Opiniões sobre a acção da Eufémia Verde e os transgénicos

O Miguel Portas no seu blog Sem Muros colocou a seguinte opinião que me parece interessante, embora eu tenda para  uma opinião diferente, mas leia-se o que escreve o Miguel:

Está a dar que falar o primeiro acto de desobediência civil ecológica realizada em Portugal. Ainda bem e gostaria de declarar a minha simpatia com o gesto.
Distancio-me, assim, das respeitáveis opiniões da Quercus e da Almargem – ambas com trabalho mais que meritório – que criticaram o gesto, concordando embora com os seus objectivos. Tais posições reflectem, acima de tudo, uma cultura de prudência ante a desobediência civil que penso ser injustificada e tradicionalista. Eis o meu argumento:

Ler a continuação

Adenda: Ver também, segundo post , do Miguel, sobre o assunto.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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9 respostas a Opiniões sobre a acção da Eufémia Verde e os transgénicos

  1. Sexta-feira diz:

    “Interessante”? Só na medida em que algumas teses do Arroja também são interessantes.

    No meu tempo os ambientalistas iam numa lancha e colocavam-se na linha de tiro do barco baleeiro, para proteger o cetáceo. Agora temos meninos que vão destruir campos transgénicos e protegem a cara por causa do “pó transgénico”. Houve decréscimo de coragem, de inteligência, de informação e de eficácia, mas talvez tenhas razão, esse decréscimo acaba por pedir uma explicação e é, enfim, interessante.

  2. O Português de Macau diz:

    “Interessante”? Interessante será o acto que os mesmos rapazolas possam ter um ‘bel-dia’ no carro do Sr. Dr. Portas. Afinal o meio de transporte do Sr. Dr. também poderá um dia aguilhoar a temível Eufémia. Veremos se o Sr. Dr. mantêm o seu discurso tão purista e avançado.
    A desobediência civil é condenável, ainda mais quando tem o suporte das autoridades policiais que assistiram passivamente à destruição de propriedade privada por parte de um conjunto de jovens delinquentes, aos meus humildes olhos, e com valores duvidáveis.

  3. jpt diz:

    simpatizou com a situçao?
    gostava de ter milho trangenico , e que o Sr fosse destruilo numa propriedade minha…
    Era com enorme gosto que tranformaria um bando de terroristas
    num conjunto de gente com calças molhadas

  4. ANTONIO diz:

    Verdadeiro bando de terroristas á solta no Algarve, destruir a produção particular e porque não Nacional . Porque não mandar para o Campo Pequeno e largar os Touros do Ribatejo, gostaria de ver se os ditos puritanos faziam o mesmo aos animais, outra sugestão mandar todos vavar uma herdade no Alentejo para produção ecológica de milho , é uma opção ! grandes herois:::

  5. Estudabte para Primeiro Ministro diz:

    Estão sempre a sensurar-me neste blog!

  6. Tiago diz:

    O aparecimento deste tipo de jovens (também o sou, mas trabalho) que não fazem nada, vivem à custa dos pais e que se julgam possuídos por uma clarividência acima dos restantes…leva a que esta sociedade permita que destruam a vida de um simples trabalhador, gozem com ele, e isto tudo de cara tapada! Dêm a cara, lutem pelo que acreditam e trabalhem para termos um país e sociedade melhor! Isto não é nada…Que tristeza! Façam debates, manifs mas sem prejudicar a liberdade que o tal agricultor tem de trabalhar e viver! Assim só perdem apoiantes…eu por exemplo! E será que estes jovens sabem do que falam? Eu sou investigador e duvido muito do que estes grupos de intelectualóides que estão agora na moda saibam do que falam (pelo menos pelo que ouvi um deles dizer na televisão).

  7. Osvaldo Lucas diz:

    O saber não ocupa lugar!!
    Parecer conjunto do Conselho Nacional de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável / Conselho Económico e Social sobre OGM (2000)
    http://www.cnads.pt/docs/ParecerOGM%20Dezemb2000.pdf

  8. Anita diz:

    E mais uma vez os olhares focam-se em quem tenta fazer alguma coisa e o desgaste do planeta e da vida humana continua a toda a força!! É bem sensurarem estes jovens que deixaram a comodidade das suas casas arriscando-se para fazer alguma coisa e muito provavelmente não só por eles, mas pelas futuras gerações das familias de quem os sensura….Quem será que tem uma atitude pior?! O dinheiro compra muita coisa, mas certamente não um planeta novo, nem a saude humana….

