Ezequiel: um aspecto do liberalismo contemporâneo

Os grandes debates do liberalismo contemporâneo são animados por uma preocupação central: a do pluralismo. A existência de uma multiplicidade de valores e identidades nas sociedades liberais-democratas coloca um problema premente: o da legitimação sistémica. A pergunta central da teoria politica liberal tem sido esta: como formular e implementar novos princípios unificadores face ao problema do pluralismo radical? A ascensão meteórica da escola de “difference politics” demonstra a urgência do problema e as muitas tensões e contradições a que a legitimação sistémica está sujeita. O pluralismo é visto como um problema. Para muitos a “solução” deste problema passa inevitavelmente pela explicitação de universais que precedem as diferenças politizadas. Ou seja, procuram desesperadamente por uma terra firma filosófica, imune à fragmentação normativa que acompanha o pluralismo e que dificulta a legitimação. Afirmam resolutamente que antes da diferença vem a deliberação* e o sacrossanto “sujeito liberal” (*que é entendida como uma capacidade universal unificadora que pode servir o propósito da legitimação). Todavia, esta estratégia parece condenada ao falhanço. Por uma razão simples, mas poderosa. O vocabulário da “difference politics” tem como pano de fundo vivencias concretas. É, por outras palavras, um vocabulário ferozmente pragmático e contestatário. O vocabulário universalista liberal é decididamente abstracto e tem pouco que ver com a matriz pragmática da politica da diferença. Os universalistas falam de capacidades universais, sem falar das muitas diferenças que resultam do exercício destas mesmas capacidades. Consequentemente, acabam por se enclausurar num cul de sac ético: como é possível valorizar a deliberação democrática sem valorizar os seus resultados (diferença)? Porque é que, na nossa procura por novos “princípios integradores”, temos que regredir em direcção às capacidades quando os grandes debates políticos situam-se no domínio da vivencia social?

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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86 respostas a Ezequiel: um aspecto do liberalismo contemporâneo

  1. Zé Pardal diz:

    Eu, pobre mortal, andava cheio de saudades de um post e comentários de nivel intelectual superior.
    Ora aqui está um. Eh pá, tanta serradura, ainda não parei de rir.

  2. quero pedir desculpa ao lidador, porque sem querer apaguei um comentário dele. importa-se de o repetir? (ah, e fique sabendo que eu já sabia que quem se assinava mostrengo era o lidador lui-même. cena de ips, tá a ver? para a próxima, se quiser mm enganar a malta, arranje outro computador).

  3. Juba diz:

    E onde está aquele comentário sobre o Sokal não sei quê, que estava aqui hoje ao início da tarde?
    Então agora censura-se descaradamente?

  4. Luis Oliveira diz:

    [A integração de 2X é e só pode ser X elevado ao quadrado]

    Por acaso não, pode ser X ao quadrado + 5, p. ex. 🙂

    Gostava de ter calibre intelectual para participar neste magno debate, na falta dele fico-me por esta modesta contribuição.

  5. Luis Oliveira diz:

    [Eh pá, tanta serradura, ainda não parei de rir.]

    Este post está destinado, sem dúvida, a ser um clássico da blogosfera.

  6. ezequiel diz:

    “1) só quem reduz uma cultura a um dos seus traços – excisão feminina, violência doméstica, etc, é que acha que a possibilidade dialógica de aprendermos com outras culturas e de partilharmos visões diferentes é relativista.”

    EXACTLY!! Bulls eye! Caro Ondevaisrioqueucanto, estes absolutistas são muito sintéticos. 🙂 Talvez sejam absolutistas porque são muito, como dizer, sintéticos (é isto, são sintéticos). Gostam de fórmulas rápidas e inquestionáveis. Gostam da infalibilidade, do preto e do branco. Compartilham afinidades epistemológicas com aqueles q odeiam. Gostam de circulos. Nuances? Noop, noop Foram abençoados com uma intelectualidade superior. Não aprendem. Não conversam. Nascem e crescem sozinhos: no relations. São absolutistas in vitro. ehe he heh eh eh eh e ehe heh eh eh eh eh e heh eh h eh e h

    Estou a brincar. Só a brincar.

    Meus caros, a todos vós, um muito obrigado pelos comentários ao meu post (irrespective of its quality)

    O Pardal pelos vistos não gostou da confusão. Espero que encontre um post e um blog digno das suas superiores capacidades. Espero que chilre qualquer coisinha para a próxima…

    obrigado

    até à próxima.

    ezequiel

  7. ezequiel diz:

    Cara Fernanda

    E assim descobrimos que o Lidador é, afinal, um relativista. ahhahahahhahaha

    sou eu que estou a chorar de rir agora. O que seria de nós sem o nosso querido Lidador-Mostrengo? Corisquinhe, hey!!

    fanatástico!!!
    :):):):)

  8. Lidador diz:

    Ora ainda bem que foi sem querer, caríssima fernanda.

