Pesquisa

o presidente que se declara ‘instância não própria’

23 Julho 2007 | por Fernanda Câncio

Gostava muito de saber com exactidão o que foi perguntado pela TSF a Cavaco Silva sobre o incumprimento da nova lei do aborto pelo Governo Regional da Madeira.

Recordemos as declarações em causa. Disse Cavaco: “Quando a legislação não é aplicada, os cidadãos podem recorrer a instâncias próprias, ao sistema de justiça”;”[É] às instâncias próprias, judiciais, que compete analisar se há ou não cumprimento da lei e, se não há, aquilo que deve ser feito”.

Assim, à partida, fica-se com a ideia de que o que terá sido perguntado a Cavaco é que opções tem uma madeirense que queira interromper a gravidez nas primeiras dez semanas, de acordo com a lei que ele próprio promulgou. Se foi essa a pergunta, ficamos então a saber que para o presidente a opção será colocar um processo (a quem? Ao hospital que nega a interrupção? Ao governo regional? Ao Estado? Ao destino?) — e, naturalmente, esperar pelo resultado. Umas semanas, uns meses, uns anos — não há pressa e, de caminho, terá nascido mais uma criança, que tanta falta faz a um país com tão mísera natalidade (isto se a mulher não abortar clandestinamente, o que a colocará, então, em condições de ser ela a processada, para além de lhe pôr em risco a saúde, mas isto são minudências).

Claro que a pergunta também pode (e deveria) ter sido: ‘Senhor presidente, o que acha da recusa do governo regional da Madeira em aplicar a lei?’

Não sabemos. Mas sabemos, sem sombra de dúvida, que Cavaco decidiu não condenar a posição do Governo Regional. E declarar-se como ‘instância não própria’ para a sua resolução.

É talvez muito insolência minha recordar ao presidente da República quais os seus deveres, mas a Ana Matos Pires já o fez e eu reitero: ele é o mais alto magistrado da nação, eleito para garantir a qualidade da democracia e o normal funcionamento das instituições, tendo jurado sobre a Constituição. Num caso como este, em que pela primeira vez uma parte do território nacional recusa cumprir uma lei por si promulgada, o presidente da República só pode ter uma posição: exigir que seja respeitada a democracia, garantidos os princípios constitucionais e reposta a legalidade. Ou seja, condenar vigorosamente (de forma substantiva, sem se refugiar no formalismo de passar a bola que não tem por que ser passada aos tribunais) a atitude do governo regional.

Ao não o fazer, o presidente demonstra ou não conhecer as suas funções ou não ter vontade de as cumprir. O que nos leva a levantar um incidente de suspeição. Dever-se-á esta atitude às suas convicções pessoais sobre o aborto por vontade da mulher ou a uma qualquer incapacidade de fazer frente a um líder regional do partido do qual foi dirigente (que, recorde-se, já o tratou respeitosamente por ‘Sr Silva’)?

Qualquer que seja a sua motivação, porém, Cavaco Silva acaba de demonstrar, na primeira grande prova à sua presidência, que não está à altura do cargo. Que, de facto, é instância ‘não própria’. Aliás, se um presidente remete para os tribunais as funções que são suas e só suas temos de concluir que o que nos está a dizer é que não precisamos dele. Ficamos com os tribunais e ainda poupamos uns trocos — para aplicar, por exemplo, em incentivos à natalidade. A bem da nação.

(recorde-se que Marcelo Rebelo de Sousa, ontem, na RTP 1, considerou inaceitável a posição do Governo Regional, insistindo, como o já fizeram outros juristas, em que este não tem legitimidade para não cumprir a lei. Esta asserção, porém, não o impediu de dizer que Cavaco ‘disse o que havia a dizer’. Ou seja: Marcelo não precisa de perguntar aos tribunais se é ou não ilegal e ilegítimo o que o governo regional está a fazer, mas acha bem que o problema seja por eles dirimido, sem porém explicar como e por que tipo de tribunal e a pedido de quem. ‘Imprecisões’ que terão passado despercebidas à dialogante de serviço a quem, pelos vistos, também não terá ocorrido questionar Marcelo — que foi nomeado por Cavaco para o Conselho de Estado — sobre quais serão, finalmente, as obrigações de um presidente da República e de que fórmulas dispõe a democracia para impedir que um governo regional lhe cuspa em cima)

Comentários

Comentário de Anónimo
Data: 23 Julho 2007, 16:19

Pois, tudo bem. E as mulheres com cancros onde se devem dirigir para fazerem exames e intervenções em 5 dias em vez dos meses que as podem condenar à morte? “Uma mulher que aparece com um tumor do ovário ou uma lesão do colo do útero que precisa de ser esclarecida pode ter que estar meses à espera. Eu próprio pergunto por que é que não há administradores objectores de consciência. (…)”
in Miss Pearls, entrevista com um médico.

