Das vacas loucas ao milho marado

Parece que a Organização Mundial de Saúde, que durante anos catalogou a homossexualidade como doença, considera que os alimentos trangénicos não fazem mal à saúde. Certamente, a douta organização, também achava que as rações com carcaças de animais que ajudaram a criar o prião da doença das vacas loucas eram muito saudáveis.

Em matéria de alterações genéticas, e outras que impliquem consequências profundas na vida do planeta, as autoridades deviam fazer valer o princípio da precaução. Este tipo de transformação da vida na terra têm consequências difíceis de medir em poucos anos. O risco de transformações ireversíveis é muito grande, a importância do que está em causa não se coaduna com raciocínios de curto prazo. Os negociantes dos transgénicos põem em causa a nossa vida ao manipularem a vida como aprendizes de feiticeiros sem terem muitas certezas daquilo que fazem, para além do lucro imediato. A lei deve defender interesses maiores do que a ganância de uns poucos.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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44 respostas a Das vacas loucas ao milho marado

  1. jpt diz:

    Boa noite acabei de plantar algum milho trangenico
    A quem desejar destruilo e com gosto indico o local onde esta
    assim que me solicitarem…
    presiso de dar uso a espingarda ….

  2. Fernanda Câncio diz:

    tudo isso faz sentido, nuno. mas a questão levantada pela acção eufémia não é exactamente essa, pois não? a questão é se admitimos acções violentas num estado de direito democrático. é que se admitimos que um grupo de gente entre por uma propriedade privada adentro para destruir uma plantação legal, não sei com que legitimidade nos insurgiremos amanhã se um grupo de fundamentalistas anti-escolha deitar fogo a uma clínica privada de interrupção da gravidez. ou, já agora, por que carga de água havemos de considerar ilegítima a posição de alberto joão (a de há umas semanas, bem entendido) em relação à aplicação da lei do aborto. as regras são as mesmas — têm de ser as mesmas — para todos. não pode haver nestas matérias qualquer tipo de relativismo.

  3. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Fernanda,
    O post não era sobre a acção dos ambientalistas que me parece, aliás, errada no alvo. Se a plantação fosse da Monsanto, confesso que não teria tantos pruridos. Mas, ao contrário de ti, em matérias ambientais, eu acho que quando as leis são injustas há lugar para a desobediência e até para alguma acção, a exemplo do que faz a Greenpeace e outras organizações. Estou aliás convencido que se o assunto fosse a liberdade em termos sexuais, e os activistas as women on waves, tu estarias muito mais sensível à acção.

  4. veliberalino diz:

    Este post insere-se na linha do que o meu barbeiro e também a mulherzinha da limpeza têm dito sobre este assunto.
    Pessoas sábias, está claro!

  5. jj diz:

    Simpatizo com causas ecológicas e com causas “fracturantes”.
    Mas não aceito a selvajaria e estou com o “jpt” pelo que também não teria nenhum problema em dar uso à “espingarda”.
    Acho também muito adequado o comentário da FC.
    Já Nuno Ramos de Almeida, quando comenta que «…eu acho que quando as leis são injustas há lugar para a desobediência…» continua com o disparate da lógica do post que escreveu, porque existem muitas formas de “desobediência” sem necessariamente se ser selvagem.

  6. Fernanda Câncio diz:

    caro nuno, a women on waves não se propôs destruir propriedade privada. nem sequer infringir as leis do país — apenas desafiá-las. há uma diferença, e não é despicienda. como existe diferença entre desobediência civil, acção directa e acção violenta. além disso, estás a partir de um princípio completamente errado — o de que eu sou muito mais sensível à liberdade’ em termos sexuais’ que às questões ambientais. estás enganado.

    mais: defendo e apoio muitas das acções do green peace, ou de outros activistas ambientalistas. mas acho — e não poderás deixar de achar também — que há uma diferença fundamental entre tentar impedir um navio baleeiro de matar uma baleia ou caçadores de focas de as espancar até à morte ou uma descarga de lixo tóxico no mar e entrar por um campo privado adentro a dar cabo de uma colheita.

    claro que o problema fundamental no que dizes está na expressão ‘acho que quando as leis são injustas’. é esse o nó da questão. que remete para o meu comentário inicial.

