Manifesto para uma literatura responsável

Depois de ter lido o post do António Figueira, resolvi aderir à cruzada de uma literatura responsável que dê tempos livres sadios às novas gerações e ajude os velhinhos a atravessar a rua nas passadeiras. Urge criar textos com cheiro a lavanda que auxiliem a lavagem da boca e nos permitam um hálito fesco. Na Cabra Cega há que escolher o rapaz que escova energicamente os dentes e recusar o libertino dissoluto. Para o microondas com os livros de Sade, os Cantos de Maladoror e outras letras sem sentido. Qualquer frase deve ser responsável. Uma boa obra deve ser acompanhada por um atestado de boa conduta de quem teve a desfaçatez de a escrever. Nada de raiva. É o mínimo.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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11 respostas a Manifesto para uma literatura responsável

  1. joao diz:

    Boa noite
    Acabei de me mudar e estou aqui mesmo ao lado
    A minha morada é http://ochiado.blogspot.com/
    E estou ao dispor.

  2. António Figueira diz:

    Velho farsante,
    Apenas a fadiga, que se abate sobre mim nas horas nocturnas (e diurnas também, agora que se fala nisso) me impede de te responder à letra desde já como mereces. Amanhã falamos – deixo-te entretanto receber encómios pela tua postagem – mas explica-me só uma coisa, porque carga de água havemos nós, à luz da “responsabilidade”, escolher o Frédéric em vez do Marat na Cabra-Cega?

  3. maradona diz:

    Confesso que gostava imenso que isto azedasse, mas vocês não são homens para isso. A expressão “velho farsante”, com que o António Figueira endereça o Nuno Ramos de Almeida aqui em cima, então, é um balde de água árctica por cima de uma pessoa, já quentinha depois de um post do Nuno Ramos Almeida que, noutro local e com homens a sério, poderia ser um excelente ponto de partida para uma escalada. A minha ideia antes de ler este infeliz comentário do António é que a situação, se levada com jeitinho, poderia facilmente desembocar numa confrontação capaz de, quem sabe, deixar marcas na amizade. Mas nada. Sugiro que, ao menos, finjam. Ou peçam conselhos ao Moita Flores que escreveu telenovelas.

    Tenham uma noite descansada
    maradona

  4. João diz:

    Não podia estar mais de acordo com o Nuno.
    O facto de um gajo escrever uma belíssima obra não o impede de ser um grande filho da puta (de esquerda ou de direita, ou pior ainda do meio…).
    eu , no entanto, prefiro juntar o agradável e o útil… embora reconheça que com isto perco algumas boas obras apenas por causa do meu fígado….

  5. António Figueira diz:

    O maradona é esperto demais. Topou tudo. Nuno, desmancha a barraca (estes gajos já conhecem os truques todos do catch).

  6. Nuno Ramos de Almeida diz:

    António,
    Acho incrível que me chames “velho farsante”. Eu não sou assim tão velho.

    Maradona,
    É muito feio ir aos blogs dos outros revelar truques. Eu nunca apareci la pela Causa a revelar que tu inventaste o João Miranda. Já é bastante suspeito vocês dois nunca terem aparecido num sítio juntos…

  7. luis eme diz:

    O sade deve ter ficado satisfeito por os seus livros irem para o microondas…

    aqueceu-lhe ainda mais as páginas…

  8. xatoo diz:

    e o que podemos fazer com o “Portugal e o Futuro” do António de Spinola?
    pomos a Zézinha Nogueira Pinto a reescrevê-lo ou no papel de cabra-cega?

  9. carlos fonseca diz:

    Toda esta discussão não tem sentido, uma vez que o conceito de literatura, e daquilo que lhe dá corpo, o texto literário, não é de definição simples e que se construa em torno de perfis de autores. Embora com diferenças de fundamentação, prevalece um consenso de que a conceptualização do que são literatura e obras literárias se funda em aspectos estéticos (da arte) e de literariedade, onde, portanto, se inclui o formato e o conteúdo da obra – estou de acordo com o António. O tema de conceptualização referido é, pois, independente do perfil político ou social do autor. Compete, isso sim , à comunidade literária – teorizadores, críticos, leitores … – a função de qualificar o que considera texto literário ou não, em função de méritos estéticos e qualidade linguística que se destingue da linguagem comum.
    O que acabo de escrever só é válido se quisermos discutir seriamente literatura e literariedade. Se quisermos debater política, falemos então de Spínola, da Zézinha Nogueira Pinto e do ‘Portugal e o Futuro’.

  10. António Figueira diz:

    Agora que já dormi e que é outro dia, just a little reminder: “responsabilidade” é uma palavra vasta (embora não tão vasta para caberem lá as tuas referências à juventude sadia, aos portugueses bons, a quem cheira bem, a quem lava os dentes, etc.; tu ’tás parvo ou quê?). Numa versão limite, quase caricatural, refere-se à exigência de não traír à la Brasillach; numa versão mais anódina, nos tempos “normais” que são os nossos (e eu a julgar que estávamos à beira do abismo!), refere-se à exigência ética, que pode ser dirigida a uma Margarida Rebelo Pinto ou a uma Rita Ferro, por exemplo, de não publicar, de nem sequer escrever, not even whisper (mas note-se bem que eu não defendo por ora o fuzilamento de nenhuma destas autoras).

  11. Carlos Fonseca diz:

    Rectifico o erro sobre a tese do formato e conteúdo na literatura. Queria citar o Nuno Ramos da Almeida como titular da razão e não o António Figueira.

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