  9. RJA diz:

    Aqui fica o meu enorme comentário. Que leia quem tiver a paciência…

    Como elevar o nível de discussão acerca dos Trangénicos e do Movimento Verde Eufémia? Já agora, como elevar o nível de discussão acerca de qualquer assunto?
    Talvez isso aconteça com a omissão de palavrões e de palavras mais fortes, e daí… talvez não. Talvez a melhor forma de elevar qualquer discussão seja o de realmente discutirmos o que está em causa – o que aconteceu, o seu significado e repercussões ao invés de nos limitarmos à mais ou menos escamoteada troca de acusações e ofensas. Talvez através da utilização do raciocínio, do bom senso e da lógica cheguemos a algum lado.

    Vejamos agora o que se passa na (nossa) realidade.

    A reacção da totalidade ou quase totalidade dos comentadores e outras pessoas com assento na comunicação social foi de histeria, de fúria contra… e aqui a definição do que se passou em Silves e dos seus actores toma porporções verdadeiramente bélicas, para não dizer incompreensíveis.

    Mas antes de mais vamos aos factos e ao que realmente está aqui em jogo:
    Não nos querendo alongar por demais, o que são os OGM (organismos genéticamente modificados) e o que representa o consumo dos mesmos pelos seres humanos:

    Experiências laboratoriais em seres-humanos.

    É tão simples quanto isto – altera-se o ADN de um alimento e dá-se como alimento a populações, que não só não estão informadas quanto à realidade dos OGM’s como se estivessem, muito provavelmente não aceitariam a introdução dos ditos (por mais reduzida que fosse) na sua dieta alimentar.
    Podemos argumentar que não estão provados quaisquer efeitos secundários por parte dos OGM’s, e que por isso eles podem ser utilizados na alimentação humana, mas não será isto não só inverter como perverter mesmo a ordem das coisas? Não será primeiro necessário provar a inocuidade dos OGM’s antes de os distribuir pelas pessoas? Não é isso que se faz com qualquer producto, com qualquer material, ou alimento que será consumido pelos humanos?

    Ora, o problema é muito simples. Há demasiado dinheiro em jogo e algumas corporações e um reduzido número de pessoas espera recebê-lo como lucro aquando da entrada nos mercados e comércio dos seus OGM’s. Essas pessoas e essas corporações são já tão poderosas que conseguem facilmente subverter alguns estados de forma a passar as suas leis sem que as pessoas nesses estados consigam tomar medidas de forma a estudar os efeitos das OGM’s.

    Mas nem sempre é assim.

    Em alguns países, como na Inglaterra, após massivos protestos por parte de activistas e população (por vezes bem mais violentos que o vilificado Movimento Verde Eufémia), os alimentos que foram genéticamente modificados passaram a estar devidamente identificados, e assim, de cada vez que se vai a um supermercado as pessoas podem escolher entre OGM’s e alimentos livres de OGM’s.

    No entanto…

    Isso não chega. Como os activistas (os monstruosos, os terríveis) bem sabem, os campos possuem que sementes genéticamente alteradas não são estanques nem estão isolados e a polinização entre campos é uma realidade, sendo por isso bastante dúbia a divisão entre o que é um OGM e o que não é.

    Os activistas encontram-se assim numa situação muito difícil, já que, incapazes de aceder aos meios de comunicação de massas, ao contrário dos governos e corporações, não conseguem informar o público dos verdadeiros problemas por detrás dos OGM’s (entre outros, muitos outros, que não só são minimizados e desprezados pela comunicação social, como também escarnecidos).

    Quando alguém me pergunta o que “nós” fazemos e porque é que nós não agimos de forma diferente, é sempre um prazer perguntar “como?”, e explicar que o fazemos, todos os dias, a toda a hora. (Nota: Faço aqui um parêntesis, explicando que não me considero um activista pelos direitos ambientais. O foco da minha luta é outro, mas apoio totalmente a acção de Silves)
    Chovem emails e cartas de informação aos jornais, rádios e televisões de cada vez que há uma acção ou que algo de importante aconteceu, no entanto, essa informação não chega ao grande público, que antes é bombardeado com programas de recreação e entertenimento.

