Possidoneiras

É sabido que os clubes muito exclusivos provocam em certas pessoas urgentes vontades de adesão, e que de tais pulsões resultam com frequência os mais extravagantes comportamentos. O mais conhecido destes clubes é provavelmente a nobreza. Visto que el-rei já cá não está para nobilitar ninguém, em princípio não há hipótese de novas adesões: ou se nasce nobre ou nada. Esta verdade comezinha, porém, não desmotiva os mais afoitos, e então é vê-los a pôr aos filhos algum apelido mais catita encontrado no nome de um trisavô ou, nos casos mais graves, a pedir aos velhinhos do Conselho da Nobreza que lhes confirmem um título qualquer, perdido há não sei quantas gerações, mas incarnado como que por milagre (e com muito a propósito) pelas suas importantes pessoas. De entre os mais convictos, alguns chegam mesmo a posar envergando armaduras antigas e com um ar feroz no semblante, e nos quadros que oferecem à posteridade consta sempre uma divisa (do género: “Sou forte.”) e uma mensagem subliminar (numa dessas pinturas que eu conheço, vêem-se em fundo barcos a arder, que simbolizam “as famílias inimigas”).

Mas os aprendizes de fidalgos começam a ser substituídos pela raça improvável dos filo-judeus, que não se conformam com a sua condição de justos e querem mais: querem aderir ao povo eleito. Certo, qualquer pessoa de bem se pode rever no velho slogan francês do Maio de 68 segundo o qual “Nous sommes tous des juifs allemands”, mas este sentido espiritual do termo não lhes chega: eles querem hereditariedade, matrilinearidade, comunidade, o quentinho da pertença. Então é vê-los desencantar também uma trisavó marrana, vítima da Inquisição, e vê-los aprender hebreu, beber vinho kosher (que é um poderoso argumento anti-semita, posso assegurar) e tentar garantir, numa curiosa inversão de ancestrais práticas ibéricas, que o seu sangue não é “limpo”. O fenómeno é internacional: e, para efeitos de constituição de uma “comunidade imaginada”, tanto servem uma marrana de Belmonte como alguma velhinha da Europa Central, última representante de uma linhagem desgraçadamente desaparecida com a Shoa: Christopher Hitchens, por exemplo, o “ídolo jornalístico” da minha colega de blogue Fernanda Câncio, “descobriu” há meia-dúzia de anos que era judeu porque a avó materna lho teria revelado, quando já estava com os pés para a cova – mas aparentemente essa ascendência só o marcou a ele, porque o irmão, menos artista e talvez com um nadinha menos de imaginação, diz que não é.

Permitam-me que vos diga: eu não gosto nem desgosto de judeus – como não gosto nem desgosto de portugueses, católicos, ateus, brancos, pretos ou o que for; há judeus de quem eu gosto e de quem eu não gosto, porque gosto ou desgosto de pessoas e não de etiquetas. Tenho evidentemente muita, muita, muita simpatia pelas vítimas da Shoa, mas essa simpatia também não se transforma em crédito a favor do Estado de Israel; mas sobretudo, acho que não há pachorra para esta história de andar a inventar passados: desculpem lá, mas parece-me tudo uma grande possidoneira.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

28 respostas a Possidoneiras

  1. Excelente post.
    Em relação às heranças (devem ser genéticas) das perseguições aos judeus, só me lembro de um episódio do Sexo e a Cidade em que a recém convertida ao judaísmo Charlotte diz ao marido, profundamente desgastado pela circunstância de não ser ainda daquela vez que ia ser pai: Oh querido, isto não é nada. Nós somos judeus. Sobrevivemos ao holocausto! (naturalmente, estou a citar de cor)

  2. Fernanda Câncio diz:

    ó antónio , vá lá, agora tomaste-me o hitchens de ponta, foi? não sejas assim.

  3. Fernanda Câncio diz:

    ah, e o teu post fez-me lembrar um filme do mamet com o joe mantegna. viste? ele é polícia e conhece uma família judia durante uma investigação. não me lembro do nome e tou sem pachorra para googlar

  4. António Figueira diz:

    Sabes o que foi? É que eu ainda não consegui ver o new look do JPP (mea culpa, mea maxima…) e estava sem alguém em quem bater… E eu Mantegna gosto à brava, mas não, esse acho q não vi.

  5. Também adoro um bom Mantegna, especialmente se for o “São Sebastião” ou o “Cristo morto”. 😀

  6. António Figueira diz:

    O Joe Mantegna é bisneto desse (mas bastardo, claro).

