O mundo inteiro em Lisboa

Errava eu uma destas noites por Lisboa em busca do velho deus whisky, na companhia de um grego bacano que conheci há muitos anos em Munique, quando ali ao pé de S. Bento senti o cheiro de um xacuti, evoquei a vista e o gosto de um xacuti, e nisto estava em frente de um xacuti e de um chardonnay duvidoso do novo mundo, sempre com o meu grego, num restaurante com uma televisão estridente em que passavam videoclips indianos, e vejo um videoclip indiano que o Ivan Nunes postou aqui há uns meses, e disse ao grego bacano, mas isto é um videoclip que o Ivan postou há uns meses no blogue em que eu também escrevo, e o grego disse, porra, foi um russo que te deu a conhecer um videoclip indiano?, vocês têm o mundo inteiro em Lisboa, e eu ri-me (também por causa do chardonnay) e disse-lhe, ele tem nome de Romanov mas é de cá, sulista e sportinguista tal qual eu, tal qualmente tu?, perguntou ele, exacto, redargui, sem cuidar mais da sua educação linguística, e acto contínuo consumámos o xacuti (um trânsito intenso de labaredas da boca aos abismos intestinais, enquanto as endomorfinas nos abriam os poros do cérebro e nós suávamos), pedimos bebincas (para o choque calórico) e bicas e depois saímos, de volta à casa de partida. Soube nessa noite que o Bolero, il vecchio Bolero, fechara há anos sem um queixume, andava eu lá fora a fazer pela vida.

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SEXTA | António Figueira
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