O sotôr

Todo o licenciado em história será sempre, ipso facto, um historiador? Todo o licenciado em filosofia, um filósofo? Em sociologia, um sociólogo? Deve ser; porque se não, onde sociologará Alberto Gonçalves, o colunista do DN que remata aos domingos a sua coluna com essa nobilitante menção, “sociólogo”? Desconhece-se; os azares da vida podem tê-lo conduzido a uma qualquer outra profissão – e o trabalho honesto, seja ele qual for, não faz cair os parentes na lama a ninguém – mas Alberto Gonçalves não faz concessões: se cursou sociologia, não interessa aonde, assina sociólogo. Repare-se que outra das recentes aquisições da “Opinião” do DN, o nosso muito caro João Miranda, assina “Investigador em biotecnologia”; é uma profissão, não é um estatuto; mas Alberto Gonçalves não, assina sociólogo, como até poderia assinar, mais singelamente, Dr. Alberto Gonçalves. A responsabilidade destes neo-comentadores é grande: que eu me lembre, o DN da era Marcelino escovou da suas colunas de opinião, pelo menos, José de Medeiros Ferreira, Francisco Sarsfield Cabral, Ruben de Carvalho e a “nossa” Joana Amaral Dias (embora, para tranquilidade dos espíritos, tenha conservado o impagável César das Neves); impõe-se pois que os seus substitutos toquem um pouco a tudo – da política à economia, das questões sociais à vida cultural – e valha a verdade que eles não desmerecem. João Miranda, vimo-lo no passado, aborda de modo refrescante os grandes mistérios da sexualidade com aquele brin d’humour que é só seu; quanto ao sociólogo Alberto Gonçalves, trouxe do “Correio da Manhã”, onde primeiro se tornou notado, o estilo versátil e profundo chamado “do motorista de táxi”, que despacha em dez minutos as mais transcendentes questões que afligem a humanidade, com uma dose de auto-convencimento e auto-satisfação que só aqueles bravos profissionais da condução conseguem ter. Parabéns, Alberto Gonçalves! E se alguma vez se cansar de assinar “sociólogo”, pode sempre lembrar ao público que também possui o curso completo dos liceus e mesmo que, num dia já distante mas nunca esquecido, fez a alegria da família com um lindo exame da quarta classe!

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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37 respostas a O sotôr

  1. veliberalino diz:

    “…o trabalho honesto, seja ele qual for, não faz cair os parentes na lama a ninguém…”.

    E o trabalho desonesto também não.

  2. ondevaisórioqueucanto diz:

    Olha, escrevi uma vez um texto, já lá vai longe o tempo, sobre este bípede http://obloguequalquer.blogspot.com/2007/05/o-recruta.html

    Podes encontrá-lo no magnífico (ou podias) blog homem a dias. O rapaz põe sociólogo para mostrar que também os há de extrema-direita. Agora porque é que esta avis rara tem direito a crónica num dos jornais mais requisitados do nosso cantinho, é mistério. Ou não tanto…

    Até porque, é uma vergonha para a honrada profissão de sociólogo. As pessoas ficam todas a pensar que fomos lobotomizados à nascença. É isto que faz o excesso informativo.
    Mas se te preocupa onde ele tirou o canudo, posso informar-te que este é daqueles em que o Estado gastou dinheiro para nada.

    Quero o meu dinheiro de volta!!!

  3. Grande sorte a da malta de medicina, direito, economia, jornalismo… afinal safos, nos anos imediatos à licenciatura, do ‘Ólogo’ dos já citados na escrita do AF – com que são confrontados tantos, nesta falta do ‘tuar’ de Espanha.
    Uma sociologia bem mais discreta.

  4. bufo diz:

    Pacheco Pereira também assina “historiador” e parece que é licenciado em filosofia.. além disso, sendo apenas licenciado, é professor numa universidade pública e é pago para tal, mesmo não dando aulas.. o mundo é para os espertos, não para os canudos!

  5. J Medeiros Ferreira diz:

    Obrigado pelo esquecimento!

  6. António Figueira diz:

    Caro José de Medeiros Ferreira,
    Mil perdões pela injustiça (e juro que não é táctica para o SLB-SCP de daqui a dias); eu estava bem ciente que o seu nome fazia parte dos “escovados” (passe o termo) mas, por um estranho – e estúpido – processo mental, acabei por omiti-lo. Desculpe – e desculpem os leitores.

  7. Ondevaisórioqueucanto,

    Integre na sua cosmovisão este pedaço do pensamento de Isaiah Berlin.

    Isaiah Berlin escreveu sobre as ruínas que Heine conseguiu pressentir. Um mundo cercado por terror por todos os lados. Isaiah Berlin procurou compreender os alicerces filosóficos que o sustinham. As grandes batalhas travadas no campo e no domínio da politica têm correspondência directa em outras tantas batalhas travadas no universo das ideias. Isaiah Berlin desenvolveu duas concepções de liberdade embora nem sempre marchem em direcções opostas, não são necessariamente equivalentes.

    A liberdade negativa, a liberdade em que cada um possa arruinar-se da forma que escolher, fazer o que desejar, viver como quiser. A liberdade negativa corresponde à tradição do liberalismo clássico inglês no qual teve em Popper um bom teórico. Assim para a liberdade negativa o problema fundamental do estado é o problema da moderação do poder politico – da arbitrariedade e da extensão do poder pois qualquer lei é uma infracção à liberdade. Tal como Hobbes a definiu “as liberdades dos subditos dependem do silencio da lei”. Aberto Gonçalves, a partir dos seus artigos, honra essa tradição.

    Liberdade positiva. Aqui a questão é a de quem tem legitimidade para controlar ou interferir sobre a esfera de liberdade do sujeito. O que é liberdade? Rousseau respondeu: liberdade é obediência, mas obediência à lei em que nós acreditamos. A perversão entra quando o estado que no fundo só busca o nosso bem comum pede a nossa submissão, as nossas liberdades mesquinhas, o nosso individualismo para conduzir-nos a uma liberdade mais profunda, mais natural mais racional que apenas o tirano, o estado, o colectivo compreende. O principio obriga e legitima aquele que foi libertado pela razão a conduzir à luz, nem seja pela força, os que permanecem na escuridão. O âmago da liberdade positiva foi o manto de desculpas que cobriu jacobinos, comunistas e fascistas.

  8. J Medeiros Ferreira diz:

    Caro António Figueira:
    O comentário era para lhe assinalar que o leio sempre com atenção e gosto.

  9. luis eme diz:

    Continuamos demasiado presunçosos…

    mesmo com tanto “doutor” no desemprego…

  10. Lidador diz:

    A dôr de cotovelo é uma coisa aborrecida e tudo no Alberto Gonçalves concorre para bursite do A. Figueira: é sociólogo, pelo que conhece as carecas dos Boaventuras e quejandos; escreve com uma fina ironia, o que faz com que os A. Figueiras do rectângulo, pareçam matarroanos encartados e, pecado mortal, é um liberal ferozmente anti-totalitário, a milhas da “esquerda pá”.

    Tudo boas razões para as dores do A. Figueira, e para a sua lamentável mania de es esconjurar cortando na casaca do objecto do seu ódio.
    As velhas práticas leninistas contra os “inimigos de classe”, são como andar de bicicleta: nunca esquecem!

    Aguardam-se novas informações fundamentais sobre o Alberto Gonçalves, sei lá, que cheira mal dos pés, que tem uma verruga no nariz, que palita os dentes, que se peida de vez em quando, que usa um perfume rasca, que usa tranças rasta, etc,etc.

