Louis-Philippe Ménèzes

Aqui há uns meses, um ex-artista deste blogue queixou-se de um certo French bashing que se tornou moda aqui no pedaço (e uma moda que dura) e um outro comentador regular perguntou-se porque raio haviamos nós de olhar tanto para França, afinal só mais um (e nem sequer o principal) dos nossos parceiros europeus, quando havia tantos outros exemplos para nos inspirarmos (salvo erro, nessa ocasião, ele sugeria Singapura). Nós podemos de facto não olhar para França, mas à nos risques et périls: eu não estou a dizer que gosto (em boa parte gosto, embora os franceses às vezes sejam um bom argumento para deitar a França pelos olhos), mas estou a dizer que não há, por múltiplas razões históricas e culturais, melhor espelho para nos revermos do que o hexagonal: se Lisboa já não é simplesmente Paris traduzido em calão, como nos tempos de Flaubert e de Eça, a França não deixa de ser o melhor campo de ensaio para se perceber antecipadamente o que aqui se vai passar depois, no domínio da “cultura”, em sentido lato, que inclui também o discurso político, evidentemente. Luís Filipe Menezes é o Sarkozy a que temos direito, e bem se pode dizer que a prática da direita ultrapassar o centro pela esquerda e colar-se ao seu discurso reivindicativo é populismo barato que ela não deixa de funcionar só por isso. Alguns comentadores que padecem de excesso de racionalidade esquecem-se que os populistas às vezes também ganham eleições.

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SEXTA | António Figueira
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5 respostas a Louis-Philippe Ménèzes

  1. pedro oliveira diz:

    Há coisas que ditas muitas vezes, por determinados “Opinion Makers”,não têm que ser verdade para todos nós. A eleição do LFM, contradiz este jornalismo que merece aquilo que PSL fez, deixá-los a falar sózinhos. Pegando nas palavras de Ângelo Correia, era bom que essa gente explicasse que propostas populistas são essas de LFM, e vamos compará-las por exemplo com os 150 000 empregos do sócrates, os computadores em escolas sem aquecimento e sem banda larga,… O povo que vota e que o voto tem o mesmo valor que V.Exas, está farto das vossas balelas. Só falta dizer que LFM come os meninos ao pequeno almoço…tenham juízo!

  2. Luís Lavoura diz:

    “França não deixa de ser o melhor campo de ensaio para se perceber antecipadamente o que aqui se vai passar depois”

    Não António, agora é precisamente o contrário. Se Você estudar as reformas que Sarkozy pretende (ou diz pretender) implementar em França, e se Você estudar o tipo de atitude – dialogante e amigável, mas decidida e inflexível – que Sarkozy está a começar a implementar em França, Você verificará que Sarkozy está de facto a copiar tanto a agenda como o estilo Sócrates. Aliás, ele mesmo (Sarkozy) disse uma vez que o que ele gostaria era de conseguir imitar o Sócrates em França. Portanto, os franceses é que, agora, devem olhar para Portugal para perceber o que se está a passar no seu país.

  3. Sou francófono convicto. Cresci, diverti-me, enriqueci ( culturalmente, entenda-se) e amei tendo como referência os valores da cultura francesa. Fui “soixante huitard” antes de ser “hippy” e era muito “happy” antes de me ter tornado “british”ou me deixar seduzir ( na verdade nunca deixei…) pelo “american way of life”.
    O futuro confirmará- embora tema que pelas piores razões – que o regresso a um olhar atento sobre a França não é dispiciendo. Por ali passará o futuro da Europa. Luís Filipe Meneses é apenas um dos primeiros cromos da política portuguesa de uma tendência futura.
    Espero que não dê frutos…

  4. Ana Matos Pires diz:

    Pois, António, pois, a portentosa força do populismo…

  5. patricia sanpayo diz:

    Eu gostava bastante do Marques Mendes e da Paula Teixeira da Cruz; quero dizer, achava que a direita mais promisora em Portugal estava por aí…
    Promisora, quer dizer, mais moderna, menos atávica. Mas enfim… como não me deixaram votar…

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