Ana Matos Pires: Ainda a propósito de “cientismos”

Em comentário a um post anterior, fui aqui acusada de ter uma atitude “psiquiatrizadora” e metida no saco do “cientismo”. Fiquei um bocadinho encanitada dos nervos, assumo, sobretudo porque me senti injustiçada. Logo eu que ando sempre a apregoar que a normalidade é suficientemente lata para cabermos lá todos e que a doença é outra coisa, que causa sofrimento e que não pode, nem deve, ser banalizada. Logo eu que sou pelo direito à tristeza. Ainda por cima o contexto foi exactamente o oposto, houve como que uma “vulg(o)arização da psiquiatria” e não uma “psiquiatrização do vulg(o)ar”.

Como tenho tido uns dias de loucos (para não variar, de resto) lá deixei cair o assunto, sempre com a ideia de o repescar, que as coisas entaladas podem-nos fazer mal. Azarinho, a acusadora passou-me a mão pelo pêlo e já não há pretexto para a desancar (hei-de fazer-lhe a “carta psiquiátrica”, Luísa, está tramada!)

Mas ontem, em conversa familiar, a apofania aconteceu e pensei “espera aí, tou safa, aqui está um belo motivo para “cientismos””… diz que o Índice Sintético de Fecundidade (número médio de crianças vivas nascidas por mulher dos 15 aos 49 anos de idade) tem os seus mais baixos valores (1,1) na região da Serra da Estrela, Douro, Alto Trás-os-Montes, Pinhal Interior Sul e Beira Interior Norte e que, no extremo oposto, está o Algarve (1,7), acompanhado de perto pela Grande Lisboa. Pergunto: há por aí alguém que me explique estes números à luz da teoria “Hedonistas versus Puritanos”?

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