    Bora lá, A. Figueira….a ver se alivia essa dôr…

    P.S. Comparar as “ideias” da “nossa” Joana Amaral Dias, com as ideias do Alberto Gonçalves, é o mesmo que comparar um Trabant com um Ferrari, em termos de velocidade.
    Claro que a Joana é mais bonita que o Trabant….

  11. Daniel Marques diz:

    Não esquecer que a JAD também assinava como psicóloga e ruben de carvalho como jornalista.

  12. Luís Lavoura diz:

    Não vale a pena criticar só o Alberto Gonçalves por esta peculiaridade. Muitos fazem o mesmo. É moda portuguesa. Um licenciado em biologia afirma-se “biólogo”, um licenciado em direito afirma-se “jurista”, e assim por diante, mesmo que andem a atender chamadas num call center. Todos o fazem. Não é só o Alberto Gonçalves.

  13. Se Alberto Gonçalves escrevesse textos carregados da baboseiras “esquerdistas”, A.F. não teria escrito este post. A.F. deve pertencer à imensa maioria que pensa, ou antes, tem a certeza, que não há sociólogos de direita. Aliás, deve mesmo pensar que todos os sociólogos são almas gémeas de Boaventura Sousa Santos.

  14. Lidador diz:

    Já que comentam sociólogos, e que tanto se fala do”ai-jesus” da esquerda festiva, temos de enquadrar devidamente o zote, para que se chamem os bois pelo nome, sem ofensa para os pacíficos ruminantes.
    O Dr. Boaventura Sousa Santos (BSS) é, como toda a gente sabe, um dos expoentes da impostura intelectual nacional, tendo-se abarbatado com o honroso título de sociólogo-mor da galáxia, à pala do muito palavreado oco que, vertido nas homilias do Bloco de Esquerda, lá vai enganando o pagode que não percebe patavina do que o homem diz, (justamente porque não há nada para perceber), mas tem um certo receio de o dizer em voz alta, para não passar por inculto.

    Ora o Sr Dr BSS, além de costumar andar a roçar o proletário e muito sapiente rabo nas poltronas da classe executiva quando vai para os Fóruns Sociais perorar sobre a pobreza e berrar “abaixo o Bush”, no regresso, quando o atacam os efeitos da dieta sóbria desses Fóruns (basicamente fuba, milho, arroz e feijão), resolve fazer poesia.

    E que poesia!

    Ora atente-se nesta:

    “Nas ruínas do ciclone de quarenta
    trabalho manuais sem mestre nem montra
    entram chefes guerras caracóis
    tesouras e pauzinhos
    nas rachas das meninas
    na catequese é em coro
    e em filas
    no escuro dos intervalos
    medem-se as pilas
    Boaventura tens quebranto
    dois te puseram três te hão de tirar
    se eles quiserem bem podem
    são as três pessoas da Santíssima Trindade…”.

    Fernando Pessoa que se cuide e o Alberto Gonçalves que se suicide.
    Valores mais altos se alevantam e se o Dr BSS, versejando sofisticadamente, nos informa que anda a “medir pilas no escuro” e a meter “pauzinhos nas rachas das meninas”, a sociologia atinge aqui o seu apogeu, cruzando-se no firmamento da poesia.
    Nenhum Alberto Gonçalves alguma vez atingirá tais cumes da sabedoria.
    Isto é esquerda, pá, Zeca Afonso, pá, existencialismo, pá.
    Há só uma coisa que é um bocado chata, pá, que é essa coisa se a malta lhe andar a pagar para ir salvar os pobres, os oprimidos e essas coisas de esquerda, pá, e ele andar para lá de régua na mão a medir os pénis oprimidos na escuridão.
    Porque não lhe compram uma lanterna, pá?
    Dessas chinesas, pá..proletárias, pá.

  15. ondevaisaorioqueucanto diz:

    O problema nao e que o Goncalves seja sociologo de direita. O problema e que ele proprio disse no seu blog que execrava a sociologia, e o problema e que ele de facto,por aquilo que escreve,
    parece fazer jus a esse sentimento. Donde ser legitimo perguntar porque o sociologo? causa de facto dissonancia cognitiva!!!!

    Quanto ao Pacheco Pereira tem uma tese de doutoramento em historia orientada plo Fernando Rosas, por isso nao vejo problema nenhum em denominar-se historiador.

    A proposito da preleicao dada pelo DLM, agradeco os generosos esclarecimentos. Tenho a dizer que gosto muito do Isaiah Berlin, mas ainda gosto mais dos seus criticos: Marta Nussbaum, Ernesto Laclau, Chantal Mouffe, etc, etc. Parecem-me ter os pes mais assentes na terra.
    Nao deixa de ser engracado que nesta discussao, um liberal conservador nunca convoca os criticos actuais do liberalismo, como se a critica ao liberalismo (e cuidado porque este nao e o liberalismo de Rawls nem dos seus discipulos) tivesse terminado nos idos do Iluminismo frances, como se nao houvesse mais nada para alem de Rousseau,e Isaiah Berlin reinasse sobre os seus restos mortais.

    De resto, os teoricos da hegemonia parecem ter coisas bem mais interessantes a dizer sobre liberdade – ou a falta dela – do que a simplicidade axiomatica da liberdade negativa vs. liberdade positiva.

    Novamente agradeco o generoso conselho, mas a verdade e que ja algum tempo que expurguei da minha weltaanschung Isaiah Berlin e outros como Hayek com as suas catalaxias e incongruencias do genero. Nao perdendo por isso respeito por nenhum deles – quem sou eu para criticar Berlin ou Hayek. Mas confesso que tenho pena do David porque viver numa especie de obsessao cega deve ser dificil. Mas cada um escolhe a cosmovisao que melhor entende.

    as licoes sao sempre bem-vindas, mesmo que muito pouco convincentes ou bem elaboradas. Terminando com um toque de prosaismo, viver e aprender. (isto foi sem assentos)

  16. ondevaisaorioqueucanto

    Só lhe queria chamar a atenção que Alberto Gonçalves não está em linha de pensamento com o socialismo ou o fascismo. Ideologias irmanadas pela concepção de liberdade.

    Não compreendo a sua aversão a Isaiah Berlin. Penso que será o mesmo que achar uma injustiça que as pedras da calçada não tenham no seu interior molho bechamel ou que o sol não tenha como comprimento de onda dominante o verde. Isaiah Berlin teceu considerações relevantes sobre a liberdade, não viveu só para a liberdade negativa e defendia o compromisso entre liberdade e outros valores. Tal como Rawls.

    “Marta Nussbaum, Ernesto Laclau, Chantal Mouffe, etc, etc. Parecem-me ter os pes mais assentes na terra.”

    Pelo o que li tem os pés mais assentes no céu.

    “como se a critica ao liberalismo (e cuidado porque este nao e o liberalismo de Rawls nem dos seus discipulos) tivesse terminado nos idos do Iluminismo frances”

    Meu caro, Rousseau foi um liberal. E um dos primeiros. A sociedade liberal não corresponde de modo algum e não é sinonimo de uma democracia liberal. Existe liberalismos para todos os gostos, dezenas, centenas, talvez milhares de liberalismos, a loja liberal está fartamente abastecida. Os comunismos e os nacionalismos, todos eles foram beber aos liberais do século XVIII e XIX, todos eles visavam o bem comum, mas todos eles discordavam quanto ao caminho como atingi-lo. Locke não podia ser mais dispar de Hobbes, e rousseau não podia ser mais dispar dos utilitaristas como Helvetius.

