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o meu soberbo christopher

21 de Outubro de 2007 por Fernanda Câncio

postado pelo meu soberbo pedro sobre o assunto
em causa, claro.

Comentários

Comentário de rvn
Data: 21 de Outubro de 2007, 12:10

Vi. Soberbo christopher, de facto.
Entre várias, há uma soberba reflexão do não menos. Diz o senhor Hitchens que subjacente à ideia de religião está um ‘desejo de ser escravo’ por parte do ser humano. Que se for escravo do poder dos homens só pode alcançar a liberdade morrendo. Se acima do poder dos homens estiver o poder dos deuses, nem morrendo ele se liberta. Qual é então o maior medo, o maior de todos, o que explica os incontáveis atropelos e abusos feitos por todos os franchising do divino em nome desta ou daquela fè? Diz o senhor Hutchens que é ‘o medo da liberdade’. Da autonomia do intelecto, se a salvo da permanente dependência do lápis azul do céu.

Digo eu que em nome dessa insegurança os homens procuram a religião e nela se agarram ao corrimão firme das normas e proibições, para dogma a dogma escalarem os degraus que os levarão até ao perdão eterno dos seus erros. E que é em nome dessa insegurança que a religião lhes abre os braços seguros da fé e lhes guia os passos medrosos por caminhos de subserviência. Tudo por amor, claro.
Mas pagando, evidentemente.

rvn

Comentário de rvn
Data: 21 de Outubro de 2007, 13:24

F,
‘Deus ao domingo’, na minha loja? Obrigadinho.

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 21 de Outubro de 2007, 14:54

rvn, não se arranjava uma foto do nosso soberbo com mais soberba e sem a camisa toda suada?

Comentário de ezequiel
Data: 21 de Outubro de 2007, 16:04

soberbo? caugh caugh caugh sorry, but what an idiot…surrounded by idiots! (aquelas perguntas audazes a que o chris teve que responder, hey??0)

William James disse que um dos atributos centrais da religião é a intensidade da crença (e não a natureza da crença).

Que tristeza!

To each his own….as the proverb says!

Comentário de ezequiel
Data: 21 de Outubro de 2007, 16:14

eu tenho uma fotografia dele em fraldas.

Comentário de rvn
Data: 21 de Outubro de 2007, 16:21

Havia várias, duas até com pose de ilusre conferencista, uma de capa de livro e umas quantas a atirar para o artístico, com a mão no ar e a expressão de quem está a elaborar profundos pensamentos… Freud explica porque raio escolhi eu a da camisa suada, gigarrinho na mão esquerda e garrafinha (quase vazia, pormenor importante) de irish à mão direita, para quando largasse a caneta. Que queres? Que eu mude, agora velho?

rvn

Comentário de M. Abrantes
Data: 21 de Outubro de 2007, 16:58

Não vi. Arrisco que não deve diferir, na essência, de uma palestra dada por Richard Dawkins. Todos devemos ser livres de emitir uma opinião. Os livros de referência das várias religiões (Tora, Bíblia, etc) contêm algumas passagens absurdas até para uma boa parte dos praticantes das mesmas, passíveis de serem atacadas sem grande esforço. A praxis de algumas das principais caras das várias religiões, deixa, não raro, muito a desejar [demasiada energia gasta a tentar definir e formatar o ser humano; radicação empedernida em dogmas, que resulta em pouca flexibilidade para acompanhar a evolução das sociedades e as suas necessidades]. Mas há um aspecto incontornável: as religiões foram (e continuam a ser) um factor aglutinador das populações, durante muitos séculos. Se hoje temos sociedades organizadas, tal também se deve a esse carácter unificador das religiões. E pode ser enviesado “disparar sem perguntar” sobre um dos factores que permitiu à espécie humana organizar-se e “chegar até aqui” [da mesma forma que pode ter consequências nefastas aceitá-lo sem o questionar]. É difícil imaginar o mundo sem religiões. Mas já é possível imaginá-lo com melhores práticas por parte das pessoas (religiosas ou não). Se não conseguirmos falar destas coisas uns com os outros, sem sangue, estamos bem tramados.

