Grande Prémio 5 dias

Lembram-se do João Miranda? Na semana passada, escreveu uma crónica indescritível no DN sobre sexo e democracia, a que nós aqui no 5 dias chamámos um figo (em pleno deserto de Agosto, deu matéria para quatro ou cinco posts, e cumpriu mais ou menos o papel que a invasão israelita do Líbano tinha cumprido na mesma altura do ano passado, mas com muito menos danos colaterais).

Mas isto foi sem pensar nos muitos amigos e admiradores que João Miranda tem, e que logo de seguida nos bombardearam com comentários, sustentando de modo vário que a gente é que não percebia a genialidade dele: que ele queria era provocar e agitar as ideias, como pedras de gelo num copo de whisky, que nós queríamos calar a ciência, que nós queríamos calar o cientista, que éramos uns ressabiados de letras que não aguentávamos a concorrência de um biotecnólogo nem entendíamos a fina ironia de um grande artista.

Ao último desses comentários, eu respondi: “Já tinhamos a tese provocatória, já tinhamos a tese da liberdade científica, já tinhamos a tese da arrogância dos letrados, já tinhamos a tese do ataque ad hominem, temos agora a tese da ironia fina – mas nunca mais temos a defesa literal da crónica de João Miranda, porque será?”

Finalmente, a resposta chegou, sob forma de um comentário assinado Vasco Figueira (not related), do Espelho Fosco: “Porque ela é, em bom rigor, indefensável.”

Pelo seu poder de síntese e clareza, tenho a declarar Vasco Figueira o vencedor do Grande Prémio 5 dias 2007. Volte sempre, e diga das suas.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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