  7. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Estou aliás de acordo consigo. Este é um assunto que interessa ao seu barbeiro e à “mulherzinha” da limpeza. Aliás, quando as vacas enlouquecem, as centrais nucleares têm fugas, e outros desastres acontecem, os especialistas que afiançaram a segurança têm normalmente a sorte de não estar nas redondezas e quem se costuma lixar são os não especialistas, como a sopeira. Mas Veliberalino, mande sempre estes posts inteligentes e se um dia quiser discutir a questão a nível superior à do taxista, lembre-se que a contestação a determinadas “conquistas” de uma ciência amestrada pelos grandes grupos tem bibliografia para muitas páginas.

  8. jj diz:

    Mais… a analogia entre a “causa” da homossexualidade e a transgénicofobia dos “selvagens” que destruíram a plantação não me parece muito feliz como pressuposto da argumentação de Nuno Ramos de Almeida, ao contrário do que lhe é habitual no que escreve.

  9. João diz:

    Com que critério entram na nossa alimentação estes produtos?
    Quem estudou estes alimentos?

    Quem autoriza a sua plantação.

    Posso concordar com o raciccíonio da FC… Mas no limite, em questões ecológicas ou outras, acções de “arranca milho” podem justificar-se.

  10. Ana Matos Pires diz:

    Ups… enganei-me no post que queria comentar, sorry.

    Vou fazer copy past para aqui e peço-vos que apaguem o comentário do post anterior. Obrigada.

  11. Ana Matos Pires diz:

    Já não consigo apanhá-lo (ao comentário, claro).

    Concordo contigo, Fernanda, não podemos ter diferentes bitolas.

  12. Fernanda Câncio diz:

    desculpa, ana, apaguei-o antes de tempo. mil perdões, achei que já o tinhas copiado.

  13. jj diz:

    «Miguel Portas refere que «simpatiz[a] com movimentos que sejam capazes de fazer saltar para o debate público os ‘pontos negros’ da nossa civilização». Parte todavia de um equívoco: o acto de vandalismo da «recentemente criada» associação ambientalista Verde Eufémia não fez saltar para o debate público se se deve ou não autorizar a plantação de organismos geneticamente modificados (OGM) em Portugal.
    O que se discute, quanto muito, é a admissibilidade de actos de vandalismo em nome de causas ecológicas. Dito de outra maneira, o que saltou para o debate público foram os meios utilizados e não os fins, i.e. o debate sobre a plantação de OGM. Parece-me que isto, por si só, já era uma razão suficientemente relevante para Miguel Portas repensar estratégias.»

  14. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Primeiro, nunca defendi a acção dos activistas da Verde Eufémia. Segundo, a plantação de transgénicos é um assunto grave, que na minha opinião devia ser sujeita a uma moratória. E é isso que eu discuto. A lei que permite é injusta e deve ser combatida. Se for o caso, acho uma matéria suficientemente grave, para levar a recorrer à desobediência civil.
    Peço desculpa, à Fernanda, não achar que a propriedade privada é a mãe de todas as liberdades. Como disse, se a propriedade fosse da Monsanto, não me repugnaria uma acção contra uma plantação. Como é de um agricultor proprietário de 77 hectares e dono de parte de uma aldeia, parece-me excessivo e contra-producente na opinião pública a destruição do campo de milho transgénico.

  15. Fernanda Câncio diz:

    ó nuno. essa da propriedade privada ser a mãe de todas as liberdades leste exactamente em que parte do que eu escrevi? mas, já agora que colocaste a questão nesses termos, talvez seja interessante dizeres então qual é para ti a mãe de todas as liberdades. e a mãe de todas as legitimidades, já agora.

  16. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Ó Fernanda,

    É muita mãe para a liberdade e a legitimidade. Acredito mais que elas sejam órfãs. Agora a propriedade privada não faz parte nem das primas em terceiro grau…e o ambiente está pelo menos nos irmãos. Vou de férias.

    Bjs

  17. António Figueira diz:

    Este gajo vai de férias EXACTAMENTE às 00h00 de dia 20; como é que foi, tocou o sino, ouviu-se uma sirene, deram um tiro para o ar?…

  18. Fernanda Câncio diz:

    é assim, antónio. agora que a conversa estava boa e a chegar à grande família da liberdade, o gajo deixa-nos aqui sozinhos, a f e o f, logo quando o arroja anda a descobrir paneleiragem nos pais do capitalismo. ainda se vai descobrir que quem defende a propriedade privada é do lobby gay, ou assim — e que portanto corremos o risco de assistir a uma batalha campal entre os eufémios e a gayzada capitalista, com os cilícios aos pinotes pelo meio a cheirar transgénicos, sem saber para onde se virar. enfim, faremos o nosso melhor.