  7. AL diz:

    Há anos que o Conselho da Nobreza não existe.
    Sobre o que cada um pensa dos seus maiores, creio, com a máxima da franqueza que só não quer saber da dos seus maiores quando ela não existe. Fernando Pessoa, por exemplo, sabia bem quem era e cultivava a heráldica. A nobreza portuguesa não tem de que se envergonhar: produziu, no séc. XIX, Camilo e Eça, Camilo Pessanha, no XX Pessoa e Teixeira de Pascoaes, tantos outros…
    É um clube selecto.

    Enfim….
    Ah, sobre a conceito bravenet de visitantes únicos, tem a certeza de que leu bem? Ora leia. Isto a propósito dos 18000 uniques de que se vangloriou.

  8. António Figueira diz:

    Caro AL:
    Terei eu lido bem? A nobreza portuguesa “produziu” esses nomes todos de que V. fala? Camilo, Eça, Pessoa (os outros não lhes conheço as origens) eram nobres no berço? Não, AL, não eram – e a nobreza portuguesa do século XIX é certamente muito mais bem representada pelo Conde de Gouvarinho do que pelo autor de “Os Maias”…
    Quanto a ser um “clube selecto”, eu acho que isso é indiscutível: sendo presidida como é por S.A.R. o Duque de Bragança e os seus distintos irmãos, eu diria mesmo mais: é um clube único (ou “unique”, se preferir).
    Cordialmente, AF

  9. ezequiel diz:

    Os passados sempre foram “inventados.” Mesmo se tivesses testemunhado empiricamente o “passado” terias que inventar uma interpretação do mesmo. Os nossos passados comuns, aqueles que compartilhamos recentemente, não são homogéneos. Longe disso.

    Há uns que os inventam.

    Há outros que os enterram. E estes, aqueles que os enterram, são por vezes bastante mais perigosos do que aqueles que os inventam.

    A influência sefardita na nossa cultura parece-me inegável. Se alguém descobre uma avozinha judia e decide explorar a tradição judaica, não vejo qual é o mal. Freedom and interpretation! E julgo não se tratar de um “clube.”

    Transformar estas heranças ou possíveis heranças em directrizes políticas (apoio incondicional a Israel bla bla..transformar a pertença em dogma…é outra coisa complet. diferente..aqui entramos no domínio da imbecilidade!)

  10. Sexta-feira diz:

    Boa malha. O reverso do anti-semitismo é mesmo esse “filo-semitismo” que descreves. Confesso que cedi a esses impulsos todos. Procurei na árvore genealógica, na antroponímia, no perfil da penca dos meus primos durante a ceia de Natal. Foi esforço em vão, inconclusivo. E possidónio, como dizes. Mas o atractor judaico é mesmo muito poderoso, com os múltiplos apelos que são a vitimização, uma história riquíssima, um sentido de pertença fortíssimo e a suposta superioridade intelectual (que é a versão secular de “povo eleito”). Creio que sublimei a coisa desenvolvendo primeiro uma panca por judias, nunca legitimada pelos elementos empíricos, e depois a noção de que ser um cidadão do mundo é mesmo o único caminho, modesto e nobre. Razão tinha o outro.

  11. ezequiel diz:

    E, António, não te esqueças: as RAÇAS não existem, como nos lembraste há alguns dias-semana??

  12. ezequiel diz:

    E a judia de Belmonte é pura ficção, naturalmente, assim como os Cohen de Budapeste.

  13. Caro António Figueira,
    O AL tem razão: Eça de Queiroz é nobre de berço (descendente por linha travessa do primeiro rei de Portugal: http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=19501 ). Quanto a ser nobre temos que ver que há a nobreza titulada (condes, barões, etc) e a nobreza não titulada (que engloba todo e qualquer descendente de uma familia nobre). Tendo em conta o caso da nobreza não titulada ( a que eventualmente pertenceu o T.Pascoais, Pessoa, etc) sou obrigado a discordar de AL: a nobreza não é um clube selecto. Há dezenas de milhares de “nobres” em Portugal: descendentes de reis que já não sabem que o são,nobres titulados, nobres não titulados, ricos, pobres, cultos, incultos, etc.
    Até o grande Luiz Pacheco era descendente “de uma pequena nobreza rural em decadência”!!!

