academics, some eminent, have selected Israel, of all the countries in the world, as the object of a total boycott, as if Israel were a uniquely evil state. While one can disagree strongly with the Israeli government’s policies without being anti-Semitic, the selection of Israel alone for a boycott in a world in which atrocity and suppression of freedom are routine must arouse suspicions of pre-existing animus—that is to say, of old-fashioned anti-Semitism.

Já agora passe pela minha caixa de comentários. Depois fale me em absurdos.

Comentário de carmo da rosa
Data: 4 Novembro 2007, 18:20

Caríssimo Ezequiel,

Percebi bem que você estava a ser irónico. Mijei-me a rir com a passagem onde você quer que a sua filha, de mau génio, entre para a SAS, e também consigo imaginar (pelo aquilo que diz) que não é um neocon. Aliás o epíteto ‘neocon’ era em relação à minha pessoa, que é como os meus amigos esquerdistas ultimamente me chamam. Eu lá tento convencê-los a golpes de Ian Buruma do contrário, de que, bem vistas as coisas, eu é que continuo a ser de esquerda e eles uma cambada de reáças. Como diz o Buruma, ‘a velha Esquerda vai-se transformando gradualmente num bloco conservador’. Mas o esquerdismo não é uma ciência, é infelizmente uma religião…

‘não sou nem pretendo ser um escritor. Estou aqui num bla bla convosco, algo que adoro.’

Não faço julgamento de valores. O eu por vezes não perceber pode muito bem ser culpa minha. Eu, apesar de por vezes me esfarrapar todo só por amor à camisola, sou, por muito paradoxal que isso possa parecer, intelectualmente preguiçoso. Para mim, algo escrito tem que ser óbvio e claro logo à primeira abordagem. Se passado duas linhas não percebo, santa paciência, zepo logo para o canal do futebol…

“absurdo acusar a esquerda de ser anti-semita ou racista ou bla bla….”

A ‘esquerda’ engloba tanta gente diversa que é difícil saber de que estamos a falar! Mas é bem possível acusar a ‘esquerda’ de pelo menos ‘racismo moral’, como diz o filósofo israelita Avishai Margalit (vide Buruma). Mas eu compreendo muito bem que a ‘esquerda’ não está habituada a estar no banco dos réus, porque sempre esteve convencida de que possui a verdade moral – o Buruma explica isto melhor do que eu – e por isso está mais vocacionada para a acusação, para juiz de instrução.

O que seria de nós sem os nossos esquerdistas? O que é o mesmo que dizer: que seria de nós sem religião, sem moral? Para uma resposta a esta questão sugiro o Pat Condell.

Igualmente um bom fim-de-semana e beijinhos para todos, menos para o bacano que dá beijos ao cão, salvo seja…
Ah, e para quem estiver interessado e tenha acesso: hoje à noite às 20:00 horas um documentário da BBC na TV-belga (canal 2) sobre os tribunais baseados na ‘Sharia’ no norte da Nigéria. (Ezequiel, cuidado com o horário continental)

Comentário de ezequiel
Data: 4 Novembro 2007, 19:19

Caro David

eu nunca conheci um esquerdista anti-semita (NUNCA), mas não duvido que existam alguns…no entanto, o habitat “natural” do anti-semitismo sempre foi a ext direita conservadora e religiosa, o nacionalismo bla bla

como deve saber, a intelligentsia judia europeia sempre compartilhou afinidades profundas com a esquerda e aplicou muitas das suas ideias na organização do estado e sociedade israelita (kibutz, educação de elevada qualidade para todos de graça, etc)

é um facto sobejamente conhecido…

não percebi se o director do “museu” é esquerdista

sim, o boicote brit foi uma ideia peregrina e anti-semita (pelas razões q citou: um pouco como os relatórios dq instituição hiper democrática, as NUnidas, que examinam e avaliam apenas a conduta israelita), que falhou…no entanto, lamento informar-lhe, mas a iniciativa foi proposta por um sindicato poderosoq q congrega esquerdistas, conservadores e até liberais…logo, portanto, o exemplo serve de pouco