    E, já que tanto insiste, aí vai outra vez, para que não se perca o fio à meada.

    Em 1996, Alan Sokal, professor de Física na Universidade de Nova Iorque, fez publicar na respeitada revista Social Text, um artigo com o estranho título “Transgredir as fronteiras: para uma hermenêutica transformativa da gravitação quântica”, uma paródia basicamente feita de citações disparatadas dos mais proeminentes filósofos franceses do pós-modernismo, nomeadamente Lacan, Kristeva, Irigaray, Latour, Baudrillard, Deleuze, Virilio, etc.
    Nas revistas científicas de referência, nenhum artigo é publicado sem peer review, isto é, o artigo tem de ser validado pela comunidade científica, através da apreciação pelos pares, dois ou três especialistas que desempenham o papel de referees e que basicamente funcionam como advogados do diabo, analisando o artigo sob todos os pontos de vista, para detectar incorrecções e erros.
    O hilariante artigo de Sokal, foi aceite à primeira.
    O que caracteriza os textos dos filósofos citados, é a mistificação e a linguagem deliberadamente obscura e impenetrável, construída com rendilhados retóricos que exibem uma erudição superficial, lançando palavras eruditas e malabarismos de forma, à cara dos leitores.
    O objectivo desta intoxicação é impressionar e intimidar, dissuadindo a crítica ao vazios dos conteúdos, pelo conhecido síndroma do “Rei vai nu”.
    A que propósito vem isto?
    Como é sabido, o blogue 5 dias é um dos meus sacos de treino.
    Este post do Ezequiel é um exemplo do tipo de linguagem deliberadamente obscura que Sokal denunciou.
    Quem for lendo os comentários, há-de reparar na verdadeira orgia de absurdo que se espraia por ali abaixo, como se os comentaristas (sempre os mesmos cromos) se encorajassem um ao outro em apoteose masturbatória.
    Os únicos textos escritos em linguagem clara, e que se entendem, são os de David Mestre, que tenta desesperadamente encontrar naquele abuso polvilhado de terminologia “sábia”, alguma consistência que possa ser discutida.
    Em vão…

    Resolvi então fazer uma experiência e intervim com o nick “Mostrengo”, debitando também frases completamente ocas, e apologéticas, algumas delas retiradas do artigo de Sokal.
    Nada do que ali escrevi, faz qualquer sentido, é um mero amontoado de palavras e frases que parodiam a retórica do Ezequiel e do Ondevaisrio.
    Como exemplos do completo no sense, escrevi coisas como

    “O meu objectivo, ao citá-lo, é uma tentativa metodológica de prolongar a desconstrução derrideana, aplicando-a numa hermenêutica totalizante.”

    “Na minha opinião, o movimento dialógico em direcção à redefinição dos sistemas, à visão do mundo não apenas como uma totalidade, mas também como uma série de sistemas (comunidades) em competição, um mundo unido pelas tensões entre os diversos interesses naturais do homem, oferece um relance sobre a contaminação liberal que condiciona o social, profundamente marcada ainda pela sua origem na crise das relações de produção do capitalismo tardio.”

    “Na verdade o real não é assombrado pela sua própria unidade, mas pelo plano de referência constituído por todos os limites ou fronteiras através das quais confronta o caos.”

    “Mas enfim, isto é apenas uma ideia minha, exploratória, e não me atrevo ainda sustentá-la para lá dos círculos virtuais da ideia.”

    Como eu previa, o Ezequiel, se bem que aqui e ali franzisse a sobrancelha (o que demonstra que não é estúpido) foi incapaz de perceber a paródia e reconhecer que não percebia patavina do que eu tinha escrito.
    No fundo sucumbiu ao síndroma do “Rei vai nu”.
    Eis algumas das suas respostas:

    “Mostrengo . Muito interessante. Acho que deves optar pelo atrevimento”

    “Sim, um grande trabalho teórico. Monumental, diria eu. Comentários muito interessantes.
    obrigado, ezequiel”

    “O real reflecte e codifica as ideologias dominantes e as relações do poder da cultura, dizes tu, caro Mostrengo. E assim geraste uma inteligibilidade: Poder, cultura e ideologias… a fine construction! ”

    Em resumo uma pequena demonstração de que o nada, desde que devidamente enfarpelado em retórica, passa por inteligência em determinados círculos da esquerda. E eis como, tendo escrito um amontoado de bostadas completamente esféricas, sem ponta por onde se lhe pegue, gerei “uma inteligibilidade…uma fine construction”.

