Mania de ser do contra

Mania de ser do contra, acabo sempre tramado. Se o Sporting ganha muitos campeonatos, a fé clubística vacila-me, se o povo toma o poder, eu arranjo uma objecção de consciência qualquer, se Portugal fica com a mania que é bom, eu começo a olhar os espanhóis com outros olhos. Se começam a exagerar com a história dos gajos do rugby, tão patriotas que eles são, eu fico logo com vontade de dizer que o Nuno tem razão (e então se batem nele, mais ainda). Mas se o Nuno começa nos seus delírios “autonomistas” (ou lá o que é) e a fingir que não percebe que a malta gosta de ouvir o hino e se calhar tem bons motivos para isso, então até sou capaz de começar a gostar da oval, eu, que sempre fui a favor da redondinha e do jogo de senhores jogado por carroceiros. Cantem lá “A Portuguesa” aos berros, se vos apetecer, ó patéticos Uvas e outros, que a pátria também é vossa!

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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6 respostas a Mania de ser do contra

  1. Coitados dos rapazes. Eu se estivesse no lugar deles também parceria patético: ou porque me emocionaria (como aconteceu ao Nelson Évora) ou porque ficaria eufórico (como aconteceu a estes rapazes do Rugby). São maneiras de sentir as coisas, cada um é como é.
    Patéticos por quê António?

  2. António Figueira diz:

    Patéticos por isto:
    “Eles cantaram ‘A Portuguesa’ com tanta força que até dava para desfazer os maxilares” (in “L’Equipe”, citado pelo “Público” de hoje).
    Cada um é como é, disse V.Exa muito bem, e eu temo pois que eles sejam assim, patéticos (são maneiras de sentir).

  3. Caro António Figueira
    Então o que dizer dos Neo-Zelandezes e aquelas “coreografias” que fazem?
    Enfim…

  4. João Anacleto diz:

    Quanto mais decíbeis mais patrioteirismo? Então os artistas do rugby
    puseram a fasquia muito alta…
    Canto num coro e quando o maestro pede forte ou fortissimo eu
    “berro”, mesmo que seja música sacra. Mas não sou crente!…

  5. Caro António,

    Sou Português a viver em Singapura. Emocionei-me com a emoção dos “Uvas e Companhia”… e os estrageiros que aqui vivem de repente começaram a fazer-me perguntas sobre Portugal finalmente com a certeza de que não é provincia de Espanha. Há lados do Mundo onde a oval chega com mais força que a redonda.
    Este interesse é genuino e orgulha-me.

    Acho que deviamos estar gratos à “malta” que nos representa em França. Não julgá-los…

    Eu sábado berrarei com eles!!

    Obrigado

  6. Maria Francisca Vareta diz:

    MUNDIAL:RUI CORDEIRO E LOBOS ARREPIAM

    NÃO FOI SÓ EM PORTUGAL QUE O HINO PUXOU PELAS EMOÇÕES

    12.09.07
    FONTE: JORNAL RECORD

    Os homens também choram, e isso ficou provado quando os jogadores da Selecção cantaram o hino antes do Escócia-Portugal. As imagens emocionaram o País mas não só. No bloco informativo dedicado à prova, a TF1 – uma das principais cadeias de televisão francesas – anunciou “o momento mais incrível do Mundial até agora” e, de seguida, exibiu “A Portuguesa” na íntegra, com os Lobos a chorarem.

    Não é todos os dias que se vê um “gigante” de 1,84 metros e 140 kg a chorar como uma criança. Mas Rui Cordeiro foi um dos Lobos que mais impressionou a cantar hino. Logo ele, que “é difícil ir às lágrimas”. “Senti tanta coisa. O hino sempre foi um momento importante nos nossos jogos e nós não o cantamos, gritamos! Depois entre o aquecimento e o regresso, as bancadas, que ainda estavam quase vazias, compuseram-se. Deu-me muitas ganas”, explicou Cordeiro, prosseguindo: “Assim como a Nova Zelândia se motiva com o ‘haka’, nós fazemo-lo com ‘A Portuguesa’.”

    Força Lobos!

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