    “Mas confesso que tenho pena do David porque viver numa especie de obsessao cega deve ser dificil.”

    Mas que obsessão? O pluralismo? A liberdade individual? Isaiah Berlin? O liberalismo? A democracia

  17. SL diz:

    Ora aqui vai um role de ressabiamentos por muitas partes.
    (parênteses à parte, esta troca de galhardetes com o Lidador… )

    É verdade que, neste país, toda a gente se pela por ser Doutor. Claro que há os Drs. e há os Doutores (por extenso)… ah, e também há os Mestres, grau que está a ser um pouco desacreditado com o facto de haver muita gente a fazê-lo para subir de escalão profissional (como é o caso dos professores do secundário) ou mesmo com esta implementação de Bolonha.
    Quando dizem que quem tira Sociologia, é sociólogo, quem tira Biologia, é Biólogo, ora não é bem assim. Esclarecendo, quem tira Biologia, ou é Biólogo ou é Professor de Biologia. As duas profissões não têm as mesmas competências, assim como os seus licenciados também o não têm. Como os licenciados em Biologia, há os em Geologia, Historio, Geografia, etc.
    Claro que muitos gostam de se afirmar como “ólogos” quando são professores, mas isso são as modas e tendências deste país.
    Mas, a meu ver, triste é haver Doutorados neste país que, para sobreviverem, têm que se candidatar a Bolsas de investigação pois, embora os seus governantes digam à boca cheia que o país precisa de mais doutorados, não há lugar para eles. Muitos já ouviram falar dos lugares abertos para 1000 Doutorados, tão divulgado pelo Eng. Sócrates, mas ninguém diz que em que moldes são estes contractos. Sim, porque a moda agora é o suspense e não se saber onde vamos estar daqui a 5 anos! E depois querem incentivar a natalidade!!!

  18. ezequiel diz:

    Desde o exílio forçado do A-team que não leio o DN. A Joana dava “verve”* à coisa. O meu conterrâneo JM Ferreira contribuía com o rigor e a perspicácia que tão bem lhe caracterizam. E, ingratamente, abdicaram dos dotes analíticos do Sr. Sarsfield Cabral. O homem é, de longe, o melhor analista de assuntos económicos do país. Os outros, confesso, não costumava a ler. Hoje o DN é uma perfeita porcaria, salvo algumas excepções notáveis como o Sr Batista-bastos (?) ( bolas, não me recordo do resto do nome)

    Enfim.

    * postura resolutamente critica e pertinente.

  19. ondevaisorioqueucanto diz:

    Não sei se o Dr. David Mestre (Doutor e mestre e sabe-se lá que mais!) vai aqui voltar. Mas seja como for, umas pinceladas nos meus gostos – e desgostos – que o meu caro tem vindo aturadamente a escalpelizar, merece sempre um regresso. Pelo menos da minha parte, que obviamente não presumo que possa partilhar da mesma necessidade egocêntrica no que à minha pessoa concerne.

    Porque razão Isaiah Berlin não me satisfaz e por que raz
    ão os outros, que chamei atrás à colação, me caem melhor no estômago? A discussão seria fastidosa, e tenho a certeza que os nossos leitores estão em suspenso para saber quais os argumentos que um ou outro vai avançando nesta contenda, mas querem-no o mais rápido possível (gente ocupada que tem mais que fazer).

    Bom dando de barato que você não leu os outros – o que me parece hipótese bastante razoável – e conhecendo eu o Berlin – embora esteja longe de ser especialista, como me parece que você também não seja – irritam-me duas coisas: a ideia segundo a qual o homem não é “cindido”, e, pior ainda, a ideia de que a liberdade se reduz à autonomia. Para as duas, Berlin, quanto a mim, não fornece argumentos suficientes que as sustentem. Mas como isto é uma discussão longa, vou atalhar. Primeiro, o homem não é “cindido”. Utilizando os termos de Berlin, se o meu eu real decidir dar com uma cadeira nos cornos do meu patrão porque ele decidiu despedir-me, o meu eu empírico sabe que não o pode fazer, porque provavelmente vai bater com os ossos na pildra ou então tem uma porrada de chatices. Mas se o eu empírico do meu patrão me decidir despedir, sabe que o seu eu real está protegido de levar com uma cadeira nos cornos, porque eu posso ir parar à pildra. Todavia, injustiça das injustiças, o meu patrão fica incólume pelo facto de me despedir. Donde, e esta prende-se fundamentalmente com a segunda razão, a autonomia é assimétrica. Não só não temos todos a mesma autonomia, como não temos todos a mesma compreensão dessa mesma autonomia. Por exemplo eu acho que é um disparate um gajo papar hóstias na igreja, e no entanto há gente que acha que isto é sinónimo de autonomia da sua crença. Eu podia retorquir que, tal como o Estado, o facto de papar hóstias é um gesto puramente heterodeterminado. E nem é que o Berlin só veja a heterodeterminação no poder do Estado – como você, algo pateticamente parece ver -, na verdade ele considera toda uma gama de instituições que podem coarctar essa autonomia – a família, a sociedade, a tribo, outras instituições, mas das quais Berlin subtrai deliberadamente (`?) a igreja.

    Aliás, o liberalismo de pessoas como o David é bem temperado com o “papismo” e com um conservadorismo religioso que não cairia bem a grandes nomes como Stuart Mill ou, mais recentemente, Rawls. Daí que eu integraria o David, se me permite, mais no conservadorismo. O David diz bem que há muitos liberalismos, mas há poucos conservadorismos. O seu parece ser um bastante extremado; algo que se nota na denominação do seu blog por Centurião – porque não “o Facho”, a Centúria, ou mesmo a legião? – e na sua raiva incontida a tudo o que seja mais ateísta. E todavia, para homens como o David, que prezam a liberdade qua autonomia, não fica bem ser tão ordinário e insultar assim uma MULHER como a Fernando Câncio. É que até soa a misogenia.

    ps. sugestões de leitura para sair do fastio: Badiou, Metapolitics; Ranciére, La Mésentent ou o on The Shores of Politics, e depois eventualmente convèm ler Verdadeiramente a Marta e Chantal e o Ernesto. E olhe que às vezes também não lhes papo tudo…

  20. Lidador diz:

    Caro ondevais….você cita que se farta, provavelmente como aqueles alunos que a gente topa logo que nem sequer viram as capas das obras que citam.
    Sobre o liberalismo, dir-lhe-ei que é um tipo “ideal” no sentido webberiano…designa um núcleo de ideias centrais para além das quais se desdobra em várias “espécies” (económico, político, filosófico, etc) e graus.
    Não sendo fácil encerrá-lo numa definição, usa-se uma epistemologia que considera que o ser humano é racional e que as entidades colectivas (classes, estatutos, nações, estado, partidos, etc) são constituídas por indivíduos. Ou seja, rejeita o holismo, rejeita a reificação das entidades colectivas, e é isso que marca a sua fundamental distância aos ismos totalitários (comunismo, socialismo nacional e internacional, fascismo, islamismo, etc.)

    A rejeição do liberalismo económico entende-se facilmente: a maioria das pessoas tem dificuldade em compreender que a ordem espontânea possa ser melhor que uma ordem planeada, apesar de os maiores avanços da espécie e as sociedades mais justas e funcionais serem o resultado da ordem espontânea. A língua, a matemática, a Internet, o Estado de Direito, as Constituições, etc, não são outorgadas por seres superiores iluminados, mas criadas na interacção livre.