    À laia de moral da história, fiquemos então com um comentário de Richard Dawkins (o dos memes, do gene egoísta, do ateísmo militante), à paródia de Sokal:

    “Existe linguagem concebida para ser ininteligível, de modo a ocultar a ausência de verdadeiro pensamento”

  9. Isto já pede uma boa dose de paciencia. Isto nao é consigo Luis. E sim, tem razao. Resposta correcta: x^2+t

    “é evidente que estas práticas NÃO NÃO podem ser devidamente justificadas…num contexto pluralista onde existem outros valores e práticas que podem servir de ponto de partida para uma critica feroz da justificação social das práticas.”

    Ezequiel, nisto estamos de acordo.

    No entanto voce parte do principio rortiano que as crenças morais podem receber a bençao do relativismo. É um caminho perigoso. Para mim o principio moral que condena a escravatura é inegociavel, é absoluto. Tanto aqui como no burkina faso. As decisoes morais nao sao questoes de gosto. Sao o arame farpado da civilizaçao.

    “1) só quem reduz uma cultura a um dos seus traços – excisão feminina, violência doméstica, etc, é que acha que a possibilidade dialógica de aprendermos com outras culturas e de partilharmos visões diferentes é relativista.”

    Compreenda, nada contra o dialogo de culuras, seja lá o que isso for. O unico ponto pelo qual me bato – tanto aqui como lá fora, mas sobretudo aqui pois somos nós a escrever as regras – são os aspectos que à luz dos nossos valores sao inaceitaveis. A excisão feminina, violência doméstica, etc sao punidas por lei, venha de quem for.

    “2) como não explicíta a noção que tem de cultura está sempre a insistir que há um perigo de contaminação de uma pressuposta pureza inicial (???????)”

    Caramba, estou me olimpicamente nas tintas para “uma pressuposta pureza inicial “. Explique de onde foi tirar isto?

    “4) Ponto muito relativista: se entendermos o canibal como uma parábola”

    certo

    “o que é o canibal para uns pode não ser para outros.”

    um canibal é canibal seja onde for. a normativa social nao é a mesma aqui que na papua guine. mas aqui que escrevemos as regras, e estas nao sao mais do que a expressao da conduta da comunidade, aqui já estou a ser relativista, esta é inaceitavel e a pratica só pode ser um crime hediondo

    “6) O espaço nacional é intersectado actualmente por diferentes referentes culturais (faz-lhe confusão que os chicanos falem espanhol na Califórnia, mas se calhar não lhe faz confusão nenhuma que os ingleses não falem quase português nas comunidades inglesas no Algarve e no Porto – muito relativista!)”

    voce nao leu o que foi escrito?

    Os jovens hispânicos que não dominam o inglês convem que o aprendam de modo a entrar no jogo social em pé de igualdade com os nativos. O acesso a uma faculdade e a uma carreira naquelas bandas – expressao inadmissivel de racismo – depende do domínio do inglês. Nao do esperanto, do bantu ou do portugues

  10. Esta é a minha ultima contribuiçao. Enjoy:

    Im the trouble starter, fuckin instigator.
    Im the fear addicted, danger illustrated.

    Im a firestarter, twisted firestarter.
    Youre the firestarter, twisted firestarter.
    Im a firestarter, twisted firestarter.

    Im the bitch you hated, filth infatuated.
    Yeah. Im the pain you tasted, fell intoxicated.

    Im a firestarter, twisted firestarter.
    Youre the firestarter, twisted firestarter.

    Im the self inflicted, mind detonator.
    Yeah. Im the one infected, twisted animator.

    Im a firestarter, twisted firestarter.
    Youre the firestarter, twisted firestarter.
    Im a firestarter, twisted firestarter… starter… starter…
    Starter…

  11. ezequiel diz:

    Caro Mostrengo-lidador

    Que plano brilhante! Original, acima de tudo. Não te esqueças de enviar os agradecimentos (dont forget copyright legislation) ao Sokal e de lhe lembrar que Lacan, Deleuze, Kristeva e Derrida não são físicos. É que ele esqueceu-se deste pequeno pormenor. Além disso, publicou frases de alguns filósofos pós-modernos numa revista pos-moderna: que espanto, ter sido publicado!! Dá-lhe os parabéns e informa-lhe do teu divertido plágio. Uma verdadeira surpresa,a publicação dos textos! Este Sokal é certamente um sociólogo ou um teórico da política brilhante! Já o li algures.

