Filipe Moura: Superioridade civilizacional

Não tenho problemas em admitir que há países objectivamente mais desenvolvidos do que outros e onde se vive melhor, mesmo se isso já me custou chamarem-me elitista ou colonialista. Essa minha apreciação tem a ver com factos concretos e não implica um julgamento sobre os respectivos povos, que acredito que possam sempre desenvolver-se. Sei que o caminho para o desenvolvimento não é único, mas há aspectos que considero indiscutíveis.
Os aspectos em que os EUA são mais desenvolvidos prendem-se com o empreendedorismo do povo americano, que se traduz numa sociedade baseada na tecnologia e no progresso. Os aspectos em que a Europa é mais desenvolvida são (considero) civilizacionais. Um deles, de que muito me orgulho, é a  rejeição do ensino do criacionismo por parte do Conselho da Europa, apesar do voto contra a resolução por parte de representantes de partidos de direita, entre os quais João Bosco Mota Amaral. O outro é a reduzida aplicação da pena de morte. Prefiro viver num país que tem um modelo social, onde o porte de armas não é livre, mas também onde não se ensina o criacionismo na escola e onde a pena de morte foi banida. Gorada que foi a instauração do dia europeu contra a pena de morte para hoje, graças ao veto da Polónia, faço votos para que em breve esta seja uma realidade em toda a Europa e,espero eu, um dia em todo o mundo.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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17 respostas a Filipe Moura: Superioridade civilizacional

  1. rvn diz:

    Caro Nuno:

    Tenho cá para mim que a razão pela qual os EUA abraçarão o criacionismo com entusiasmo, mais dia menos dia, tem a ver com o seu presidente (de resto, um entusiasta da pena de morte). A explicação tavez seja vislumbrável em http://www.bushorchimp.com/

    RVN

  2. Lidador diz:

    “Os aspectos em que a Europa é mais desenvolvida são (considero) civilizacionais.”

    Achamos sempre que os nossos sofás são mais confortáveis.
    E contudo foi esta mesma Europa que gerou, nos últimos 100 anos, as mais mortíferas ideologias de que há memória.
    Fascismo, nazismo e comunismo foram desenvolvidos aqui, nesta nossa superior maravilha civilizacional.
    Há menos de 10 anos, ainda se andava aos tiros nesta nossa superior civilização..e é provável que mais dia menos dia volte a haver, talvez ali para o Kosovo, não sei.

    Em contrapartida, no terrível inferno “neoliberal” da outra margem do Atlântico, a Constituição deu à costa antes da Revolução Francesa.
    E, tirando uma Guerra Civil, os tipos, apesar de civilizacionalmente inferiores, lá se safaram nos últimos 200 anos sem totalitarismos que nós por cá inventámos.

    Claro que o facto de abarbatarem a maioria dos premios Nobel e publicarem muitos mais livros do que nós, releva apenas da nossa superioridade civilizacional.

    O facto de sermos mais pobres, tb.
    Pobres, com menos livros, com mais guerras e ditaduras, mas ainda assim civilizacionalmente superiores.

    É o que nos vale…

  3. Lidador diz:

    Os EUA não “abraçam o criacionismo”, meu caro, nem “abraçam outra teoria qualquer”, pelo simples facto que isso não é determinado pelo estado.

    Se uma escola pretende ensinar o criacionismo, a escolha é dela e dos pais que lá metem os filhos.

    Este tipo de sentenças, revelam apenas que quem as profere, não tem a mínima ideia de como funciona o sistema político americano e pensa que é como cá, que é o Ministério que decide o que é que se ensina…

  4. Lidador diz:

    “Prefiro viver num país que tem um modelo social, onde o porte de armas não é livre, ”

    Não é livre para si.
    Mas é livre para qualquer bandido que tem acesso às armas com a maior facilidade.

    Resultado perverso: o bandido anda armado…o cidadão normal anda desarmado. É mais fácil caçar coelhos do que leões.

  5. João Anacleto diz:

    Gostava de ver o Lidador de revolver à cintura e a explicar como, começando tudo com o Adão e a Eva, é agradável ter na nossa génese uma tribo de incestuosos …

  6. ezequiel diz:

    Concordo Nuno.