    Adiante…. o liberalismo contempla uma infinidade de variantes, que vão de Adam Smith a Hayek, passando por Tocquevile, Bastiat, Stuart Mill, Popper, Friedman, Durkheim etc.
    Também há graus…Nozik tem uma visão restrita, Rawls uma mais lata.
    No que respeita à sociedade, que é afinal o que interessa aqui, o liberalismo concebe-a como sendo composta por indivíduos que procuram maximizar o seu bem-estar, pelo que as regras devem ser o mais justas possível. Admite que há indivíduos que têm mais êxito que outros no mercado das aptidões e por isso aceita o princípio de que a recompensa deve ser diferente.
    Aceita as desigualdades desde que sejam funcionais e justificadas, isto é, que se fixem num nível tal que, para as esbater, se prejudicassem todos, a começar pelos mais fracos .
    Na verdade, a maioria das pessoas pensa exactamente assim, aceita este tipo de desigualdades e considera-as legítimas (toda a gente acha normal que o médico seja mais bem pago que o escriturário).
    Os que rejeitam o liberalismo, como parece ser o seu caso, vão buscar os casos extremos, as anedotas, as injustiças que existem em todas as sociedades, pretendendo que “isso” é que é o liberalismo, ou seja criam o demónio, catalogam-no a gosto e depois atiram-lhe tomates.
    Curiosamente usam nessa vendetta os próprios princípios do liberalismo, ou seja criticam as sociedades liberais por desrespeitarem os princípios liberais.
    É um paradoxo, mas simultaneamente a prova de que o liberalismo triunfou.
    As caricaturas do liberalismo desenham o anarquismo, e pretendem fazer crer que o liberalismo rejeita o Estado. É asneira.

    O estado liberal existe, tem funções e é um Estado de Direito. Baseia-se em direitos-de (liberdades), iguais para todos e que o próprio estado não pode violar, mas apenas regular e garantir. O Estado tem funções inalienáveis… mas não pode crescer ao ponto de comer a carne de que é suposto ser o esqueleto.
    A igualdade de oportunidades está no cerne do liberalismo (e basta ler Rawls e Kant, para perceber isso)..mas não a “igualdade de resultados”, essa sim, injusta, porque desrespeitadora da individualidade do ser humano e produtora de reais desigualdades.

    O facto de o liberalismo não ter escatologia nem utopias mobilizadoras, não impede que seja portador de sentido, principalmente pela ideia simples e forte que lhe está subjacente: garantir a autonomia e o bem-estar do indivíduo.
    É só esse o programa e é nítido que é nesse sentido que o mundo tem evoluído.
    É pois o pior dos sistemas, à excepção de todos os outros.

    Leia os livros que cita, caro ondevais….

  21. ondevaisorioqueucanto

    Meu caro a liberdade absoluta nao existe e nenhuma utopia a busca. O que existe são varios graus de liberdade incomensuraveis que nao cabem numa mesma escala de grandeza. Vivemos sob ferros desde que nascemos até ao leito da morte. A familia, a religiao, a tribo, todas elas porfiam na execução impiedosa das nossas liberdades. Viver em sociedade implica a perda lamentavel de liberdade. É uma pena. Quanto a isso nao há nada que possamos fazer. Isaiah sabia-o

    O que aqui interessa é o poder que deve ser concedido ao estado. E citando berlin, “Restringir a liberdade nao é fornece-la, e a coacçao, nao importa quao bem justificada seja, é compulsao e nao liberdade”. O liberalismo moderno pede liberdade critica para a gradual alteração de leis e costumes, via ensaio e erro, nao apenas uma ordem fundada na liberdade individual, mas um edificio politico que permita a alternancia de propostas concorrentes no exercicio do poder apenas limitado pelo imperio da lei.

    No que respeita ao mercado, seguindo o pensamento de Popper, o que se contesta no modelo socialista nem sequer é a sua anti-economia, é a sua negação da liberdade e a sua nao-desumanidade. Citando Popper “Nao estamos dispostos a trocar a nossa liberdade por um prato de lentilhas.” Os factos sao indesmentiveis e demonstram-no como o mais adequado à ordem social, organiza-se espontaneamente em virtude da auto-organização dos seus elementos e é na sua essencia livre. O mercado numa visao puramente marxista nao é socialmente justo – nem isso procura – mas justiça social num estado de liberdade nao é possivel. E num estado totalitario como todos vimos a “justiça” só existe se considerarmos a miseria massificada justa.

    “Eu podia retorquir que, tal como o Estado, o facto de papar hóstias é um gesto puramente heterodeterminado. E nem é que o Berlin só veja a heterodeterminação no poder do Estado”

    O estado liberal moderno nao se orienta pela visao messianica de um mundo utopico, nao procura visoes idilicas nem o delirio perfeccionista, procura apenas regular e administrar o jogo social. A religiao pode ser um dos grilhoes da vida humana mas isso nao lhe diz respeito uma vez que nao entra na sua esfera e porque joga com uma herança e o perfil da identidade dos povos. A sua negação seria revolucionaria e um passo a caminho da tirania.

    “Aliás, o liberalismo de pessoas como o David é bem temperado com o “papismo” e com um conservadorismo religioso que não cairia bem a grandes nomes como Stuart Mill ou, mais recentemente, Rawls.”

    Eu sou ateu

    “O seu parece ser um bastante extremado; algo que se nota na denominação do seu blog por Centurião – porque não “o Facho”, a Centúria, ou mesmo a legião? – e na sua raiva incontida a tudo o que seja mais ateísta”

    Mais uma vez sou ateu. Quanto à sua insinuação sobre o meu extremismo e um eventual apego ao fascismo faz um pouco de luz sobre a pessoa com que estou a debater. E nao diz maravilhas de si

    Sobre o fascismo e o socialismo vá ler mais uma vez o que eu escrevi.

    “E todavia, para homens como o David, que prezam a liberdade qua autonomia, não fica bem ser tão ordinário e insultar assim uma MULHER como a Fernando Câncio.”

    Se a insulto – minhas desculpas cancio – nao o faço na sua condicao de mulher.

  22. ondevaisorioqueucanto diz:

    Lidador

    O facto de escrever Weber com dois Bs, não me leva a desmerecê-lo. Será porventura um bício do norte, que não se tendo contentado só com um bêzito, lá resolveu espetar com mais um. Aposto que inté disse: Aquele murcon nunca leu o Bebber!
    E depois há toda uma lógica hermética no seu raciocínio que me escapa completamente: acusa-me de citar e simultaneamente de não ler os livros. Então cito donde, ó seu sofistazinho da blogosfera?
    Para além disso, que posso eu dizer: você não faz a mínima ideia do que seja um tipo ideal.
    Por exemplo, a colecção dos seus posts dava para construir um tipo ideal do disparate.E mais, o tipo ideal da nossa Fernanda, não será o seu e assim sucessivamente, porque isto de tipos ideais, nas condições do mercado matrimonial actual não está para brincadeiras.

    Vou dar um salto para atacar pelo fim: “O facto de o liberalismo não ter escatologia nem utopias mobilizadoras”. É claro que tem, quer melhor utopia do que a do mercado resolve tudo? E maior escatologia do que o mercado absoluto produz o maior grau de justiça, e em última análise, de felicidade? Foi isso que Fukuyama tentou impingir e se isto não é uma utopia, não sei o que será? Por exemplo, John Gray, filósofo insuspeito de simpatias socialistas ou radicais (como soi de dire) no seu último livro “Black Mass” mostra bem como é que a ideologia do mercado desemboca numa escatologia, a escatologia neoliberal.