  19. jpt diz:

    Pedidos:
    Joao pelo que parece nao tem resposta as suas perguntas
    pelo que indago? para que concordar em destruir uma colheita nestas condiçoes se nao sabe do que se trata.
    Ja agora com que criterio entra o petroleo da sua viatura na nossa saude, quem estudou?

    Ao Dr Nuno Ramos Almeida
    Nao leve a mal e uma figura de estilo
    Mas imagine que por desobdiencia civil eu o atropelo por nao concordar com o limite de velocidade nas estradas?
    seria aceitavel contar com a passividade das autoridades?
    como aconteceu no algarve
    Ja agora nao podia estar mais de acordo com a Dra F,Cancio

  20. Nuno Ramos de Almeida diz:

    JPT,
    Desculpe-me mas nem eu sou Dr nem o seu exemplo é relevante. Eu nem sequer defendi a acção da Verde Eufémia, mas não consta que tenham atropelado ninguém. Como bloquear o transporte de resíduos perigosos ou a destruição de uma floresta não significa assassinar os trabalhadores dos caminhos de ferro ou massacrar os lenhadores.

  21. Fernanda Câncio diz:

    olha, voltasteS. boas férias, então, com muitas acções directas. bjs

  22. Ana Matos Pires diz:

    Como o Nuno ainda não foi de férias, vou tentar reproduzir o comentário.

    Nuno,
    Discordo em absoluto de si (e do Miguel Portas também). E o comentário relativo à OMS… está mesmo a pedir que lhe arremessem com a posição da referida organização face ao aborto, à inseminação artificial ou ao uso das células estaminais, por exemplo. Concordo com o Daniel Oliveira quando ele diz que a luta começou pelo elo mais fraco, e isso não só não é razoável nem justo, como me parece profundamente cobarde.

    Bom, e a história dos ecologistas que vandalizaram o campo de milho terem a cara tapada para se protegerem dos pózinhos… pa môr da santa! Tinha sido bem melhor assumir que era para o “boneco” mediático , coisa que compreenderia e com a qual concordaria.

    Ps1: Apesar de um pouco ao lado, não resisto a deixar uma pergunta relacionada com o tema: quando é que os senhores jornalistas começam a ter algum cuidado na escrita relativa às questões médicas? Ao contrário do que li hoje no DN, o proprietário do campo de milho não teve um “princípio de enfarte, e não teve porque NÃO há cá princípio disto ou daquilo, ou há enfarte, ou não há enfarte, ponto.

    Muito provavelmente, a situação de tensão emocional que estava a viver funcionou como factor desencadeante de uma crise ansiosa aguda, no contexto da qual o senhor referiu uma pré-cordialgia e falta de ar (dispneia), por exemplo. Faço notar que, se a dor é muito desconfortável, deve recorrer-se à urgência, onde será feito o diagnóstico diferencial com Enfarte do Miocárdio.

    Desculpem a “medicalização”, não a entendam como pretensiosismo, mas estas cenas irritam-me.

    Ps2: Boas férias, Nuno.

  23. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Olá Ana Matos Pires,
    Dois esclarecimentos:
    1- Estou de facto de férias.
    2- Acho que a Ana comete um pequeno equívoco e aparentemente não entendeu a minha posição. Tenho a estranha convicção que concordou com os textos da Fernanda sobre os meus posts , sem ter lido o que eu escrevi. Eu disse no primeiro post sobre a questão que não concordava com a posição do Miguel Portas e esclareci em comentário que o meus segundo post não era sobre a acção, com a qual não concordava, mas sobre os trangénicos.
    A única coisa que eu disse sobre métodos de luta é que admitia resistência civil e acções contra campos de multinacionais e que achava que a lei não devia nem podia permitir o cultivo de transgénicos. Como vê, a minha posição apróxima-se bastante da teoria do elo mais fraco do Daniel.
    Infelizmente, tenho a sensação que me acusam de participar numa acção que não concordo, tudo porque insisto em também querer discutir a questãos dos transgénicos e não tentar santifica-los dado o ataque à propriedade de um agricultor.

    Obrigado pelos amáveis votos de boas férias e até um dia destes.

  24. Ana Matos Pires diz:

    Olá Nuno Ramos de Almeida,
    Só dois apontamentos, que a hora vai alta:

    1. Como li o seu post “Até Setembro…” depreendi, provavelmente mal, que fosse sair de cena (blogosférica), daí ter dito “como o Nuno ainda não foi…”. Boa continuação de férias, então.

