Filipe Moura: Em Madrid, desde que o café é café

Encontrava-me acabado de chegar à capital espanhola. Por razões que não vêm ao caso, tinha acabado de comer ameixas, sentado num banco público, em plena Gran Via. Tinha as mãos sujas e não dispunha de um guardanapo. Tinha acabado de almoçar e precisava de um café.
Mesmo em frente a mim encontrava-se uma “chocolateria”, fundada em 1935. E que parecia na mesma como em 1935, ou pelo menos como no franquismo. As mesas, as ementas, os talheres, a louça fina. A esplanada no passeio, separada por canteiros. Os aquecimentos para quem se quiser sentar ao ar livre no Inverno, uma ideia provavelmente importada de Paris. Os empregados de gravata.
A alternativa residia um quarteirão acima. Um Starbucks, algo que, como viria a descobrir depois, é bastante frequente na cidade. Hesitei; não mais entrara na cadeia de cafés norte-americana desde que saí dos EUA, há quase quatro anos. Mas a alternativa era mesmo a chocolateria, o café em Espanha às vezes é mau, e no Starbucks pode ser sempre a mesma coisa mas ao menos é seguro. Entrei.
Foi bom beber o mesmo café que bebia há quatro anos, nas minhas deambulações pela América profunda, quando queria um espresso minimamente de confiança. Foi bom reencontrar o mesmo leite à disposição do cliente, que foi parte de vários pequenos-almoços meus. Foi bom poder servir-me da casa de banho à vontade. Não li o The New York Times, mas li o El Pais e a Marca à minha vontade enquanto tomava o meu café e na sala tocava o Rufus Wainwright. Sobretudo, foi bom reencontrar-me com o mesmo tipo de pessoas de antes. Empregados simpáticos e eficientes. Clientes de proveniências diversas, jovens na sua maioria, sozinhos ou em grupos. A conversarem, a namorarem, a navegarem na internet sem rede nos seus portáteis. Foram ao Starbucks para tomarem café, nas muitas variedades em que este lá se encontra, e para passarem algum tempo e conviverem. Não para “mostrarem” aos outros clientes que também são chiques. Na verdade um cliente do Starbucks só está preocupado consigo e com a sua companhia. Desde que não o incomodem, não quer saber se os outros clientes andam com uma mochila às costas e se têm as mãos todas cagadas de ameixa. A diferença principal em relação à chocolateria é mesmo esta. Como poderia eu lá ter entrado?
Foi um prazer saborear um bom café, mas o melhor mesmo foi reencontrar um pouco de Nova Iorque em plena Madrid.
Enquanto o café em Portugal for de qualidade e barato (apesar do muito que tem aumentado), não creio que corramos o risco de sermos invadidos pelo Starbucks. Mas se a moda de servir o café com dois pires e uma bolacha em pacote se generalizar, não dou muito tempo para termos o Starbucks cá.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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32 respostas a Filipe Moura: Em Madrid, desde que o café é café

  1. xatoo diz:

    o Starbucks que havia na Cidade Proibida em Pequim foi obrigado a fechar por ofender a dignidade nacional.
    às urtigas as bolachas yankees de pacote; Portugal, como área histórica Delta protegida que é, na ligação colonial com paises produtores de café, deve ser determinado em não consentir abrir semelhante provocação.

  2. p.porto diz:

    Pois. Há por aqui muita gente de visita ao blogue que por esta altura está desapontada consigo e algo confusa. Então vc faz a apologia de uma coisa americana? Se é americano, por definição, é mau; não lhes confunda o cérebro, convém manter-lhes as coisas simples. De outro modo baralham-se, ficam ansiosos, atemorizados pela blasfémia. E depois zangam-se consigo, mas não lhe dizem nada, ou por que é que pensa que não há comentários a este post?