    Portugal é exemplo máximo desses programas recreativos, com os seus telejornais de uma hora e um quarto (1h15, mais anúncios pelo meio!). Um exercício de pura desinformação de massas que, no caso da RTP é até financiado com o dinheiro dos contribuintes, aparentemente por ser um canal que presta um serviço público (vá-se lá saber qual).
    No entanto não é inteiramente correcto dizer que os meios de comunicação de massas nunca passam as “nossas” tentativas de informar o grande público – só que quando o fazem, fazem-no através de determinados filtros, filtros esses que são na verdade meios de desinformação brutal – que entre outras coisas, tentam separar os barulhentos/violentos/mal-cheirosos activistas – “Eles”, do resto da população – “Nós”. Trata-se de uma manobra de manipulação francamente conhecida que tem a beleza, a perfeição, de não necessitar da concordância de quem a emprega – faz parte do sistema, do modus operandi do sistema.
    Basta-nos seguir as fontes “oficiais”, fidedignas”,…

    Mais uma vez, com a avalanche diária e constante de informação, como é possível que não tenhamos informação acerca do que são os OGM’s, do que representa o grupo dos G8, o FMI, o Banco Mundial, o que são na verdade as Corporações?, cuja estructura e forma de funcionamento é bem mais despótica que a pior das ditaduras.

    Entretanto, enquanto esta cortina soft se desenrola perante a nossa vista(esta sim, verdadeiramente soft, ao contrário das acções do Verde Eufémia, que foram pensadas, preparadas e cujos efeitos podem ser bastante graves para os implicados), um verdadeiro sistema de fascismo social vai-se entranhando em todos nós, na nossa forma de ver e de agir perante o mundo e perante as outras pessoas.

    Este texto é um pouco longo mas, neste caso, a brevidade só ajuda a não compreender.

    Nós e os Outros:

    A melhor forma de destruir os argumentos de alguém perante uma audiência é ridicularizar essa pessoa – mais do que ridicularizar, separá-la do grupo, fazer com que o “todo que nos observa” se identifique connosco e jamais com a pessoa que escarnecemos.
    Assim, esse outro quase sempre toma uma série de formas que tradicionalmente são desprezadas ou menorizadas pela sociedade:
    O negro, o vestido de preto, o mascarado, o jovem, a criança, o drogado, o rasta, o dread, o intelectual (de merda ou não), o intelectualóide, a mulher, o ignorante, etc etc etc (o etcétera como citação do formoso texto de Pacheco Pereira na Visão. Mas já lá vamos…)
    Por outro lado, nós somos:
    O povo, os Portugueses, a Sociedade, a Nação, os bem-pensantes, os Homens de bem, simplesmente “nós”, etc.
    Enfim, a unidade representada pela ordem e pelo progresso, versus “os outros” representados pelo caos e pelo atraso.

    Esta forma de manipulação funciona bem se apelar aos instintos mais básicos e melhor ainda se for possível juntar alguma jocosidade aquando da análise das acções desses outros (vide mais abaixo análise à crítica dos Gato Fedorento) – Jocosidade que funciona como demonstradora de uma certa superioridade e distância perante algo que não merece a nossa consideração.

    Os Factos:

    -Um grupo de cerca de 100 pessoas (na acção), e que se intitula de Movimento Verde Eufémia, destruíu menos de 1 hectar de um total de 51. Fizeram-no porque esta plantação tinha sido feita recorrendo a OGM’s.
    -A acção foi anunciada à comunicação social, que estava presente.
    -O grupo em questão voluntariou-se perante o lavrador para pagar com o seu dinheiro e com o seu trabalho a replantação dos 51 hectares, o que este recusou.
    -Como resposta na sociedade, tivemos uma reacção de histeria que percorreu e ainda percorre os meios de comunicação de massa, bem como blogues e sites vários (embora aqui tenha havido maior diversidade nas opiniões)

    A desobediência Civíl

    Forma de resistência não violenta, que procura chegar a determinados objectivos através da não-cooperação ou mesmo acção contra um poder maior que o do indivíduo (normalmente o Estado). Esta é uma forma de luta que é compreendida na maior parte dos países democráticos, e a sua incompreensão aqui no nosso cantinho apenas demonstra a total ignorância do que seja uma verdadeira democracia ou o que possa representar o verdadeiro poder das pessoas.