    Há qq coisa que me choca profundamente na pena de morte, no desprezo que a direita conservadora americana reserva para as questões públicas (particularmente a saúde, mas não só) e a crescente religiosidade de uma minoria (significativa, é certo) fanática, dentro do partido republicano (tudo indica que vão abandonar o partido republicano e, quiçá, formar um terceiro partido???? Fala-se nisso) O criacionismo não é uma doutrina do estado. É um fenómeno social…pior ainda!!! 🙁

    Mas também me choca o racismo, o classismo e os narcissismos nacionalistas europeus, q muitas vezes recorrem à mascara de “superioridade civilizacional”…(não estou a insinuar nada…sei mt bem que não és um destes)

    Dividir a coisa entre prog+tecn Vs. Valores civilzcionais. é um pouco brash, apesar da plausibilidade. A “esquerda” liberal Americana está a ser reinventada…e está forte…muito forte!!

    A meu ver, dentro de uns anitos (e esta é uma divagação especulativa) os EUA estarão a viver o “novo liberalismo de esquerda” 🙂 e a Europa estará encalhada no conservadorismo “liberal”…ou, em alguns casos, no conservadorismo autoritário. Os EUA terão um modelo social e será um modelo social eficaz e justo: é provável que os yanks copiem o modelo canadiano, o que seria fantástico. Espero que sim. Aprendam alguma coisita. Pelo menos isto: a tragédia Bush ( e tem sido uma verdadeira tragédia) forçou os liberais americanos a clarificarem as suas posições…

    Veremos,

  7. ezequiel diz:

    ooops, sorry, o texto é do Filipe.

  8. rvn diz:

    Os meus cumprimentos, Lidador. Vejo-o na liça com a fúria de um genuíno lidado. Sugiro contenção nos derrotes, não se lhe misturem as ideias e acabe como eu, sem ideia de coisa nenhuma. Nesta ignorância atroz.

    RVN

  9. rvn diz:

    caro Filipe:
    faço meu o ooops,sorry do Ezequiel.
    boas lides

    rvn

  10. ezequiel diz:

    Lidador,

    q argumento imbecil! O puto que entrou ontem na escola e assassinou 4 pessoas. Era criminoso???

  11. dinis diz:

    Boa,Ezequiel!E os Bancos que matam que se fartam,lavam dinheiro de drogas,putas,tráfico de ser humanos,toda a sorte de podridão e andam dentro de lindos fatinhos,muito responsáveis,competentes,rigorosos,justos e estamos nesta MERDA!

  12. Lidador diz:

    Caro Ezequiel, contenha, por favor, o impulso para a peixeirada. Soltar um adjectivo tremendo, não dá, como parece pensar, qualquer credibilidade à sua “argumentação”.

    E o argumentos não são “imbecis” só porque você não está de acordo com eles, ou não quer, ou é incapaz de os compreender, preferindo classificá-los moralmente.

    Agora que está mais calmo e que estamos num plano superior, o puto será criminoso se tiver cometido um crime.
    La Palisse…
    E isso não sou eu que decido, nem você, porque um crime é uma classificação jurídica e não moral.

    As armas, catecismos à parte, a verdade não têm adjectivação moral. O facto de uma faca poder ser usada para cortar um bife ou para furar a barriga de um cidadão, não depende da “maldade “ ou “bondade” da pobre faca, mas sim do que vai na abóbora de quem a empunha.