Eu sei muito pouco sobre este assunto. Quando não conheço bem o tema sob discussão, fico caladinha. Não possuo qualquer hard data sobre o anti-semitismo europeu e o seu estado actual. Repare numa coisa: o anti-semitismo é uma doutrina explicitamente racial. Não é uma “mera” parcialidade. É algo de muito mais pernicioso do que isto. É essencial considerarmos a natureza das motivações dos anti-semitas. Todavia, não existe apenas uma forma de anti-semitismo.

existe anti-semitismo na gb e em muitos outros países europeus, nada de novo aqui. Arendt explicou mt bem a genealogia deste fenómeno insidioso…

Mas, elucide-me, ofereça exemplos de esquerdistas anti-semitas….E, por favor, não cite o miguel portas…já o ouvi a falar da problemática israelo-palestiniana…no pros&cons (se não me engano) e não me pareceu anti-semita… de forma alguma!

cumps

PS: ao responder à sua pergunta neguei a validade da minha critica inicial (q isto é uma discussão um tanto ou quanto infrutífera) . Decidi responder ao seu comentário pq considerei que, por vezes, a cordialidade é mais importante do que coerência.

Cumps,

Comentário de emepê
Data: 4 Novembro 2007, 19:43

Não ponho em causa a muita fabricação que tem inundado a história sobre números, campos, câmaras, crematórios, etc, mas não considere de somenos o que o próprio Piper diz dessa entrevista ao Cole. Por uma questão de objectividade toda a informação disponível precisa de ser posta sobre a mesa e ‘à noite logo se vê’.

http://www.nizkor.org/ftp.cgi/people/p/piper.franciszek/press/daily.texan.1093

Quanto ao novo anti-semitismo pelo simples facto de se isolar politicamente Israel no conjunto dos outros países, esses argumentos são já tão, mas tão ridículos de tão gastos e não passam de vitimização para recolher dividendos políticos.
Então poderia ser assim:

the selection of Cuba alone for a boycott in a world in which atrocity and suppression of freedom are routine must arouse suspicions of pre-existing animus—that is to say, of old-fashioned ….
…anticubanismo? Antimestiçagem? Anti-rumba?

ou

the selection of Iraq alone for a boycott in a world in which atrocity and suppression of freedom are routine must arouse suspicions of pre-existing animus—that is to say, of old-fashioned …
…anti-arabismo? Anti-?

Comentário de Pêndulo
Data: 4 Novembro 2007, 20:29

O David Mestre deixou-me a pensar como é fácil embarcar em mistificações.. Realmente nunca vi nenhum gazeado a queixar-se.
E a outra também me surpreendeu. Afinal foi um mísero milhão. É assim como um gajo ter problemas de circulação e irem-lhe amputar pernas e braços. Acorda da operação e vê que só ficou sem um braço. Sente-se feliz e até bate palmas de contente.
Ups, palmas não pode bater.

Comentário de rvn
Data: 4 Novembro 2007, 21:16

Triunfador,

Sei que gosta de (ex)citações.

«Olhe amigo lobo, disse o Cão com ar conselheiro - o que é preciso é saber viver.A gente com maus modos não leva a melhor, tudo o que é bom foge de nós.Porque não se resolve a fazer como eu e a acabar de vez com esse mau hábito de atacar, de morder e matar? Deixe-se de ser fera, domine a sua maldade, afeiçoe-se a alguém e verá como arranja quem o queira e o sustente, sem nunca mais ter de preocupar-se com o que há-de comer: aparece-lhe tudo sem trabalho.»

La Fontaine

Carmo Caro da Rosa:
Espero não ser eu o bacano a que se refere. Ficar sem os seus beijinhos este fim de semana é uma perspectiva que me aterroriza, confesso.

Pingback de blogue atlântico » Blog Archive » f. e o Lobo
Data: 4 Novembro 2007, 21:32

[...] o Nobel James Watson, ou a sequer considerar semelhantes as circunstâncias de cada um, como faz f. no 5 Dias, vai um enorme passo que é do tamanho do abismo que existe entre os dois. Mas f. compara e retoma [...]