    Vc também escreveu que o café em Espanha às vezes é mau. Não, desculpe, actualmente passo cinco dias por semana mesmo ao lado de Espanha, e já estive várias vezes em Madrid. O que vc queria dizer é que o café em Espanha às vezes é bom. Talvez seja mesmo melhor dizer, às vezes é menos mau. Com um bocadinho de azar dá até para apanhar uma valentíssima dor de estòmago. Já com um bocadinho de sorte, apanhamos café português que segue de Campo Maior por não ter comprador em Portugal e é vendido lá ao dobro do preço passando por ser o melhor café de Esapnha.

    Se não fôssemos tal mal governados desde há duzentos anos, este nosso Portugal era melhor que a Suiça.

  3. ezequiel diz:

    Brilliantly perceptive

    good old american simplicity and laissez faire

    🙂

  4. antonior diz:

    Este post parece um dos artigos que saem nas revistas de domingo a promover uma marca, um serviço, etc…
    Viva o Starbucks!!

  5. xatoo diz:

    p.porto
    vc pode perceber à brava de café, mas não percebe nada de ironia

  6. joséjosé diz:

    Já bebeu um café , depois de um banho com água fria, tirada manualmente com um caldeiro directamente do poço, saboreando um figo – colhido no momento – , acompanhado com a pureza do silêncio de sons e cheiros num monte alentejano ?
    Nota: Alentejo ficava ao sul dum país em tempos chamado Portugal, antes de ser vendido por alguns portugueses – por sinal também muito viajados – pedaço a pedaço aos Espanhois.

  7. MacMerdasAoPoder diz:

    Engraçado….mas prefiro a discussão entre se o tasco do manuel é mais friendly do que a restauração franchising….é que há muitas pessoas a defender a tasquinha tipica e a mercearia do bairro com o argumento de que nesses espaços são melhor tratados, mais humanamente….eu, como terrivel desconfiado que sou, acrescento um ponto de vista à questão.
    Já pensaram se fossemos todos dizer o que escrevemos na mercearia da velhinha simpática da esquina?é que no macdonalds, quer sejamos o mais radical dos indigentes quer sejamos o executivo das torres das amoreiras o sorriso é sempre o mesmo, o tempo de espera também, a comida também…é isso mesmo que funciona, essa inocuidade de tratamento que as pessoas procuram porque querem os sitio que não “discriminam”, os sitios onde todos levam pela mesmo medida….( não só na restauração, ele é os preservativos que ninguem queria ir buscar à farmácia e que agora se encontram em qualquer estação de serviço e supermercado, ele é alcóol para os vizinhos não nos comentarem os bebedos que somos, and so on….)

    Entenda-se que odeio os franchisings que já fazem com que um almoço em tóquio possa ser igual a um no saldanha ou que um café em espanha seja igual a um naquele bocado de terra entre o méxico e o canadá mas entender a forma como esses sitios nos agradam é também um passo para entender a forma de lutar contra a hegemonia do franchising nos espaços de restauração em qualquer cidade europeia. Os varios macmerdas da actualidade funcionam porque nós nunca sabemos exigir melhor, vendemo-nos à facilidade em detrimento não só da qualidade mas também da envolvência…faço apenas a ressalva de que são produto tipico dos dias de hoje, para esta “invasão” tão generalizada são necessários vários factores (ou seja não só a abertura de lojas por todo o lado mas tambem as contigências laborais da precariedade actual, publicidade agressiva, por vezes até indirecta, e omnipresente…etc etc)

  8. MP-S diz:

    O cafe’ do Starbucks nao presta. depois, nos EUA se eu for la’ pedir um expresso e estiverem quatro tipos ‘a minha frente que pediram frappucinos ou outras coisas que demoram a preparar tenho de esperar pela minha vez quando era muito mais logico despachar o expresso num instantinho. Isto e’ uma porcaria de servico. Por fim, e’ desesperante ir a um cafe’ que e’ sempre igual desde a costa da California ate’ ‘a costa Leste; agora ja’ chega ‘a Europa e ‘a Asia. Fico nervoso. E” porreiro se estivermos la’ para um deserto na California descobrir que existe um Starbucks onde se pode, ainda assim, beber um cafe’. Mas em Madrid, ou outra cidade europeia? ( e as cenas macacas para conseguir fazer os tipos em mid-town Manhattan ir buscar as chavenas de porcelana que estao fechadinhas ‘a chave la’ para um armario obscuro? os tipos nem percebem por que raio eu me lembro dos chatear com essas snobices …. 🙁