    Para além disso, o neoliberal mais impenitente enreda-se sempre num raciocínio circular: se o mercado não resolveu é porque ainda não é suficientemente livre. Mas como, fora da utopia, o mercado nunca há de resolver tudo, este por sua vez nunca é suficentemente livre e a sua libertação final concorre para o infinito; e isto é próprio da condição utópica. Estabelecendo isto torna-se fácil pensar o liberalismo como mais uma ideologia – não por causa do seu utopismo, mas porque como qualqer ideologia naturaliza algo que é historicamente contingente.
    Por exemplo, você diz , “o liberalismo concebe-a (a sociedade) como sendo composta por indivíduos que procuram maximizar o seu bem-estar, pelo que as regras devem ser o mais justas possível.” (esta minha mania de citar). Premissa tipicamente ideológica: o maior utilitarismo não produz necessariamente a maior justiça (já que falamos de Kant). Hayek tinha esta ideia extraordinária segundo a qual a ordem espontânea resulta porque os indivíduos estão de acordo com as regras e só nesta condição o resultado deve ser aceite como justo. Todavia, fora da fantasia neoliberal, os indivíduos, NÃO estão de acordo com as mesmas regras, e portanto, concluir-se-ia que o resultado emergente não seria justo. E de facto o liberalismo nas suas versões mais extremadas, como Hayek ou ainda mais Rotbath, parece evitar sempre esta simples constatação. Torna-se portanto uma questão de fé.
    Daí que o espaço de transição entre o que é a doutrina liberal e a recusa em aceitar quer os seus fundamentos ideológicos quer a sua vertente escatológica se torna uma zona totalmente difusa. Aliás, se há esforço concertado actualmente por parte dos intelectuais e think tanks liberais, é justamente o de fazer crer que o mercado está na natureza das coisas. E no entanto, na doutrina liberal de um Mill, de umToqueville, ou de um Berlin, dificilmente o mercado seria equacionado com liberdade. São de facto dois planos epistemológicos diferenciados, planos esses que Hayek, esse sim, tentou conjugar.

    Sim, o liberalismo abrange vários nomes, de Adam Smith a Hayek. Mas Smith nunca falou de uma ordem espontânea, e Hayek sim. Por isso você está a meter tudo no mesmo saco como lhe convém. Acho que hoje em dia houve uma opção assumida, por parte do dito sector liberal, aquele que sabe o que isso quer dizer como você parece também perceber, em confundir os termos da equação. Com efeito, a maioria das posturas assumidas pelos ditos liberais, são na realidade neoliberais. E isso vê-se facilmente pela evacuação da temática da “Liberdade”, tão cara às teorias liberais, pelo seu substituto ideológico chamado mercado. Na verdade, como num efeito preverso, são os próprios liberais actuais (ou seja neoliberais) que esvaziaram a palavra do seu conteúdo. Repito, a ideia segundo a qual o mercado reconcilia todas as contradições é tão utópica e escatológica quanto a ideia segundo a qual a ditadura do proletariado as apaga inexoravelmente. A pretensão em convencer-nos de que isto não é mais uma versão de escatologia social, faz parte da ideologia de mercado e, como qualquer ideologia, da sua reificação. “O triunfo do despotismo é forçar os escravos a declararem-se livres”, quem disse? Marx? Não, foi Berlin (lá estou eu a citar outra vez textos que não li!!!). E isso parece ser fundamentalmente o que o bom educador das massas liberal conservador se tem afadigado em fazer actualmente.

    (p.s. você fala da demonização dos exemplos para descaracterizar o liberalismo. Não percebo se se refere à minha alegoria da cadeira nos cornos do patrão, ou ao facto de ser despedido. Se for a segunda, então estamos totalmente de acordo: ser despedido pode ser de facto um dos demónios do liberalismo. Se não estivermos de acordo, só prova que a minha ideia de que os termos em que a autonomia é compreendida serem assimétricos possui corroboração prática. E já agora, quando estiver interessado em envolver-se em diatribes, responda à questão em causa. Se eu quiser relembrar a história do liberalismo e das suas doutrinas, basta-me ir à Wikipedia, não preciso das suas preleições)

  23. ondevaisorioqueucanto diz:

    DLM

    ” A religiao pode ser um dos grilhoes da vida humana mas isso nao lhe diz respeito uma vez que nao entra na sua esfera e porque joga com uma herança e o perfil da identidade dos povos. A sua negação seria revolucionaria e um passo a caminho da tirania. ”

    Raras vezes vi um ateu tão preocupado com o lugar da religião. Mas seja. Quanto ao papel messiânico e a visão utópica ler comentário endereçado a Lidador.

    Desculpe a impertinência, eu que sou ateu e, relativamente, de esquerda, nunca me passaria pela cabeça chamar ao meu blogue o Gulag, Brigatte Rose, FP 25. O “centurião” parece-me referência tanto estranha quanto explícita. Mas se o David diz que não, eu também não tenho razões para não acreditar.
    Parafraseando uma das suas figuras retóricas – por acaso de fino recorte culinário – eu por mim prefiro não encontrar pedras da calçada no molho Bechamel.

  24. Lidador diz:

    Caro ondevaisrio, observo a sua imensa alegria ao cantar de galo enquanto se empoleira no pedestal da correcção ortográfica.
    Mas sabe, não se deve cuspir para o ar sem ver de onde sopra o vento.

    Pode haver efeitos “preversos”.
    Ou talvez sofra apenas de dislexia…

    Quanto ao conteúdo, acho que não vale a pena gastar cera com ruim defunto.
    Quando alguém começa a usar novilíngua, com adjectivos tipo “neoliberal”, e a afirmar que o liberalismo é uma ideologia, o que corresponde mais ou menos a afirmar que um sabão é um autocarro, a discussão é impossível, porque os termos não significam o mesmo.

    Não sei falar por estalinhos….

  25. ondevaisorioqueucanto diz:

    Ora até que enfim que estamos quase de acordo. Consigo, não me apetece falar por estalinhos; você só lá vai é a estalada.

  26. Lidador diz:

    Caro ondevais, como deve imaginar, estou transido de medo pelas suas ameaças…praticamente não saio há dias do abrigo nuclear.
    Entretanto, sem nada para fazer, aí vai um “poema” bem melhor que o do Dr BSS, das rachas e dos pénis.
    Dedico-o a si e a todos os patetas que engoliram um garfo:

    “Imagina-se o rei da pilhéria,
    pobre bufão espantado,
    Ameaça com tesouras,
    enquanto é tosquiado.

    Pavoneia-se na plateia
    Com tiradas matadoras
    Marretas deste calibre
    Só com picadas de esporas”

    Espero que goste e não desate à estalada em si próprio.
    Seria “preverso”.

  27. ondevaisorioqueucanto

    O problema central da teoria do estado é o problema da moderação do poder politico – da arbitrariedade e do abuso de poder, da liberdade que concedemos ao estado e da que subtraímos ao individuo – jamais ignorando que toda a politica consiste na escolha do mal menor. O paraíso não existe e quem o procura arrisca-se a encontrar o inferno. Liberdade não é equidade, justiça, ou felicidade. Mas, citando Berlin, “restringir a liberdade não é fornece-la, e a coacção, não importa quão bem justificada seja, é compulsão e não liberdade”. O liberalismo moderno tem inúmeras faces e todas elas buscam uma ordem fundada na liberdade individual e na alternância de propostas concorrentes no exercício do poder apenas limitado pelo império da lei. A teoria liberal do governo representativo aponta-o como um dos instrumentos para limitar o poder, e não como fonte de um poder absoluto. O liberalismo está aberto à mudança pois não é a verdade revelada. Esta pede liberdade crítica para a gradual alteração de leis e costumes, uma fiscalização que visa a correcção e reformulação de politicas públicas. É esta possibilidade de reforma gradual que a democracia liberal assegura. Um regime pragmático cuja ordem emana mais das rotinas da praça e da rua do que do quotidiano dos corredores e salas em que os burocratas habitam. O totalitarismo conhece apenas dogmas, tabus e certezas. Um mundo imutável, pré-estabelecido, historicista que não resiste aos ventos da história.