    2. E agora é que vai haver aqui uma grande bernarda. Essa do Nuno colocar a hipótese de eu tecer comentários sem ter lido o(s) seu(s) post(s) (ou o que quer que seja que eu comente) pôs-me tipo milho marado! Olhe que é mesmo uma convicção sua e, para mim, estranha.

    Eu sei que não partilha (apenas acha interessante) da opinião do Miguel Portas, li o seu anterior post. Nenhum de nós concorda, portanto, pelo menos com o primeiro post do Miguel. Mas também não me parece que a sua posição seja completamente sobreponível à do Daniel, http://arrastao.weblog.com.pt/arquivo/2007/08/o_elo_mais_fraco
    ainda que entenda a que se refere quando diz que ela se “aproxima da teoria do elo mais fraco do Daniel”. De qualquer modo, o que deu origem à actual discussão foi o acto da Eufémia Verde, perante o qual tenho uma posição francamente mais crítica que o Nuno, parece-me.

    Para além disso, mantenho o que disse relativamente ao seu parágrafo sobre a OMS. Não santifico os transgénicos, mas não tenho uma posição tão “conservadora”, para usar um termo seu, como o Nuno, ainda que concorde consigo quando “insiste em querer discutir a questão”.

    Renovo os votos de boa continuação de férias e até um destes dias.

  25. Lidador diz:

    Sejamos claros… os OGM são apenas mais um pretexto para declamar o ódio à civilização “capitalista” e aos EUA, vistos como a mais maléfica incarnação do mal.
    Pretexto tanto mais remunerador, quanto o sector é liderado pelos EUA, o Grande Satã.
    É mais ou menos como a questão climática e o CO2.
    Há imensas coisas terrivelmente mortíferas, como por exemplo os carros, ou a fome, mas tais temas só dão gás à indústria da indignação quando, de algum modo, é possível associar-lhe a culpa do Satã de serviço.

    Não há literalmente nenhuma prova de que os OGM “façam mal”, ao contrário da fome e do tráfego automóvel.
    A sua malignidade, tanto quanto se sabe, é um mito urbano embrulhado em pseudociência e espalhado pelos habituais “progressistas ” de barriga cheia, para atacar as “multinacionais”, e os “capitalistas”, enfim, o clássico rol de diabretes.
    Aron, com a sua habitual clarividência, viu isto há muito tempo.
    Na falta de modelos a propor, este tipo de assuntos permite aos filhos de Rousseau atacar a civilização industrial…o Ocidente… o capitalismo.
    Não falo nos idiotas úteis que executam as acções que esses, coitados, são apenas um rebanho acéfalo de imbecis tocados à vara. Merecem a nossa pena por a natureza não ter sido generosa para com eles.
    Mas os Portas, os Louçãs, os Boaventuras e todos os pregadores que estão por trás, enfim, os esquerdistas alimentados pelo ódio ao capitalismo, e formatados em visões paranóicas e maniqueístas da História, são outra loiça.
    Esta gente odeia a civilização industrial da qual depende porque, na sua opinião, aliena o homem da natureza e esta “civilização capitalista”, é intrínsecamente má.
    No fundo o problema é filosófico e psicológico.
    Em termos psicológicos, é facilmente identificável um complexo de Édipo…a “Mãe Natureza”, vítima do “Pai” (civilização industrial/ocidental), contra o qual se vira o filho protector (os “progressistas” e os outros idiotas úteis)). A ideia é matar o Pai e amar livremente a Natureza, alcançando a utópica felicidade eterna, sem bem que incestuosa.

    Estes imbecis estão impregnados até à medula deste tipo de pensamento.
    Como todos os utópicos em missão, os imbecis acham que o problema que descrevem é o mais importante do mundo e que as pessoas têm de ser educadas/forçadas a ver o perigo da maneira que eles o imaginam, e se juntem à batalha, não se esquecendo de sugerir que quem discorde da sua visão só pode ser gente de má-fé, ou ignorante, apostada em continuar a agredir a Mãe Natureza.
    Este tipo de pensamento acompanha o pessimismo tecnológico e político de Heidegger, o filósofo mais ligado ao nazismo e reivindica (como não?) um novo paradigma civilizacional pela reformulação da organização política em torno do “problema”, além da, sempre exigida educação do pensamento dos homens .
    Como é normal, estes “progressistas” vêem-se a si mesmos como membros de uma elite informada ( “O agricultor não está informado”- garantiu um dos idiotas úteis do milheiral; é necessária a ” formação de uma corrente de opinião maioritária”-sentencia M. Portas)
    “especialistas” da ecologia, detentores e supremos intérpretes da Verdade Revelada da Mãe-Terra, sumo-sacerdotes do saber ecológico, aptos a orientar a acção dos ignorantes (todos os outros) , se necessário à força.
    Miguel Portas, subitamente convertido ao maquiavelismo dos fins, garante que a força é condenável, mas compreensível, face ao objectivo maior que se pretende.
    É claro!