Comentário de ondevaisorioqueucanto
Data: 4 Novembro 2007, 22:35

O DLM insiste em assimilar o anti-semitismo à esquerda. É um truque sabujo dos conservadores que deixam pelo caminho as relações muito delicadas entre os anti-semitas e a igreja católica, por exemplo. Claro que para o DLM isso não interessa. Mas não é por acaso que ele ressurge - nas suas roupagens étnicas - nas palavras de um arroja, mas pode ser também detectado, mais subtilmente, em outros companheiros de blog (o portugal contemporâneo, pois então). O que eles partilham não é serem de extrema-direita, que não são (pelo menos não no sentido tradicional: neo-nazis, skins, etc), mas mais simplesmente o seu catolicismo e com este a ideia de preservação da tradição (das nobres tradições, ao gosto do conservadorismo) que colide com o velho fantasma do cosmopolitismo judaico.
Até aqui tudo bem. As formas são reconhecíveis e não fogem muito aos padrões inventariados por milhares de autores.
Um novo fenómeno, porventura mais estranho, tem surgido nos think tanks de direita - o de acusar toda e qualquer crítica à política do Estado de Israel de ser anti-semita. A insistência é suficientemente ideológica. E como ideológica que é, visa apagar os reais traços do anti-semitismo. Isto seria de somenos se não fossem as raízes racistas do anti-semitismo. É também por isso que uma retórica que utiliza rigorosamente a mesma estrutura do anti-semitismo se tornou aceitável e até defensável teoricamente. Refiro-me à islamofobia e às suas variantes mais notórias como a retórica do choque das civilizações. Ora quem recuar aos primórdios do discurso anti-semita encontrará o tema da contaminação e da eliminação do agente contaminador. É assim no anti-semitismo católico e é assim na sua versão secularizada na Alemanha e na Áustria da viragem do século passado. Temas estes que são recuperados pela retórica do choque das civilizações. O dualismo moral coincidente com diferenças étnicas e religiosas é grosso modo o que temos vindo a assitir por parte dos arautos do choque das civilizações.
Por outro lado, há uma implicação abusiva que é sistematicamente feita. Falo da ideia segundo a qual a esquerda que está contra as chacinas perpetradas pelas tropas israelitas está necessariamente a favor do anti-semitismo de algumas correntes árabes.
Vejamos o problema de forma política. O Hezbollah não concorda com o estado de Israel, mas Nasrallah afirmou que estaria de acordo com o que fosse decidido pelo Hamas. O Hamas após ser eleito reconheceu a existência do estado de Israel. Mas Israel e os USA não reconheceram o Hamas. Pelo contrário, Israel entrou pelo Libano adentro numa perseguição ao Hezbollah que resultou em 200.000 desalojados e a economia libanesa em estado comatoso. A explicação de Israel foi que a medida foi proporcionada em vista dos raptos de soldados israelitas por parte de terroristas do Hezbollah. Muita tinta foi então vertida a propósito da proporção da medida, mas uma coisa não pode ser negada: Israel há muito que rapta membros da população civil das zonas fronteiriças do Líbano.
Este relato algo longo serve para o seguinte: se alguém detectar anti-semitismo nesta crítica só pode estar de má-fé ou então pensar de acordo com o bom estilo imperial de que toda a crítica contra o exercícoo do poder - neste caso absoluto e violento - advém de um anti qualquer. Assim temos que por alturas da guerra do vietname, toda a crítica só podia ser comunista ou por lá comungar; a mesma coisa em relação aos movimentos democráticos da América Latina; e ainda não há muito tempo o papado fez rigorosamente a mesma associação em relação à teologia da libertação.
O anti-semitismo do arroja é de facto uma espécie rara em Portugal. Sobretudo num país no qual a população se identifica tão facilmente com raízes judaicas que foram ficando dos cristãos novos. Não é tão raro noutros países, como a França, a Alemanha, a Áustria e sobretudo os países de leste, casos tenebrosos como a polónia dos irmãos Kasinsky ou a quase de extrema-direita Eslováquia. Nestes casos encontramos muitas similitudes entre grupúsculos assumidamente anti-semitas e o que diz o arroja.
A tentativa de confundir os termos daquilo que me parece perfeitamente dissociável e claramente identificável como duas posturas políticas essencialmente incomensuráveis, inscreve-se na mesma lógica das comparações entre sadam ou ahmanidjad e hitler ou chavez com estaline tão ao gosto de tipos como Cheney e outros falcões. Noutra escala, a insistência da direita em acusar a esquerda de ser anti-semita baseia-se no mesmo princípio: nenhuma crítica deve ser feita ao detentor da força máxima que, pese embora a convicção dessa mesma direita, é sem sombra para dúvidas a potência mais poderosa da região.
O que não fica claro aqui nesta discussão, tanto da parte do DLM, do carmo da rosa e doutros é por que razão não concordam com o arroja? seria interessante saber o que os move nos seus comentários, para além das platitudes com que toda a gente concorda. Parece-me que é isso que está em discussão, e não saber se há anti-semitismo na esquerda ou não.

