Boca cheia
18 de Agosto de 2007 por António FigueiraEu já estou um bocado como aquele personagem d’”Os Maias” que quando ouvia falar de Gamas e Albuquerques exclamava à porta do Trindade: “Fujamos, que é patrotismo!”: quando oiço falar em “lusofonia”, não sei se hei-de rir se hei-de chorar. A última que eu descobri foi que os brasileiros candidatos à naturalização deverão fazer um exame de português se quiserem ter o privilégio de ser cidadãos da República Portuguesa. (O mesmo se aplica aos naturais dos PALOP’s, embora aqui haja o argumento, a meu ver espúrio, de que a sua língua materna poderá não ser a língua oficial do seu país). Vá lá que esta simpática manifestação de fraternidade lusófona não demoveu o Pepe de se tornar português, mas se ele chegar à Selecção (espero bem que sim), espero também que os jornalistas desportivos não lhe perguntem jogo sim, jogo sim, como fazem ao Deco, se ele “ainda está com vontade de jogar” na equipa das Quinas. A combinação do provincianismo estreito e do chauvinismo puro com a retórica grandiloquente dos duzentos e tal milhões de falantes da língua portuguesa é dos espectáculos mais deprimentes que Portugal pode dar ao mundo.

Comentário de samuel mor
Data: 18 de Agosto de 2007, 18:59
por-Tu/gal-de-pe-que-nino… (a partir da AR, ao centro, ao norte e ao sul) – e com esta será e crer que os nossos legisladores, como intenção maior, querem beneficiar no exame os já falantes da língua ‘tão’ mátria e discriminar estes novos cosmopolitismos migrantes que já atravessam a pátria…?… será?… porque é bom não esquecer nos ‘Lisboetas’, no telefonema da praia, a crítica da ucraniana pelo sistema da escola de cá… parece que quanto a aprendizagem é ‘bristra’ (é rápida, pensemos lá no exame em português!) o processo por parte do pessoal de ‘Lá’.. . Ou foi então, só mesmo, ‘passar a mão pelo pelo’ dessa da língua… arranjando um modo de legislar sobre ‘descobertas’ e ‘descobertos’ ?1??