Partidos e inteligência

A possibilidade do PSD pode proceder disciplinarmente contra Pacheco Pereira, devido à sua intervenção na Quadratura do Círculo, é demasiado burra para ser verdade. É conhecida a alergia que os partidos têm a homens inteligentes e que pensem pela sua própria cabeça, como Pacheco Pereira, mas é surpreendente que Luís Filipe Menezes alinhe num expediente tão canhestro. Menezes tem tudo a ganhar aceitando as palavras de Pacheco Pereira. Tratar bem os seus maiores críticos é a forma mais expedita de desmentir as acusações de baixa política e clientelismo e de poder recuperar gente útil para o seu próprio barco. A nova direita gosta de copiar as posses e os fatos de Sarkozy, mas aprendeu pouco da arte de surpreender, incluir críticas e recuperar pessoas.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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11 respostas a Partidos e inteligência

  1. Estou a ler isto pela primeira vez. A ser verdade, a coisa começa mal. Menezes abre as hostilidades com uma tentativa (ingénua, no mínimo) de silenciamento – embora não resultando com o Pacheco Pereira se tenha de considerar que possa influenciar outros a priori dispostos a segui-lo; e um “esquecimento” mediático – parece que nenhum representante do PSD participou nas comemorações de 5 de Outubro, alegadamente, porque o convite (que acontece todos os anos) ter sido feito ainda no tempo do Marques Mendes.
    Tudo normal, portanto.

  2. «o convite (…) foi feito ainda no tempo…»
    Raios!

  3. É curioso ver que a cotação de pacheco pereira tem dias como a bolsa. Podia jurar, nao estou a fazer figas, que há cerca de uma semana tinha sido decepada por um machado

  4. M. Abrantes diz:

    Para os que achavam que só os marmelos do governo é que estavam possuidos pelo tique bolorento de castigar quem ousa criticá-los, eis o esboroar de dúvidas. Moral da estória: quem quiser alternativas à governação que vá ao totta.

  5. João José Fernandes Simões diz:

    Uma entrevista de Ângelo Correia (AC) ao Expresso, em http://expresso.clix.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/133284,
    que me deixa a pensar se “Pedro” não vai ficar de dedo apontado para a lua quanto a ser o futuro líder parlamentar.
    Não tinha pensado em alguma das coisas que diz AC, e que fazem muito sentido, revelando a sua esperteza e inteligência, em jeito de superego de LFM, embora me parecendo querer passar dissimulado de tal papel.

    Parecendo querer induzir no leitor que “Pedro” não é de “confiança”, porque pode “morder a mão do dono”, o que parece estar implícito quando diz, a propósito de quem deve ser o próximo líder parlamentar, que «Santana ofuscar o líder significaria utilizar o lugar para a seguir derrubar Menezes, coisa que ele não irá fazer, porque já percebeu as suas debilidades».
    Sendo curiosa, ou talvez não, a última parte, que sublinho, «… porque já percebeu as suas debilidades».
    Mas, a ser assim, aonde vão “arrumar” o “Pedro”…?
    Pelo que este último problema me leva a ter a convicção, por outro lado, de que “Pedro” pode mesmo vir a ser o próximo líder parlamentar.
    Interessante de seguir nos próximos episódios.

    Eu, que estou farto de circo na política, tendo sido interessante, ontem, aliás, anteontem, porque, entretanto, já passou da meia-noite, ter ouvido, a este propósito, um distinto analista político, que foi meu professor, na entrevista que deu a Mário Crespo, mas que não resisto a estar atento, como direito e sobretudo como dever de cidadania, embora ande por aí gente que não merece o esforço, acho que não vou, afinal, deixar de acompanhar o congresso do PSD.
    Sendo que esta entrevista de AC tem muito de manobra política para preparar certos terrenos.
    Confirmando que AC é um estratega, de facto.


    Algumas das expressões com aspas são minhas e outras são retiradas da entrevista, tal como AC se refere a “Santana”, e devem ser contextualizadas no plano político, porque não pretendo beliscar, minimamente que seja, a seriedade de “Pedro”, havendo que ter cuidado no que se diz, porque, no seu blog, segundo o próprio, partindo do princípio de que o blog é mesmo dele, e eu acho que é, deu entrada de algumas participações no ministério público contra quem terá dito algumas coisas que não lhe agradaram sobre episódios supostamente (não) ocorridos quando, apesar de não ter sido eleito, foi PM. E eu quero respeitar “Pedro” enquanto cidadão e enquanto PM que foi, embora não tenha por ele o menor respeito enquanto político. Só que ando cheio de medo.

  6. A.Silva diz:

    Pareceu-me ver num canal de televisão o tal ministro de Santana Lopes que conseguiu que o Marcelo fosse afastado da TVI.Não me espanta nada que o referido senhor e mais uns quantos do grupo de LFM queiram chatear o Pacheco e o Marcelo.

  7. Pois é, parece que alguém já tinha previsto que este tipo de coisa ia começar a acontecer logo no dia seguinte à vitória de LFM. E esse alguém não é de esquerda nem favorece Sócrates, ao contrário do que, por agora, muita gente à direita fica logo a pensar quando lê comentários contra a solução ‘socratina’ que o PSD escolheu

  8. Susana Duarte diz:

    Que as ideias de Pacheco Pereira são importantes para o partido é por demais evidente nas hábeis palavras de Angelo Correia, o novo “ideólogo”, na sua entrevista ao Expresso. E Menezes não vai deixar que JPP, através de um qualquer processo disciplinar lhe faça sombra. Quase que estava tentada dizer que o “recado” que passou para os jonais de algum eventual processo disciplinar a Pacheco Pereira é apenas uma encomenda dos memsos habilidosos que manipularam as eleições. Vem explicado como no Expresso.

  9. Pacheco Pereira defendeu as expulsões no PCP em 2002, agora merecia o mesmo.

  10. A.O. diz:

    Se eu fosse o Luiz Filipe Menezes, ficava de olho em ti… Ainda era capaz de contratar-te.

  11. nelson anjos diz:

    JPP poderia constituir uma mais valia (e também um adorno) num PSD mais culto e com capacidade para o enquadrar.

    No PSD de Filipe Meneses é literalmente uma peça fora do sítio. Está a mais. Ele é o primeiro a sabê-lo e irá fazer tudo para ser expulso. Até porque é politicamente mais rentável ser expulso do que sair por iniciativa própria.

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