    Restringir a posse de armas, afecta apenas os cidadãos que vivem na legalidade.
    A criminalidade não tende a usar armas “legais” pelo que o resultado prático deste tipo de legislação é tornar-lhes a vida mais fácil, porque sabem que as suas vítimas provavelmente não estão armadas.
    Nada como o desequilíbrio entre os meios de ataque e os meios de defesa, para estimular o crime.
    Poder-se-á argumentar que a medida contribui para evitar casos como esse que referiu em que um cidadão se passa dos carretos e desata a matar quem o rodeia.
    É um sofisma.
    Estes casos não só são estatisticamente irrelevantes, como também é verdade que o cidadão que perde as estribeiras, usará qualquer outro instrumento, desde a sachola ao canivete, como se demonstra com uma simples leitura dos jornais diários ou massacres ocorridos em países onde há controlo de armas, incluindo Portugal.
    No Ruanda, mataram-se centenas de milhares de pessoas com catanas chinesas, menos de 1 euro cada.
    Em suma, este vozear sobre as armas, que tão cândido parece aos olhos de uma opinião pública anestesiada pelas patacoadas do politicamente correcto, deriva, por um lado do antiamericanismo paranóico e militante, e por outro de uma visão ideológica preconceituosa originada na sacristia da esquerda tonta.
    Segundo esta aberrante visão, a violência combate-se desarmando as suas potenciais vítimas, como se tal estupidez dissuadisse o agressor.

    Quanto à pena de morte, as minhas “certezas” são menores, mas segundo julgo saber, se ela existe em alguns estados americanos, é porque as populações assim entendem e não percebo porque carga de água é que você se acha éticamente superior àquelas pessoas.
    A escolha é delas, trata-se de uma democracia onde se fazem referendos a torto e a direito.

    De resto, podia dar-lhe aqui alguns argumentos a favor e contra.Como presumo que tem na ponta da língua os que são “contra”, que tal digerir estes, a favor:

    -Há indivíduos que são irrecuperáveis e a pena de morte é a única que garante que nunca mais serão um perigo para os outros.

    -Evita que o contribuinte tenha de estar a pagar a alimentação,o alojamento, o vestuário, os cuidados e equipamentos necessários para manter vivo o criminoso.

  13. ezequiel diz:

    Lidador

    esta é a argumentação da NRA, associação que abomino, detesto mesmo. Não reconhecer que a legalização de armas e a sua presença por toda a parte não maximiza a possibilidade do seu uso por pessoas cujas abobóras não funcionam bem ou estão sujeitas a vacilações emotivas (tipo: my girlfriend left me, what a disaster, I m gonna kill some people..where can I find an ak47…ahhh, just around the corner!!) é de uma imbecilidade atroz…Isto é um fenomeno social nos EUA. Será uma mera coincidência??

    Como explica as diferenças nas estatísticas? Nos países onde as armas são proibidas o numero de mortes é muito menor. A sua solução é incrível: vamos nos armar todos, só um equilibrio macabro de forças é que assegura a “segurança.” (desculpe, mas isto é de partir a rir)

    Duvido que consiga matar muitos com um canivete. Citar o caso do Ruanda parece-me, per si, suficientemente elucidativo.

    Eu não consigo discutir isto. Lamento.

  14. Disse lidador:

    “-Há indivíduos que são irrecuperáveis e a pena de morte é a única que garante que nunca mais serão um perigo para os outros.”

    Pulando por cima da infalibilidade da prova, a ‘irrecuperabilidade’ é decidida por quem infalível? O papa?

    E se o crime infalivelmente provado for cometido um doente mental infalivelmente irrecuperável? Matamo-lo também?

    “-Evita que o contribuinte tenha de estar a pagar a alimentação,o alojamento, o vestuário, os cuidados e equipamentos necessários para manter vivo o criminoso.”

    Errado. Num estado de direito, todo o processo que pode levar à execução da pena capital é muito mais oneroso que a detenção por vida.

    Venham exemplos.

    Um relatório da New Jersey Policy Perspectives concluiu que a pena de morte no estado de Nova Jérsia custou ao contribuinte 253 milhões de dólares desde 1983, uma quantia que está muito acima dos custos de uma pena de prisão perpétua sem liberdade condicional. O estudo debruçou-se sobre os custos relativos a acusação, defesa, tribunais e encarceramento durante o processo, antes e depois da sentença transitar em julgado, o que inclui recursos e pedidos de clemência.

    http://www.njadp.org/forms/cost/Final%20Exec%20summary.html

    Em Nova Iorque, calculou-se que a aplicação da pena desde a sua reintrodução em 1995 custou ao estado a módica quantia de 23 milhões de dólares por cabeça (salvo-seja).