    Cumprimentos,
    Max Mortner

  14. António Figueira diz:

    Caro Max Mortner (e outros eventuais genealogistas):
    Pois mea culpa: eu, em vez de ir, como se devia, a sites de genealogia e heráldica, colhi a minha informação sobre o grande Eça nessas obras menores que são as suas várias biografias, de João Gaspar Simões a M.ª Filomena Mónica, e foi lá que aprendi que o Senhor, em vez de “descendente por linha travessa do primeiro rei de Portugal” era apenas, e muito mais prosaicamente, filho ilegítimo de um juíz!…
    Cordialmente, AF

  15. Caro António Figueira,
    Em primeiro lugar as minhas desculpas pelo comentário em duplicado…O facto de ser filho ilegítimo de um juiz não invalida a presença (ouso dizer a necessidade) de uma mãe na vida do grande escritor…mãe essa (ou eça, para a piada fácil) que era descendente por linha travessa do primeiro rei de Portugal. Para além disso o próprio pai de Eça era também da nobreza.
    Se não estou em erro (e apesar de não ter lido as “obras menores” que estou certo que devem confirmar o que digo) os pais de Eça casaram alguns anos após o nascimento do escritor…

    Cumprimentos,
    Mortner

    PS: há algum problema com o envio dos comentários. As minhas desculpas por comentários duplicados

  16. António Figueira diz:

    Caro Max Mortner,
    Confirmo que confirmam (ou seja, que os pais de Eça se casaram depois do seu nascimento, o que não impediu a sua ilegitimidade original de ter tido sequelas várias ao longo da sua vida, de maior ou menor importância consoante os biógrafos); no que as obras em questão são omissas é na sua relação de parentesco com D. Afonso Henriques – mas quem sou eu para duvidar da sua palavra?
    Cordialmente, AF

  17. Caro António Figueira,
    A duvidar da palavra de alguem não é da minha que o tem que fazer…Não querendo aborrecê-lo com assuntos genealógicos digo-lhe apenas o seguinte:todas as pessoas que aparecem no Geneall.net com uma “bolinha azul” são descendentes do nosso primeiro rei, Afonso Henriques(e olhe que vai ter algumas surpresas tais como Jane Birkin, Marques de Sade, etc).
    Dê uma vista de olhos ao site, que é dos melhores sites de genealogia do mundo(com uma base de dados superior a 1000000 de pessoas e é feito com um grande rigor historico e cientifico).

    Sem mais aborrecimentos de momento,
    Max M.

  18. António Figueira diz:

    Caro MM,
    E então de Adão e Eva, somos todos descendentes!
    Volte sempre, AF

  19. Caro António Figueira,
    Lá isso é verdade. No caso de D. Afonso Henriques talvez estejamos a falar de umas centenas largas de milhar de descendentes no Mundo e, talvez, algumas dezenas de milhares em Portugal (e é deste ponto, e do facto de para além disso se poder ser nobre de outra maneira, se ser necessário ter tão ilustre ascendencia, que surge a minha discordância com AL.).
    Sem o querer aborrecer mais permita-me que lhe diga mais uma coisa que lhe deve ter escapado nas suas leituras sobre Eça: o escritor casou com uma filha do conde de Resende, ilustre e antiga família que, a não ser que estivesse falida (o que não era o caso) nunca teria deixado uma filha sua casar com alguem que não tivesse uma ligação à nobreza.
    Mas, de facto, estes assuntos são de pouca relevância para a vida e obra do escritor.

    Cordialmente,
    Max Mortner

  20. Olhe, Antonio Figueira, o menino tem toda a razao. Ou se tem “berco” ou nao se tem e o “berco”, ja dizia a tia Maria Vitoria, ainda e das poucas coisas que nao se pode comprar (eles tentam, mas sao desmascarados quando pegam na xicara de cha).
    E quanto aos Judeus, sei la, nao ficaram com muito mais “berco” depois de passarem pelo Tribunal do Santo Oficio? Sairam la todos “de Carvalho”, “de Oliveira”…
    Uma pergunta: o menino e “de Figueira”?
    (A falta de acentuacao e devida a um teclado estrangeiro!)

  21. AL diz:

    “Camilo, Eça, Pessoa, Pascoaes” e.. Sophia e Antero de Quental, entre tantos, sim, eram nobres já no berço. Quer acrescentar Eugénio de Castro, Homem de Mello, a mais recente Maria Teresa Horta (esta última descendente da Marquesa de Alorna, outra poetisa…)?. Sim, todos nobres de berço…
    O Senhor D. Duarte não preside, por manifesta impossibilidade, a inexistentes conselhos de nobreza

