A política é uma lotaria em que o único prémio é o direito a jogar outra vez …

… E a Luís Filipe Menezes saiu a sorte grande. E jogará, no direito que lhe assiste após o prémio de sexta-feira passada.
Na sequência do «post» que aqui deixei ontem, e depois de Manuela Ferreira Leite ter tornado público o seu sentido de voto, de o PSD/Lisboa revelar-se em todo o seu esplendor e reclamar a cabeça da Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, Paula Teixeira da Cruz (hoje há sessão da mesma… adivinha-se animada, por razões várias mas nenhuma relacionada com o município… infortúnio…), da elite social-democrata ter agora optado por guerrear-se em vez de debandar e de Mendes anunciar que pretende abandonar o cargo de deputado e dedicar-se às leis…
… E após recuperar o fôlego, tamanha foi a sucessão de eventos e a velocidade descritiva necessária, devo acrescentar, em resposta que considero dever a quem teve a paciência de ler o que escrevi, o seguinte: parece-me, de facto, que o PSD demorará – muito – a recompor-se do consulado Mendes seguido de uma presidência Menezes. Nessa medida, concordo com o comentário de Carlos Fonseca.
Já em relação às afirmações de Mário Soares, e aos pontos de encontro entre as opiniões que manifestou e as minhas – respondendo aqui ao nosso leitor Paulo Porto – penso que a eleição de alguém como Luís Filipe Menezes para a presidência de um dos maiores partidos portugueses, é uma desgraça. Não no sentido da chegada de um grande periclito, da eminência do perigo, pois é minha convicção que dano grave e efectivo Menezes provocará, ostensivamente, no PSD. E mais não lhe será dado a fazer ou provocar.
O sentido que ofereço ao termo «desgraça» é o de considerar muito negativo para a política portuguesa – que já conhece as contingências de que se fala e volta a falar – ter LFM à frente do PSD. E, realmente, tão importante é ter uma boa governação, como ter uma boa oposição. É assim que a democracia funciona, em equilíbrio. Luís Filipe Menezes não equilibra coisa alguma. Antes, desequilibra um já tão desequilibrado PSD.
A ver vamos. Mas veremos muita coisa muito antes de 2013.
Não creio que a taluda repita Menezes como vencedor, ou que estejam reservados a este PSD grandes «jackpots»…

Sobre Marta Rebelo

QUINTA | Marta Rebelo
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9 respostas a A política é uma lotaria em que o único prémio é o direito a jogar outra vez …

  1. pedro oliveira diz:

    Marta Rebelo pode definir o que é “alguém como Menezes”?
    já agora defina também o que é “alguém como Sócrates”. Quando o fizer (com honestidade e “tranquilidade”), não se esqueça de começar pelo Curriculum Académico, governativo, autárquico e pode coroar com as promessas eleitorais.Só para definirmos de novo Populismo!

  2. João José Fernandes Simões diz:

    A política da oposição vai ser a do espalhafato com o meneses&santana a começar a “interromper” tudo e mais alguma coisa para capitalizar as atenções.
    De facto, o “pequeno tirano” tinha pouca pedalada, com agravante de aqueles lhe andarem sempre a morder nas canelas.
    Até eu percebi, que sou um ignorante nestas coisas, que a possibilidade de vitória do meneses era muito provável, merecendo muito melhor nota que o marcelo, que levou um chumbo com os prognósticos que fez.
    Também concordo que os “barões” que ficaram a espreitar à espera de cheirar a governo vão ter a vida mais complicada.
    Mas a inconsistência de meneses evidenciada nas mais evidentes contradições do que tem falado e escrito, vai acabar por ser o seu pior inimigo, pelo que não lhe auguro grande futuro, como aconteceu ao seu sósia santana.
    Só que a palhaçada já começa a cansar e vai haver muito circo nos próximos tempos.

  3. pedro oliveira diz:

    Gostaria de ter factos caroJoão José. quais as contradições a que se refere?

  4. pedro oliveira diz:

    É por estas e por outras que o nosso jornalismo de esquerda , teima em chamar populista ao LFM, e depois admiram-se.