    Tal como Heiddeger, os imbecis são pessimistas mas utópicos. Vê um problema e uma oportunidade.
    A oportunidade de nos salvarmos, submetendo-nos à autoridade da sua visão de modo que as nossas consciências possam ser mudadas.
    A “solução” exige óbviamente homens novos, reeducados nas certezas da vanguarda revolucionária, como todas as ideologias utópicas, e uma nova organização política e social.
    Qual?
    Eles não sabem…só sabem que é outra, que não esta!
    Onde é que já ouvimos este tipo de receitas?
    No fundo, quem aspira a orientar a humanidade no caminho do “bem”, não pode conceber soluções meramente tecnológicas, lá onde acha que só “revolução” e a mudança de mentalidades são as soluções puras e éticas.
    Face à praxis e à pregação dos novos aiatolas, tão bovinamente ecoada por uma comunicação social deslumbrada e ignorante, até o Comandante Bengala, em vez de fazer aquilo para que lhe pagam, se arvora em ideólogo e se entusiasma numa versão pós-moderna da aliança Povo-MFA.

  26. samuel mor diz:

    Bom mas esta questão terá que ser discutida com visões medievais de propriedade ou democráticas – já que apelam à característica do estado – de direitos?
    A manipulação num dado local (privado, consideremos) de um experiencismo, de valor incerto, com uma série de consequências para os demais que por ele não optam, sofrendo não obstante as suas consequências, não terá legitimado formas invasivas de protesto – como invasivas são as consequências das experiências em propriedade privada? E não será a comparação com opções como a IVG em que, quem dela faz uso, se opta (invade-se a si no plano das consequências vitais, dissociadas as morais) podendo, quem em termos éticos ou noutro qualquer plano não acordar com esta prerrogativa agir em conformidade na onda de ‘amigo não empata amigo’ como há quem goste de dizer.
    Todavia, no caso do milho, de cabeça descoberta ou ‘encapuçado’, do lado de cá ou de lá dos muros privados, não é de valorar a dimensão tão extra muro (afectando mundos tão mais globais) da experiência dos transgénicos? Quase em férias.

  27. RAF diz:

    O NRA não dá a menor hipótese à Inspecção-Geral de Trabalho, decretando o início das férias à O horas do dia 20 de Agosto.

    O problema das acções radicais como a de Silves é que, ao contrário do que é a convicção de alguns, retiram legitimidade ao motivo que seria hipoteticamente válido. O mais ridiculo é que a manipulação do milho em Silves era quase inofensiva, ao contrário doutras formas de cultivo, mais agressivas.

  28. Ezequiel diz:

    Caro Lidador

    Existem inúmeros estudos fidedignos que demonstram a malignidade dos transgénicos.( Panorama, BBC)
    Eu adoro os EUA e nem por isso deixo de criticar a presente administração (e outras) e a sua “política” ambiental (e outras). Elementar.

    “A lei deve defender interesses maiores do que a ganância de uns poucos.”

    E não é preciso ser-se de esquerda para se defender este principio elegante do Nuno. A lei deve defender uma concepção *substantiva* do “bem comum”.

    cumps

  29. joséjosé diz:

    Desta vez foi o Nuno a encontrar o caminho certo. A Fernanda e a Ana ( com pena minha) têm que voltar ao cruzamento…
    Quanto ao Lidador pode contar comigo para ser seu imbecil.
    Parabéns Ezequiel.

