O ser e o dever ser (revisitado)

Uma das mais fastidiosas consequências do absolutismo moral é a confusão que gera (na cabeça dos seus próprios proponentes, antes de mais) entre o factual e o normativo, o ser e o dever ser. Às tantas, a sua bondade é tão grande (julgam), que para o ser se conformar com o dever ser, para o facto obedecer à norma, chegam a abolir o facto, em nome da verdade (da sua verdade, entendida como a verdade de todos). A luta contra esta cegueira e pela afirmação da tolerância como a primeira das regras da cidade dos homens já leva séculos, mas não pode dar-se nunca por vencedora, porque cada dia, nos melhores dos panos vão caindo nódoas, histórias que de tão absurdas (e ao mesmo tempo tão evidentes) até custam a acreditar.

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SEXTA | António Figueira
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2 respostas a O ser e o dever ser (revisitado)

  1. p.porto diz:

    É impressão minha ou o A.Figueira acabou de dar uma definção exaustiva da expressão ‘políticamente correto’ ?

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