    A tradição que inspira este post é a do pluralismo e do pragmatismo Americano, Dewey, Pierce, William James …errou no alvo…por uns largos milhares de quilómetros. Conheço os Frenchies mas, como deve imaginar, não sou francês nem particularmente dotado na arte da retórica. Mas, well, as my good friends say: Who gives a shit?

    Para a próxima, vou copiar umas fórmulas de alguns pesquisadores (na biblioteca em cambridge, perfect locale!!) de cambridge e enviá-las para uma daquelas revistas de geeks cientistas…talvez as consiga publicar….

    Mas, como disse antes (lá para cima)…existem limites… eu não faço isto aos cientistas.

  12. carmo da rosa diz:

    Caro Ezequiel,

    Três vezes li o seu artigo, três vezes não compreendi, e digo ao fim de não perceber três vezes: o melhor é perguntar – antes de dizer asneira. (Engraçado, já tinha escrito isto antes de conhecer a brilhante ideia do Lidador. Os comentários do Mostrengo inspiraram-me!)

    Este seu início é claro e perfeitamente compreensível:
    ‘Os grandes debates do liberalismo contemporâneo são animados por uma preocupação central: a do pluralismo.’

    Como imagina, na Holanda e também na Inglaterra, isto é um problema muito mais premente do que em Portugal.
    Ora, um dos meus pensadores favoritos cá da praça, Paul Cliteur, acabou agora (há dois dias) mesmo de publicar um livro que me parece abordar esta temática. SERÁ? É esta a minha pergunta.

    Diz ele que o grande desafio das nossas sociedades liberais é encontrar VALORES universais para poder travar, no futuro, um diálogo pluralista, ou melhor, travar um diálogo em que haja valores que sejam reconhecidos pelos diferentes agentes/grupos sociais e partidos políticos.

    A ideia por trás disto é pragmática e muito simples. Se os cristãos basearem a sua política apenas no Evangelho, os comunistas no Das Kapital e os muçulmanos no Alcorão, ninguém vai conseguir votos fora do seu campo ideológico (teológico), ninguém se vai entender e vai tudo acabar à chapada. É preciso encontrar um modus vivendi, um esperanto moral – precisamente o título do livro ‘Moreel Esperanto’…

  13. Lidador diz:

    “eu não faço isto aos cientistas”

    Pois não…porque não consegue.
    Leu a parte do peer review? Sabe o que é o peer review?
    Sabe porque razão a técnica da “fusão a frio” nunca foi publicada em nenhuma revista com peer review?

    Aprenda algo com isto…se tem alguma ideia, e eu acredito que sim, escreva-a sem malabarismos e floreados ininteligíveis, a tentar pavonear-se.
    Escreva por exemplo, como os irmãos Gil, ou o Agostinho da Silva.

    E sim, não faria mal em alargar os seus conhecimentos à escola filosófica anglo-americana, ao pragmatismo, ao instrumentalismo, ao positivismo lógico, às escolas analíticas, etc.

  14. ondevaisorioqueucanto diz:

    Caro lidador

    Não sei por que me mete ao barulho no seu chico-espertismo sokoliano. Não respondi ao Mostrengo e a si já nem há pachorra para o lugar-comum. Quando li o Mostrengo não percebi a maioria das coisas que por lá estavam e sempre me pareceram que não tinham nada a ver nem com o artigo do Ezequiel nem com o que estava a ser discutido. O Ezequiel, parece-me, teve a cortesia de lhe responder (ao Mostrengo) o que só mostra que entre um (…) e uma pessoa honesta há diferenças inapagáveis. O (…) despreza o que os outros têm para dizer; recosta-se na sua arrogância feita de chavões e de jargões; cospe em tudo o que o denuncia como tal, ou seja enquanto (…); passeia a sua jactância num linguajar rebarbativo e insultuoso. Nada de novo. É ler o discurso sobre o (…) do Alberto Pimenta.

    É por causa disso é que eu mantenho uma especial desconfiança em relação ao optimismo pluralista do Ezequiel. O pressuposto ético tem que ser sempre conquistado na prática.

    PS ESTE COMENTÁRIO FOI EDITADO POR MIM, AF

  15. Ezequiel diz:

    http://www.sciencemag.org/cgi/content/full/314/5807/1853

    http://www.nytimes.com/2005/12/20/science/20rese.html

    Já me tinham dito que a (intensidade da) crença no absolutismo moral é inversamente proporcional à inteligência. Percebeu? Não? Pena. Só mesmo um grande imbecil é que pode supôr que a ciência, esta actividade infalível e incorrupta, é imune à fraude. O sr escreve bem. Mas, bolas, é estúpido como uma porta. (Leia Dewey etc e perceberá a importância do conceito de relações no pensamento filosófico Americano)

    Não tenho por hábito aprender com macacos de imitação. E o macaco não se limita a imitar: veste a carapuça de padreco e recomenda esta ignóbil prática a outros! Só visto! O lidador não justificou nenhuma das suas asserções. Afirmou que crença x era do plano dos valores mas não nos explicou o que entende por valor, ou por justificação (é que existem diversas concepções de quase tudo) , etc etc. Assertivo, mas pouco inteligente. Combativo, mas débil.

