Welcome mr Gualter

Novo blog sobre transgénicos chega ao ciber-espaço. Pode ser avistado aqui. E o seu autor apresenta-se desta forma:

Gualter começou a ser conhecido pelas suas aparições na Rua Sésamo na década de 80. Mais tarde, com o apoio financeiro do poderoso lobby da agricultura biológica (que o jornalista Mário Crespo tão bem denunciou), pôde eliminar as suas feições azuladas e transformar os pêlos em barba. Com o auxílio dos Serviços Secretos russos, juntou alguns neurónios, primeiro para conduzir uma campanha contra os transgénicos no GAIA e na Plataforma Transgénicos Fora e, mais recentemente, para falar sobre os motivos do grandioso e inqualificável acto de desobediência civil do Movimento Verde Eufémia.

A nova eDireita-PP-laystation-FoieGras fez notar imediatamente nos seus iPosts que a intervenção neuronal não havia surtido o efeito desejado. De facto, o autor deste blogue (isto é, eu) continua a ser um pateta, idiota e, acima de tudo, um energúmeno, que deveria certamente começar a procurar outra fonte de rendimentos que não a sua bolsa de doutoramento, para a qual naturalmente não tem capacidades intelectuais suficientes. Por outro lado, ficou claro que o autor tem uma certa esquizofrenia política, tendo sido classificado nos diferentes meios de comunicação (blogues, jornais, mailing lists) como pertencendo quer à extrema-esquerda, quer a um ecologismo fascista, de extrema-direita portanto.

Como energúmeno não empata energúmeno, o autor irá focalizar a sua atenção sobre temas mais simples do dia-a-dia, onde se incluirão certamente debates sobre a engenharia genética na agricultura. Curiosamente, ainda nenhum dos mencionados companheiros da blogosfera adiantou qualquer das suas brilhantes teorias sobre o tema, apesar da sua prolífica fluência para discursar sobre os mais diversos assuntos…

* devo confessar a minha dificuldade em compreender como neoliberais acomodados podem intitular algum espaço seu como “Insurgente”

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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5 respostas a Welcome mr Gualter

  1. Mafalda diz:

    Obrigada por terem divulgado este blog que eu desconhecia. A luta contra os transgenicos é muito importante, mas nada fácil e é de louvar existirem pessoas como Gualter que lutam contra a corrente perante lobbys fortíssimos de gente execrável que só pensa em dinheiro e mais dinheiro, em poder e mais poder e não lhe importa minimamente a saude das populações. Ou já esqueceram as vacas loucas? Antes estes que agora defendem os transgenicos também diziam que farinhas de ossos eram inofensivas para a saude publica…ou só quando as pessoas começam a adoecer e morrer é que abrem os olhos? Vale mais prevenir que remediar, não esqueçam!

  2. Desconheço as razões que levaram ao que é aqui dito:

    http://www.atlantico-online.net/blogue/2007/08/29/ceifaram-no-do-programa/

    mas a imagem do bloco fica tanto ou mais chamuscada quanto a que pretensamente ficaria com a presença de Gualter Baptista no Socialismo 2007

  3. jj diz:

    “mr Gualter” trocou os pés pelas mãos no “inquérito” do Mário Crespo e que parece ter incomodado o BE (algum BE porque existem vários…) e quis fazer de parvo quem o ouvia, parecendo óbvio que mentia (objectivamente, como se deve dizer para não se difamar ninguém) com os dentes todos, até com os que eventualmente já não tenha.
    A tipos como “mr Gualter” a natureza faz com que lhes cresça o nariz, esperando que daqui a uns tempos esteja do tamanho de uma espiga adulta, ainda que transgénica.

  4. Carlos Fernandes diz:

    Bem, só dois comentários: primeiro, partidarizar esta questão, que é uma questão gravíssima e de saúde publica, é um erro grave que prejudica em primeiro lugar a população portuguesa e os potenciais e desprevenidos consumidores de alimentos trangénicos. Segundo, a violência tira a razão e descredibiliza qualquer causa, neste caso em apreço favorecendo o poderoso – e, muito provavelmente, corruptor -lobby químico-agrícola-farmaceutico.

  5. Seguindo um conselho que me é dado (a entender) pelo Gualter não vou falar de transgénicos porque não estou em vias de me doutorar sobre o assunto.
    Parece óbvio que a acção do movimento Verde Eufémia que levou à destruição de um hectare de milho transgénico é reprovável. Parece óbvio para quase toda a gente menos para o autor do blog inGENEa que, ao que parece, também foi um dos mentores da acção. Gualter, o autor do blg, justifica a sua acção como sendo uma acção situacionista em que foi criada uma situação, num determinado momento, para atingir um determinado fim (servir os construtores da acção). Clap, clap, clap: o menino sabe ler e conhece Guy Debord, Piero Simondo, Walter Olmo, etc. Muito bem.
    Para a Internacional Situacionista, que Gualter refere e, aparentemente segue, todos os meios são válidos para atingir os seus objectivos. Apesar disso a IS geralmente se pautou por intervenções (e por teorizações) de carácter mais artístico e mediático, o nosso Gualter optou pela violência como forma de acção.
    Depois de optar pela violência como forma de chamar a atenção (e de se debater) uma questão – num acto que Gualter julga pioneiro em Portugal – o nosso doutorando junta uma pitada de demagogia ao seu primeiro texto ao dar a entender que o agricultor em questão, que entretanto sofreu um principio de ataque cardíaco , não deve ser tratado como um pobre coitado porque tem 70 hectares de terreno “num país em que a dimensão média da propriedade é de aproximadamente 10 hectares”. A grande questão está em saber qual é a dimensão média da propriedade na região do agricultor em questão (e também a de saber como é que esta propriedade foi adquirida – se foi comprada, herdada, etc).
    O que Gualter e os seus conseguiram foi com uma acção violenta e destrutiva lançar um debate que, para a maioria das pessoas, foi sobre a acção em si e não sobre os transgénicos. Mas o que seria de esperar de alguém que mistura situacionismo com a Maria de Lurdes Pintassilgo?

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