  22. AL diz:

    Sr. Figueira,
    Eça de Queiroz era filho de juiz e neto de juiz e em casa de seu avô Queiroz – que ostentava o brasão de familia – viveu a sua infância. Leu as biografias? Não duvido, mas releia ou meramente atente nas fotografias dessa casa, geralmente reproduzidas (bastaria, no entanto, como em Camilo, ler a obra…).Quanto ao lado Pereira de Eça encontra generais – como em Pessoa, que era neto de um. Li os comentários do Sr. Mortner que podem induzir, involuntariamente, em erro: os nomes apontados (lembrei-me agora de O’Neill, outro nobre de nascimento e que o sabia) não pertencem à chamada “nobreza adormecida”, no sentido de serem aristocratas, nobres ou fidalgos – como queira – apenas nominalmente. Eles sabiam que o eram – e não o esqueciam. A inveja e o igualitarismo da classe média baixa é que tenta fazer deles, empurrando-os no sentido descendente, o que eles não são.
    Sobre o que era o «tom» da pequena aristocracia de província pode ler, por exemplo, algumas notas do Prof. Egas Moniz, prémio Nobel da Medicina e digno representante dela.
    Bem, mas havendo embora alguns milhares de aristocratas em Portugal, não se tente a manobra inversa à de pretender que não existem, começando-se a pretender que é coisa de somenos, por serem tantos…

  23. João Borges diz:

    Caro António Figueira
    Realmente, concordo “… andar a inventar passados: …parece-me…uma grande possidoneira.”, contudo assumir passados é matéria de carácter e de afectos.
    Infelizmente, hoje em dia, há muita gente “passada” com o que se passa na vida dos outros. Parece-me tudo uma grande ressabiadeira!

  24. Caro Figueira, caro AL e restantes intervenientes,

    Tal como disse Al, não quis induzir ninguem em erro, apenas não sabia que todos os nomes do escritor que referiu estavam consientes da sua origem nobre.
    O que eu disse de existirem pessoas descendentes de familias reais sem o saberem, foi devido a um facto que acnteceu há relativamente pouco tempo(com o aparecimento do Genea). Um amigo meu introduziu o seu nome, entre aspas, no google e foi conduzido ao Geneall. E ficou surpreendido quando iniciou a descoberta dos seus antepassados no Geneall. Ele apenas sabia que era de uma familia tradicional, talvez com ligações à nobreza e que tinha lá por casa uns documentos antigos que há varias gerações que não eram consultados e com o Genea ficou a saber que era descendente de D. Afonso Henriques. Depois por brincadeira comecei a procurar outros nomes de pessoas que conheço e com quem me dou bem no referido site. Por brincadeira informei aquelas que tinham “bolinha azul” da sua esquecida condição e muitas delas ficaram bastante surpreendidas porque desconheciam em absoluto o seu passado “real” (apenas sabiam serem de familias burguesas).
    Quanto a pessoas que agora procuram antepassados só para ver se tinham um nobre ou um judeu na familia isso revela alguma “possidoneira”. Também não deixa de ser possidónio querer fazer de conta que fulano A ou B não era nobre quando o era de facto…A genealogia é uma ciencia auxiliar da história e a sua prática é sem dúvida bastante interessante, independentemente dos antepassados que se tem…
    No caso de muitos dos escritores referidos parece-me lógico que muitos deles fossem nobres.Digo isto porque na época em que muitos deles viveram pertencer à nobreza, a alta burguesia ou ao clero era condição sin ne qua non para aceder aos estudos que refinariam a genialidade em bruto dos referidos autores (isto é:nem todos eram ensinados a ler nem a escrever).

    Cumprimentos,
    Mortner

  25. AL diz:

    Caro Mortner,

    Como vê, esse seu amigo sabia… podia não saber em pormenor, mas «sabia», a memória mantinha-se na Familia e a aristocracia é isso: uma memória mais longa – e tudo o que isso acarreta: alguma ironia, algum desdém pelas pressas, um entusiasmo mais difícil.
    A tal “aristocracia inconsciente” não existe, creia. O que existe é gente discreta e com um imenso (e desconhecido) sentido de humor sobretudo nessas matérias do quem é quem.
    Aliás, é interessante ver os erros de julgamento nestas matérias: a revoluçao liberal foi feita em grande parte pela alta aristocracia – que era a classe mais culta e com vistas mais largas… O Conde de Vimioso, que foi o amor da Severa e é apresentado como um “marialva”, um “fadista”, foi um dos que desembarcou no Mindelo para depor D. Miguel e sustentou pelas armas as suas ideias ao longo das guerras liberais. Estas adesões significavam, por vezes, o confisco dos bens etc. Não havia nesse tempo, como agora, jantares grátis.