    Diz, qual khomeini, que os valores são absolutos mas ficamos sem saber COMO OU PORQUÊ(??????). Meu caro, eu não tenho paciência para jogos mesquinhos e para pessoas que recorrem mimeticamente a estratégias de fraudsters para “explicar” seja o que for.

    🙂 Pathetic fools! E, sim, é mesmo arrogância agora.

    SERÁ?? SERÁ?? SERÁ??

    Não sei, o livro foi publicado há dois dias e eu não o li, einstein. Talvez seja uma boa ideia ler o livro para ficar a saber qual a temática que é abordada. Apenas uma sugestão. Espero que a compreenda. É coisa complicada. Leia e compreenderá (but, then again, maybe not) Its a bloody rollercoaster!!! 🙂 🙂 🙂 This is so fucking funny!

    “A ideia por trás disto é pragmática e muito simples. Se os cristãos basearem a sua política apenas no Evangelho, os comunistas no Das Kapital e os muçulmanos no Alcorão, ninguém vai conseguir votos fora do seu campo ideológico (teológico), ninguém se vai entender e vai tudo acabar à chapada. É preciso encontrar um modus vivendi, um esperanto moral – precisamente o título do livro ‘Moreel Esperanto’…”

    Eis uma análise brilhante! Cuidado com este Cliteur.

    O post que eu publiquei aqui é de uma simplicidade atroz mas, claro, pressupõe alguns conhecimentos de teoria política (contemporânea). Eu teria tido muito prazer em tentar explicar o post. Mas já percebi que não vale a pena.

  16. Lidador diz:

    Vamos lá Ezequiel, acalme esses fígados.
    É natural que os vergões ainda lhe doam, estão em carne viva.
    Não sei…talvez betadine, mas se calhar é muito simples….talvez uma solução homogénea entre uma fase dispersa e uma fase dispersante, com o diâmetro das partículas da fase dispersa a não excederem um nanómetro.

    Mais uma recomendação a si e ao ondevaisrio: tratem de poupar saliva na linguajar insultuoso e aprendam a lição.
    E tomem um Alka Seltzer…

    P.S: Ah, ó Ezequiel, para se falar de cadeiras, não é preciso definir a cadeira, nem analisar o conceito até ao átomo.

  17. António Figueira diz:

    “É natural que os vergões ainda lhe doam, estão em carne viva.”
    Que cromo!

  18. ezequiel diz:

    Tenho aqui alguém que lhe quer dizer uma coisa:

    http://youtube.com/watch?v=ZedQYcGOYkw&mode=related&search=

    É uma chatice quando se vive num mundo imaginário de “vergões” ble ble ble ble

  19. ezequiel diz:

    Ele também não sabe o que é uma cadeira.

  20. Ezequiel:
    “Ele também não sabe o que é uma cadeira.”

    Uma coisa é certa. Já se consegue perceber em que língua estão escritos os últimos comentários do Ezequiel.

    Parabéns.

    .

  21. carmo da rosa diz:

    ‘Pathetic fools! E, sim, é mesmo arrogância agora.
    SERÁ?? SERÁ?? SERÁ??’

    Era apenas uma pergunta! Não há aqui nada de irónico nem de arrogante, carvalho!

    Mas é claro, neste país, como eu já imaginava, perguntar algo continua a ser tabu de Bragança até Faro. É mesmo absolutamente ‘not done’. Preferem ficar sem saber do que se está a falar e continuar, nas calmas, num diálogo de surdos, do que passar por burros!!! Porque sabem de longa experiência – sempre assim foi, e gato escaldado água fria tem medo – que quem se atreve a perguntar algo, corre o risco de levar uma mocada do género ‘Eu teria tido muito prazer em tentar explicar o post. Mas já percebi que não vale a pena.’

