Estoril-Sol

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Vejo nos blogues, oiço na telefonia: o que é que têm contra este projecto? Preferiam uma coisinha a imitar o antigo? Não os preocupa mais os horrores sem nome e que já nem chocam que vão alastrando pela cidade (da janela do escritório onde eu estou vê-se o monstro da “Império – Mundial/Confiança” na Alexandro Herculano, ao lado da casa Ventura Terra e a dois passos da Sinogoga, não incomoda muitíssimo mais? E é só um exemplo). O projecto do Gonçalo Byrne é discutível mas é arquitectura; ora o nosso mal é termos arquitectura a menos e construção civil a mais.

PS: Tirei esta foto do Google, e a fonte que referia era o “Glória Fácil”.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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11 respostas a Estoril-Sol

  1. dario diz:

    Concordo consigo, caro António.

  2. r.m. diz:

    Os “ambientalistas” de hoje disparam em muitas direcções. Todavia, em regra, nunca afrontam o sistema. Muitas vezes até fazem parte deste, ou dele cada vez mais se aproximam. Dão nas vistas criticando, justa e injustamente, situações sensíveis para a opinião pública. Porém, de um modo ou de outro, acabam sempre por estar nos círculos dos poderes.

  3. fl diz:

    Claro, se for uma aberração de arquitecto, já não faz mal.

  4. Mary R diz:

    este projecto é simplesmente horrível. mas se a tabela forem as monstruosidades que já existem por aí então, sim senhor, construa-se já!
    talvez fosse de começar a elevar os padrões. por isso, em vez de se comparar como o pior, que tal comparar com o melhor.
    este post é o exemplo acabado da mediocridade à portuguesa.

  5. cláudia diz:

    oh António Figueira! Arquitectura não é só forma, não é só estética, não é só roupagem! É também uma questão ética. E a volumetria, a área de construção da qual decorre o valor dos honorários, a articulação dos espaços interiores e exteriores, o programa, a publicidade, a forma como a história do local foi encarada, a sustentabilidade da solução, etc., etc., falarão por si. Vale a pena ver o site promocional do empreendimento…

  6. Karla diz:

    Concordo inteiramente consigo, quando diz que o nosso mal é termos arquitectura a menos e construção civil a mais. Mas outro projecto de arquitectura podia ter outra estética, outro enquadramento e outra volumetria mas … já era estar a cortar nas receitas.

  7. Roteia diz:

    Perfeito, nem mais. É estranho que as obras polémicas em Portugal sejam sempre assinados por arquitectos. Arrojo e criatividade, parecem ser mal vistos por cá. As monstruosidades que se constroem por todo o país, incluindo no concelho de Cascais (e há um exemplar escandaloso mesmo ao lado do novo Estoril-Sol), raramente são alvo de polémica. Boas volumetrias são as que têm qualidade, se assim não fosse nunca se teriam construído catedrais.
    Sobre este projecto, acompanhado de boas fotografias, penso que vale a pena ver um post recente n’A Barriga de Um Arquitecto.

  8. Roteia diz:

    Não disse atrás, mas também é verdade, que há muito má arquitectura assinada por arquitectos. A má arquitectura é que raramente provoca polémica, talvez porque fica bem “integrada” entre congéneres.

  9. jt diz:

    Caro António, há que distinguir as coisas: uma torre ou outro edifício de elevada volumetria pode ser uma lindíssima obre de arquitectura (o que nem é aqui o caso, mas isso é obviamente discutível), agora temos de ver onde o vamos colocar.

    Neste caso, se não era para diminuir a volumetria porquê deitar a baixo o que lá estava? Não era propriamente uma aberração. O problema era, lá está, a volumetria exagerada.

    Não é pelo facto do nosso país estar repleto de autenticos crimes arquitectónicos, que vamos desculpar este tipo de coisas só porque são de bons arquitectos.

    Cada vez tenho mais medo da frente ribeirinha de Lisboa. Que me interessam a mim que as torres que estavam previstas para Alcântara fossem do Siza (arquitecto que muito prezo), se iam ser monstros a tapar as vistas a toda a gente e a desfigurar a cidade?

  10. JL diz:

    Quando a Inteligência começa tambem a chegar à Arquitectura é um bom sinal dos tempos.
    Quando não-arquitectos começam a valorizar a Arquitectura, sem imediatamente se porem no papel de “clientes” que querem “a sua casinha” cheia de conforto, abre-se a esperança para melhor civilização.
    Um abraço e apoiado.

  11. Tárique diz:

    Estou farto de mamarrachos que aparecem por haverem cursos de 5 anos que dão “atestado de bom gosto” e com ele impunidade para poluir o espaço público.
    Não faltam exemplos. Onde moro distinguem-se as “casas de arquitecto” por descaracterizarem o urbanismo e ferirem os olhos.

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