Nuno Brasillach Ramos de Almeida
17 de Outubro de 2007 por António FigueiraPior que um jdanovista primário só um anti-jdanovista primário. Esqueçamos a Academia sueca, o Nobel, o Pedro Mexia, tutti quanti: estarás tu a dizer, ó Nuno, que se a forma é bela o fundo vem junto e tem sempre de se aceitar? (Sim, porque dizer que um autor é de “direita” ou de “esquerda” se nem essa direita nem essa esquerda se vêem naquilo que escreve é mais do que uma irrelevância, é uma forma muito de direita mesmo de distinguir a direita da esquerda, porque é uma simples estetização da política.) Nuno, isso não é verdade e mesmo um reaccionário (frequentável) como o velho De Gaulle soube dizê-lo quando um conjunto de almas sensíveis lhe foi pedir que comutasse a pena de morte ao Brasillach (e se escrevia bem, o Brasillach!); disse que se ele escrevia assim tão bem mais culpas tinha pelo que escrevia, porque tinha mais “responsabilidade”. E a menos que na vida valha tudo e o seu contrário, a literatura não é de facto uma pura irresponsabilidade.

Comentário de Pedro Mexia
Data: 17 de Outubro de 2007, 15:04
António:
O Brasillach foi fuzilado como «traidor à pátria». O que é objectivo, uma vez que ele apoiou de uma força ocupante (escusado será dizer que não concordo com esse fuzilamento nem com nenhum fuzilamento).
A traição do Brasillach tomou a forma de livros e sobretudo artigos porque era essa a sua actividade. Mas a «traição à pátria» veio de muitos lados, de polícias a lojistas e ao mais.
Isso é muito diferente de escrever livros «censuráveis» ou «irresponsáveis» (o que quer que essas coisas queiram dizer) numa situação política normal, quando não há gente a ser presa e assassinada nas ruas.