Comentário de menino mau
Data: 23 Julho 2007, 16:27

ainda o aborto? que obcessão. ó Drª fernanda escolha outro tema que este já chateia.até parece que não sabe falar de outra coisa..

Comentário de josé Manuel Faria
Data: 23 Julho 2007, 17:25

Cavaco é ” maleável”. Na Madeira vale tudo no Continente determina as políticas do executivo e Sócrates gosta!

Comentário de António de Almeida
Data: 23 Julho 2007, 18:46

-E Cavaco Silva tem razão, o presidente é o garante do funcionamento das instituições, não lhe competindo julgar o funcionamento das mesmas. Mas se as leis são para cumprir, são todas, e não apenas as que nos interessam, não apoio o gov. reg. da Madeira nesta matéria, como não apoio o gov. da Rep. Portuguesa na dupla tributação sobre os automóveis, como não me apetece andar a 50Km/h em Lisboa mas tenho de andar porque sou obrigado a cumprir a lei. Cavaco Silva não tem culpa da versão minimalista dos poderes do P.R., mais a tender para o tipo Rainha de Inglaterra, pessoalmente sou adepto dum sistema presidencial com poderes parlamentares reforçados, mas ninguem está acima da lei, nem o P.R.!…

Comentário de dario
Data: 23 Julho 2007, 18:50

Exactamente, f.. O sr presidente reagiu timidamente, e não devia. Medo de Alberto João Jardim, ou não quer ver a lei implementada? A dúvida ficou. Inadmissivel, sr presidente!

Comentário de anónimo
Data: 23 Julho 2007, 19:11

Leia-se este post:

http://povileu.blogspot.com/2007/07/esvaziamento-da-funo-presidencial.html

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 23 Julho 2007, 19:30

só agora li a opinião do constitucionalista vital moreira:

http://causa-nossa.blogspot.com/2007/07/chutar-para-canto.html

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 23 Julho 2007, 19:35

a ler, também, no ‘em busca da límpida medida’:

http://limpidamedida.blogspot.com/2007/07/um-pssimo-exemplo-para-o-pas-estou.html

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 23 Julho 2007, 19:37

e o adolfo mesquina nunes, no arte da fuga:

http://aartedafuga.blogspot.com/2007/07/geometria-varivel.html

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 23 Julho 2007, 19:38

e o miguel abrantes, no câmara corporativa:

http://corporacoes.blogspot.com/2007/07/jardim-e-o-estado-de-direito.html

Comentário de ze
Data: 23 Julho 2007, 19:38

Qual a distância que vai de não própria para imprópria?
Mais ou menos a da falta de vergonha na cara. Ou será coroa?

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 23 Julho 2007, 19:46

e o rodrigo moita de deus (com ironia involuntária?) no 31 da armada:

http://31daarmada.blogs.sapo.pt/815528.html

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 23 Julho 2007, 19:52

uma graçola gira:

http://small-brother.blogspot.com/2007/07/aborto-pago.html

Comentário de menino mau
Data: 23 Julho 2007, 19:56

who cares? no one ? no , miss f cares !! a lot !
só pensa nisso . acorda a pensar na temática do aborto , come a pensar no aborto …

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 23 Julho 2007, 20:02

mais antigo mas muito adequado, o PC no Mar Salgado:

http://marsalgado.blogspot.com/2007/07/democracia-e-estalinismo-via-quase-em.html

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 23 Julho 2007, 20:13

em rogorongo é que ainda não apareceu nada. temos talvez de esperar que a dra patrícia lança dê uma ‘desanda’ às e aos abortistas que querem coarctar a liberdade de expressão do governo regional da madeira.

Comentário de jj
Data: 23 Julho 2007, 20:41

Quanto a Cavaco está em campanha eleitoral, como todos os PR num primeiro mandato.
Portanto, “sim” quando interessa, “não” quando interessa e “nim” quando não lhe dá jeito.
Agora, esta do Alberto João se lembrar de não aplicar uma lei da República só lembra ao diabo. Ou seja, a ele próprio.

Comentário de jpt
Data: 23 Julho 2007, 21:48

e verdade sim senhora!!!
e o primeiro ministro? nao faz nada??????

Comentário de jpt
Data: 23 Julho 2007, 21:51

Mandem já os f 16 para a madeira!!!!
Que? ahhh pois é,os dois avioes que temos andam a dar passaeios a borla em Evora.
Agora só quando chegarem os submarinos.