    A acção que ocorreu em Silves tem um valor legal ínfimo, e ainda mais ínfimo se o compararmos à avalanche de reacções por parte das pessoas bem falantes da sociedade (a bem ver, os representantes do “nós” que acima observámos). Mas esta acção, para além de ter sido algo bem sucedida pois a mal ou a bem pôs as pessoas a falar e a questionar-se acerca dos OGM’s, levantou também uma série de dúvidas quanto ao verdadeiro espírito democrático dos portugueses, para quem uma sociedade democrática é aquela onde bastam as aparências e as palavras, uma sociedade perfeitamente estagnada, infeliz por se fazer representar por políticos não só corruptos como perfeitamente patéticos, mas também desinteressada em se fazer ouvir – em agir para que as coisas mudem.

    Ora, o que se passou foi uma acção. Coisa desprezada tanto à esquerda como à direita, partidos grupos e pessoas para quem toda a acção deve ter um líder, deve estar incluída nos trâmites legais devidos e deve estar dentro das normas dos bons costumes, e…

    Enfim, o Ser-se português no seu melhor.

    Uma brevíssima análise da histeria nacional:

    Comecemos pelo humor. Bom, na VISÃO de 23 de Agosto, Ricardo Araújo Pereira começa com citações dos Monthy Python com o título “I like to press transgenic flowers” (I like to press wild flowers, no original), e com Douglas Adams, com o “retrato da vida sexual dos cientistas” (vide Hichhiker’s Guide to the Galaxy, relativo à criação da “improbability drive”). Isto não retira qualquer qualidade à sua crónica e confesso que me ri com ela (a sério), no entanto não estamos aqui para analizar o seu sentido de humor, que o tem, mas a beleza com que com ele RAP nos desinforma.

    Ora vejamos algumas críticas que ele faz:
    Os activistas, quais terroristas taparam a cara. Pois, é perfeitamente compreensível, e ao contrário do que RAP diz, não é a tentativa de se parecerem com terroristas mas sim ocultar a sua identidade – “porquê?”, perguntam alguns, “mas eles deveriam é acatar as consequências!” vociferam outros. Ora, a coisa é bem simples: Viram, leram e ouviram as reacções da sociedade ao que eles fizeram? Ainda acham que eles deveriam ir de rosto descoberto?

    A juíza encarregue de julgar o “caso” dos 11 jovens que participaram no protesto do passado 25 de Abril, protesto, lembramos, onde 500 pessoas que protestavam pacificamente foram violentamente atacadas pela polícia, pois terão havido lançamento de cocktails molotov e de very-lights, arremesso de pedras contra montras, balões de tinta e pintura de graffitis (apenas os balões de tinta e graffitis se vieram a conprovar… dificil desculpa para uma carga policial contra 500 pessoas, mas enfim), como eu dizia, aquando da pergunta da dita juíza dirigida aos 11 jovens malfeitores: “mas vocês são anarquistas?”
    Pessoalmente, perante a mera hipótese de comparecer perante uma criatura de tal ignorância, que não só não sabe o que aconteceu naquele dia, como não sabe o que significa a liberdade de pensamento e a liberdade política (de opinião…), não só também me mascararia, como faria todos os possíveis para não ser identificado. Isto a parte legal, pois lembrem-se dos mimos que esse jovens não receberiam se genialmente fotografados, folha A4, por uma revista de grande saída…

    Voltando ao humorista, que não só explica humildemente a sua ignorância perante o que possam ser as OGM’s, (“acredito que os transgénicos façam mal), mas também arrogantemente indica que os activistas em questão não primam pela higiene, e que se quiserem convencê-lo devem comparecer perante ele de camisa lavada.

    Estas observações independentemente de se verificarem ou não (as da falta de higiene, digo) apresentam um problema bastante grave que atrás referimos – a da destruição da imagem do outro, a sua ridicularização e demonstração de que ele é realmente “o outro”, que não é como “nós” e que para além disso é risível – ou seja, que não pertence, nunca pertenceu nem nunca pertencerá “ao nosso tempo”.

    Em frente.

    A Direcção da Sábado, no dia 23 de Agosto mostrou a sua irritação, ignorância e desprezo pelo “outro” explicando que a comunicação social havia acatinhado de forma comovente os vândalos do Verde Eufémia como “activistas”.
    A Direcção da Sábado bate o pé contra a restante comunicação social, e apresentando um diferente ponto de vista. Ou será mesmo?
    Ora, o que fizeram, (como já pudemos perceber pelo discurso inicial) foi exactamente o mesmo que todos os outros.
    Chamam aos activistas “criminosos”, “aspirantes a Che Guevara”, possuidores da “verdade do seu lado”. Ou seja, ele mais não faz do que achincalhar com uma fúria implacável os activistas (para ele, “com aspas”). Essa fúria é visível em todo o texto.