  9. mamamia diz:

    Se é assim para o starbucks ,c’est la même chose para o macdonnalds,o kfc e essas merdas todas,incluindo o PSD versus PS.É a normalização e uniformização.Para quem fala da Coreia do Norte e da China de Mao,é algo déjà vu,de contradição em contradição ao serviço do capital.

    E o escriba não lhe passou pela mona sobre os pastelinhos de bacalhau?ya,é mais fixe e update,cool,etc etal falar de bom tom das merdices americanas.Eu,falo por mim só fui uma vez ao macmerdas para mijar e,nunca mais lá entrei.Fucking to american shit!!!

  10. p.porto diz:

    Ao N.R.Almeida

    Eu não lhe disse?

  11. Nuno diz:

    E em Madrid, que nome deu ao empregado do Starbuck’s, quando este, de caneta de feltro em punho, lhe perguntou o nome? Nuno? É que aqui por Barcelona, onde também há alguns, já desisti de dar o meu primeiro nome que, “by the way”, é o mesmo que o seu… Agora, nos Starbuck’s da cidade condal sou sempre o Miguel, nome bem mais familiar aos espanhóis que o “Nuño?! Nuno?! Que nombre raro… Como se escribe?”

  12. carmo da rosa diz:

    “Se não fôssemos tal [tão] mal governados desde há duzentos anos, este nosso Portugal era melhor que a Suiça.”

    Se isto fosse uma casa de fados eu diria, ou melhor gritava: A grande P.Porto, és o maior…

    E ainda por cima bruxo: ‘Ao N.R.Almeida, Eu não lhe disse?’ Realment (isto deve ser dito com sotaque franciú)

  13. António Figueira diz:

    De facto,

    “Se não fôssemos tal mal governados desde há duzentos anos, este nosso Portugal era melhor que a Suiça”…

    Terá P.Porto noção de como era o governo de Portugal em 1807?

  14. polegar diz:

    vi muitos comentários um bocado irados acerca das marcas americanas. se sou, de base, a favor de termos os “nossos-só-nossos-sítios”, acho que por outro há marcas de outros países que, se são boas, se valem a pena, porque não importar? há mercado para isso tudo. estamos a falar em Portugal, o país da bica ao pequeno-almoço, a meio do dia, ao almoço, depois do jantar…

    sempre tive uma “pancada” pelo Starbucks… porque sempre gostei de certas “americanices” que via nos filmes que melhor retratavam o melhor de N.Y. gosto do espírito do Starbucks. esse mesmo que descreve. a primeira vez que lá entrei (não num em N.Y., infelizmente, mas em Paris – tinha de experimentar) não me senti desiludida. e sim, o café sempre é mais fiável que o Espanhol 🙂 a diferença é que por cá poucos abririam na rua e desses, poucos ou mesmo nenhum ficaria aberto depois das 19h, hora em que a nossa capital desertifica para dar lugar aos bares à sexta à noite e ao nada no resto dos dias. tenho pena que, ao menos isso (se não os preços da gasolina) não se aprenda com os espanhóis… o convívio, o gozar a cidade numa esplanada até altas horas sem ter de pagar os preços turísticos…

    divago.

    o incidente dos nomes é sempre o mesmo, especialmente em países que foneticamente são limitados, como Espanha. o meu nome, que por razões óbvias não divulgo, é arraçado de francês (a minha mãe com dores de parto é… complicada eheh). já é o suficiente para imaginar a festa.
    vá, fazendo uma comparação, em Madrid o meu nome – se fosse polegar – apareceria sempre escrito como pulgá 😉