Comentário de jpt
Data: 23 Julho 2007, 21:53

por falar em aviões?
que tal emquanto a aberto joao está de birra, o estado pagar
uma viagen ate lisboa, para quem ten o desejo urjente de abortar…
Rapido senao aquilo nasce!!!!!!!!!!!!!!!

Pingback de blogue atlântico » Blog Archive » Dizem-me que o golpe de estado já esteve mais longe
Data: 23 Julho 2007, 22:02

[...] inaceitável mas de certo modo compreensível de Cavaco Silva, ler o Adolfo Mesquita Nunes, a Fernanda Câncio, o Francisco Bairrão, o Miguel Abrantes e o Pedro [...]

Comentário de Santiago
Data: 23 Julho 2007, 22:16

Oh Fernanda:

Essa de ir buscar a Lança para esta discussão é demasiado infantil. Andam a faltar os argumentos, não é?

“Canalha”, diz o meu dicionário, significa “grupo de crianças”. Canalhice é o que tudo isto é…

Comentário de fatimarosado
Data: 23 Julho 2007, 22:24

Eu também julgava que o Presidente era o garante da Constiuição…

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 23 Julho 2007, 22:45

o seu dicionário deve ser mesmo muito especial, santiago. de tal modo que quando você insulta é a mim que faltam os argumentos. deve ser isso que se chama newspeak.

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 24 Julho 2007, 0:57

a ler, ainda, o pedro delgado alves, no ‘boina frígia’:

http://boinafrigia.blogspot.com/2007/07/cada-vez-pior.html

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 24 Julho 2007, 1:08

e a ver o boneco de que a shyz se alembrou a este propósito,

http://womenageatrois.blogspot.com/2007/07/j-tinha-utilizado-este-logotipo-uma-vez.html#links

e já agora ler, via womenage, o albergue dos danados e o nicky florentino:

http://alberguedosdanados.blogspot.com/2007/07/o-supremo-da-ptria.html

Comentário de Ana Matos Pires
Data: 24 Julho 2007, 3:21

E mais isto, no Devaneios Desintéricos http://devaneiosdesintericos.blogspot.com/2007/07/inbil-repblica.html

Comentário de ezequiel
Data: 24 Julho 2007, 3:25

zzzz zzzzz zzzz z

Comentário de Ana Matos Pires
Data: 24 Julho 2007, 3:29

f., será mais fácil para o PR tomar a posição devida por escrito, em rongorongo?

Comentário de Ana Matos Pires
Data: 24 Julho 2007, 4:00

Última hora: “”Se está em vigor, eu respeito a lei”, diz Jardim que, invocando falta de meios, manda telefonar para Lisboa, onde “esses meios existem”. Assim “ninguém está a desobedecer à lei” e “está toda a gente feliz”, afirmou Jardim à RDP regional, rematando: “Reacções vindas de Lisboa para mim são absolutamente inconsequentes”.”
Público, 24/07/2007

Comentário de antonior
Data: 24 Julho 2007, 7:24

É óbvia a falta de qualidade de Cavaco para presidir à Republica.
Tão grave mas menos falado (porque o acesso aos media está em Portugal totalmente condicionado, proliferando os comentadores de direita, e os que se dizem de esquerda são-no tão pouco, que preferem não comentar do que indispor os poderes politicos e mediaticos)foi a sua intervenção na repetição do discurso do 10 de Junho pela RTP. Total intervenção num orgão de comunicação publico está ao nivel de Chavez e só passa em claro porque Portugal continua a ser um País cheio de constrangimentos e sem uma verdadeira liberdade de expressão individual.Valha-nos a net.

Comentário de Luís Lavoura
Data: 24 Julho 2007, 9:05

Eu concordo com Cavaco Silva.

Saber se o governo da Madeira está ou não está a cumprir a lei é uma questão delicada. Eu tenho para mim que o governo da Madeira não está a violar lei nenhuma. Os tribunais é que devem decidir se há ou não há violação da lei. O presidente da república tem o direito de ter a sua opinião. Mas os tribunais é que mandam.

A Fernanda quer que Cavaco Silva “exija”. A Fernanda vê a presidência da república como um magistério de exigências. O pesidente da república “exige” e toda a gente obedece. Mas isto, constitucionalmente, não é assim. O presidente da república tem tanto direito de “exigir” como a Fernanda ou eu, e ninguém tem nada que obedecer às suas “exigências”, as quais não têm valor constitucional nenhum.

Quem avalia da aplicação das leis são mesmo os tribunais, não o presidente da república.