  30. Lidador diz:

    Caro Ezequiel, agradeço que:

    1-Me dê a referência dos “estudos fidedignos”. Como decerto compreende, só se podem aceitar como tais, estudos publicados em revistas com “peer review”.
    2-Me explique em concreto o que é o “bem comum”, e onde tal entidade está registada.
    3-Caso exista, onde está definido que o “bem comum” é aquilo que o Ezequiel e os idiotas úteis eufémicos entendem como tal e não, por exemplo, aquilo que eu acho.
    4-Porque razão nessa “substantiva” abstração, não está incluido o bem comum do agricultor ou o das pessoas que gostariam de varrer os idiotas úteis à bengalada.
    5-Se estou substantivamente justificado, caso entenda que o “bem comum” passa por umas arrochadas no lombo dos patetas que acreditam ter na barriga o “bem comum”.
    5-

  31. p.porto diz:

    Sobre a malignidade/benignidade dos trangénicos, fica a nota de que a variedade cultivada está autorizada pelo Ministério da Agrículutura.

    Sobre esta parte do assunto outros já emitiram opinião, está tudo mais ou menos dito.

    Agora, coisas que ainda não foram ditas aqui:

    -A manifestação foi literalmente escoltada pela GNR e os manifestantes protegidos por ela. Os eufémicos não tiveram coragem de ir até à plantação sozinhos, pois muitos se arriscariam a vir de lá com um sacho enfiado na cabeça. Assim, aqueles valentes foram até ao milheiral e causaram prejuízos por avaliar SOB A PROTEÇÃO DA AUTORIDADE.

    -A GNR identifica apenas 6 eufémicos. Dizem que não identificam mais porque alguns eram estrangeiros. Fez-me lembrar eu quando foi a Cuba. Como turista pude fazer tudo o que quis, que a polícia nada fazia para só para “agradar al turista”; valeu andar em contra-mão, pisar traços contínuos, estacionar em locais proibidos, valeu tudo. Já um taxista cubano, legal ou ilegal, não arriscaria nem um décimo do que eu fiz. Estamos a caminho do Socialismo? O certo é que ao Sócrates não lhe faltam tiques de ditador.

    – A manifestação estava autorizada pelo Governo Civil de Faro; no nosso sistema administrativo, os Governos Civis são uma espécie de sucursal dos partidos no poder.

    Uma afirmação: o Governo financia este tipo de grupos para-selváticos; uma pergunta: e estes eufémicos, também são financiados pelo Sócrates?

  32. Não vou dar aqui a minha opinião. Tenho escrito profusamente sobre o assunto com algum conhecimento de causa aqui http://alembojador.blogspot.com/ e amanhã continuarei.
    Não deixo de me alegrar que no meio de tanta gente ensandecida na blogosfera, haja uma ou outra voz lúcida e ponderada que reflicta sobre este assunto. Sem extremismos, apenas com o discernimento e distanciamento que estas questões merecem.

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  34. LR diz:

    Interessante, P. Porto. A minha experiência automobilística em Havana não foi nada assim: sempre que queria estacionar em local flagrantemente proibido, lá aparecia o gendarme da ordem a importunar-me…
    Terá visitado a ilha ainda nos dias do Batista?

  35. nelson anjos diz:

    Estou totalmente de acordo com o post: com a ideia e com a forma. O que me torna em mais um exemplar da mais profunda casta de bárbaros, débeis mentais e acéfalos, imbecis da última fila – ou da primeira, depende da perspectiva – que vai ao extremo de por até em causa, imagine-se, o próprio estado de direito. E tudo isto com a agravante de ser feito em nome de uma causa menor: a preocupação de salvaguardar a possibilidade da continuação da vida no planeta Terra.

    Quero proclamar desde já a minha candidatura ao prémio Nobel da imbecilidade.

    Na minha opinião a generalidade dos comentários parece-me ter-se enredado em torno de questões secundárias. Dou de barato que eventualmente a “manif do milho” não tenha sido conduzida da melhor forma. Contudo, para mim, a questão fundamental que foi colocada mais uma vez, e se-lo-á cada vez mais – até eventualmente ao ponto de existirem espingardas de um lado e de outro – independentemente do pretexto próximo ser o milho transgénico ou qualquer outro ícon da agressão continuada da praga humana sobre o meio ambiente, é a de saber se o modelo da civilização dominante, que tem assentado na possibilidade da solução dos problemas criados por cada camada tecnológica através da sobreposição de uma nova camada, pode assegurar, ou não, indefinidamente a reprodução do mesmo ciclo. A crença – ou o comportamento como se a crença fosse essa – é que sim. Que a Toda-Poderosa-Tecnologia, regulada pela graça do Espírito Santo – o Mercado – assegurará a vida eterna no Paraíso do Sagrado Neo-Liberalismo.