    Porque entender algo, neste país, continua reservado a um ‘inner circle’ de iluminados, de doutores da mula ruça. E esta casta, como nem sempre domina inteiramente a matéria que aborda, convém-lhe ser parca com explicações a terceiros. E para evitar perguntas simplórias, mas pertinentes, serve-se de uma linguagem pretensamente elitista – na realidade é apenas arrevesada e tortuosa – numa tentativa de intimidar o indígena. É a linguagem a que Eça já se opunha nas Conferências do Casino. E como diria o Eça ‘ça ne sert qu’à nous mélanger les pédales et au mêmes temps à épater le bourgeois’…

    E com tudo isto chego a uma conclusão muito pouco ‘filosófica’! Começo a perceber que não pedi asilo político na Holanda em ‘72 – país de frases curtas e de dizer urgente – por causa do regime vigente, nem por causa da Guerra Colonial, mas sim porque a atitude pedante do Tuga era, e continua a ser, por vezes, absolutamente insuportável…

  22. Lidador diz:

    Caro Carmo da Rosa, o Eça fotografou bem este tipo de cromos, mas o F.Pessoa tb.

    Chamava-lhe “o português que o não é”. O “português que forma grande parte das classes médias superiores, certa parte do povo e quase todas as classe dirigentes. Está completamente divorciado do país […]. É, por sua vontade parisiense e moderno. Contra a sua vontade, estúpido”

    Mas isto era F. Pessoa a falar…

  23. carmo da rosa diz:

    Caríssimo,

    Por isso é que a Amália cantava:

    Lisboa! não sejas francesa,
    tu és portuguesa,
    tu és só pra nós…

    Mas o mais claro e preciso é talvez a ‘ramalhal figura’.
    Por volta de 1894, e depois de uma visita ao parlamento holandês em Haia, escreve Ramalho Ortigão na ‘A Holanda’ algo que ainda HOJE é sintomático:

    [(…)Assim nas câmaras não há tribuna e não há oradores. Ninguém faz o que se chama – o discurso. Diz cada um do seu lugar o que tem a dizer, simplesmente, precisamente, rapidamente. Muitas vezes se procede apenas por perguntas e respostas. O país tiras as conclusões.
    Todo o eleito do povo que se lembrasse de tratar dos interesses da nação pondo-se em pé no parlamento, colocando uma das mãos sobre coração, levantando os olhos ao céu e exclamando: Sr. Presidente, sob estas abóbadas, a minha débil voz, etc., seria, sem perda de tempo, amarrado e submetido pela assistência pública a um tratamento de alienado.
    O dique basta para produzir todos estes efeitos salutares. O dique é para o holandês a contingência eterna de ter juízo, ou de morrer inundado.]

  24. Ezequiel diz:

    Caro Mostrengo

    Dizer que a realidade social é uma construção socio-linguistica é quase o mesmo que dizer que o vapor é muito parecido com H2O.

    Não percebeste isto. Também não percebeste o “todito mais produtivo” e umas outras coisitas. Continuas sem perceber patavina.

    nuf said. you have to sharpen your attention to detail, trooper!!!
    ———–

    carmo da rosa,

    deixe-se destas tretas de emigrante desconsolado. Eu fui-sou emigrante desde os 17 anos (UK/USA/Canada). Não há tabu nenhum. Para a próxima, não faça perguntas para as quais sabe a resposta. Poderá juntar-se ao lidador numa das suas longas caminhadas e ele poderá, entre percalços e espanholada, explicar-lhe os hábitos reprodutivos dos lemingues e aprofundar os seus conhecimentos de semiótica estratégica.

    Faça uma lista das expressões que não compreendeu. Apresente-a aqui que eu terei muito gosto em explicar-lhe o que escrevi (Se assim Vossa Ex. entender)

    Hoje disponho de tempo com fartura para Vos ajudar.

    Disponham,

    estes rapazes são umas relíquias: amália, eça, ortigão, ser ou não ser português…(eu, descendente do afonso pirlimpimpim )

  25. Ezequiel diz:

    “Mas é claro, neste país, como eu já imaginava, perguntar algo continua a ser tabu de Bragança até Faro.”

    Meu caro, é o meu prazer informar-lhe que o país mudou. Está a projectar as suas memórias traumáticas para o presente, estigmatizando-o desnecessariamente. Deixe as bolas do presente em paz.

  26. Ezequiel diz:

    não faça perguntas para as quais sabe as RESPOSTAS.

    Mil perdonas com chocolatito

    não vá o ramalho dar-me tau-tau numa sessão alucinante de h2h

  27. carmo da rosa diz:

    @ Comentário de David Lourenço Mestre
    Data: 13 Outubro 2007, 15:25

    “(…) Na pratica temos os [Kosovo] em França em que o estado impotente não controla o subúrbio magrebino, e em que as esquadras de policia são tomadas de assalto. Eu sei, eu sei, é um exagero, mas aconteceu.

    Não é exagero! E antes de ontem voltou a acontecer. Em Amesterdão. No bairro Slotervaart.