Comentário de F Gomes
Data: 24 Julho 2007, 10:59

Bastava que o PR à pergunta que lhe foi feita respondesse: “As leis da República são para ser cumpridas em todo o território”, seguido de um “não faço mais comentários sobre este assunto”, para o assunto ficar resolvido de uma vez por todas. Infelizmente e, como eu sempre pensei, este PR não tem estaleca para o ser.

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 24 Julho 2007, 10:59

é, luís, de facto. saber se um governo regional que diz que não cumpre a lei está ou naõ a cumprir a lei é problema delicadíssimo, até. caramba, é caso para levar uns anitos a resolver.

e claro que o presidente da república não tem o ‘o direito’ de exigir. não, luís, percebeu mais uma vez mal. tem o dever. é por isso que a malta lhe chama ‘presidente’ e ‘da república’. já tinha reparado nesse pormenor?

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 24 Julho 2007, 11:59

a ler, também, no insurgente, a troca de ideias entre adolfo mesquita nunes e joão miranda na caixa de comentários deste post:

http://www.oinsurgente.org/2007/07/23/pequenos-pormenores/#comments

aproveito para chamar a atenção do joão miranda (e do adolfo) para o facto de o facto de o SNS e os serviços regionais de saúde das ilhas efectuarem abortos há cerca de 22 anos em cumprimento da lei de 1984. compreende-se pois mal que o joão miranda se tenha lembrado apenas agora, por via da nova lei — que, nunca será de mais relembrar, resultou de um referendo — de questionar a constitucionalidade daquilo a que chama qualquer coisa como ‘o papel activo do Estado na promoção do aborto’ (traduzindo, em linguagem de bom senso: a possibilidade de os abortos serem feitos nos hospitais públicos, a cargo do erário público). correndo o risco de maçar toda a gente com repetição de evidências — que só naõ o serão para os joões mirandas –, os abortos previstos na lei anterior também destroem a vida intra-uterina e, em alguns casos — malformações como a trissomia 21, etc — vidas no limite da viabilidade (24 semanas). acho que se isso naõ é inconstitucional, dificilmente a destruição de uma vida intra-uterina de 10 semanas o será. a naõ ser que a aferição de constitucionalidade deva fazer-se, do ponto de vista do joão miranda, não na perspectiva da vida intra-uterina destruída mas de quem decide destruí-la. mesmo assim, voltando a repetir-me, relembro ao joão miranda que quem decide fazer o aborto é a grávida — os médicos só caucionam, ou naõ, a decisão dela.

enfim, é extraordinário que meses após o referendo ainda haja quem — e joão miranda e alberto joão não estão sozinhos, como se viu — ache que pode tentar ganhar isto na secretaria. que extraordinária visão da democracia e do estado de direito.

Comentário de menino mau
Data: 24 Julho 2007, 12:53

“enfim, é extraordinário que meses após o referendo ainda haja quem — e joão miranda e alberto joão não estão sozinhos, como se viu — ache que pode tentar ganhar isto na secretaria. que extraordinária visão da democracia e do estado de direito. ”

ganhar isto na secretaria …extraordinária expressão .

parece que “isto ” ( a expressão não é minha..) é um jogo de futebol.

a sua atitude tem um quanto de quixotesca . quando toda a gente já meteu o assunto do aborto na gaveta logo após o referendo , a fernanda continua ai , a gritar aos quatro ventos a SUA causa ( causa do qual se intitulou porta -voz)

não quer que a SUA causa acabe porque depois entra numa espécie de limbo em que vai perguntar-se ” E agora ? ”

até arrisco dizer que a fernanda preferia que no referendo , o nao tivesse ganho para continuar a cavalgar a onda.

aborto ? ganhou no referendo ! siga o caminho portugal que o assunto está arrumado!

Comentário de Ana Matos Pires
Data: 24 Julho 2007, 14:21

Insisto em esclarecer, tanto quanto posso e o meu tempo e paciência o permitem, algumas dúvidas que por aí vou vendo escritas. Opto, naturalmente, por elucidar questões que dizem respeito à minha actividade profissional. Já que referiste o João Miranda, f., aqui vão algumas das dúvidas que deixou no Arte da Fuga.

“Qual é mesmo o problema de saúde das mulheres que fazem abortos?”

Só a título de exemplo, para além de uma possível sépsis, de uma eventual necessidade de serem histerectomizadas ou de um aumentado risco de morte, secundários a um aborto clandestino não assistido medicamente… nenhum (problemas de saúde “menores”, de facto).