    Eu perfilo-me do lado dos que não acreditam em tal Boa-Nova. E que portanto esta felicidade da abastança, que tem sido possível para uma minoria à custa do sacrifício da maioria, não passa de um breve e obsceno acidente de percurso e terá que evoluir para outras formas de felicidade. Que terão necessariamente de colocar profundamente em causa os valores do quadro civilizacional actual. (Recomendo, sobre o assunto, a “Breve História do Progresso, de Ronald Wright)

    Cumps.

  36. Luís C. diz:

    Haverá assim uma necessidade tão urgente de avançar para o cultivo de transgénicos em Portugal? Será pela escassez de milho? Pela necessidade urgente do biodisel? Já agora, porque não discutimos também a questão do nuclear? O que pensarão os agricultores (não só os grandes e os jovens) dos concelhos vizinhos que poderão ver as suas plantações afectadas? Parece-me uma causa maior a questão da desobediência civil face à incerteza dos efeitos do que o interesse “apoiado” de um privado.

  37. Lidador diz:

    O Nelson Anjos reclama-se herdeiro de Heidegger (embora provavelmente não saiba quem seja) e candidato a salvador da mãe-terra.

    Pode fazer mais do que falar.
    Uma vez que exala CO2, liberta resíduos agressores, usa roupa feita de fibras têxteis produzidas sabe-se lá onde, gasta electricidade produzida com combustíveis fósseis, anda em transportes tecnológicos, movidos sabe-se lá com que recusos da Mãe-Natureza, etc,etc, a sua mera existência é uma agressão continuada ao ambiente.
    Faz, como muito bem disse, parte da “praga humana”.
    E, uma vez que acaba de se reclamar “imbecil” (o novo não é que haja imbecis…sempre os houve. O novo é que eles se orgulhem de o serem e proclamem em altos berros o seu handicap), não se vê que mais valia poderá dar à causa da Mãe-Natureza, para além dos nutrientes que o constituem.

    Suicide-se pois.
    Não agredirá mais a Mãe-Natureza, e os elementos resultantes da sua extinção irão fertilizar os solos.
    Seremos todos felizes…ele porque odeia a “praga humana” e assim se vê livre desse ódio, a Mãe-Natureza porque ganha uns litros de água e alguns gramas de átomos vários, e nós todos, porque teremos menos um imbecil a poluir o ambiente intelectual e a consumir recursos.

  38. p.porto diz:

    a IR

    Não, não visitei no Cuba no tempo de Batista. Como sabe Fidel, ‘el Comandante’, agora ‘el Coma Andante’, é Ditador em Cuba há mais de 60 (sessenta) anos, o que quer dizer que ele já era dtador antes de eu nascer.

    Confirmo-lhe todos os disparates de viação que fiz impunemente em Cuba sob o olhar discreto da polícia. E haveria mais para contar só alcance de um turista em Cuba. Refiro-me há dez anos atrás, não sei o que poderá ter mudado, muito menos mudado para melhor, num país que não muda.

    Aliás, o IR devia ter pensado que a problilidade de conhecer alguém que visitou Cuba no tempo de Bastista é baixa. Sendo Fidel Castro ditador há quase 60 anos, encontrar alguém que tenha conduzido em Cuba no tempo de Batista siginifica que está a falar com um octagenário, certo? Pois, o tempo passa, e passa de tal maneira que hoje muitos que falavam na mais longa ditadura do mundo, a de Salazar, meteram desde há uns aninnhos a viola no saco e a frase na gaveta. Deixou de lhes ser vantajoso ir buscar o epíteto.

  39. Lidador diz:

    De resto, parece que em Cuba, tb há OGM’s.
    Há para lá uns peixes genéticamente modificados, mas parece que, uma vez que não são de uma “odiosa multinacional”, não fazem mal ao ambiente e são até OGM revolucionários, amigos do ambiente, da paz mundial, das andorinhas e essas coisas.

    Trata-se de OGM fraternos, pois Cuba é, como se sabe, a terra da fraternidade propriamente dita, já que o poder fica sempre entre irmãos.

    Bora lá cravar o Miguel Portas para ir a Cuba destruir o viveiro das trutas.
    Não é propriedade privada, é verdade, mas o El Coma Andante y sus hermanos, não se devem importar.