  15. O autor do texto sou eu, Filipe. O Nuno publicou-o.

    Miguel P-S, há dois pontos chave. Um é, como muito bem dizes, “É porreiro se estivermos la’ para um deserto na California descobrir que existe um Starbucks onde se pode, ainda assim, beber um cafe’.” Só numa situação como essa é que eu entrava no Starbucks; não em Manhattan, onde preferia o Au Bon Pain ou os cafés hispânicos do Harlem. Agora, eu não sei se estás a ver a Espanha: cafeísticamente, é assim como um deserto da Califórnia.
    O outro ponto fundamental são as mãos cagadas de ameixa, pá. E ninguém se referiu a isso, que é fundamental: as mãos cagadas de ameixa. Só o MacMerdas, indirectamente, quando fala no mais radical dos indigentes que é tratado como o executivo. O MacMerdas vê bem a coisa. O PPorto também tem razão em grande parte. Não toda a razão, mas tem-na na maior parte do que diz.

  16. anónimo diz:

    Este episódio, faz-me recordar a primeira visita a Londres em 1993, estava eu e a minha mulher, juntamente com os nossos compadres (padrinhos da nossa filha), à procura desesperadamente por uma “bica”, ou seja um “express” como por lá se diz, em plena zona de Regent’s Street, quando final vislumbrámos um local com uma máquina igual “às nossas”. Entrámos extasiados e pedimos imediatamente quatro “express coffes”. O rapaz que nos atendeu olhou para nós com um ar de espanto. Ele dirigiu-se à máquina para tirar os cafés, nós agurdámos e olhámos em redor dentro do café. Então não era que aquilo era um café gay, em plena luz do dia. Eram quase 14 horas e os casalinhos já se beijavam e “entrepernavam” afoitadamente. Ficámos de olhar vidrado, mas como bons portugueses, mostrámos-nos “very upgradeted” e lá bebemoas as nossas saudosas “bicas”. Claro que não chegaram aos calcanhares das nossas, mas enfim, serviu o propósito. Enquanto aguardávamos pelos nossos cafés tirados por um empregado gay, que se mostrva incomodado por ter a certeza que nós não fazíamos ideia onde tinhamos entrado, eis que de repente entra um casal de turistas japoneses, mas estes que não têm o hábito do “café”, antes de pedir algo, olharam à sua volta, e quando se aperceberam que aquilo era um café gay, “ala que se faz tarde”. Rimos a bom rir. Afinal os portugueses não são assim tão “botas de elástico”.

  17. MP-S diz:

    “O outro ponto fundamental são as mãos cagadas de ameixa, pá. E ninguém se referiu a isso, que é fundamental: as mãos cagadas de ameixa.”

    OK, pronto pa’, tas desculpado!

    ” Só o MacMerdas, indirectamente, quando fala no mais radical dos indigentes que é tratado como o executivo. ”

    A melhor cena foi quando tentamos pedir uma salada sem molhos num drive-in do Mac Merdas la’ pela California. Fartamo-nos de rir. Nao da’ – e’ um obstaculo epistemologico que se materializa ali subitamente. e, entao, tambem era porreiro tentar convencer alguem a fazer-nos uma sandes com menos de vinte fatias de fiambre e sem maionese :LOL:

  18. carmo da rosa diz:

    O problema dos cafézes é que as pessoas habituam-se a um determinado sabor, indiferentes a comparações de qualidade. Precisamente como o tabaco. Será um SG filtro melhor do que um Marlboro? Não faço a mínima ideia!

    Eu, habituado nos anos 70 a um ‘bom’ cimbalino, como se costumava dizer no Porto, (não sei se ainda se diz!) tive uma grande dificuldade em habituar-me aos cafézes da Europa. Primeiro o francês, horrível, fracote de sabor, parecia-me chicória, servido em enormes ‘penicos’, que é para os franceses poderem ‘tremper’ o cruassá ou a meia-bagette com manteiga e marmelada dentro da chávena antes de entrar para a boca… Uma desgraça. Eu tenho família francesa, e já assisti e continuo a assistir horrorizado a esta porcaria.