    “A taxa de desemprego portuguesa ultrapassou a espanhola em Agosto deste ano, pela primeira vez em 20 anos.”
    in agência financeira

  5. João José Fernandes Simões diz:

    «Gostaria de ter factos caro João José. quais as contradições a que se refere?»
    Leia o que ele escreveu nos últimos tempos, incluindo no seu próprio blog e nos jornais.
    Ouça o que eu ouvi, antes das eleições Marques Mendes era um “pequeno tirano” e no dia seguinte já tinha lugar no “meu” (seu) PSD.
    E por aí fora, basta dar-se a esse trabalho e sermos objectivos nas nossas apreciações.
    Porque, tanto se me dá que esteja lá este ou aquele, desde que não façam de nós burros e do exercício da vida política um circo.

  6. Carlos Fonseca diz:

    Marta Rebelo, como sabe, não é possível um debate sereno com sectários, sejam do PSD ou de outro partido. Alguns dos comentários evidenciam a ira de certos laranjas. Para se auto-compensar, eles encontram em LFM qualidades insuperáveis de Homem de Estado que o próprio nunca demonstrou… bem pelo contrário.
    É minha convicção que, em regra geral, quem é considerado um bom autarca em Portugal, se sujeita a ser classificado na Europa do Norte como péssimo exemplo na utilização de dinheiros e patrímónios públicos. E foi como bom autarca à portuguesa que LFM se distinguiu na conversão de Gaia em paraíso – vidé meu 2.º comentário ao seu texto anterior.
    A memória do povo é curta, mas algum dos PSD’s aqui intervenientes, um que seja, estará lembrado, porventura, da triste figura de LFM no Congresso dos Coliseus ? Pensam, possivelmente, que, mesmo sem renegar o arrebatado regionalismo nortenho que lhe está na alma, LFM pode ser o Homem de Estado com que o PSD fará ao PS uma oposição consistente, democrática e conduzida pelo interesse nacional e, consequentemente, de todos os portugueses, de Norte a Sul. A seu tempo perceberão o erro, se é que de erro se trata.
    Acreditem que a regeneração do PSD passará, de certeza, por mãos mais hábeis e uma inteligência mais capacitada (e não por alguém como Menezes). Porém, vai demorar bastante tempo. Estaremos cá para ver, ouvir e falar.

  7. joséjosé diz:

    Estava quase a dar-lhe razão caro Carlos Fonseca mas … lentamente uma nuvem deixou cair umas gotas de água envolvendo (quando + jovens) Soares, Durão, Pina Moura, Freitas do Amaral, Zita Seabra… e depois já em chuva contínua muitos outros.
    Deixemos que a chuva (q neste momento cai ) extinga o pó e os fogos e melhore (ainda na oliveira) o azeite .
    Atrás de tempo tempo vem. E como sabe, o tempo tudo cura…

  8. luis eme diz:

    Acho óptimo todos termos direito à nossa opinião, como comentadores neste e noutros espaços.

    Mas não deixa de ser engraçada a falácia de algumas pessoas, que só por se optar pela frase que S. Tomé, tornou célebre: «ver para crer», nesta nova liderança, tenhamos de pertencer ao partido laranja.

    Muito gosta o nosso povo (não é Fonseca?) de colocar rótulos, em vez de discutir o que realmente interessa…

  9. Carlos Fonseca diz:

    Eu, Carlos Alberto da Silva Fonseca, natural de Lisboa, portador do BI 1302122, fazendo questão de usar o meu ortónimo, declaro que não estou, nem nunca estive, filiado em partido algum. Juro que não me identifico através de ‘jota’, ‘ele’, ‘kapa’, ‘eme’ ou de qualquer outra letra do alfabeto, para disfarce.
    Declaro igualmente que, na qualidade de apartidário, usufruo do direito de considerar laranja, rosa, vermelho ou de outra côr, quem quer que seja que se manifeste na defesa intransigente dos partidos ou gentes de partidos daqueles cores; faço-o na qualidade de cidadão que, como tantos outros, têm sido lesados e defraudados por uma classe política que, em 30 anos, colocou a democracia portuguesa na cauda dos países da UE e privou o País de atingir um modelo de
    desenvolvimento comparável a outros estados-membros (Irlanda, Espanha, em particular). Por último afirmo solenamente
    que só por uma alienação mental grave consideraria LFM um estadista de envergadura, mesmo pequena que fossse.
    Quanto a rótulos, ficam para os engarrafadores de sumo de laranja, ou de outros frutos, os aplicarem. Não é a minha especialidade. Como diz o ditado popular ‘QUEM NÃO QUER SER LOBO NÃO LHE VESTE A PELE’.
    Viva Gaia, Viva o Ribau!!!

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