    Tal como a quase totalidade dos frenéticos e irritados comentadores da nossa praça, o Director (ou “A Direcção”) liga a acção do Verde Eufémia ao Bloco de Esquerda.

    Ora, isto parte de um engano muito simples. A maior parte destes geniais escritores vêem de um tempo onde este tipo de acções (ou qualquer outra que envolvesse, enfim… acção) eram planeadas pelos partidos de esquerda. Planeadas, levadas a cabo, autorizadas, defendidas, etc etc etc.

    Esta absoluta incompreensão do que são os movimentos altermundistas, do que é o activismo de hoje, faz com que estas pessoas, elas sim detentoras da verdade, (que não só a detêm como querem o seu monopólio) sejam incapazes de compreender o que se passa, recorrendo imediatamente à vilificação e à ridicularização de todo o tipo de coisas que lhes escapem. Esta acção é apenas mais um exemplo.

    “Quando todos têm a certeza acerca de determinado assunto é o momento apropriado para duvidares”

    Em frente

    José Pacheco Pereira, como sempre, aparece como alguém que não só sabe do que fala como só fala do que sabe. Já alguém lhe deverá ter explicado que esse é também ele um truque de oratória e, enfim, de manipulação, mas ele – nada.

    Nesse mesmo número da SÁBADO, ele compara o ecoterrorismo soft ao hard. Deus o guarde de alguma vez definir com exactidão o que é isso de “Terrorismo” e muito menos de partilhar connosco, comuns mortais.
    Explica também a todos os ignaros que o lêem o que é isto de Organismos Geneticamente Modificados – tratam-se apenas de organismos “modificados para resistir às pragas”. Só isso! Genial… portanto está tudo explicado. Os Sprays da Raid apenas matam as melgas, só isso! Para quê estudar o efeito de estufa? Para quê escutar os chatos dos activistas?

    Em frente. Para responder aos seus acessos de Salazarismo… uh, light? Apenas o remeto ao belíssimo artigo de Boaventura Sousa Santos na VISÃO de 30 de Agosto. Pode consultá-lo em:

    http://www.ces.uc.pt/opiniao/bss/190pt.php

    JPP explica contra o que lutam estes movimentos altermundistas. Faz mesmo uma lista… não explica é o porquê dessas lutas, provavelmente por achar que “nós”, os alterterroristas (se a moda pegar quero direitos de autor), já temos visibilidade suficiente e assim escusa de colaborar com as nossas vis causas. Para além disso escusa-se de comentar a favor do quê é que “nós”, alterterroristas, lutamos. Infelicidade dele que, para além de desinformar nestes últimos dois textos (refiro-me também ao de 30 de Agosto), fá-lo de uma forma literáriamente inferior ao que nos tem habituado. Pressa? Irritação?

    Tal como a Direcção da SÁBADO, JPP liga estes movimentos de altermundismo com a esquerda ou pelo menos como filhos de uma tal de esquerda. Tal como a direcção da SÁBADO, JPP peca, tanto por ignorância como por falta de vontade em se desapegar de um passado já não tão próximo quanto isso.

    JPP fala de meias verdades, de mitos, de ignorância, de misticismo, de estudantes e proto-estudantes, de radicalismo (novamente o remeto a Boaventura Sousa Santos), etc, etc, etc.
    A única coisa que ele não faz é informar, explicar o que se passa realmente, o que são na verdade esses movimentos, o que está por detrás deles, o que pretendem. Tudo serve apenas como desculpa para mandar abaixo, ridicularizar, demonizar, …

    Mas não é este o texto indicado para falar desses movimentos. Para quem o queira fazer há informação na net, muita variada e, ao contrário dos nossos divinos comentadores, nós – “os activistas”, não temos medo de que essa informação chegue aos olhos e ouvidos das pessoas.

    Espero que este texto sirva como reflecção de algo que (para mim) é muito mais grave do que a entrada dos transgénicos em Portugal – o clima de fascismo social que mais do que aceitável, passou a ser norma. E que quem quiser que se informe, que eu também.

    Que venham muitos mais “Verdes Eufémias” e outras acções de forma a tirar a sociedade do marasmo em que vive há muito.

    Saudações,

    RJA

    PS: Para achincalhanços e comentários afins:

    rikardoalves@nullgmail.com

    Obrigado

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