    Depois de França passei-me para a Holanda, não foi, em termos cafeísticos (já vi alguém aqui utilizar o vocábulo, por isso!) uma melhoria, sobretudo nos anos 70. Na altura serviam um café de sabor parecido ao francês mas, valho-nos isso, numa chávena (de chá) de tamanho mais aceitável. Já havia sítios em que se vendia algo parecido com o café português, pelo menos em tamanho, chamado Expresso, mas o sabor era um horror. Amargo. Por esta razão fui-me habituando ao café holandês – três vezes a quantidade de uma bica e mais barato que a tal modernice chamada Expresso – de sabor menos forte que uma bica, e passados 30 anos não quero outra coisa…

    Já vi cá em Amesterdão os tais ditos cujos Starbucks, há um mesmo ao lado de minha casa, mas ainda não ousei entrar e pedir simplesmente: UM CAFÉ e, já agora, um bagaço…

  19. carmo da rosa diz:

    Comentário de António Figueira
    Data: 2 Agosto 2007, 15:32

    ‘Terá P.Porto noção de como era o governo de Portugal em 1807?”

    Tenho cá uma fezada que sim, deve conhecer os seus clássicos. Por exemplo esta:

    ‘Ordinariamente todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o estadista. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?’
    Eça de Queiroz, 1867 no ‘Distrito de Évora’

  20. ezequiel diz:

    Nuno

    You´ve got mail! eh eh ehe 🙂

    Abraço, ezequiel

  21. p.porto diz:

    a A.Figueira

    “Terá P.Porto noção de como era o governo de Portugal em 1807?”

    Mas claro, não costumo falar do que não sei. Era um daqueles típicos governos de ‘iluminados’ europeus, não tinha havido a inteligência de optar pelo parlamentarismo à inglesa. Mas o que é relevante para os “duzentos anos” é que foi em 1807 uma gentinha servil foi ao beija-mão ao invasor Junot para receber as benesses que o colaboracionismo traz. A partir daí este país foi quase sempre governado por gente sobretudo interessada na sua própria conveniência e na conveniência do seu clã político, sempre encarniçada na exclusão e diabolização dos outros. Confira.

    Portanto, duzentos anos, é mesmo para ser duzentos anos.

    E reafirmo-lhe a minha opinião de que se não fosse a postura de gamelados e de “chega-pra-lá” dos nossos políticos desde há duzentos anos para cá, Portugal podia ser melhor que a Suiça.

  22. p.porto diz:

    a A.Figuera

    O comentário de Carmo Rosa, que vejo agora pouco acima, é esclarecedor do sentido prioritário da “comedoria” dos nossos políticos.

    Aquele pequeno texto de Eça, pode ser transposto para os nossos tempos, incluindo a insinuação sobre o iberismo, termo politicamente correta para o espanholismo português.

    Como vê, confere.

  23. António Figueira diz:

    P.Porto,
    Sugiro duas formulações alternativas para a sua frase:
    “Se não fôssemos tal mal governados desde há duzentos anos, este nosso Portugal era melhor que a Suiça”…
    São as seguintes:
    “Se não fôssemos tal mal governados desde há quase novecentos anos, este nosso Portugal era melhor que a Suiça”…
    ou
    “Se os portugueses fossem suiços, este nosso Portugal era igual à Suiça”…
    Cordialmente, AF

  24. Miguel, no Starbucks ainda me podes apanhar. No McMerdas é que não (ou mesmo muito dificilmente). Há sempre alternativas. Nem que seja o KFC. Abraço.

    Carmo da Rosa, não é para duvidar de si mas eu nunca vi nenhum Starbucks em Amesterdão! Em que zona da cidade é que há?
    Já agora, você costuma parar nos Lusitanos, por trás do mercado da Albert Cuypstraat? Olhe que lá há bom café e bagaço!