    Mas como deve achar que na costa leste são todos uns liberalóides, talvez o convença com histórias de cowboys: o Tennessee Comptroller of the Treasury concluiu que “os julgamentos com pedido de aplicação de pena de morte custam, em média, 48% mais que a média para um processo no qual a acusação apenas pede prisão perpétua”.

    Aqui: http://www.comptroller.state.tn.us/orea/reports/deathpenalty.pdf

    Não sei se é de todo compreensível para o lidador as razões destas diferenças de custos mas, se não, a pista está algures antes dos exemplos citados e depois da palavra ‘Errado’.

  15. rvn diz:

    Caro Lidador:

    Ironias à parte, eu acho que a sua última argumentação o coloca, a si, pé cá, pé lá na fronteira da irrecuperabilidade. É o que eu acho, usando o mesmo direito de achar coisas que v. tem. Peço-lhe a esmola de pôr, por um instante apenas, a seguinte hipótese: e se fose eu a decidir o que é ou não irrecuperável, isso dava-me o direito de o matar? Eu creio que não. Sabe porquê? Porque creio firmemente que, apesar de más ideias serem tão ou mais perigosas que as armas, só pode ter sido a sociedade a provocar a distorção que lhe vai no intelecto sobre esta matéria. Todos nós. E nem que seja pela ínfima parcela de culpa que eventualmente me possa caber nesse processo, eu sinto-me na obrigação de contribuir com o meu tostão para a sua alimentação e vestuário no dia em que o fecharem à chave por atentado à inteligência.

    (Quando e se ‘estiver mais calmo e num plano superior’, apareça para conversar. Se o problema for a sogra, até o compreendo. Também sou divorciado)

    rvn

  16. Lidador diz:

    ” se fose eu a decidir o que é ou não irrecuperável, isso dava-me o direito de o matar? ”

    Se você fosse o juíz, eu tivesse cometido um crime susceptível de ser punido com essa pena, vivêssemos num estado de direito e a lei existente for resultante de uma escolha democrática ( escolha das pessoas ), você poderia mandar-me matar.

    É aliás o que acontece em alguns estados dos EUA.

    Quanto aos adjectivos passionais e aos insultos que usa no resto da sua “argumentação”, ficam consigo, porque, evidentemente, não desço a esse patamar.

    Caro Ezequiel, no Brasil existe proibição..na Venezuela tb, na França tb, na Africa do Sul tb.
    Quer que lhe recorde a criminalidade desses países?
    Ah, aí já não é bem as armas, e tal, mas sim o “social”?

    Tente, por favor, raciocinar pela sua cabeça em vez de deglutir a papa de preconceitos que lhe metem no prato.

    É evidente que se o porte de armas for livre, o criminoso ( que tem sempre acesso às armas, em qq sociedade, como em Portugal, por exemplo..se quiser posso informá-lo da astronómica quantidade de armas ilegais apreendidas todos os anos) sabe que a vítima pode não estar indefesa.
    A muitos, isso os dissuade, é verdade, e tenderão a usar de mais violência, mas a maioria terá muito mais cuidado.

    Acha isto incrível?
    Bem, pense no seu carro. Se estiver equipado com um alarme que faz barulho e o assaltante o souber, tenderá evidentemente a escolher o que está ao lado e que não tem essa defesa.

    Ou pense a razão pela qual há pessas que têm cães de guarda e a razão pela qual se asaltam habitações isoladas, nos ermos alentejanos.
    Não será porque os assaltantes sabem que as vítimas estão indefesas?

    De qq modo faça como quiser.
    Eu, pela meu lado, sinto-me mais seguro estando da parte de trás do cano do que da parte da frente.
    Mas isso sou eu, que sou irrealista…

  17. rvn diz:

    Lidador:

    Adjectivos passionais?? Onde?

    Insultos? A menos que se sinta ofendido com as opiniões dos outros (sintoma frequente nos defensores da liberalização do uso e porte de armas), não há, evidentemente, qualquer insulto no meu post. Insulto é outra coisa, do tipo “Você é um idiota”. Isto sim, seria um insulto. Mas eu não disse isso, pois não?

    rvn

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