    Bilal B. um jovem marroquino com ligações com o grupo Hofstad (salafistas de onde surgiu Mohammed Bouery, o tal que assassinou Theo van Gogh em 2004) entrou numa esquadra da polícia do bairro onde vivia armado com um punhal, saltou o balcão e, sem dizer água vai, apunhalou a funcionária de serviço no peito. Esta, tentou fugir mas foi de novo apunhalada nas costas. Alertado pela gritaria, um agente veio em socorro da colega. Foi também apunhalado no pescoço. A funcionária, bastante combalida lá conseguiu sacar da arma e abater o jovem. Os dois agentes foram hospitalizados de urgência. Isto passou-se por volta das 13 horas. Ao fim da tarde a esquadra foi de novo atacada à pedrada por bandos de jovens marroquinos. Dois carros foram incendiados e as janelas do posto da polícia ficaram todas partidas. No dia seguinte, a mesma conversa. O argumento da rapaziada é que ‘a polícia é racista porque podia muito bem ter disparado para as pernas’. Até hoje ninguém foi preso…

    Um picante detalhe é que, precisamente no dia em que isto aconteceu (em Amesterdão), o primeiro-ministro francês, François Fillon, visitava (em Haia) um projecto de reinserção de jovens ‘problemáticos’ num bairro popular. O jornalista da TV holandesa, que ainda não estava ao corrente do sucedido em Amesterdão, perguntou maliciosamente ao primeiro-ministro se ele aprendeu alguma coisa com o que viu! Uma nítida referência aos distúrbios que sucederam nos bairros periféricos de Paris…

    Moral da história: Apesar de 30 anos de relativismo cultural, de ditadura do politicamente correcto muito de esquerda, de 250 milhões de euros, que é quanto a nova Ministra da Integração socialista, Ella Vogelaar, vai investir por ano para melhorar a qualidade de vida de 40 bairros problemáticos – ultimamente já não se chamam assim porque a Ministra acha isto discriminatório em relação às pessoas que lá vivem, então o novo eufemismo é ‘aandachtwijken’ (bairros que necessitam atenção!!!) – espalhados pelo país, também aqui o Salafismo cada vez tem mais adeptos…

    P.S. É preciso notar que estes bairros têm casas bem construídas, zonas verdes e infra-estruturas modernas, não são a Cova da Moura…

  28. Ezequiel diz:

    “Mas é claro, neste país, como eu já imaginava, perguntar algo continua a ser tabu de Bragança até Faro. É mesmo absolutamente ‘not done’. ”

    Não se fazem perguntas em Portugal. Ora esta. É um facto sobejamente conhecido, sabido, enaltecido e sei lá mas que porra que o palavreado ro-cocó acabou….Não sei porquê mas tenho a sensação que o Lidador encontrou o pupilo perfeito!! De mãos dadas, uuuuhhhmmm……um dois um dois um dois absoluto um dois um dois absoluto (banana, please) um dois um dois um dois

    LOL LOL LOL 🙂

  29. Ezequiel diz:

    Caro Carmo da Rosa

    Permita-me a extravagância de perguntar-lhe se este texto é de alguma forma ou feitio dirigido à minha excelente e brilhante pessoa??(just kidding mate. I am not a fucking twat 🙂 Como deve imaginar só posso e consigo (tentar) clarificar a minha suposta falta
    de inteligibilidade. Não me recordo de ter escrito isto.

    Mas, seja como for, eis o que penso:

    A polícia holandesa tem que deixar os greenies em paz. Então o safado mata-esfola e não paga! Q raio de coisa é esta?

    agora a sério:

    “Moral da história: Apesar de 30 anos de relativismo cultural, de ditadura do politicamente correcto muito de esquerda, de 250 milhões de euros, que é quanto a nova Ministra da Integração socialista, Ella Vogelaar, vai investir por ano para melhorar a qualidade de vida de 40 bairros problemáticos – ultimamente já não se chamam assim porque a Ministra acha isto discriminatório em relação às pessoas que lá vivem, então o novo eufemismo é ‘aandachtwijken’ (bairros que necessitam atenção!!!) – espalhados pelo país, também aqui o Salafismo cada vez tem mais adeptos…”

    Sim, é verdade, o salafismo tem cada vez mais adeptos nas comunidades islâmicas europeias. É verdade. Todos os estudos indicam esta tendência. O PC também me irrita. Sempre me irritou porque assenta no pressuposto que se modifica a realidade modificando a linguagem: uma premissa infantil e ridícula. As coisas devem ser chamadas pelos seus nomes.