Comentário de TGF
Data: 21 de Outubro de 2007, 18:31

«as religiões foram (e continuam a ser) um factor aglutinador das populações, durante muitos séculos. Se hoje temos sociedades organizadas, tal também se deve a esse carácter unificador das religiões» (M. Abrantes)
Talvez ver a palestra de Christopher Hitchens ajude nestas ideias. E nem custa nada, é um excelente orador.
A civilização helénica, considerada a base da civilização europeia, não se formou devido à religião. As leis criadas pelos romanos não se tornaram melhores com a conversão ao cristianismo.
E é complicado olhar para Belfast, Beirute, Belgrado, Belém e Bagdad (usando o B de Hitchens) e dizer: “que bonita a forma como a religião aglutina as pessoas”.
Mas mesmo admitindo que a religião nos permitiu «chegar até aqui», ela é hoje um peso morto com uma moral obsoleta, já passámos da fase em que podia ser útil. Continuam a insistir que esse livro com «passagens absurdas» contém a palavra de Deus. Eu ainda não percebi que critério é esse com que separam o absurdo das verdades divinas, até porque esses absurdos começam muitas vezes com “Deus disse:”. Que tal largarmos o livro de uma vez por todas?..

Comentário de M. Abrantes
Data: 22 de Outubro de 2007, 1:20

(TGF)
A civilização helénica chegou até ao mundo ocidental por via dos católicos. Foi S. Tomás de Aquino que adaptou a filosofia aristotélica, vendo nela a sugestão de um “criador”, e procurou utilizar a filosofia (razão) para “demonstrar” a existência de deus.

Não sei se podemos afirmar que a religião é a causa das guerras nos locais que referiu (ali há lutas de poder puras e duras, e talvez os eua sejam quem tem as mãos mais sujas). Ainda que possa em muitas situações sê-lo, é redutor traduzir a religião apenas nesses efeitos. Da mesma forma que seria redutor traduzir o desenvolvimento científico apenas no armamento desenvolvido pelos homens.

Tem todo o direito de achar a religião um peso morto. Também lhe digo que na minha vida a religião não é premissa ou consequência de coisa nenhuma. Mas tenho que aceitar que as 250000 pessoas que se reunem em Fátima não tenham esta opinião. E se elas quiserem ler a bíblia têm direito a fazê-lo sem serem brindadas com moralidade (nós também não gostamos de levar com a moralidade deles).

Comentário de ezequiel
Data: 22 de Outubro de 2007, 2:02

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Comentário de TGF
Data: 22 de Outubro de 2007, 17:49

M.Abrantes,

Não nego alguma influência da tradição religiosa na difusão do pensamento helénico, até porque durante boa parte da história europeia todo o pensamento esteve subordinado à teologia cristã. Mas a religião também teve aspectos negativos neste aspecto: para além de adaptações que deturparam ou omitiram algumas ideias, existe por exemplo o caso da destruição da biblioteca de Alexandria. E na difusão da cultura helénica temos também de contar com os impérios macedónio e romano. O que eu queria salientar é que a emergência de civilização não implica uma religião.

Eu não disse que a religião seria a única causa, ou sequer a principal em todos os casos. Pretendia apenas realçar que a religião não tem um efeito necessariamente unificador, sendo nesses locais muito importante para fazer a distinção entre “nós” e “os outros”. A religião tende a unir só quando temos todos a mesma (ou, temporariamente, quando se unem contra o ateísmo). De resto tende a exacerbar diferenças.

Eu não acho que a religião seja assim tão inócua, mesmo no mundo ocidental. O presidente americano afirma que a bíblia é a fonte da verdade, e os actos parecem corroborar a crença. Vimos com o aborto como a igreja católica usa a sua influência para tentar ditar a sua moral para todos. Quando um representante católico afirma que o marido pode largar uns sopapos na mulher de vez em quando, não terá dificuldade em justificar a sua misoginia na bíblia. E o mesmo acontece com a homofobia ou qualquer outro tipo de intolerância de que se possam lembrar. E temos seitas que recusam transfusões de sangue aos próprios filhos por causa da bíblia. A aliança evangélica defende a interpretação literal da bíblia e ataca a ciência, só espero que não tenham descoberto a parte de matar os apóstatas. Já para não falar do fundamentalismo islâmico, mesmo na Europa.
E sem querer parecer arrogante, acho que a minha (nossa) moralidade tem uma vantagem clara: parte do respeito pelos outros e não da ‘vontade de deus’, que pode ser usada para justificar tudo. Mas o papa, sempre que pode, volta a dizer que os ateus são a maior ameaça que a Europa enfrenta. É por isto (e mais..) que sinto necessidade de criticar as religiões. E de dizer que ninguém precisa de livros sagrados para ter valores morais, antes pelo contrário.

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