Comentário de Gasel
Data: 4 Novembro 2007, 22:36

Eu até sou um dos tais comentadores que “alinha” com a direita e repudio totalmente as teorias anti-semitas de Pedro Arroja.

Agoa só ainda não percebi a sua tese, Fernanda, que colocou no fim do post e sublinhou num comentário:
“senhores, então? watson pode ser racista à vontade e estão dispostos a defender o ser direito a ser racista com os vossos comentários (que a vida há só uma), mas o arroja não? então?”

Quer dizer que os comentadores de direita “defendem” o direito de Watson a dizer o que disse porque o alvo visado é pouco caro à direita - os negros da áfrica - e nada dizem sobre Arroja, condenando-o implicitamente, porque o alvo visado é relevante prá direita, os judeus?

Comentário de José Rui Fernandes
Data: 4 Novembro 2007, 22:58

“Pedro Enoja? Independemente da apreciação que se faça do conteúdo do post ( no meu caso também concordo que são lamentáveis e infelizes) e/ou das declarações escritas do Dr. Pedro Arroja, fazer um trocadilho destes e titular um artigo com o nome de uma pessoa assim… também me enoja!”
Idem. Esta autora faz parte de um grupo muito alargado sempre cheio de princípios, ética, educação e verticalidades várias… desde que seja para os outros.

Comentário de MP-S
Data: 5 Novembro 2007, 0:06

A objeccao fundamental ao artigo do Ian Buruma e’ que este assume que o objectivo da intervencao de Bush-Cheney no Iraque tinha como objectivo (principal ou secundario) a libertacao dos iraquianos. Nada poderia estar mais longe da realidade. Nao e’ isso que demonstra nem o historial desse grupo de politicos, nem os objectivos politicos expressos publicamente (nomeadamente, C. Rice em 2000 na Foreign Affairs: projeccao do poderio militar norte-americano no mundo para fazer vingar os interesses dos EUA e a afirmacao de que as forcas militares dos EUA nao estao vocacionadas para accoes de policiamento e pacificacao e de nation building - como acontecia ‘a epoca na ex-Jugoslavia), nem pela observacao de tudo o que nao foi preparado nem pensado para o periodo de pos-invadaso.

E” um texto bonito, varias criticas ‘a esquerda sao pertinentes. Mas, na verdade, e’ essencialmente um exercicio totalmente abstracto, sobre um mundo dicotomico dos bons e maus, e totalmente desligado da realidade dos factos politicos.

Comentário de Carlos Fernandes
Data: 5 Novembro 2007, 0:26

Bem, não posso deixar de comentar isto, a propósito da Islamofobia e do choque de civilizações aqui acima evocado pelo comentador ..rio…comnomedetamanhodemar…: ocorre perguntar se quem colocou as bombas no comboio em Espanha e no metro em Londres foram anti-multiculturalistas ocidentais…
Choque de civilizações, qual quê, quem é que afinal não quer ser multicultural, e não quer ( sob os mais variados pretextos religiosos)tirar o véu e dar a cara e não se quer integrar?
Não, qual quê, não houve choques nenhuns, foram detonações por acidente e à hora errada…
Isto sim… é que Enoja e à séria!

Comentário de carmo da rosa
Data: 5 Novembro 2007, 2:40

Caro rvn,
Não quero que passe um mau fim de semana, se o seu cão não for preto mando-lhe ainda um beijinho extra, antes de ir para a cama…

Comentário de Filipe Moura
Data: 5 Novembro 2007, 3:21

Diz Gasel:

«Quer dizer que os comentadores de direita “defendem” o direito de Watson a dizer o que disse porque o alvo visado é pouco caro à direita - os negros da áfrica - e nada dizem sobre Arroja, condenando-o implicitamente, porque o alvo visado é relevante prá direita, os judeus?»