Bem, continuando…

“E, já agora, se é um problema de saúde porque é que o médico não é soberano na decisão de intervir? Afinal, se eu tiver um cancro não tenho direito a escolher o tratamento no serviço público. No serviço público todos os tratamentos estão sujeitos a decisão médica.”

Só quero esclarecer que no serviço público, e no privado já agora, o médico NUNCA é soberano a decidir. Qualquer acto médico necessita sempre do consentimento do sujeito, ou do seu representante legal, daí a existência da figura do “consentimento informado” expresso ou assinado (enfim, aceito como excepção as situações de urgência que determinam risco de vida imediato, ainda que não seja completamente verdade essa “total soberania”, mas para o caso não é importante e desviar-me-ia da questão central). Afinal, quem tiver um cancro tem direito a escolher o tratamento no serviço público, de entre as possíveis alternativas existentes (no caso do aborto, e como muito bem sabe o João Miranda porque o refere num post do Blasfémias, relembro que existem duas alternativas – o médico e o cirúrgico).

E mais outra…

“Mas o que está em causa não é a realização do Aborto na Madeira”

Deixo aqui uma pergunta que já fiz dois posts abaixo, aqui no Cinco Dias “Quem vai decidir sobre a instalação de um serviço privado que ofereça este acto médico na Madeira? E o licenciamento desse (eventual) serviço privado “beneficiará” também de um estatuto de excepção, ou será aplicada a lei nacional?”

Pingback de O Insurgente » Blog Archive » A madrinha LGBT e os seus electrodomésticos fracturados
Data: 24 Julho 2007, 14:36

[...] É inegável que a referida “jornalista de causas” é uma destacada promotora da agenda LGBT mas, enquanto cronista do regime, coloca pelo menos igual empenho fracturante na sua cruzada abortista. [...]

Comentário de Ana Matos Pires
Data: 24 Julho 2007, 16:54

Peço desculpa pelo abuso, Miguel Abrantes, mas fui-lhe roubar uma coisa ao Câmara Corporativa… http://corporacoes.blogspot.com/2007/04/quando-conversa-chega-aos-numerrios.html

Comentário de f.
Data: 24 Julho 2007, 17:19

sim, ana. muita muita mas mesmo muita paciência.

Comentário de anónimo
Data: 25 Julho 2007, 13:20

Madeira: “pérolas” do Atlântico.
O que leva uma jovem a dizer esta alarvidade?

http://povileu.blogspot.com/2007/07/procriadora.html

Comentário de Nuno Castelo-Branco
Data: 25 Julho 2007, 22:14

Na verdade, Cavaco (e a respectiva desbocada consorte) fará o possível para se manter invisível no primeiro mandato. É que o regime instaurado à bomba em 1910, já nos trouxe umas variantes. Estamos agora na fase da absoluta reserva mental do chefe do Estado, enfim uma emulação do marechal Carmona, com a mesma tacanhez, mas sem panache. É claro que a essência do chamado “republicanismo” não passa afinal de contas, de uma inconfessável chamada dos partidos ao total domínio do aparelho do Estado, já que o desígnio supremo - o bonapartismo messiânico - está fora de qualquer hipótese, dada a sofrível mediania dos consecutivos ocupantes de Belém. Cavaco está em reserva mental. Faz bem, é essa a sua função e todos os partidos, do PS ao CDS já compreenderam. Nós também já compreendemos que a simples existência do inútil, redundante e caríssimo cargo, viola todas as regras do decoro de um sistema onde a soberania deve emanar do Parlamento, existindo assim um conflito de interesses. Quando o PSD arrumar a casa, decerto irá a Belém uma embaixada de banqueiros com candidatos a futuros ministros das finanças, manifestar a costumeira …”preocupação pela degradação do Estado de coisas”… Tal como todos já adivinham, obterão uma dissolução parlamentar e desta forma, Cavaco entra na normalidade, fazendo o que Sampaio fez. Afinal para que servem tantas dezenas de acessores, senão para lhe dar os conselhos de como agir? Já existe escola e até jurisprudência do canalhismo (perdõem-me a expressão). É esta a essência da forma republicana do Estado, quer queiram ou não.

Comentário de Fernanda Câncio
Data: 27 Julho 2007, 11:11

ainda a propósito:

http://dn.sapo.pt/2007/07/26/nacional/republica_resposta_para_decisao_jard.html

Pingback de Desatinos : O Diabo não sabe nadar
Data: 28 Julho 2007, 19:02

[...] Diabo não sabe nadar Quanto a Cavaco está em campanha eleitoral, como todos os PR num primeiro mandato. Portanto, [...]

Escreva um comentário