  25. p.porto diz:

    a A.Figueira

    Franco Nogueira, citou Salazar como este lhe tendo dito em conversa que o povo português era gente difícil, por muito que se fizesse não dava mais, era limitado, o que resultava desta mistura terrível de lusitanos, romanos, bárbaros e árabes (cito sem consultar, peço desculpa por alguma imprecisão).

    Portanto, Salazar, como outros hoje, servia-se da “herança genética” do povo para justificar não conseguir melhor do que ia conseguindo.

    Este raciocínio fez escola, hoje é comum. Inculcámos que não prestamos e os político, os pobres, fazem o que podem por nós e de nós.

    O que Salazar esquecia – e pretende-se que nós todos não saibamos – é que, afinal, foi com essa mesma “herança genética” que se contruiu um império colonial cujo relação recursos/reultado foi proporcionalmente maior do que a de qualquer outro império colonial europeu. Só que houve um D.Henrique, um D.João II, e outros que não tendo sido reis foram fantásticos governantes.

    Até ao tempo de Pombal, Portugal foi tão bom ou melhor que qualquer outro país, apesar das limitações demográficas.

    Em que ficamos, afinal, a culpa será mesmo do povo?

    Bom, caro António. há sempre uma manhã de nevoeiro que espera por nós, embora isto agora seja Verão e parece que vem aí mais calor.

    E tudo a propósito do café do Nuno. Fica demonstrado que um café é sempre boa ideia, de preferência português ou italiano, que os italianos continuam sendo os mestres na seleção e mistura de café.

  26. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Caríssimo P. Porto,
    O café a quem o trabalha: o post é do Filipe Moura e não meu.

  27. São as coisas boas que vêm da terra do Tio Sam. A liberdade e uma certa dissipação das fronteiras sociais, mesmo que ilusória e só por uns breves instantes, o tempo de beber um café ou tão-só conversar com a amiga no Starbucks. Acima d etudo, o sentirmo-nos confortáveis. Não há dúvida de que os americanos são bons nisso.

  28. CMF diz:

    O café em Portugal é bom, Filipe? Não concordo, é mesmo do mais fraquinho que tenho bebido pelo mundo. Opiniões…

  29. carmo da rosa diz:

    ‘Carmo da Rosa, não é para duvidar de si mas eu nunca vi nenhum Starbucks em Amesterdão! Em que zona da cidade é que há?’

    Filipe Moura,
    Tem toda a razão, estou a fazer confusão com outras mariquices muito parecidas, tais como: Bagels & Beans, Coffee Company, Hot ‘n’ Cold, Village Bagels.
    Mas paradoxalmente a sede e a distribuição da Starbucks para a Europa é em Amesterdão: Starbucks Coffee EMEA bv na Accraweg 19 em Ruigoord.
    Não costumo parar nos Lusitanos, fui uma ou duas vezes na vida ver a Santa Bolinha no ecran gigante que eles lá têm, mas que, de vez em quando, deixa de funcionar…
    Você também vive em Amesterdão?

  30. Luís, bem visto.
    CMF, se há coisa em que os portugueses não têm lições a receber é no café! Qualquer apreciador de café que venha a Portugal o reconhece.
    Carmo da Rosa, bem me queria aparecer. Conheço bem Amesterdão (incluindo os Lusitanos); vivi lá uns meses (e não gostei nada). O melhor de Amesterdão é a estação de autocarros ou comboios para Paris. Mas isto sim é uma opinião discutível.

  31. CMF diz:

    Filipe, eu considero-me um apreciador de café, e, em Portugal, tento beber só em casa; e só o faço com satisfação quando me informam que “é de saco”. Para começar, a ideia de expresso é, na minha opinião, a negação do café. E experimenta um café turco em Belgrado, ou um café no Central Kavehaz de Budapeste, e depois conversamos. Ou um café turco com cardamomo (posso indicar-te um restaurante em Berlim). Se continuares a ter a mesma opinião…bem, nessa altura o melhor é concordarmos que discordamos!

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