A pergunta é feita à Fernanda. De qualquer maneira eu julgo que a contradição da direita é essa mesma que aponta. E isso não lhe parece notável?

Comentário de ezequiel
Data: 5 Novembro 2007, 4:06

“O Hamas após ser eleito reconheceu a existência do estado de Israel.”

Reconheceu o direito da existência do estado de Israel?

Não. O que fez foi recorrer a uma táctica muito conhecida. Disse sim e não ao mesmo tempo (que é, de facto, um NÃO) , algo que Arafat fazia com muita frequência. A ambivalência dá muito espaço de manobra.

Esta propensão para estabelecer uma equivalência moral entre Israel/Hamas-hezbollah é perturbadora: eu não reconheceria um governo de ext direita do freedom party da austria só porque o monte de esterco que dá pelo nome de haider me “reconheceu.” Estamos a falar de coisas muito distintas. Falta considerar a intenção essencial, o background hermenêutico, que estrutura a visão estratégica do hamas e do hezbollah, ambos fundados e treinados pelas guardas revolucionárias iranianas. Esta visão é morbidamente simples: a destruição de Israel. É isto que eles querem. São eles que o dizem publicamente, em alto e bom som. Não restam dúvidas, portanto. E o pior de tudo é que estes movimentos são apoiados por maiorias substanciais.

O que é que o hamas pretende? O que é que o hezbollah pretende? Quem os apoia? Porquê? Qual a natureza das ideologias destes dois “movimentos”?

Israel rapta membros da “população civil”?? Sim, acredito. O hezbollah vive encrostado na população civil, submete-a ao seu jugo, seduz-lhe com marketing político iraniano, distribui casas, mantimentos e cheques chorudos aos membros da “população civil” que também querem ver Israel riscado do mapa. O hezbollah é adorado pela população civil xiita e é cada vez mais respeitado pelos sunitas. É um movimento, no verdadeiro sentido da palavra. Naquele contexto e naquela parte do mundo é fácil confundir os membros da população civil com os membros do hezbollah. Este cognitive impairment faz parte da estratégia de guerrilha urbana. Em suma, a camouflage urbana força o inimigo a não conseguir evitar baixas civis = + apoio civil pelo movimento …uma espiral sangrenta!

Há aqueles que acreditam que é possível e desejável negociar com estes senhores (hezbollah-hamas). É possível e muito desejável negociar com outros, mas com estes não. Tentem convencer aquele patético marinho machado a converter-se ao ethos democrático! Tentem. Desejo-vos boa sorte. Não subestimem a resiliência quase mecânica dos dogmas extremistas. Estes “argumentos” nunca convencerão qq esquerdista que simpatize com a condição dos palestinianos e libaneses oprimidos. E, claro, tudo o que se passa e não se passa na palestina, no libano e no mundo árabe em geral é causado por israel. Malditos judeus estes! A esquerda anti-politica-israelita (assim é melhor, não é?) continuará, como sempre, a acreditar numa santa trindade (perversa): Israel, EUA e o grande e nefasto Capital…Já faz parte do seu imaginário!

Comentário de ezequiel
Data: 5 Novembro 2007, 4:12

but, when all is said and done, words matter very little…

you take a stand, and you stand by it…

end of story

buenas noches compañeros!

viram?: eu também consigo ser um poucachinho dogmático

Comentário de ondevaisorioqueucanto
Data: 5 Novembro 2007, 10:11

Para o Gasel

respondo através da ideia da Fernanda - que julgo entender - e não pela Fernanda que, como é óbvio, só a ela compete.
Segundo entendo, é muito simples: por que razão dizer boutades racistas é um exercício de liberdade de expressão e dizer alarvidades anti-semitas não é?
Repare que a bola está do vosso lado - diria a Fernanda, de quem eu me sirvo vicariously - porque para mim são as duas igualmente condenáveis e não sanciono nenhuma pela generalíssima, e claramente confusa, retórica da liberdade de expressão. Esse é o vosso território.
Por conseguinte, se algum dos senhores que se sentaram confortavelmente no sofá da liberdade de expressão quando foi em relação aos “pretos” do Watson que avance agora e explica em que medida as declarações do arroja diferem das do vetusto geneticista?
Estamos todos curiosos para perceber as linhas fracturantes e por que razão um dos casos é temperado com tanta tolerância liberal enquanto o outro é vergastado com insistência monacal?