  26. António Figueira diz:

    Caros todos,
    Três coisas só, para acabar:
    Primeiro, este post era essencialmente sobre o fenómeno (nem por sombras exclusivamente português) do filo-judaísmo, e a nobreza nacional era nele referida apenas a título acessório e explicativo.
    Segundo, eu acho absolutamente desnecessário discorrer hoje sobre os méritos ou deméritos da nobreza portuguesa: os factos falam por si, e eu não sou mauzinho ao ponto de querer recordá-los; mas a quem pretenda, retrospectivamente, incluir nessa categoria toda e qualquer pessoa com uma relação de parentesco com um qualquer titular, eu recordaria apenas o carácter ocioso dessa operação, pois é óbvio que concluir que 99% dos portugueses são “nobres” retira qualquer utilidade à categoria da “nobreza”.
    Terceiro: falando de coisas mais importantes, eu achei o comentário do Sexta-Feira excelente, não só por concordar comigo (o que é um ponto a favor dele…), como pela candura e honestidade com que descreve a sua própria passagem pelo filo-judaísmo; eu quis escrever-lhe um e-mail a dizer-lhe isso mesmo e a convidá-lo para contar a história toda, sob a forma de um post, mas infelizmente o endereço 6feira@nullhotmail.com que ele fornece não existe; fica-me a esperança que ele leia este comentário e entre em contacto connosco.
    Cumps., AF

  27. 1º- A busca por uma origem judaica ou nobre tem o interesse que tem.Contudo quem encontra um antepassado de origem judaica é (ou uma parte de si e da sua familia é) de origem judaica. Quanto aos nobres a coisa é a mesma ( e se consultar um “livrinho chamado Nobiliário das Familias Portuguesas, chegará à conclusão que não há uma população composta por 99% de nobres mas talvez existam uns 8 ou 10% – dos quais talvez apenas uma minoria tenha consciencia desse quase irrelevante facto).
    2º- O António falou aqui em nobreza a titulo acessório mas quando errou no que dizia respeito ao Eça não deu o braço a torcer…E sinceramente até me admira que a Mª Filomena Mónica, que insiste em repetir sistemáticamente que chegou, talvez pelo casamento ou pelo doutoramento, ao “topo da piramide social” (seja lá o que isso for), não tenha referido as origens do Eça – mas isso é uma duvida minha porque nunca li os seus livros (da Mónica, entenda-se).
    3º – O seu texto tem interesse pela novidade que é, pelo menos para mim, a busca por antepassados judeus. Ao contrário do que diz no fim do seu texto, quando estamos a falar de e com gente séria os passados não se inventam: descobrem-se.

    Cumprimentos,
    M.

  28. O Sr. Figueira, eu e todos nós descendemos dos macacos, mas alguns são mais amacacados do que outros, já dizia o Camilo (que, por acaso, também era nobre e pelava-se por um títulozinho que lá lhe foi dado, a muito custo, depois de ele vociferar contra a monarquia e os outros nobres todos). As afirmações do Sr. Figueira, que logrei descobrir por acaso e só hoje comento, são afirmações de quem acha a genealogia um perfeito disparate e a necessidade de descobrir as raízes um dispêndio de neurónios. E de facto é, em certa medida. Mas porque quis ser mauzinho, daquele tipo de mauzinhos que vos caracteriza, aos 5, foi disparatar a torto e a direito, pensando que nos enchia de razão, mas não. 1.º a genealogia é absolutamente necessária. Se conhecesse os meandros da metodologia historiográfica, sociológica, antropológica, saberia que a genealogia não é hobby de vaidosos ou enfatuados, mas instrumento de trabalho utilíssimo. Lá por o sr. Figueira não querer saber se descende do macaco A ou do macaco B, há quem queira, até para poder saber que macacos saem do cruzamento entre A e B – os que nos leva, veja lá, à genética e à biologia. Em 2.º a nobreza ( a quem pertenciam, sim sr., e não adianta negá-lo, os escritores que acima foram citados) existe em qualquer regime, em qualquer época, em qualquer estado e forma. Veja o Bloco de Esquerda, o que é se não a créme de la créme da esquerda portuguesa? É uma elite de intelectuais no seu melhor, que se ergueu do monturo de uma cambada desordenada de arruaceiros! E os Ministros, secretários de estado ou dos partidos, os empresários, os ricos e os novos-ricos o que são eles se não uma nobreza? E os comendadores, os futebolistas, as loiras do Big brother e afins? Nobreza, meu caro sr. Figueira, a mais fina nobreza actual. Por isso, se quiser falar de nobreza, estude. Estude muito porque bem precisa.

Os comentários estão fechados.