    No que respeita ao mercado, seguindo o pensamento de Popper, o que se contesta no modelo socialista nem sequer é a sua anti-economia, é a sua negação da liberdade e a sua desumanidade. Citando Popper “não estamos dispostos a trocar a nossa liberdade por um prato de lentilhas.” Acreditamos na liberdade pois acreditamos nos nossos semelhantes, e o objectivo de uma sociedade deve ser o de facultar a realização do maior numero de planos de vida individuais. A liberdade deve ser o chão do jogo económico. Pois só a liberdade do e no mercado permite a cada um buscar os seus próprios fins. De qualquer modo, factos são factos, o mercado não é apenas o mais adequado à ordem social como resulta razoavelmente bem. O mercado numa visão puramente marxista não é socialmente justo – nem isso procura – mas justiça social num estado de liberdade não é possível. E num estado totalitário como todos vimos a “justiça” só existe se considerarmos a miséria massificada justa. O mercado não é idílico, utópico ou ideológico, organiza-se espontaneamente em virtude da auto-organização dos seus elementos, não obedece a dogmas pois estes pedem a acção do homem e não a sua indolência.

    O estado liberal moderno não se orienta pela visão messiânica de um mundo utópico, não procura visões idílicas nem o delírio perfeccionista, procura regular e administrar o jogo social. A transformação das regras sob a custódia do governo deve apenas reflectir a marcha da história. A religião pode ser um dos grilhões da vida humana mas responde às perplexidades da humanidade. A cristandade é mais do que as superstições de um grupo de nómadas. Escreveu a História – a nossa História – trouxe o elogio do perdão de Cristo ou o amor ante o próximo e carregou ao longo dos séculos até aos nossos dias o legado romano. Faz parte da herança cultural do ocidente.

    A bíblia é a palavra de deus, a verdade revelada. Por isso imutável. Fé em deus, pelo menos o deus da cristandade, pede fé no criacionismo, no dilúvio e varias imprecisões científicas. Acredito numa ordem espontânea, acredito na atmosfera primitiva, acredito no caldo primordial, se esta não exclui o deus moral que pune os fornicadores, os homossexuais, os amantes de si mesmo, exclui o deus ordenador do universo. Há quem acredite no deus cristão, nada a opor, tenho entre a família mais próxima quem acredite, e não consigo defender uma ordem em que os impeça o exercício legítimo da fé. Negar o direito de cada um exercer fé no que quiser, de fazer o que bem entender, viver como desejar, não é apenas iliberal, é revolucionário e um passo a caminho da tirania.

  28. ondevaisorioqueucanto diz:

    DLM

    O liberalismo moderno não tem várias faces. Tem apenas uma: a defesa intransigente do status quo. É isso que está sistematicamente a emergir em Bentham, em Burke, em Toqueville, em Hayek, etc, etc. Quando se saltam as frases de circunstância, o que nestes autores é comum é a defesa do status quo. E nada é mais evidente do que isso nos autores contemporâneos, desde os neo-liberais de cepa neocon até aos conservadores tatcherianos.
    A liberdade não tem “a ver com a equidade, nem com a igualdade” – vá lá dizer isso aos mortos de fome do Dafur. É por isso é que o teste ao liberalismo não deve ser um teste teórico, mas sim prático. É por isso também é que é mais importante ver as suas posições em matéria de outros assuntos, do que enveredar por uma discussão que chega sempre a um impasse. Por exemplo, um comentário ao seu último parágrafo: essa do punir “os fornicadores, os homossexuais, os amantes de si mesmo” era a gozar não era? É porque senão fico baralhado. Julgava que tinha um liberal como interlocutor, e afinal sai-me a Santa Teresa ao caminho. Não esquecer que a Santa Teresa também tinha visões inconfessáveis que estavam constantemente a atazanar.
    Por alguma razão que desconheço, está convencido que sou socialista (no velho sentido). Não sou. E a falta de argumentos vale-se sempre dessa mesquinhez segundo a qual se é crítico só pode ser ou socialista-comunista ou radical. É uma forma defensiva tão falsa e intransigente como qualquer outra herdada dos totalitarismos. Infelizmente a discussão chegou ao ponto em que apenas se repetem lugares-comuns e portanto já não há nada a ganhar.

    Lidador

    Parece-me que o seu problema é falta de uso do mesmo (o pénis). Como eu não aprendo nada consigo e pelos vistos você comigo também não, faço como o César Monteiro: mando-o para o c… e fica o assunto encerrado.

  29. “os fornicadores, os homossexuais, os amantes de si mesmo”

    Estava a descrever o deus moral dos cristaos. só isso. leu o texto todo?

  30. Lidador diz:

    [É por isso é que o teste ao liberalismo não deve ser um teste teórico, mas sim prático. ]

    Passando por alto a sua lamentáel tendência para a rebaixolice tabernícola, caro ondevais (a culpa provavelmente nem será só sua, as leis de Mendel terão tb a sua importância), ainda bem que reconhece que é na praxis e não na retórica desejante que se devem basear as análises.´
    Claro que esta sua frase está em contradição com tudo o resto que escreve e que revela a compulsiva fuga à realidade, estribada na “pureza das intenções”, e refugiada na fortaleza inexpugnável do ideal.

    O meu caro amigo, se ainda tiver alguma ligação à realidade, terá de reconhecer que as sociedades liberais são as que proporcionam aos seus cidadãos o melhorn produto.
    O melhor equilíbrio liberdade-igualdade, as melhores condições de vida jamais conseguidas por qualquer outra forma de organização, etc,etc.
    Claro que o liberalismo não tem a força explicativa do marxismo, ou de outra qualquer outra o ou ideologia, justamente porque não é uma ideologia nem se alimenta de visões míticas do universo.

    Adam Smith, na “Riqueza das Nações” limita-se a constatar que há países mais ricos que outros e procura “descascar” as razões dessa riqueza, para daí extrair, não dogmas, mas algumas hipóteses interpretativas que respeitam os factos que efectivamente ocorreram.
    O liberalismo não projecta criar uma sociedade perfeita, mas sim identificar práticas que parecem resultar. Uma abordagem “científica” (vénia a Karl Popper.)
    Por seu lado, o socialismo , o fascismo, o nazismo, o comunismo, o islamismo,etc, essas sim, são ideologias, desvarios construídos à priori, a montante e à revelia dos factos.
    A verdade é que as práticas liberais têm resultado razoavelmente bem e se é verdade que o capitalismo/liberalismonão proporciona a igualdade (nem a isso aspira), as ideologias que o contestam muito menos o fazem, a não ser no mínimo denominador comum: a miséria generalizada ( excepto para os mais iguais que outros), e liberdade zero.
    E comparar a perfeição da “coisa em si” que não existe-a utopia estratosférica- com o que existe, é pura desonestidade. O real fica sempre a perder….

    De resto o tipo de vocabulário passional usado aqui pelo onde vais, com tremendos adjectivos, de ordem moral, e declamação acéfala de bordões, diz tudo das cenouras que o fazem correr.
    Não é razão….é cegueira passional.