e isto é o que eu entendo do comentário da excelsa Fernanda, e que eu não compreendo sequer que possa suscitar apreensões.

ainda dizem que a diferença entre esquerda e direita é coisa de antanho…

Comentário de Saloio
Data: 5 Novembro 2007, 11:14

Estimada FC: não estou habituado a vê-la criticar pessoas.

Enfim, sei que todos os imperfeitos têm inimigos de estimação, mas em si via uma pessoa equilibrada, sensata e democraticamente condescendente.

Nunca a vi na minha vida, e embora saiba que é politicamente esquerdista, tenho-a como uma pessoa culta, educada e até elegante, que procura ser justa e emotivamente sã nas suas diferentes apreciações. Em suma: tenho muito respeito e apreço por si.

Já aquando da entrada do Dr. Pedro Arroja para o Blasfémias lhe notei uma apreciação negativa que, quanto a mim, me pareceu pessoal e excessiva. Agora veio com este post e eu não fico surpreendido em relação aos que aqui comentam, que são maioritariamente de esquerda.

Em relação a eles, a senhora conseguiu catalizar aqui o ódio esquerdalho ao homem - o que modestamente considero errado porque o atacam a ele e não ao que ele diz.

Eu gostava de ver aqui era o pessoal a lutar contra as ideias dele - o que muito poucos fazem - ou porque a maioria não tem conhecimentos ou o poder de argumentação que ele tem, ou então porque ele tem razão.

Quanto a si, tenho pena…muita pena.

Digo eu…

Saloio

Comentário de anonimo
Data: 5 Novembro 2007, 11:52

“O DLM insiste em assimilar o anti-semitismo à esquerda. É um truque sabujo dos conservadores que deixam pelo caminho as relações muito delicadas entre os anti-semitas e a igreja católica, por exemplo. Claro que para o DLM isso não interessa. Mas não é por acaso que ele ressurge - nas suas roupagens étnicas - nas palavras de um arroja, mas pode ser também detectado, mais subtilmente, em outros companheiros de blog (o portugal contemporâneo, pois então). O que eles partilham não é serem de extrema-direita, que não são (pelo menos não no sentido tradicional: neo-nazis, skins, etc), mas mais simplesmente o seu catolicismo e com este a ideia de preservação da tradição (das nobres tradições, ao gosto do conservadorismo) que colide com o velho fantasma do cosmopolitismo judaico.
Até aqui tudo bem. As formas são reconhecíveis e não fogem muito aos padrões inventariados por milhares de autores”.

ondevaisorioqueucanto

Só deixar aquí constancia desta opinao que paresce constatar uma evidencia, mas que dá para a discussao. Este antisemitismo católico (ou religioso) era em tempos menos perigosso ou inocente que este outro antisemitismo mais moderno ou institucional ou Estatal, digamos filo-nazi) ?

Nao, sei mas paresceme que é buscar e talvez encontrar disculpas ou justificaçoes aos argumentos Arrojianos…que também paresce ondear na mesma ambiguedade deste outro paragrafo…

O anti-semitismo do arroja é de facto uma espécie rara em Portugal. Sobretudo num país no qual a população se identifica tão facilmente com raízes judaicas que foram ficando dos cristãos novos. Não é tão raro noutros países, como a França, a Alemanha, a Áustria e sobretudo os países de leste, casos tenebrosos como a polónia dos irmãos Kasinsky ou a quase de extrema-direita Eslováquia. Nestes casos encontramos muitas similitudes entre grupúsculos assumidamente anti-semitas e o que diz o arroja.

Concordemos em que a explicaçao de tudo esto seia, talvez bem visto, e que nao paresce ter motivo nenhum de discusao ou ambiguedade:

Noutra escala, a insistência da direita em acusar a esquerda de ser anti-semita baseia-se no mesmo princípio: nenhuma crítica deve ser feita ao detentor da força máxima que, pese embora a convicção dessa mesma direita, é sem sombra para dúvidas a potência mais poderosa da região.

