As palavras são como as amêijoas

Escreve André Freire no “Público” de hoje que “o PSD não almeja para breve o poder”. Eu acho que ele é capaz de ter razão, mas nem por isso me parece sensata a utilização do verbo almejar e da forma verbal almeja, que se assemelha perigosamente a amêijoa (a minha filha, quando era pequena, confundia amêijoa com ameixa, mas isso é outro problema: não se almejam amêijoas como se alvejam ameixas, todos o sabem). Eu tenho um problema igual com o verbo lobrigar, tão do agrado de alguns tradutores e que, sobretudo na terceira pessoa do singular do presente do indicativo, me evoca sem remédio a desagradável lombriga, mas os meus escrúpulos não são partilhados por toda a gente; recorde-se a este propósito a seguinte passagem de um comentário d’”O Lidador”: “Vá, cheguem aqui os 5, tomem um chupa-chupa e sentem-se. Agora ouçam com atenção: Porque estão com essas gesticulações? Porque razão andam tão carrancudos? Porque cospem no Lidador, que não lhes quer mal e apenas almeja levá-los de passeio um pouco para além dos vossos umbigos?” Felizmente, parece que não sou o único a dar o justo valor à prosa do nosso assador de carnes (castelhano!) preferido e ao seu vocabulário si recherché; não desisto de pensar que ainda havemos de ser tantos que havemos de almejar o poder.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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16 respostas a As palavras são como as amêijoas

  1. João José Fernandes Simões diz:

    António Figueira, o “assador” parece estar-lhe entalado, deixe lá o homem, que, assim, ainda se sente com importância.

  2. Lidador diz:

    Ora, A. Figueira, o chupa-chupa parece ter-lhe caído mal.
    Uns sais de frutos resolvem-lhe o problema, vá não se afobe.
    Fico muito sensibilizado pela sua fixação no meu nick e até me apetece fazer-lhe um cafuné mas, dada a minha irritante tendência para a truculência, podia enganar-me e acabar por vibrar pancadinhas de varapau no seu respeitável toutiço, situação que certamente lhe desagradaria e era até susceptível de vir a agravar-lhe as sérias anomalias raciocínicas, de que lamentavelmente tanto sofre, e que todos profundamente lamentamos.

    Garanto-lhe que não queria esverdear-lhe tanto o toutiço, como imagina tenho um enorme respeito por si e pelos seus camaradas de célula.

    E por hoje, vou terminar, que esta já vai longa.
    Só quero dizer-lhe que não vale a pena azedar, que essas atitudes só servem para estragar o nosso povo e ensiná-lo a medir tudo pela mesma bitola, como se isto fosse uma ditadura do proletariado.
    Pense nos seus leitores e não lhes dê exemplos negativos.

    E é tudo. Saudades aí em casa e que lobrigue tudo aquilo que almeja.

  3. ezequiel diz:

    LOL LOL LOL estou a chorar de rir.
    🙂
    António&Lidador para um programa televisivo de sátira política.

  4. Carlos Fonseca diz:

    Um Figueira sem figos e um Lidador a cochilar… olha que par !

  5. p.porto diz:

    Vá lá, Figueira, até parece que ficou traumatizado.

    Aproveito e deixou-lhe mais uma sujestão para o seu rol de semelhanças sonoras desconcertantes: os tradutores agora tb usam muito ‘estugar’ (estugar o passo), o que também lembra estufar.

    Mas nada de trocar assadores de carne espanhóis por Gonçado Medes da Maia, o Lidador. O Lidador foi contemporâneo do nosso primeiro Rei; ganhou justa fama por vencer batalhas em situações de evidente desvantagem, um verdadeiro mata-mouros. Este Lidador tem umas semelhanças, com o outro, por acaso tem.

  6. renegade diz:

    e também já era altura de alguém explicar a alguém que há uma certa diferença entre “porque” e “por que”. mas longe de mim pôr-me com picuinhices destas.

  7. nelson anjos diz:

    Sou leitor habitual do blog e confesso que a prolongada ausência do homem já me tinha levado a algumas conjecturas pouco abonatórias a respeito deste simpático grupo: “será que aqueles nabos correram com o Lidador?”

    Mas eis que, para me sossegar e devolver a estima em que vos tenho, ele regressa. Compreenderia as razões de uma expulsão sumária, mas estaria longe de concordar com a medida. E todos aqueles que, levando a sério o Lidador – como é o meu caso – ou a brincar, teriam a breve prazo razões de preocupação.

    Todos os sistemas – mecânicos, sociais, biológicos – são dotados de um órgão destinado a assegurar a drenagem dos subprodutos a que os seus processos internos dão origem. Os automóveis têm um tubo de escape; as habitações dispõem de um cano de esgoto; os animais, consoante a espécie, têm o recto e o ânus, ou a cloaca; etc.