    Quanto aos pobres e ao liberalismo, a verdade, por muito que lhe doa, é que os únicos Estados que criaram a vontade e os meios para construir sistemas de segurança social, subsídios de desemprego, prestações familiares, reformas, etc, foram as grandes economias capitalistas. Porque as sociedades liberais não são selvagens. Pelo contrário são os únicos estados de direito, os únicos onde a economia está enquadrada por severos princípios jurídicos e com aplicação efectiva.

    Sabe quem pela primeira vez na história francesa enunciou e exigiu o direito à greve?
    Não, não foi nenhum comunista ou socialista. Foi Frederic Bastiat, um economista liberal ( que hoje seria azorragado com o epíteto de “neoliberal”) que em 1849, o apresentou na Assembleia Legislativa.
    Os socialistas achavam que a criação de sindicatos iria dividir e enfraquecer a “classe operária”.
    Sem ir mais longe, em Portugal , o o 13º mês e o subsídio de férias, não são criações de Cunhal, Louçã ou Soares, mas sim de Marcelo Caetano e Cavaco Silva.

    Curve-se à praxis, ou então explique aqui que modelo melhor tem na manga.
    O mundo está pendente das suas soluções milagrosas.

    Se é capaz de nos dar o Céu na Terra, explique como e ponha-se na fila…já para aí andam outros há muito tempo, desde Cristo a F. Louçã, passando por Marx, Gengis Khan, Maomé, Buda, Hitler, Castro, Estaline, Por Pot, Mao, Cunhal, Salazar, etc,etc.

    Se não tem soluções, remeta-se à sua insignificância e solucione a sua vida, antes de querer solucionar a minha.
    Se quer mesmo mudar o mundo, estude, constituia uma empresa e dê trabalho a outros menos dotados do que você.
    E procrie.

  31. ondevaisorioqueucanto diz:

    Este lado demiúrgico do Lidador tem piada. Tal como deus remata a sua lição sobre a praxis do liberalismo com um moralista – quanto enfático – “procrie”. Não sabendo se eu já botei semente no mundo ou não, vejo esta admoestação mais como metáfora bíblica – vá, e espalhe a mensagem – do que propriamente como declaração propedêutica sobre o meu desempenho sexual.
    E isto nem surge por acaso. Porque de um homem que compara Louçã a Pol Pot, Hitler ou Staline, é legítimo suspeitar que a sanidade mental se encontra seriamente em risco. Daí que, de uma esquizofrenia galopante a um complexo napoleónico temperado com uma desmedida megalomania, vai um passo.
    Isto seria de somenos, se o reflexo de uma tal corrupção mental não fosse desastroso para o alinhamento de ideias. É talvez por isso que se esquece, no seu périplo mais recente sobre as conquistas do liberalismo, que é esse mesmo liberalismo que tem vindo a actuar como estratégia de sapa para retirar, desmobilizar e descaracterizar aquilo que elenca, e bem, como “a vontade e os meios para construir sistemas de segurança social, subsídios de desemprego, prestações familiares, reformas, etc,”. Ou não vivemos no mesmo mundo – possibilidade que eu coloco sempre quando me confronto com um liberal de cartilha – ou então o liberalismo presta-se ao cinismo e à manipulação de argumentos de forma tanto mais desabrida como capciosa – algo que nem é de espantar, pois temos vindo a assistir a isso mesmo ao longo desta pequena dissenção.
    Mas isto não chega. Eu sei que as mãos se lhe vão crispar, que suores frios lhe vão prelar a testa, mas para sair desse seu marasmo intelectual, experimente ler os discursos do Robespierre editados recentemente pela mão desse doido genial chamado Zizek. Bem sei, dizer isto ou confessar que se é da al-qaida é, para um liberal conservador, sensivelmente a mesmo coisa. Mas estou apenas a inverter o seu raciocínio. Você atira-me com Bastiat – que nunca propôs, por exemplo, a abolição do voto censitário, ou seja baseado nas posses de cada um, como você deve saber – rematando que se trata de um economista que seria “azorrado com o epíteto de neo-liberal” (é calro que a transferência dos termos não faz sentido nenhum no contexto em que Bastiat pregava) e eu aconselho um terrorista (como concordará com certeza) da revolução francesa para que se veja que nem tudo o que é liberal vem dos liberais – pressupondo que estará a insinuar que a proposta de Bastiat é também ela liberal, ou teria este sido atacado por algum micróbio socialista? Eventualmente sim.

    Não me peça o céu, nem a terra. Quanto muito sou capaz de pagar uma cerveja, e e…Só que, afigura-se-me que é desse lado que andam a prometer o céu e a terra, e em vez de cenoura o que têm escondido atrás das costas é o cacete. Nada mais explícito do que o caceteirismo costumeiro que tão afincadamente usa na sua prosa.

    Quanto a soluções de vida, lamento dizer-lhe, mas parece-me que a sua já não tem nenhuma.

    abraços cordiais

  32. Lidador diz:

    [ um moralista – quanto enfático – “procrie”. ]

    Nada moralista. Falta lá o “-se” e não usei vernáculo, por esse tipo de escatologias ser mais para os especialistas na rebaixolice, não desfazendo.

    [Não sabendo se eu já botei semente no mundo ou não]

    Não são particularmente interessantes os pormenores da sua vida. Essa compulsão para a confidência é algo constrangedora.

    [ Porque de um homem que compara Louçã a Pol Pot, Hitler ou Staline, é legítimo suspeitar que a sanidade mental se encontra seriamente em risco. ]

    A falácia típica: a msg não agrada, o mensageiro é doido. Tá bem abellha!
    Conteste o argumento…

    [ de uma esquizofrenia galopante a um complexo napoleónico temperado com uma desmedida megalomania, vai um passo.]

    Psicologia de vão de escada. Chouriçadas dessas, ouvem-se na taberna da esquina.

    [ que é esse mesmo liberalismo que tem vindo a actuar como estratégia de sapa para retirar, desmobilizar e descaracterizar aquilo que elenca]

    Hum…. converseta conspiratória, estratégias do mal, Dr Estranhoamor….os “bildeberg” talvez, alienígenas, quiçá…os judeus..a alta finança, o Mafarrico,enfim.

    Se bem o entendi, a conclusão que tira é que o que se passa nas sociedades menos liberais, é culpa do liberalismo e logo as coisas boas das democracias liberais se devem ao …socialismo e que o falhanço do socialismo real se deveu ao….capitalismo.
    De facto a lógica não quer nada consigo…

    [ Ou não vivemos no mesmo mundo ]

    Quanto a ninhos de cucos, prefiro voar sobre eles.

    [o liberalismo presta-se ao cinismo e à manipulação de argumentos de forma tanto mais desabrida como capciosa ]

    “É mais fácil disparar adjectivos tremendos do que discutir a opinião contrária” (Francisco Anacleto Louçã, “Ensaio para uma Revolução”, Cadernos Marxistas, 1984….e obra óptima para comparar livremente o que pensa realmente Louça e o que pensava Estaline, Pol-Pot, etc)

    [ que suores frios lhe vão prelar a testa,]

    Vão, vão “prelar”…

    [, experimente ler os discursos do Robespierre ]

    Bebe daí? Muita coisa se explica….

    [ “azorrado com o epíteto de neo-liberal” ]

    Azorragado…..de azorrague, látego, chicote. Ainda bem que o ajudei a descobrir uma palavra nova.

    [ não faz sentido nenhum no contexto em que Bastiat pregava]

    Os “contextos” têm as costas largas

    [ eu aconselho um terrorista ]

    Ninguém lhe pediu conselhos. De resto só dá bons conselhos quem já não é capaz de dar maus exemplos.