    MAS…

    Não foi o relativismo cultural que causou isto nem, a bem da verdade, o PC ou os milhões de euros. As causas da radicalização islâmica são complexas.(podemos continuar a conversa) A França nunca embarcou no relativismo-do-multiculturalismo e tem os mesmos probs, no que diz respeito á radicalização islâmica, do que a holanda e a GB etc. OS americanos e canadianos optaram pelo relativismo cultural do multiculturalismo e não tem os mesmos problemas dos europeus. Aqui o factor decisivo NÃO é o suposto relativismo. Aconselho-o a considerar a leitura deste livro: Marc Sageman, understanding terrorist networks. O paper do Olivier Roy (eu citei-o, está algures aí para cima, tb é mt elucidativo)

    Relembro-lhe, também, que não se trata de distúrbios comunitários alargados o que demonstra que a comunidade não está radicalizada. Existem focos.

  30. ezequiel diz:

    Caro Carmo da Rosa

    O q é que faria se fosse um político responsável por estas questões? Que medidas é que adoptava?

    Só por curiosidade.

    cumps

  31. ezequiel diz:

    E, por favor, não se esqueça da lista das minhas frases-raciocínios “ininteligíveis.”

    O lidador, que é bom rapaz, tb pode aproveitar a oportunidade para uma clarificação. Ás tantas a sua imaginação é muito mais interessante do que a sua clarividência (oops). Nunca se sabe. Poderá não ser um caso perdido.

  32. Lidador diz:

    Chiça, Ezequiel, que grande frenesim.
    Fuga para a frente?

  33. carmo da rosa diz:

    Peço desculpa pelo atraso considerável da minha resposta. Deve-se a umas curtas férias no Sul da França e ao facto de não ter um Mac (como em casa) à minha disposição com uma ligação Internet decente.

    “deixe-se destas tretas de emigrante desconsolado”

    Você sabe que eu tenho razão, porque não é burro e, como emigrante, inevitavelmente consegue ver Portugal de fora. Além disso, os países onde viveu/vive são todos do tipo mangas-arregaçadas-e-vamos-a-isto-que-se-faz-tarde, ao contrário do nosso jardim à beira-mar em que a maioria (de que você ESTILISTICAMENTE falando faz parte) é mais do género mangas-de-renda-e-meias-de-vidro. Mas esta aparente contradição entre a sua pessoa e o mundo que o rodeia, tem uma explicação. Explicação simples ‘comme boujour’, como eu gosto! Sem semióticas, sem estruturalismos, sem gajos chatos como o Pierre Bourdieux pelo meio.

    Como toda a gente sabe, os portugueses, quando colocados à distância da pátria, tornam-se bem mais …. portugueses. Esta tendência é aliás universal e não se restringe aos nossos compatriotas. (Cá temos nós um fenómeno absoluto, algo em que não há cá relativismos entre um Tuga e um Tutsi).
    Você, como todo o emigrante que se preza, é um conservador. Atenção, conservador apenas no sentido em que, como tantos outros nossos compatriotas, não quer abdicar (e está no seu direito) do uso duma linguagem – procuro um eufemismo simpático -, a meu ver exageradamente rebuscada…

    “Meu caro, é o meu prazer informar-lhe que o país mudou. Está a projectar as suas memórias traumáticas para o presente, estigmatizando-o desnecessariamente.”

    Mudou sim senhora, mas ainda não o suficiente, e a coisa vai muito devagarinho. Não há Lidadores nem Davides Lourenços Mestres que cheguem…

    “Permita-me a extravagância de perguntar-lhe se este texto é de alguma forma ou feitio dirigido à minha excelente e brilhante pessoa?”

    Se se refere ao texto do fait-divers na Holanda, a resposta é negativa, é apenas uma resposta ao comentário de David Lourenço Mestre.

    “Não foi o relativismo cultural que causou isto nem, a bem da verdade, o PC ou os milhões de euros. As causas da radicalização islâmica são complexas.”

    Absolutamente de acordo. Mas o relativismo cultural não ajuda muito a encontrar soluções para estes problemas prementes, pior ainda, só atrasa, e por isso deve ser combatido.

    “O q é que faria se fosse um político responsável por estas questões? Que medidas é que adoptava?”

    Reclusão, isolamento total e leitura obrigatória de um texto de Ezequiel sobre liberalismo. Ao fim de três dias o infractor é obrigado a fazer um resumo lógico num mínimo de 300 palavras daquilo que leu.
    Em caso de recidiva o tempo de reclusão será acrescido e o infractor, além de Ezequiel, será obrigado a ler um livro (da sua escolha) de Agustina Bessa Luis e ver um filme recente de Manuel Oliveira.

    Se estas medidas não derem os resultados esperados, o que eu sinceramente duvido, como político responsável peço a minha demissão…

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