A tentação do populismo

Ponto prévio: eu simpatizo com Manuel Villaverde Cabral. Primeiro, porque é um tipo simpático, cativante, intelectualmente estimulante e iconoclasta q.b. para nunca ser maçador. Depois, porque apesar das más companhias no defunto Clube da Esquerda Liberal, é alguém em quem se detecta uma simpatia genuína pela causa popular, que perpassa nitidamente pelo “Portugal na Alvorada do Século XX” – um livro formador que continua a ser preciso ler. Dito isto, eu acho que as escolhas políticas dele são sempre seguras, no sentido de que escolha que ele faça, eu quase por princípio não sigo. Há nele uma tentação de “adiantado mental” de arranjar soluções fora do quadro estabelecido que conduzem sempre a equívocos. A penúltima foi a sua aposta em Manuel Alegre – um candidato que sempre me pareceu um logro ambulante, mas que ele ainda agora classifica como um “líder socialista altamente convicto”. A última pode ser encontrada numa entrevista publicada no “Diário Económico” de hoje e consiste no apelo à constituição de um partido de inspiração presidencial, porque PSD e CDS não conseguem ser a alternativa que deviam. A ideia é um sempre a mesma: curto-circuitar os partidos e ir directamente aos “cidadãos”; só não consigo é encontrar-lhe qualquer espécie de vantagem.

PS O “Diário Económico” publicou ao longo do mês de Agosto uma série de entrevistas com um interesse desigual, necessariamente, mas que vale a pena consultar; uma das mais notáveis é a de Vasco Pulido Valente: é tão sensata que quase não tem graça.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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3 respostas a A tentação do populismo

  1. Boa tarde,
    Não podia estar mais de acordo com o seu comentário. O que é surpreendente é que pessoas bem informadas e com conhecimento não aprendam com o passado. Só em Portugal já tivemos, em democracia :
    – as Candidaturas de Otelo que se bem que com características distintas do que agora Vilaverde Cabral propõe, tinha na sua essência o messianismo e o populismo como motivos maiores;
    – a experiência Eanista com a criação do PRD. Muitos dos que embarcaram nesta experiência já ficaram escaldados.
    E depois não ´Villaverde Cabral um dos que apela à participação das pessoas e à sociedade civil ? Se é porque insiste nas experiências messiânicas.
    Vamos ver se o Messias em causa ( Cavaco ) resiste aos apelos que me parecem irem começar a surgir dos deserdados partidários.
    Haja paciência.
    Cumprimentos

  2. a.castro diz:

    António Figueira, desculpa “intrometer-me” já que o assunto que me “traz cá” nada tem a ver com o teu artigo. Tem sim a ver com a Fernanda Câncio. Por favor dá-lhe conta do meu post que acabei de publicar. O peixinho encarnado e já agora aproveito para pedir que a Fernanda comente, já que eu no “Cinco Dias” fiz vários comentários e acho que este é um caso especial. 🙂
    Obrigado e um abraço.

  3. Pingback: cinco dias » Uma entrevista

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