  40. p.porto diz:

    a Lidador

    El Coma Andante por estes tempos está sobretudo interessado em que não lhe desliguem os tubos e que lhe continuem a ministrar os medicamentos. O mais interessante é que tanto os tubos como os medicamentos usados no tratamento d’El Coma Andante devem ter sido fabricados numa dessas multinacionais farmacológicas, também ligadas à agrícultura, tais como a Bayer, a Monsanto, daquelas que andam há anos a explorar e a matar o povo com medicamentos, num programado processo de extinção da humanidade, componente fulcral do neo-liberalismo, ainda por cima pago pela própria humanidade.

    Assim, acho que os eufémicos (vulgo, eufémios), também deviam ir a Cuba exigir que El Coma Andante, esse benemérito da humanidade, não seja tratado com medicamentos de fabricantes de transgénicos.

    Como o homem não duraria muito mais tempo, aproveitavam para ficar uns dias mais podendo assim participar no funeral. Já agora davam um saltinho à praia, momento importante na vida de um eufémico. É que, a avaliar pelo aspeto dos moços, a ida à praia deve ser das poucas oportunidades que o coiro tem de ver água. Isto tem de ser encarado à luz da aversão que um eufémico genuíno tem a sabão e seus derivados, mercadoria produzida pelas multinacionais do neo-liberalismo, empenhadas em sugar o povo com a venda de produtos supérfulos e que destroem a ecologia, e o Planeta, e matam os peixes e as algas. Eu até ando desconfiado que a espuma nas ondas das praias deve se dos sabonetes e shampôs das multinacionais.

  41. Ezequiel diz:

    Caro Lidador

    Menino teimosinho e agressivo, hey!
    ——————————-
    Caro Ezequiel, agradeço que:
    1-Me dê a referência dos “estudos fidedignos”. Como decerto compreende, só se podem aceitar como tais, estudos publicados em revistas com “peer review”.
    2-Me explique em concreto o que é o “bem comum”, e onde tal entidade está registada.
    3-Caso exista, onde está definido que o “bem comum” é aquilo que o Ezequiel e os idiotas úteis eufémicos entendem como tal e não, por exemplo, aquilo que eu acho.
    4-Porque razão nessa “substantiva” abstração, não está incluido o bem comum do agricultor ou o das pessoas que gostariam de varrer os idiotas úteis à bengalada.
    5-Se estou substantivamente justificado, caso entenda que o “bem comum” passa por umas arrochadas no lombo dos patetas que acreditam ter na barriga o “bem comum”.
    —————

    1-todos os estudos citados no Panorama (bbc) são fidedignos. Não existe um consenso acerca dos transgens.

    O que me lembro do programa é que existem indicações de que os transgens são prejudiciais para o meio ambiente e para a saúde pública. (procure o prog, se lhe interessa assim tanto) Nestas coisas, como em outras, as dúvidas e suspeitas deveriam ser agraciadas com a prudência. Mas já percebi que o senhor percebe mais de “peer reviews”. If it ain`t broke, don`t fix it! Será que me faço compreender?

    Compreendo a sua perplexidade boçal face à complexa problemática do “bem comum.” O meio ambiente é um bem comum. A segurança é um bem comum. O ar que respira é um bem comum. Clear enough?

    O bem comum não é uma coisa, nem uma entidade. É uma concepção. Não a encontrará no cú de um boi ou no brotar de uma folha de milho transgénico. Talvez a encontre um belo dia nos meandros labirínticos da sua sofisticada mente.

    Aquilo que o sr ACHA tem valor não pelo facto do sr achar ou não achar seja o que for mas pela forma como o sr justifica aquilo que acha ou não acha. O que o sr parece estar a propor é que enveredemos pelos transgens quando ainda não sabemos o suficiente sobre esta opção. Este tipo de impetuosidade costuma engendrar asneira. Os interesses dos agricultores não são absolutos.

    acalme-se…tome um chazinho de funcho…e, sei lá, brinque um bocadinho às apanhadas.

    Lombo…não! só lagarto, no bbq, com um chardonay.

    Ou então aproveite e pregue umas arrojadas nos seus “peers”

  42. nelson anjos diz:

    Caros autores deste blogg

    Admitindo que não terá sido por acaso que o designaram de “Cinco Dias”, quero aqui deixar a sugestão no sentido de que os restantes dois que a semana tem, sejam destinados ao papel de fossa, para “arquivar” fezes, vómitos e outros detritos orgânicos que alguns comentadores aqui vêem largar.

  43. Pingback: cinco dias » 1, 2, 3, lá vamos nós outra vez

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