    [ Nada mais explícito do que o caceteirismo costumeiro que tão afincadamente usa na sua prosa.]

    Face a estes excertos :

    “o Lidador que anda sempre com o cu entre o esófago e o palato”
    “a mais das vezes uma conversa do cu”
    “ galinha poedeira em plena função”
    “um ordinarão, sem decoro “
    “ a sua cloaca tem granjeado tanta, porque não o resto da família?”

    conclui-se que se tem visto ao espelho com alguma frequência

    [Quanto a soluções ,]

    É, foi essa a questão que coloquei a alguém que reclama de garganta a força da praxis
    Sendo, como são, as sociedades liberais que melhores práticas apresentam, e que melhor conciliam a liberdade e a igualdade, em nome do que é que as critica?
    Da sua cabeça?
    Da sua utopia?
    Mais um génio incompreendido, candidato a Grande Educador da Classe Operária?

  33. ondevaisorioqueucanto diz:

    Bom, o homem é de um purismo literário draconiano. Arremete contra as linhas de outrém com afã de censor do Estado Novo, e quando encontra um “prelado” em vez de “perlado” sofre apoplexias de gozo orgásmico (esta foi bonita). O seu apetite pelo lápis azul vem de antanho (para este não preciso das leis de Mendel, as simples regras da reprodução social explicam). Como já não exerce censura política, resolveu enveredar pela sua congénere ortográfica. Tem que se entreter com alguma coisa. Vai daí vem-lhe a compulsão para a minúcia, para a detecção de gralhas, erros, escorregadelas. É um colecionador; e desde Freud que sabemos a que singularidades sexuais se encontra esta obsessão pela colecção.

    O homem “das rachas e dos pénis.” dá lições de bom gosto e acusa os outros de rebaixulice tabernícula – virá de “taberna” ou quereria dizer “cavernícula”. Daqui a bocado está você a inventar um pizernícula – que vem de pizaria – ou um cafernícula – para as pessoas de melhor porte que frequentam os cafés da Baixa -, ou outra qualquer forma que você preferir – o que é preciso é continuar esse delírio novecentista onde parece que você se exilou. Repegando no seu cuspir contra o vento, vá lá ver donde ele sopra.

    Bom que o mensageiro salta à vista que é doido, dessa não temos dúvidas nenhumas. Que estamos a cagar para a mensagem – mais uma tabernícula – é que pode impender sobre o seu julgamento.
    Se bem me entendeu? Não, não entendeu; não percebeu mesmo nada. Mas você lá procura entender – você tem um olho no infinito outro na bardamerda e de permeio fica-lhe o umbigo.

    Uma coisa é argumentar, outra coisa é mentir descaradamente. Não lhe agradou a conclusão necessária – e evidente – de que as conquistas que enunciou estão a ser gradualmente regredidas por esse mesmo capitalismo? Não, no mundo de fantasia, de aldrabice -nada ideológico, pois claro – onde se encontra é o mercado que vai, qual messias, resolver tudo a contento. Mas esperava-se que pelo menos parasse para reflectir um pouco; para pelo menos ponderar se aquilo que tinha acabado de escrever tinha alguma relação com o mundo em que vivemos. Qual quê! Silêncio compremetido, porque de facto é mais fácil insultar do que argumentar (eu que o diga).

    E que dizer da sua mestria aforística? “De resto só dá bons conselhos quem já não é capaz de dar maus exemplos.” Não sei o que isto quer dizer, provavelmente nada. Mas a acreditar em si, dado os exemplos que tem dado por aqui, bom conselho não vem de certeza.

    Bem sei que a Louçâ você não perdoa; suponho que também não perdoe a Mário Soares a descolonização desastrosa. Todos conhecemos o arrazoado e sabemos bem donde ele vem. Eu por mim nunca substimo contextos. É na verdade a parte mais interessante em relação à sua pessoa.

    Temos, portanto, um liberal em retração. Pois não é que agora a palavra “igualdade” já cá entra. Não tem seguido os ensinamentos do seu companheiro de ideologia DLM, para o qual a igualdade não tem cabimento na discussão da liberdade. Liberal de circunstância, pois então. O mestre Berlin dar-lhe-ia com a palmatório por sugestão tão apócrifa.

    “Psicologia de vão de escada. Chouriçadas dessas, ouvem-se na taberna da esquina.” Os malucos são sempre os primeiros a negar que são malucos.

    Bebo de muitas fontes. Ao contrário de alguns que não sabem viver sem baias.

    Fico em suspenso por mais uma lição de ortografia.

  34. Lidador diz:

    [Fico em suspenso por mais uma lição de ortografia]

    Não meu caro, não é com “u”.
    É com “o”.

    Cavernícola, tabernícola (neologismo criado por este seu criado, se o Mia Couto pode, todos podem) etc,etc.
    Rebaixolice….de rebaixo…rabaixar.

    Arre!

    P.S O homem “das rachas e dos pénis” é o Dr BSS. Limitei-me a transcrever a sua inspiração “poética”.

    “bardamerda”
    o Lidador que anda sempre com o cu entre o esófago e o palato”
    “a mais das vezes uma conversa do cu”
    “ galinha poedeira em plena função”
    “um ordinarão, sem decoro “
    “ a sua cloaca tem granjeado tanta, porque não o resto da família?”, é que são da sua lavra.

    Com todos os nomes, como diria o impagável Saramago, décadas depois de andar a sanear “reaccionários” que

    [tinha alguma relação com o mundo em que vivemos.]

    O mundo em que vivemos, representa o melhor mundo em que o sapiens alguma vez viveu.
    O mundo em que você vive, é melhor do que os seus avoengos alguma vez sonharam. É infinitamente melhor do que o mundo onde não há liberdade, capitalismo e liberalismo.

    Assente na praxis, como reivindica e mostre algum sistema que tenha feito melhor, ou a solução que, feito pateta alegra, quer fazer crer que tem aí na manga.
    Se não tem qualquer projecto, cale-se até ser capaz de fazer melhor.

    Qualquer analfabruto sabe criticar um Ferrari
    Não sabe é fazer melhor que um carrinho de linhas.

  35. Revejo-me na crítica. Enquanto sociólogo e ser humano com um mínimo de razoabilidade e de sensatez, escrevi a esse “sociólogo” a dizer-lhe porque discordava do que escreveu. Enquanto Sociólogo com dois dedos de testa e alguma vergonha de enterrar toda uma classe com comentários para os quais não a convido, escrevi também, recomendando-lhe que assine como cidadão. Sem grande surpresa, não obtive resposta. Tempo para escrever mais barbaridades ele encontra: para retorquir inteligentemente a quem, com educação, dele discorda, rien. Creio que o DN cometeu, com o convite a este “senhor”, mais um disparate. Mas já a selecção do seu actual director o indiciava. Vale tudo pela estatística da APCT…

  36. Lidador diz:

    “Enquanto sociólogo e ser humano com um mínimo de razoabilidade e de sensatez, ”

    Prémio “eu é que sou razoável e sensato, variante, os meus traques é que cheiram bem”

  37. Pedro Pereira Neto diz:

    Ao Lidador e ao seu comentário “Prémio “eu é que sou razoável e sensato, variante, os meus traques é que cheiram bem””, apenas uma nota: se não considera a sua opinião sensata e digna de respeito, por que empenha o seu tempo a partilhá-la? Ou é apenas infeliz e mal-educado de forma militante? Reveja-se no seu “cale-se até ser capaz de fazer melhor” e dê a todos a honra do seu silêncio.

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