    Mas, para além destes exemplos de maior evidência, outros sistemas há que, sendo sede de processos que envolvam igualmente alguma forma de troca com o meio exterior, não podem também dispensar o órgão congénere. E não me venham cá com distinções elitistas que pretendam depreciar o cú em benefício do cérebro. Queira um de vós submeter-se a uma experiência muito simples e concluirá, estou certo, a favor da minha razão: experimente obstruir e manter assim o respectivo orifício anal e verifique durante quanto tempo é capaz de pensar. Ou vai a breve prazo rebentar ou, se optar por um jejum ad eternum acabará por sucumbir à fome. Conclusão lógica: para um bom desempenho das faculdades intelectuais é tão importante o cú como a cabeça.

    Ora, nesta coisa que é o diálogo bloguista ocorre também a produção de excrescências residuais, cujo escoamento para o exterior é necessário assegurar. Os Lidadores & Companhia constituem o órgão natural para o desempenho de tal função, tão nobre como qualquer outra. E, ao invés de serem obstruídos, devem manter-se sempre bem desentupidos, com vista a assegurar um desempenho a contento.-)

  8. Lidador diz:

    Caro Nelson, vejo que entende do assunto.
    Um saber de experiência feito, presumo!
    De qq modo é relevante que se descreva tão bem.
    Conhece-te a ti mesmo, como estava escrito, salvo erro no Oráculo de Delfos…

  9. ondevaisorioqueucanto diz:

    Esta obsessão anal é muito comum entre os conservadores que visitam este blog, não desmerecendo o Lidador que anda sempre com o cu entre o esófago e o palato. Agora com o nelson ficamos a saber que cu tem assento e se bem que tenha sido este feito para o acento, não me parece despropositado detectar aqui uma compulsão anal só satisfeita com o dito assento. Ora como é esta conversa a mais das vezes uma conversa do cu – legítimo exemplo se encontra no post anterior-, como diria o nosso querido Bocage, parece que cu que não fala é cu sem opinião.

    Ó homem deixe de assentuar o cu que nem sequer faz jus aos seus vastos conhecimentos em biologia!

  10. Lidador diz:

    [Esta obsessão anal é muito comum entre os conservadores que visitam este blog]

    O ondevaisrio….ultimamente tem visitado bastante vezes este blogue.
    E tem opinião…
    QED

  11. ondevaisorioqueucanto diz:

    Petição de princípio seu lidador – não sou conservador!
    Algo a que você não se pode furtar.

  12. Lidador diz:

    Caro ondevais…por que razão se está a justificar?
    Não me recordo de lhe ter pedido nada.
    Vá, mantenha uma distância socialmente aceitável e não nos venha dar conta das suas coisas que, como devia saber, não interessam nem ao menino Jesus.
    Chegue-se para lá, senão, não tarda nada, está aqui a mostrar fotografias dos sobrinhos e a dar-nos conta dos joanetes e das dores nas costas.

  13. João José Fernandes Simões diz:

    De nelson anjos: «E não me venham cá com distinções elitistas que pretendam depreciar o cú em benefício do cérebro. Queira um de vós submeter-se a uma experiência muito simples e concluirá, estou certo, a favor da minha razão: experimente obstruir e manter assim o respectivo orifício anal e verifique durante quanto tempo é capaz de pensar.»
    Aqui está a prova cabal de como um raciocínio de m****pode também ser genial.
    Nota: os “*” são da minha responsabilidade.

  14. ondevaisórioqueucanto diz:

    Um conservador quando apanhado numa falácia lógica fica pior que um touro bravo!
    e perde logo o verniz, que coalesceu durante tantos séculos nas latadas do solário de família. Tiazocas à parte, quando se irrita é muito viril, mas um pouco truculento.
    Esbraveja como um animal espicaçado, ou freme como galinha poedeira em plena função.
    Enfim, torna-se um ordinarão, sem decoro nem fleuma.
    Meu deus, meu deus, precisa de ir mais vezes tomar chá com as tias para polir essas maneiras, seu lidador.
    E não se sinta desprezado, porque de mim, que tenho um espírito quase cristão, bem que os seus joanetes, sobrinhos e a artrose mereceriam toda a atenção. Pois se a sua cloaca tem granjeado tanta, porque não o resto da família?

    abraço companheiro de alguém que lhe quer bem. e não se enerve.

  15. carmo da rosa diz:

    Por falar em cuses…
    O mundo a ferro e fogo e esta gente perde-se em discussões de merda!!!

  16. Lidador diz:

    “Pois se a sua cloaca tem granjeado tanta, porque não o resto da família?”

    “Enfim, torna-se um ordinarão, sem decoro nem fleuma.”

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