Comentário de Nuno
Data: 5 Novembro 2007, 11:56

É um facto q esse senhor ENOJA cada vez q se lê os seus escritos!
Princípios, ética, educação e verticalidades várias é tudo o q esse senhor não possui, como pequeno fascizóide racista e intolerante que é! Embora lhe reconheça algumas qualidades não sei enumerar quais! Bolas todos temos algumas :-)

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 5 Novembro 2007, 12:41

filipe e ondesvais, muito obrigada por responderem por mim, e bem ainda por cima.

saloio, lamento imenso desiludi-lo, tanto mais que parece seguir há tanto tempo e com tanta atenção a minha ‘carreira’ blogosférica (em todo o caso, devo dizer-lhe que ‘aquando da entrada do dr. pedro arroja no blasfémias’, como diz, não fiz qualquer apreciação do mesmo. limitei-me a postar a entrevista que está linkada, e com o texto que a antecede. deve estar a fazer confusão, certo? porquer alguém com tanto ‘respeito e apreço por mim’ não poderia estar a inventar isso, naturalmente).mas de facto, vai-me desculpar, não vejo nenhuma ideia no texto que se rerere de pedro arroja. a não ser que se ache que o racismo é ‘uma ideia’ e ainda por cima ‘uma ideia’ que mereça debate. acha que se deve o quê, discutir o que está ou não ‘ na massa do sangue’ dos judeus? se o conceito de ‘ massa do sangue’ tem características científicas? se de cada vez que os judeus sofreram perseguições foi porque ‘mereciam’? se a porrada que cada criança judaica levou na escola foi jusrificada com ‘o que lhe está na massa do sangue’?
e, já agora, porque não vamos mesmo ao dito do watson, e com base nos testes de qi, constatamos que os judeus são mais inteligentes que o resto da humanidade, ou pelo menos mais inteligentes que a generalidade e por isso são tão odiados? é assim esse tipo de ‘argumento’ que deseja ver discutido aqui, no meio da ‘esquerdalha’ (outra observação interessante da sua parte, já que a generalidade dos comentadores nesta caixa entraram neste ‘debate’ para atacar a esquerda e nem se referoram a pedro arroja, mas enfim)? se não se importa, especifique.

Comentário de Euroliberal
Data: 5 Novembro 2007, 12:51

Esta caixa, tal como o comentario da sionista Cancio, tresandam a antisemitismo, e do verdadeiro porque os arabes eh que sao semitas, coisa que os askeNAZIS (90% dos judeus) turco-kahzars nao sao nem nunca foram.

Aprendam meninos:

Legıtımıdade hıstórıca e polítıca de ısrael (como estado judeu, e não democrátıco) para exıstır na Palestına ?

Eu repondo: NÃO.

Legıtımıdade hıstórıca não há nenhuma: não só o dıreıto ınternacıonal não reconhece precedêncıas de mılénıos para legıtımar ocupações acompanhadas de massacres e lımpezas étnıcas (era só o que faltava, os antıgos ıberos, e actuaıs geórgıos, poderıam vır despejar-me da mınha casa no torrão lusıtano !), como 90% dos ısraelıtas (os askheNAZIS, sıc) nem sequer são semıtas e orıundos, mesmo a 2000 anos de dıstâncıa, da Palestına, mas sım do ımpérıo Khazar, para lá do Cáucaso.

E os descendentes dos antıgos ocupantes da Palestına do tempo de Crısto são os palestınıanos cuja relıgıão maıorıtárıa mudou 2 vezes nesse espaço de tempo.

Ou será que os palestınıanos deverão perder a sua Pátrıa de sempre pelo facto de os seus antepassados terem abandonado o judaísmo em favor do crıstıanısmo, prımeıro, e do ıslão, maıs tarde ? Para o dıreıto ınternacıonal (e para o crıstıanısmo) não há ‘povos eleıtos’…

Polıtıcamente também não há qualquer dıreıto de os nazı-sıonıstas manterem o regıme apartheıdesco-sıonısta (e é apenas esse que Ahmedınejad, que dız alto o que pensam 1500 mılhões de muçulmanos, quer legıtımamente anıquılar, não os judeus), nascıdo alıás de um cr